
8 de agosto de 2022
Têm sido tempos estranhos em Hollywood. Depois de a pandemia ter potenciado o desenvolvimento de audiências para o streaming, há agora uma incerteza no panorama do mundo do entretenimento sobre aquilo que deve ser dedicado às salas de cinema, ao streaming e à televisão tradicional que vemos desde sempre. Não há uma resposta certa, mas a recessão económica que se avizinha obriga a que decisões sejam tomadas para o bem e para o mal. O caso da Warner Bros. Discovery é mais um de uma empresa à procura de se posicionar da melhor maneira. Obrigado por nos lerem, Miguel Magalhães
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Long Stories Short

Como será o futuro da HBO Max?
A receita para ter uma plataforma de streaming de sucesso já não é um segredo guardado pelos deuses. Tendo em conta as restrições orçamentais que existem sempre, a ideia é ter uma plataforma com uma experiência de utilizador aceitável e depois investir num catálogo de conteúdos que cative o maior número de pessoas possível e que as faça regressar várias vezes ao serviço porque sabem que terão sempre algo que valerá o seu tempo.Depois há modalidades de subscrição do serviço que variam, há estratégias de marketing distintas para aquisição de utilizadores e há, claro, um conjunto de visões para aquilo que deve ser a curadoria das plataformas tendo em conta aquilo que os algoritmos de cada uma ditam. E é aqui que está a beleza da coisa. Aquilo que era o caminho num determinado contexto, pode rapidamente deixar de fazer sentido se, por exemplo, as condições macroeconómicas se alterarem dramaticamente.
A Netflix, desde que criou o seu serviço de streaming, nunca equacionou ter uma modalidade de subscrição suportada por anúncios, chegando mesmo a dizer que não fazia parte da forma como olhava para o seu produto. Mas os tempos mudam, e depois de registar a sua primeira queda em termos de utilizadores em 2022, eis que vemos os anúncios a chegar à plataforma com a ajuda da Microsoft.
O mesmo se pode dizer sobre a Warner Bros. Discovery. A empresa, que resulta da fusão entre a WarnerMedia e a Discovery em abril deste ano, anunciou que em 2023 ia lançar um novo serviço de streaming que vai juntar a HBO Max e a Discovery+ numa única plataforma.
Recapitulando: A HBO Max foi lançada durante a pandemia como o serviço que ia rivalizar com a Netflix e a Disney+, tirando o melhor proveito dos franchises que fazem parte da HBO e da Warner Bros como Game of Thrones, Harry Potter e os heróis da DC. Além disto, a WarnerMedia começou também a produzir conteúdos especificamente direcionados para o streaming (tal como os seus rivais) e inclusive lançar todos os filmes da Warner Bros. em simultâneo nos cinemas e na sua plataforma para atrair mais utilizadores (algo que deixou muita gente descontente). A Discovery+ foi lançada mais ou menos no mesmo período e funciona mais como um repositório on-demand do conteúdo presente nos canais Discovery.
Entretanto: A criação de uma nova empresa levou a que o ex-CEO da Discovery, David Zaslav, se tornasse CEO da Warner Bros. Discovery, gerando uma série de dúvidas sobre se seguiria ou não aquilo que era a estratégia da WarnerMedia para streaming, TV e cinemas. E a verdade é que o novo executivo não perdeu tempo a criticar a visão da antiga direção, escolher uma diferente e desmanchar algum do trabalho que vinha a ser feito (como acabar com a CNN+ ao fim de um mês), começando pela própria HBO Max.
O que vai acontecer agora?
Numa reunião com investidores na semana passada, Zaslav teve de apresentar aquilo que era o seu plano estratégico para empresa e como se queria posicionar no mercado. Mas aproveitou também para justificar o que já não ia acontecer. Vamos por partes:
A nova plataforma (ainda não tem nome) terá ao que tudo indica uma modalidade paga sem anúncio e outra mais barata assente em publicidade.
A tecnologia utilizada para o novo serviço de streaming será a da Discovery+, mas com uma curadoria mais semelhante à da HBO Max.
Os filmes Warner Bros. vão passar a ter lançamento exclusivo nos cinemas, sem ainda haver um período definido para chegar ao streaming (ex: “The Batman” ficou disponível na HBO Max apenas 45 dias depois de ter estreado).
Vai haver um corte na despesa, dado que a empresa tem atualmente 50 mil milhões de dólares em ‘debt’, um valor problemático numa altura em que as taxas de juro estão a subir em todo o mundo.
Este último ponto é particularmente relevante porque significa que a Warner Bros Discovery estará bastante mais preocupada com a otimização financeira que, por norma, significa corte de pessoal e cancelamento de projetos. E foi precisamente isso que aconteceu.Por um lado, a empresa anunciou o cancelamento de diversos filmes e séries (alguns já produzidos ou em produção) com destaque para “Batgirl”, um filme do universo de Batman que teve um orçamento de 90 milhões de euros na produção e que foi remetido diretamente para a gaveta pela nova direção.Por outro, Zaslav apresentou uma perspectiva clara sobre a forma como olha para o papel da HBO e da Discovery dentro da empresa. A primeira será responsável por todo o conteúdo de ficção e documental, mais direcionado para um público masculino. A segunda estará focada no conteúdo de reality TV, mais direcionado a um público feminino. Ou seja, as pessoas que estivessem nestas empresas a trabalhar em conteúdo “alternativo” provavelmente serão despedidas.
Resumindo: É difícil dizer se esta será uma estratégia vencedora ou não. As estratégias dos grupos de media variam de acordo com aquele que é o seu principal negócio. No caso da Netflix é o streaming. No caso da Disney são os parques de diversão e os produtos de consumo, o que faz com que os filmes e o streaming sirvam mais como um canal de marketing para essas divisões. Na Amazon, o Prime Video é utilizado como um incentivo para as pessoas comprarem pela sua plataforma de ecommerce ou para utilizarem as suas soluções de cloud. O desafio para a “Warner” é perceber onde está o seu eixo vencedor e como é que esta nova plataforma poderá torná-lo mais forte.
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Vi algures no nosso site 👀
Urbanista do Twitter transforma grandes cidades em utopias. O desafio é simples: como seria a nossa cidade, quando olhamos para o Google Maps, se tivesse menos carros, mais pessoas e fosse harmoniosamente mais amiga do planeta? É precisamente isto que um norte-americano está a tentar imaginar no Twitter em várias cidades com recurso à inteligência artificial.E se pudesse escolher uma regalia no trabalho? Uma sondagem procurou saber, de forma hipotética, quais seriam os benefícios pouco habituais (ou possíveis num mundo cor-de-rosa) que os trabalhadores gostariam de receber. Neste âmbito, a “Licença de Recuperação Remunerada” foi uma opção bem popular.South Europe Startup Awards: Ydata é “Best Newcomer” e Fabiana Clemente distinguida como “Founder of the Year”. O evento South Europe Startup Award é uma competição com o objectivo de reconhecer os melhores intervenientes do ecossistema de startups no sul da Europa.Foi fundada por Usain Bolt, eclipsou-se e deixou várias cidades penduradas — mas não é a Bolt que anda por cá. A Bolt Mobility, uma startup de mobilidade fundada por Usain Bolt, mais conhecido por bater recordes de velocidade nos Jogos Olímpicos, deixou de operar subitamente em oito cidades norte-americanas, deixando as autarquias sem saber o que fazer com o mobiliário de bicicletas e trotinetes da empresa.TikTok-ificação do Instagram provoca êxodo para rivais. Fotógrafos, designers e outros utilizadores ligados à criação de conteúdo estão à procura de alternativas ao Instagram em protesto com as mudanças recentes.
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Vi algures na Internet 💻
EUA. Depois de 18 meses de negociações, o Senado norte-americano aprovou o Inflation Reduction Act (IRA) — um documento da administração Biden que traz grandes alterações nos impostos/cuidados de saúde e reforça a luta contra as alterações climáticas com o maior investimento federal de sempre do país em energia limpa. (AP News)Softbank. O grupo japonês revelou perdas de 23 mil milhões de dólares entre abril e junho (à custa do Fundo Vision), um valor histórico e o mais elevado de sempre. (Wall Street Journal)Axios. O site de notícias “vai vender-se” à Cox Enterprises por uns reportados 525 milhões de dólares. (Axios)Realeza & NFTs. O príncipe da República Checa (ou Chéquia), William Rudolf Lobkowicz, de 27 anos, está a tentar redefinir um legado de 700 anos de castelos e artefatos com recurso à tecnologia blockchain e o metaverso. (CNBC)Netflix. 99% dos subscritores ainda não experimentaram qualquer jogo (grátis) da plataforma. (The Verge)Buy Now, Pay Later. O relato de uma jovem de 27 anos que ficou viciada em pagar só depois de comprar. (Vice)Twitter. A rede social confirmou uma falha de segurança que poderá ter comprometido informações pessoais de mais de cinco milhões de contas. (Axios)Roomba. A Amazon chegou a acordo para comprar os famosos robôs de limpeza. O negócio está avaliado em 1,7 mil milhões de dólares e diz-se por aí que tem tudo a ver com dados e mapear as nossas casas. (Bloomberg)Starbucks. A cadeia de lojas de café avançou com aumentos para o staff nos EUA… mas só para membros que não estejam ligados a sindicatos! (Quartz)Facebook. Apesar de todas as notícias menos positivas que vão saindo sobre a Meta (empresa) e a mudança levado a cabo por Mark Zuckerberg em prol do Metaverso, a realidade é apenas uma: a plataforma continua a fazer milhões. (Bloomberg)Jake Paul. A estrela do YouTube (sim, esse Jake Paul, que saltou para os ringues de boxe) acabou de arranjar um investimento de 50 milhões de dólares para avançar com uma plataforma de apostas. (Axios)
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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abílio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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