1 de agosto de 2022

Período de descanso, lazer e ócio. Tudo coisas boas das férias, que a maioria dos trabalhadores planeia com meses de antecedência e com as quais sonha assim que regressa ao trabalho. No entanto, a verdade é que podem acarretar também uma dose extra de labuta até o nosso calendário relembrar que vão começar. Afinal, porque é que trabalhamos tanto e tão arduamente antes de irmos para o nosso muito aguardado período de repouso? Obrigado por nos lerem, Abílio dos Reis

Long Stories Short 

 Porque trabalhamos a dobrar antes das férias? 

Não será certamente uma questão transversal a todos os negócios, mas é comum ter de planear antecipadamente o trabalho a ser feito nos dias em que vamos estar fora. Especialmente durante o período das férias de verão. Ainda que seja uma época teoricamente mais calma, há projetos para avançar, reuniões para organizar e distribuir trabalho, pessoas a quem responder porque sabem que vamos estar "fora de serviço".Mas a verdade é que, às vezes, é um período tão intenso que ficamos com a sensação de que precisamos de umas férias só para o período de pré-férias. O que nos remete para a questão: porque é que isto acontece? É uma realidade comum e generalizada ou tem as suas especificidades? Foi o que um artigo recente da The Atlantic procurou saber junto de vários académicos ligados ao setor social e empresarial.Uma das conclusões a que se chega é a de que é um fenómeno que afeta mais os trabalhos de escritório do que outras áreas. Há locais onde trabalhar mais intensamente antes de umas férias pouco faria para aumentar a produtividade, mas quando se trabalha numa área em que é possível adiantar serviço para compensar a ausência a tendência é para que isso aconteça. E existem algumas razões que o explicam:

  • A distribuição ou delegação de trabalho nas empresas. Como muitas vezes é uma pessoa ou chefia a assumir determinada função, além de fazerem o seu trabalho normal, as pessoas podem ficar atoladas por ter de explicar aos outros como proceder quando estiverem fora;

  • "Deadline rush". É a ideia de que consigamos fazer muitas tarefas pouco antes do prazo de entrega. Só que ao estabelecermos uma data limite num estilo "acabo antes das férias" podemos estar a criar uma situação de stress e de acumulação de trabalho;

  • Não querer deixar trabalho por fazer. O sentimento de "dever cumprido" é muitas vezes determinante para que consigamos aproveitar o período de descanso. E isto acontece não só por uma questão de política cultural de uma empresa ou país, é também psicológico. Deixar trabalho por fazer pode causar desconforto emocional porque não existiu um momento "de finalidade". Sem ter feito por isso, o trabalhador sente que não "merece" as férias.

Uma questão cultural

Depois há toda uma questão que tem a ver com o mindset e cultura. Sendo o artigo de uma publicação norte-americana, o foco está naturalmente ligado à realidade dos Estados Unidos. Uma professora da prestigiada INSEAD, uma famosa escola francesa de gestãoexplica que a principal diferença entre a Europa e os EUA prende-se com o facto de as empresas e negócios por terras do Tio Sam olharem para o período de lazer com desconfiança — há o sentimento de culpa por ir de férias, pelo que se trabalha a dobrar para compensar.

  • Segundo a docente, este comportamento não é habitual na maioria dos países europeus, especialmente se estivermos a falar das férias de verão. É comummente aceite que durante este período há serviços limitados, que as coisas demoram um pouco mais a serem feitas e que as pessoas precisam de ir de férias para recarregar baterias. 

  • "Claro que há a sensação de que há algumas coisas que quero acabar e até pode haver alguma urgência de última hora, mas não é nem de perto como o que acontece nos EUA", justificou.

O que pode ser feito para facilitar este período? Um dos académicos sugere que seja feita uma adaptação do modelo tradicional de trabalho e dá o exemplo de que podem ser criados documentos internos ao estilo Wiki, para que seja fácil delegar tarefas nestas alturas.

  • Outra das sugestões passa por as empresas reduzirem a carga de trabalho dos trabalhadores nos dias antes das férias ou pelo menos atribuir-lhes tarefas de curto prazo que possam ser concluídas antes de largarem funções.

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Vi algures no nosso site  👀

É este o fim do “social” das redes sociais? O anúncio de que o Facebook vai sofrer grandes alterações e que a experiência dentro da rede social vai privilegiar uma seleção de vídeos escolhidos por algoritmos ao estilo TikTok parece confirmar aquilo que a tendência de consumo já ameaçava: de que estamos na etapa final da Era do «social networking».iLoF. 5 milhões de dólares para acelerar o futuro da medicina personalizada. A ronda de financiamento vai ser utilizada para acelerar o desenvolvimento da plataforma da iLoF, que utiliza inteligência artificial para pesquisar novos medicamentos, fazer triagem de pacientes e analisar perfis biológicos.“Regresso à normalidade” leva Shopify a despedir cerca de 1000 pessoas. Decisão representa um corte de 10% no staff da tecnológica canadiana, uma das empresas que mais beneficiou da transição digital provocada pela pandemia.GoParity levanta 1,2 milhões de euros em apenas uma horaA Goparity, a plataforma portuguesa de finanças de impacto, lançou uma campanha pública de angariação de capital, convidando qualquer pessoa (maior de idade) a juntar-se à sua estrutura acionista.

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Vi algures na Internet  💻

Ações… humanas? E se no futuro pudéssemos vender ações de nós próprios? Dois irmãos estão a testar o mercado e a teoria. (The New Yorker)Quem é que toma conta dos estagiários? Nos EUA, há cidades em que há mais jovens aprendizes nos escritórios do que chefes e supervisores. (New York Times)"CHIPS and Science". Congresso norte-americano aprova 52 mil milhões de dólares para acabar com a crise dos semicondutores e dependência externa. Produtos tecnológicos como consolas e máquinas de lavar poderão ficar mais baratas. (The Verge)Jack Ma & Ant Group. Entrada na bolsa foi novamente adiada porque o empresário chinês pretende ceder o controlo da fintech após pressões de Pequim. (Jornal de Negócios)Apple. Apesar dos seus pares apresentarem resultados menos positivos, as receitas e ganhos da marca da maçã superaram as expectativas. (Axios)Trabalho. Parece que estamos a ficar mais intransigentes e rudes. E, de acordo com a ciência, os gestos e observações com menos educação podem mesmo repercutir-se e alastrar (i.e, são contagiantes) para o resto da equipa. (Fast Company)Furacões. O tempo está demasiado perigoso para enviar pilotos? A solução está nos drones e noutros instrumentos tecnológicos. (Marketplace)Uber. Em prol da transparência, os motoristas da plataforma nos EUA vão começar a ter acesso às suas tarifas e rotas antes de aceitarem as viagens. (Axios)Robinhood. Um ano após a estreia nebulosa na bolsa, a vida da fintech inovadora que prometia “tirar aos ricos para dar aos pobres” continua trémula. (Protocol)Espaço. Cientistas descobriram um novo e especial sistema solar — algo nunca antes visto. (Axios)

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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abílio dos Reis, João DinisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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