18 de julho de 2022

Que a Netflix estava a estudar a hipótese de ter anúncios já o sabíamos. O que não se sabia nem ninguém estava a prever era que a líder do mercado streaming se ia agigantar com uma parceria com outro colosso tecnológico: a Microsoft. Mas numa altura em que continua a perder subscritores, valor em bolsa e receitas, há quem acredite que o negócio mais importante ainda está por consumar. Obrigado por nos lerem, Abílio dos Reis

Long Stories Short 

Parceria ou mais do que isso?  

No início da última semana, a Netflix e a Microsoft surpreenderam ao anunciar que vão trabalhar em conjunto. Mais concretamente, fizeram saber que a Microsoft será o parceiro global da Netflix e juntas vão trabalhar num novo plano de subscrição com publicidade. Simplificando: a segunda vai tratar dos anúncios da primeira.Era sabido que a Netflix estava à procura de parceiros e que andava em conversações com vários players da indústria como a Comcast (uma mega corporação que é a dona da NBC Universal, dos canais Sky, entre outras coisas muito valiosas) ou a Google. No entanto, a escolha final, sabe-se agora, recaiu pela Microsoft.Como é que chegámos aqui. A Netflix anunciou no início deste ano aquilo que, em tempos, jurou que nunca iria fazer: fazia intenções de lançar uma subscrição com anúncios para fazer face à perda de receitas, subscritores e investidores.O que é? O utilizador vai ter mais uma opção para usufruir do serviço, em que vai ter a possibilidade de escolher uma versão mais barata, mas que será suportada por anúncios. Sobre os motivos que a levaram a isso já os abordámos aqui.Como é que vai ser? A plataforma ainda não divulgou detalhes ou em que moldes será a dita subscrição. Mas a julgar pelo que a concorrência já faz nos Estados Unidos, é possível que antes e durante o episódio passem anúncios à semelhança do que acontece, por exemplo, no YouTube. E que exista publicidade espalhada na plataforma.Quando é que vai ser lançada? As notícias além fronteiras apontam para que seja lançada ainda no final deste ano. Mas as conversações ainda estão numa fase muito inicial e é difícil de prever exatamente o que vai acontecer.  A realidade é que a Netflix não avançou quer datas para o lançamento da modalidade, quer estimativas para o seu custo.OK: Mas porquê a Microsoft? Segundo um especialista consultado pela Digiday, a globalidade da empresa. É que dos atuais 222 milhões de subscritores da Netflix, 147 milhões estão fora do mercado norte-americano/canadiano. A Microsoft garante a oportunidade de monetizar em todos os mercados do mundo e não apenas nos maiores.Mas também porque:

  • A Netflix está a apostar muito dinheiro em videojogos e a Microsoft está a trabalhar no sentido de colocar publicidade na consola Xbox — o que pode servir o interesse de ambas as partes;

  • Por último, a tecnologia da Microsoft pode ajudar a Netflix noutra frente de batalha: a caça à partilha de palavras-passe. Segundo a plataforma de streaming, esta prática custa 6,25 mil milhões de dólares anuais em receitas. 

E porque não a Google ou a Comcast? Por motivos de concorrência. Afinal, há que pensar no YouTube no caso da primeira e do serviço de streaming Peacock, no caso da segunda. 

  • Ainda assim… Há quem alerte que a Microsoft não tem provas dadas no streaming. A Xandr, empresa recém-adquirida pela Microsoft, traz uma muito necessária experiência em venda de anúncios para TV, mas é "verde" na área que mais interessa à Netflix. O que pode resultar num tiro no pé.

E o que é que isto significa para a Microsoft? Depois de ultrapassar os 10 mil milhões de dólares em receitas de publicidade em 2021, para a Big Tech esta parceria não é mais do que a continuação daquilo que tem vindo a fazer nos últimos meses: apostar forte nos anúncios na área tecnológica.

Mas quer isto dizer que a Microsoft está a preparar terreno para comprar a Netflix? Não se sabe. Há, contudo, uma analista que acredita que sim. Laura Martin, da consultora Needham, em entrevista à Yahoo! Finance, sugeriu que a Netflix continua a perder dinheiro e estava à procura de "uma saída" e que o acordo anunciado tem uma "agenda secreta".

  • Em resumo, Martin explicou que a Netflix está à espera que a Microsoft "faça a digestão" e finalize a compra da empresa de videojogos Activision Blizzard para se mostrar — estando com um pé dentro, mostra o que de valioso tem para ser vendida. Mais: diz que mais nenhuma outra empresa com a qual a Netflix pudesse ter feito uma parceria tem liquidez ou capacidade para enfrentar os reguladores enquanto gasta 100 mil milhões de dólares na aquisição. Mas a Microsoft pode muito bem fazê-lo.

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Vi algures no nosso site  👀

A tecnologia que entra nos carros de Lewis Hamilton e George Russell em qualquer lado, em qualquer momentoUm olhar sobre a parceria entre a equipa de F1 da Mercedes e a tecnológica alemã TeamViewer. (Link)Mais de 1000 engenheiros escolheram o Fundão para viver

A receita para atrair “novos fundanenses” é ganhar lugar no mapa mundo da inovação. (Link)Uma cidade Web3 em Portugal? Para já nãoPorto, Algarve e Madeira são algumas das cidades e regiões onde a Web3 está a ser testada em vários projetos. Ainda não são Miami. (Link)A Web3 vai, finalmente, devolver a música a quem a faz (e até a quem a ouve)?Do Napster ao Spotify foi feito um longo caminho e a web3 volta a pôr na agenda o tema de sempre: afinal de quem é a música? (Link)

NEST vence na categoria “Inovação” dos prémios BTLA Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) distinguiu os melhores stands da última edição do certame, que regressou à FIL após o interregno imposto pela pandemia. (Link)

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Vi algures na Internet  💻

Musk & Twitter. Os advogados do dono da Tesla vão tentar adiar a ida a tribunal com o Twitter. A intenção da rede social é que o caso comece já em setembro, mas a equipa legal de Musk quer adiar até fevereiro do próximo ano. (New York Times)Google. O motor de busca está a perder terreno para o Instagram e TikTok. Na altura de pesquisar, a Geração Z (nascidos depois de 1996) parece preferir as redes sociais. (Morning Brew)The Great Resignation. Psicólogo que cunhou o termo acredita que a onda de demissões dos últimos dois anos alterou as regras do jogo para sempre. (CNBC)Futuro das marcas & Empresas. Os consumidores mais jovens estão mais predispostos a promover marcas que reflitam os seus valores do que boicotar aquelas que não o fazem. (Axios)Rússia & Cripto. Vladimir Putin assinou um decreto-lei que proíbe a utilização de criptoativos como método de pagamento de bens e serviços. (Protocol)NFTs sem futuro no gaming?  A Sony descartou estes tokens e lançou algo parecido que apelidou de "digitais colecionáveis".  (The Washington Post). Mas está longe de estar sozinha. A culpa pode estar nos recente crash dos criptoativos e no facto de os jogadores não serem grandes fãs dos NFTs. (Protocol)Internet Explorer. Depois de 27 anos no ativo, a Microsoft deu ordens no passado dia 15 para desligar as máquinas do velhinho browser. (CBS)Amor & tecnologia. Atualmente, um terço dos casamentos começa através das aplicações ou sites de encontros. Ainda assim, a satisfação dos clientes que as utilizam é pior do que a verificada nos serviços de telecomunicações e companhias aéreas. (The Hustle)Espaço. A NASA começou a divulgar esta semana as fotografias do Telescópio Espacial James Webb que vão ajudar a mudar a forma como o público e os cientistas percepcionam a história do universo. E é assim que funciona! (Axios)You.com. Trata-se de um novo motor de busca e os seus criadores não poupam na ambição: querem ser melhores do que o Google. (Protocol)Gatos, tecnologia e IA. Há uma corrida em aberto para encontrar "soluções" que tratem dos resíduos dos nossos felinos domésticos favoritos. Desde mudanças de cor que podem detetar doenças até à IA que segue os hábitos de higiene destes felpudos. (Axios

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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abílio dos Reis, João DinisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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