11 de julho de 2022

“Winter is coming”. A emblemática frase de “Game oh Thrones” foi apropriada, nos últimos meses, por analistas financeiros para identificar o inverno das criptomoedas, ou em palavras menos poéticas, a queda que têm sofrido os criptoativos desde o início do ano. Diogo Mónica, um dos rostos da criptoeconomia em Portugal e do mundo enquanto CEO e fundador do Anchorage Digital Bank, é taxativo sobre o atual momento. Diz ele:1. O inverno já chegou (na economia global)2. Contrariamente ao que se passa no “Game of Thones”, na criptoeconomia chega a cada três anosE é com uma entrevista realizada no âmbito da conferência “Web3: The New Creator Economy” promovida pelo The Next Big Idea no Festival Elétrico que iniciamos uma série de conteúdos com que vamos reforçar o acompanhamento à Web3 e às empresas que estão a reescrever a internet como a conhecemos.Obrigada por nos acompanharem,Rute Sousa Vasco

Long Stories Short 

Mas afinal o que é a Web 3.0? 

Web3 designa uma nova etapa da internet cujo início tem lugar em 2008 com a invenção de uma nova tecnologia – a blockchain – por Satoshi Nakamoto, um nome cujo rosto ninguém conhece e que muitos questionam a efetiva identidade. A blockchain surge como tecnologia de suporte da Bitcoin, a primeira criptomoeda cuja circulação foi limitada pelo seu criador a 21 milhões de unidades.Como evoluiu a internet?Procurando simplificar o que, em cada etapa, foi na verdade mais complexo, podemos apresentar assim a evolução de três décadas:

  • Web1, ou a primeira etapa da internet, é o período inicial de acesso global à internet em que podíamos “ver coisas” online

  • Web2, ou a segunda etapa da internet, tem início com o Facebook (2004), a primeira rede social global, e explode com o lançamento do iPhone (em 2007); além de podermos “ver coisas” passávamos a poder “fazer coisas” online

  • Web3, a nova etapa que atualmente vivemos, inicia-se com a invenção da blockchain e criação da Bitcoin e tem como premissa a possibilidade de sermos donos da nossa identidade na internet ou de ativos que só existem online

  • Uma imagem que é habitualmente usada para se descrever estes três momentos recorre a uma analogia desportiva: na Web1 podíamos ver um jogo, na Web2 podíamos participar no jogo e na Web3 podemos ser donos da equipa

  • Web5? Alguns nomes bem conhecidos da tecnologia questionam a Web3 que apontam como sendo uma “invenção” de investidores. Jack Dorsey, fundador do Twitter e da Square, contrapropõe mesmo um novo conceito - a Web5 - que seria o somatório da Web2 (a internet das redes sociais) com a Web3 (a internet dos criptoativos, dos NFTs e do Metaverso).

O inverno das criptomoedas é a mesma coisa que a recessão económica que se antecipa?Não, mas a coexistência de uma quebra nos criptoativos com um contexto macroeconómico de inflação e de possível recessão torna o momento atual diferente de “invernos” anteriores e deixa várias questões em aberto.

  • Uma primeira questão refere-se à capacidade das criptomoedas serem imunes à inflação, característica que lhes era apontada até ao atual contexto de elevada inflação. O comportamento das principais criptomoedas tem sido, na prática, idêntico aos das principais divisas internacionais, como o dólar ou o euro cuja valorização / desvalorização pode ser promovida pela atuação das autoridades monetárias centrais, como a Reserva Federal ou BCE. 

  • A segunda questão prende-se com confiança, um fator tão determinante na criptoeconomia como na economia de sempre. Nos Estados Unidos aponta-se para que cerca de 50 milhões de pessoas tenham já investido em criptoativos; isso significa uma relativa generalização, mas também um aumento de risco. A desvalorização da criptomoeda Luna (que desceu a pique até praticamente zero) deixou quem investiu furioso e a exigir um outro controlo sobre as plataformas de criptoativos (mesmo que o seu fundador tenha já entretanto anunciado um nova vida com a Luna 2.0).

  • “Ainda bem que o bear market aconteceu agora”, têm dito vários protagonistas da Web3, incluindo Diogo Mónica na entrevista ao The Next Big Idea. Porquê? Porque, afirmam várias vozes no setor, a escassez de recursos (financeiros e não só) vai obrigar as empresas a focarem-se em melhorar os seus produtos e serviços e a procurarem onde podem ser efetivamente úteis. Outros, mais ácidos, recordam uma máxima do setor financeiro atribuída a Warren Buffett: “só quando a maré está baixa, é que se vê quem está a nadar despido”. 

Ou seja, depois deste inverno, saberemos quem serão realmente os protagonistas na nova internet.

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Vi algures no nosso site  👀

Web 1, 2, 3 ou mesmo 5. A nova internet devolve-nos a liberdade que perdemos? Uma conversa entre Rute Sousa Vasco, autora do The Next Big Idea, e Vítor Magalhães, fundador da Byside e promotor do Festival Elétrico (Link)Musk quer rasgar o acordo, Twitter quer continuar. Afinal, em que pé está o negócio? Elon Musk quer rasgar o acordo de compra do Twitter no valor de 44 mil milhões de dólares. (Link)Uber Files: Para dominar e crescer, valeu quase tudo. De práticas ilícitas a lóbis políticos. Documentos internos revelam as estratégias da empresa para a sua expansão global entre 2013 e 2017 (Link)É assim que o cérebro controla a "tentação" de agir. Um novo estudo, publicado na revista Nature, revela como uma área do cérebro nos impede de agirmos precipitadamente (Link)Como é que o cérebro decide o que vamos comer? Um estudo divulgado na revista Nature revelou que cientistas da Fundação Champalimaud, em Lisboa, conseguiram identificar os neurónios-chave que controlam o desejo por proteína durante a gravidez e em situações de restrição nutricional (Link)

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Vi algures na Internet  💻

Twitter a solo. Aquisições e confusões à parte, a rede social do passarinho está a testar o “CoTweets”, uma ferramenta que vai permitir a co-autoria de um tweet a dois utilizadores. A relevância: vai dar um veículo comum a marcas e influenciadores. (TechCrunch)Musk e filhos. Ao ser notícia de que foi pai de gémeos (com Shivon Zilis, uma diretora da Neuralink, empresa que Musk fundou e da qual é co-CEO), o número conhecido de filhos do homem mais rico do mundo subiu para nove. A relevância: a "dinâmica de poder inerente entre os dois levanta questões sobre a ética no local de trabalho", segundo o NYT.  (The New York Times)Apple & Lockdown Mode. A empresa da maçã anunciou uma nova funcionalidade, um nível “extremo de segurança”,  desenhado especificamente para quando os utilizadores são alvos de “ameaças graves”. Por outras palavras, trata-se de uma funcionalidade (que vai ser disponibilizada no iOS 16, no iPadOS 16 e no macOS Ventura) destinada a proteger políticos, jornalistas e ativistas. Ou seja, uma espécie de antídoto aos Pegasus informáticos. (CNET)TikTok (1). Os senadores dos Estados Unidos querem que se investigue. Mais concretamente, um comité do Senado pediu à Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla original) que averigue se as autoridades chinesas estão a ter acesso aos dados dos utilizadores americanos. (ForbesAmazon. Um dos dias mais agitados (as 48 horas do Amazon Prime Day) para o negócio de Bezos do ano está na calha. E é assim que o centro de logística de Carteret, em Nova Jérsia, gere 3.5 milhões de pacotes por semana. (Axios)TikTok (2). A empresa está a ser alvo de múltiplos processos judiciais de pais que alegam que os filhos morreram ao tentarem o "Desafio do Apagão”. Em resposta, o TikTok defende-se alegando que os utilizadores viram o desafio noutras plataformas e afirma que nunca foi uma tendência na sua. (The Verge).Aumentos. Empresas americanas como a T. Rowe Price ou a Exxon estão a oferecer aumentos de salários a meio do ano para fazer face à subida do preço da gasolina e bens essenciais devido à inflação — e também para não verem os seus empregos a fugir para a concorrência. (The Wall Street JournalSmiley face. Há quase 50 anos, um homem 'inventou' a cara sorridente moderna que hoje conhecemos e adoramos. Mas foi preciso outro homem, do outro lado do planeta, transformar a carinha amarela num negócio multimilionário de 500 milhões anuais. (The Hustle)Espaço. A NASA vai partilhar em breve as primeiras imagens a cores tiradas pelo Telescópio Espacial James Webb. Vêm aí galáxias, nebulosas e até um planeta gigante fora do nosso Sistema Solar. (NASA)Tinder. A app lançou várias iniciativas nos EUA que permitem aos utilizadores tomarem posição contra a revogação da lei do aborto. Agora, além de poderem incluir "Pro-Choice" como um interesse nos seus perfis, a aplicação de encontros também promove várias causas. (Tinder)

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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abílio dos Reis, João DinisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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