4 de julho de 2022

O verão no qual a maior parte das companhias aéreas esperava regressar a níveis de pré-pandemia está a ser marcado por uma série de voos cancelados e congestionamento nos aeroportos, não só em Portugal, mas um pouco por toda a Europa. Um desafio grande também para as diferentes economias que, com uma crise económica à vista, não querem abdicar das preciosas receitas do turismo. É o tema da newsletter de hoje.

Obrigado por nos lerem,Miguel Magalhães

Long Stories Short 

Europa é o pior sítio para viajar 

Quem acompanhou as notícias em Portugal, nos últimos dias, poderá ter reparado que se sucederam os comunicados de diferentes companhias áreas a justificarem o cancelamento dos voos. Em Lisboa, que recebe uma maior percentagem dos voos direcionados a Portugal, foram canceladas mais de 130 viagens aeronáuticas e muitas foram ainda obrigadas a mudar o seu destino para Faro e para o Porto.

A situação é indesejada para todos os intervenientes:

  • Os viajantes, no primeiro verão sem grandes restrições, veem as suas férias estragadas ou por não conseguirem ir para o destino que queriam ou por terem dificuldade em regressar ao seu dia-a-dia;

  • As companhias aéreas, que depois de dois anos a sangrar, esperam que o primeiro verão “mais normalizado” lhes pudesse dar uma estabilização ou aumento de receitas;

  • Os próprios países que veem em cada voo cancelado uma oportunidade perdida de fomentar o seu produto turístico, seja através de experiências, restauração ou estadias em qualquer tipo de alojamento.

Mas isto está longe de ser um problema só português, apesar de todas as críticas que podem ser apontadas aos aeroportos e de algumas polémicas que também marcaram a agenda política este fim de semana.Olhando para o Velho ContinenteNa Ásia, continuam a observar-se uma série de vagas de Covid-19 que aumentam as restrições para viajantes e reduzem os destinos possíveis. Nos EUA, existe uma crise de oferta de pilotos, que faz com haja demasiados aviões à espera de um comandante que os pilote.

No entanto, o caso europeu parece mais grave e um artigo recente da Bloomberg explorou as raízes do problema, encontrando padrões semelhantes nos aeroportos de Londres, Frankfurt, Paris ou Amesterdão. Primeiro, alguns números:

  • Entre abril e junho, o número de voos europeus cancelados foi o dobro dos registados por voos norte-americanos, de acordo com a RadarBox.com;

  • O aeroporto de Schiphol, em Amesterdão, lidera o ranking de cancelamentos, registando mais de 14 mil voos cancelados no mesmo período;

  • Em junho, o número de voos cancelados na Alemanha, França, Itália e Espanha foi o triplo do registado em 2019, de acordo com a consultora Cirium;

  • Na semana passada, um voo Londres-Alicante estava 3x mais caro comparado com o mesmo período em 2021, de acordo com a Kayak.com.

Portanto, independentemente do país e da sua saúde económica, se tivéssemos de fazer uma caricatura da situação aeroportuária, ela seria basicamente a mesma. E a explicação é mais ou menos lógica.

Durante a pandemia, os aeroportos e as companhias aéreas foram obrigados a fazer um “downgrade” à sua oferta (menos pessoas) devido a baixa dramática no volume de viagens. Este verão, o ritmo de viagens voltou aos níveis de 2019, mas a maior parte dos aeroportos e companhias não tinha reposto a oferta de antigamente, o que leva a uma capacidade inferior de processamento de tripulantes em toda a cadeia, desde a segurança ao tratamento das bagagens. 

Como tudo funciona de uma forma mais lenta, as filas alongam-se, os tempos de espera crescem e muitos aviões são obrigados a partir mais tarde. Face a um perigo de rutura das operações dos aeroportos, estes são obrigados a pedir às companhias aéreas para cancelarem voos, de modo a terem um melhor controlo sobre o tráfego aéreo e de pessoas. Com menos oferta de voos, os que restam tornam-se mais valiosos e os preços acabam por escalar nos diferentes algoritmos de compra de viagens.Como voltar ao “normal”?A resposta mais óbvia seria tanto os aeroportos como as companhias aéreas reporem os recursos, em termos de staff, que apresentavam antes do aparecimento do Covid-19. No entanto, existem alguns entraves, alheios e não alheios, a estes intervenientes:

  • Os salários. De um modo geral, posições nas divisões operacionais das companhias aéreas e dos aeroportos não são propriamente bem pagos, o que dificulta o processo de fazer regressar ex-trabalhadores ou de recrutar novo pessoal, que vê melhores oportunidades noutros empregos;

  • As greves. Precisamente por esta razão, os próprios trabalhadores que ficaram estão a exigir melhores condições, o que implica um aumento de custos redobrado para quem está a tentar recrutar mais pessoas;

  • As margens. Tudo isto continua a ser um negócio e, no final do dia, mesmo com um serviço pior, as companhias aéreas e aeroportos fazem constantes comparações entre a rentabilidade de uma extensão do número de voos com mais pessoas e a rentabilidade de uma oferta mais reduzida com mais queixas, mas preços mais altos.

E, para já, parece haver um cenário vencedor que não significa boas notícias para quem for viajar este verão.

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The Next Big Idea apresenta...

Porque é que as startups vêm para Portugal? 

Nos últimos anos, Portugal tem-se tornado um mercado cada vez mais atrativo para startups internacionais. Por isso, fomos falar com duas delas — a Sunday e a Mollie — e com os seus respetivos country managers, para perceber as suas estratégias e a forma como olham para o mercado português.

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Vi algures no nosso site  👀

Quando vai ser o “momento iPhone” da web3? (Link)A Web3 foi tema de fundo conferência “The New Creator Economy” que o The Next Big Idea organizou em parceria com o Festival Elétrico.Feedzai cria bolsa “Women in Science” em parceria com o Instituto Superior Técnico (Link)A iniciativa pretende promover o papel das mulheres em áreas científicas.Emails profissionais de férias? Deixe um cavalo islandês tratar do assunto (Link)Uma nova campanha do gabinete de turismo da Islândia oferece a possibilidade de ter um cavalo islandês a escrever um mail automático a explicar que está de férias no país. (E, sim. Tudo isto é real. A campanha, os cavalos e os e-mails.)

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Vi algures na Internet  💻

BlockFi & FTX. O CEO Zac Prince confirmou no Twitter que a empresa chegou a acordo com a divisão norte-americana da FTX para uma nova linha de crédito — um acordo que dá à FTX a opção de compra da exchange. (Decrypt)Klarna. A fintech sueca de "buy now, pay later" pode valer muito menos do que valia há um ano. A fazer fé nas notícias, a empresa está perto de garantir um novo financiamento numa avaliação de 6,5 mil milhões de dólares, valor bem abaixo dos 45,6 mil milhões verificados no ano passado. (Wall Street Journal)Voyager Digital. A corretora de criptoativos suspendeu as transações, depósitos e levantamentos na sua plataforma. Segundo o comunicado da empresa, parte da decisão teve que ver com o facto da Three Arrows Capital ter apresentado os papéis para a bancarrota. (CNBC)Three Arrows Capital. A ascensão e queda deste de grupo de investimento de cripto tem sido notícia nos últimos dias pelo efeito dominó que pode vir a ter — até há quem fale em história de “Ícarus” do cyberpunk. (Axios)Anúncios crypto. A crise e o crash do mercado levou a que as empresas ligadas aos criptoativos apertassem o cinto em tudo o que reduz custos — advertising incluído, uma vez que se gastou menos 70% nesta área nos últimos meses. (Digiday)A cidade n.º1. A melhor cidade do mundo para viajar e trabalhar remoto talvez não seja a que está à espera. Segundo um estudo da companhia aérea islandesa Icelandair, o melhor local para combinar qualidade de vida e trabalho é a cidade do Kansas City, nos EUA. (Icelandair)Lei do Aborto & EUA. O Google vai apagar o histórico de localização dos utilizadores que se deslocarem a clínicas de aborto, abrigos de abuso doméstico e locais semelhantes. (Axios)OKCupid. É assim que a empresa está a usar a sua aplicação e anúncios para lutar pelo direito ao aborto nos EUA. (Digiday)Meta (1). A ex-Facebook vai acabar com a sua carteira digital, a Novi. Utilizadores já receberam mensagens para retirar de lá os seus fundos. (Bloomberg)Meta (2). Mark Zuckerberg lançou o aviso: os tempos vindouros não vão ser fáceis e o resto de 2022 vai ser de muito trabalho. No entanto, vai “ser OK” se os trabalhadores quiserem sair da empresa neste período de maior pressão. (New York Times)Patrocínios, futebol e tecnológicas. Ser o patrocínio mais visível na camisola de um clube de futebol não é apenas um truque de publicidade: é um statement de status. E ajudam a perceber a popularidade e força de muitas tecnológicas. (Rest of The World)Bilionários perdem muitos milhões de riqueza. O primeiro semestre de 2022 está a ser terrível para Musk, Bezos ou Zuckerberg, que estão entre os multimilionários que viram as suas fortunas encurtar na ordem dos mil milhões. No total, este grupo de bilionários perdeu mais de um milhão de biliões de dólares (1,4 trillion deles, para sermos mais exatos). (Bloomberg

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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abílio dos Reis, João DinisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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