14 de junho de 2022

A inflação é um tema que tem ocupado a primeira página dos jornais e meios que cobrem os diferentes setores económicos e nos últimos meses passou a fazer cada vez mais parte do vocabulário que consumidores e empresários empregam com o seu papel no ciclo da economia. Nesta edição, olhamos em maior detalhe como é calculada a inflação, como varia de país para país e qual o impacto que pode ter no futuro, numa altura em que diversas economias desenvolvidas registam valores que já não eram vistos há várias décadas.Obrigado por nos lerem,Miguel Magalhães

Long Stories Short 

Porque é que está tudo tão caro? 

Para quem celebrou o Santo António na madrugada de 12 para 13 de junho pode ter reparado que a sardinha estava mais cara do que em anos anteriores, mesmo considerando o interregno de dois anos na celebração do santo lisboeta motivado pela pandemia. É uma evolução de preço que podia estar ligada à antecipação pelo regresso de um evento tão importante na capital portuguesa, mas na realidade faz parte de uma tendência que vem sendo observada ao longo dos últimos meses no mundo inteiro.Em maio, a inflação em Portugal e na Zona Euro atingiu os 8,1%. É o valor mais alto desde que o Eurostat começou a registar este indicador anualmente em 1998. As razões para esta evolução de preços já foram amplamente identificadas: a pandemia e a guerra na Ucrânia. A primeira tem gerado uma série de choques económicos do lado da procura e da oferta nos últimos dois anos. A segunda provocou uma série de choques no mundo, mas mais em específico na Europa, onde diversas economias tinham uma codependência da Rússia, nomeadamente em setores como o da energia.

  • Como é calculada a inflação? A inflação é calculada com base no IPC, um índice que contém o preço de um cabaz de produtos representativos do consumidor-tipo de um país. A evolução do preço deste cabaz de um ano para o outro é taxa de inflação que depois acaba noticiada.

  • Em Portugal… no cálculo da inflação, o Instituto Nacional de Estatística utiliza o HIPC, um índice com base num cabaz standardizado, que permite a comparação da economia portuguesa com as congéneres europeias.

  • Falando de energia, é o “produto” que mais está a contribuir para o crescimento da inflação na maior parte das economias. Só na Zona Euro, o preço da energia aumentou 39,2% em maio.

A inflação significa sempre más notícias?Não necessariamente. Na sua essência, a inflação significa a perda de poder de compra por parte do consumidor dado que com um euro, de um ano para o outro, já não é possível comprar o mesmo nível de produtos. Contudo, se acontecer de forma gradual pode ser representativo de uma economia em crescimento, onde valor está a ser criado, onde emprego está a ser criado e onde trabalhadores podem ver os salários aumentar. Mas não é isso que estamos a observar. A inflação está a ser motivada por choques repentinos do lado da oferta, em circunstâncias exteriores à maior parte das economias.

  • Os sucessivos lockdowns no continente asiático, com destaque para a China, têm levado a uma série de atrasos nas cadeias de produção e de abastecimento de produtos essenciais para as economias ocidentais, desde o vestuário aos produtos tecnológicos que já fazem parte do nosso dia-a-dia. Com menos produtos disponíveis e com um nível semelhante de procura, os preços tendem a aumentar.

  • A guerra entre a Rússia e a Ucrânia mudou o paradigma da indústria da energia, dado que muito países que tinham relações económicas mais estreitas com a economia liderada por Putin. Estas passaram a pagar o custo do conflito ou foram obrigadas a encontrar novos fornecedores ou acabaram por sentir os efeitos externos nos seus preços de energia (visto que vivemos num mundo globalizado).

As potenciais más notícias: o efeito FisherAs primeiras estão sempre associadas aos setores mais carenciados da sociedade, em que um incremento no nível médio de preços é sempre mais sentido do que noutras áreas da pirâmide social. Porém, uma ligação económica feita pelo economista Irving Fisher, na primeira metade do século XX, poderá trazer mais más notícias também para as classes médias.Resumidamente, Fisher definiu dois tipos de taxa de juro: a taxa nominal e a taxa real. A primeira é aquela que costuma ser apresentada pelos bancos para contas-poupança ou para créditos à habitação. A segunda é a taxa nominal menos o valor da taxa de inflação. Ora, isto obriga a um equilíbrio complexo, especialmente num período de elevada inflação.

  • Um exemplo: um cidadão comum com uma conta poupança a render 3% de juro (nominal) ao ano, num contexto de taxa de inflação a 8%, está na realidade a perder dinheiro, dado que a sua taxa de juro real é de -5% (3% - 8%).

  • Porque é que isto importa? A maior parte dos Bancos Centrais têm estado a discutir a possibilidade aumentarem as taxas de juro como forma de controlarem a inflação. O juro é o preço do dinheiro e as guidelines que os Bancos Centrais definem para os consumidores à procura de poupar e a bancos à procura de emprestar uma ideia do que podem esperar. Na teoria, se o juro é o preço do dinheiro, um aumento levaria a uma desaceleração na sua procura e a um abrandamento na economia que permitiria ajustar a inflação a níveis mais saudáveis.

  • O dilema: Os bancos funcionam como uma balança. Precisam de criar incentivos para cidadãos e empresas pouparem, para depois utilizarem esses fundos para financiar e dar crédito a outros cidadãos e empresas à procura de criar valor na economia. Num contexto de alta inflação, os bancos centrais são obrigados a fazer um ajuste significativo às taxas de juro, que apesar de tornar a poupança mais atrativa, pode tornar alguns créditos ao consumo ou à habitação insustentáveis de pagar para uma fatia considerável dos cidadãos.

Olhando para o futuro… de acordo com dados do World Bank, a inflação média mundial poderá regressar aos 3% no próximo ano. Mas alguns economistas alertaram para o perigo de o aumento abrupto das taxas de juro poder levar a uma recessão económica semelhante à de 2008.

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The Next Big Idea apresenta...

Como o gaming passou a dominar o mundo do entretenimento No episódio mais recente do The Next Big Idea fomos olhar para a indústria do gaming e contámos com a ajuda de dois estúdios de videojogos portugueses - a Volt Games e a Infinity Games - que explicaram alguns dos fatores que levaram a que esta indústria já domine o mundo do entretenimento.Durante muitos anos, o mundo dos videojogos foi visto como um mercado de nicho. A tecnologia era limitada e o número de jogos disponível no mercado não era assim tão vasto que permitisse satisfazer os gostos de qualquer tipo de jogador. No entanto, no século XXI, a indústria de gaming tornou-se na indústria mais valiosa do mundo do entretenimento, com 3 mil milhões de jogadores no mundo inteiro e estando avaliada em 164 mil milhões de euros. Para se ter uma ideia isto é um valor superior aos dos filmes, das séries e da música em conjunto. 

  • Vejam o episódio completo aqui

  • Não percam o The Next Big Idea, todos os fins-de-semana na SIC Notícias

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Vi algures no nosso site  👀

Apple. Do iOS 16 ao “compra agora, paga depois”, passando pelo Ventura, estas são as cinco principais novidades (Link)Dois novos Macbook, um smartwatch que avisa o utilizador em relação à medicação a tomar, um novo sistema operativo para iPhone e outro para Mac e ainda uma forma de pagar as compras às prestações. Estas são as principais novidades apresentadas pela Apple na conferência anual de developers.Anchorage Digital quer um mercado de criptoativos “mais seguro e justo” (Link)Para o conseguir, a empresa cofundada por Diogo Mónica vai apoiar cinco plataformas de ativos digitais com a sua tecnologia.Em quatro anos, já passaram 760 empresas e 10 mil pessoas pelo LACS (Link)O cluster criativo nasceu em 2018 com a ambição de ajudar as empresas a superarem-se e a evoluírem, promovendo o networking, a sinergia e a inovação."Não somos nem uma empresa remota, nem uma empresa de escritório", Filipe Ávila da Costa, co-fundador da Infraspeak (Link)Recentemente, um amigo perguntou-me que a Infraspeak era uma empresa remote-first ou office-first. A minha resposta foi: nenhuma das duas. Somos uma empresa people-first. Deixem-me explicar. O que é preciso para trazer as pessoas de volta ao escritório? (Link)É uma pergunta a que muitas empresas estão a tentar responder, mas o sucesso é relativo.

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Vi algures na Internet  💻

Reino Unido. Em Terras de Nossa Majestade, vai ser feito um novo estudo a nível nacional para a semana de trabalho de 4 dias (The New York Times)UE. A Comissão Europeia aprovou uma lei para obrigar a que todos os smartphones tenham o mesmo carregador do tipo USB-C. Más notícias para a Apple (Reuters)São Francisco. Como é que a cidade considerada o padrão do empreendedorismo falhou (The Atlantic)Tiger Woods. O golfista norte-americano tornou-se no terceiro atleta a tornar-se bilionário, a seguir a Michael Jordan e a Lebron James (ESPN)Gaming. Como a história da startup web3 Axie Infinity é um alerta para promessas que demoram mais tempo a ser cumpridas (Bloomberg)John Oliver. No mais recente episódio do seu programa “Last Week Tonight”, o britânico apresentou argumentos para acabar com os monopólios das Big Tech (YouTube)Celsius. Depois da Luna, a startup de DeFI é o exemplo mais recente do perigo de uma plataforma que funciona como um banco operar sem regulação (CNBC)Whisky Cola. Está a caminho uma parceria entre a Jack Daniels e a Coca-Cola para deixar de ser necessário fazer a popular mistura (CNBC)Bitcoin. A criptomoeda atingiu o valor mais baixo desde 2020, abaixo dos 23 mil dólares (CNBC)

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Evento com a Weavr

 Como acelerar o crescimento das startups digitais 

O tema não podia ser mais oportuno e a Weavr realiza em Lisboa, no próximo dia 23 de junho, o evento "Sky-Rocketing Growth for Digital" que junta um conjunto de líderes das fintech, venture capital e media que vão partilhar estratégias e apontar caminhos. 

A sessão conta com os seguintes painéis:

  • Marin Cauvas, Investment Principal da Anthemis

  • Anas El Arras, CEO da GrowIn Portugal

  • Asif Nadaf, CTO da GrowIn Portugal

  • David Conde Sayans, CEO & Founder da Croinscrap

  • Daniel Greiller, CCO da Weavr

A Weavr é uma tecnológica com sede em Londres que disponibiliza soluções financeiras “Plug-and-Play” que visam  simplificar a oferta de serviços aos negócios com presença digital.“Sky-Rocketing Growth for Digital Startups” é moderado por Rute Sousa Vasco, jornalista e autora do The Next Big Idea, e vai ter lugar no Altis Grand Hotel a partir das 17h00. Pode pedir aqui acesso a mais informações sobre o evento.

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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abílio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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