
4 de abril de 2022
Este é o primeiro artigo de uma série de 10 que vamos publicar nas próximas semanas sobre o que aprendemos em 10 anos com o The Next Big Idea e as mais de 600 ideias que contámos em televisão e nas plataformas digitais. Hoje falamos de empreendedores, empresas e startups.Obrigada por nos acompanharem,Rute Sousa Vasco
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Long Stories Short

10 anos depois
Não éramos uma startup - e continuamos a não ser. E então?
Nos EUA falhar é currículo, em Portugal é cadastro?
Em 10 anos, Portugal não ficou a gostar mais das empresas ou dos empresários, mas as empresas e os empresários são hoje diferentes
A ideia do The Next Big Idea nasceu em contexto universitário enquanto eu e o Paulo Rascão, os dois autores do projeto, desenvolvíamos conteúdos em vídeo para a primeira edição do The Lisbon MBA, o curso que juntou a Nova SBE e a Católica Lisbon numa primeira formação conjunta.O desafio que nos foi lançado passava por criar uma plataforma de conteúdos em vídeo que mostrasse os projetos e a formação que era ministrada àqueles primeiros alunos, em 2009. Tudo o que produzimos nesse ano levou-nos para um ambiente diferente do que existia retratado nos jornais, revistas e televisões, num tempo em que a inovação era propriedade das grandes empresas do PSI20 e pouco mais. Isto ao mesmo tempo que vivíamos o ano pós-crise financeira de 2008 e pré-crise económica de Portugal e da Europa de 2010/11.Tivemos na altura a convicção que podia estar a nascer uma economia diferente em Portugal, assente no conhecimento, em ideias novas e numa menor dependência das regras que tinham orientado várias gerações até aí. Para quem viveu os anos 90, e que conviveu de perto com a geração de jovens universitários que então saíam das universidades, não podia senão soar a algo novo o entusiasmo que se sentia em iniciar projetos novos, do zero, em detrimento de ambicionar um lugar numa grande empresa.Não seria por acaso que a própria responsável do MBA, Belén de Vicente, se tornaria, poucos anos depois, fundadora de um projeto próprio na área da saúde, a Medical Port.Foi esse o ponto de partida que levou dois jornalistas com experiência de imprensa a imaginarem um projeto de informação focado na inovação - também a começar do zero. Não éramos uma startup – continuamos a não ser –, não estávamos à procura de emprego, mas estávamos com aquele nervoso miudinho que acontece quando uma ideia não nos sai da cabeça.Nos anos que se seguiram conhecemos muitas startups e conhecemos ainda mais pessoas que fizeram empresas porque precisavam de criar o seu emprego. Em 10 anos, foi muito por causa de uns e de outros que nasceram coisas novas em Portugal.A dupla condição de contar a história da inovação ao mesmo tempo que se faz parte dessa mesma história permitiu-nos conhecer na pele o que significa criar de raiz um projeto e conseguir que seja viável. Chegámos a 2022 com uma marca e um projeto que começou como um programa de televisão e se tornou numa plataforma que agrega conteúdos, eventos e serviços com uma audiência potencial de centenas de milhares de pessoas que lideram empresas, são profissionais das indústrias do conhecimento e das indústrias criativas ou decisores públicos.A primeira aprendizagem foi, por isso, sobre o que significa fazer um projeto do zero.Ouvimos muitas vezes nestes 10 anos que “na América” falhar é currículo enquanto em Portugal é cadastro. Continua a ser verdade e se tivermos dúvidas basta fazer o exercício de pensarmos em quantos empresários contam o que correu mal (a não ser quando a seguir algo correu extraordinariamente bem).Se isto acontece com os nomes mais mediáticos, imaginem à escala das centenas de milhares de pequenas e médias empresas onde, em regra, correm muitas coisas mal para que alguma corra bem. Com a ironia suprema de, em Portugal, a maior parte dos donos de empresas estar longe de ser rico e poder ficar mais facilmente numa situação de precariedade do que quem tem um emprego.

As empresas em Portugal arrancam, em regra, com pouco dinheiro ou mesmo sem dinheiro, pagam impostos desde que começam a respirar e debatem-se, nos anos que vivemos, com uma mudança geracional que demora a concretizar-se. A boa notícia é que essa mudança, lenta, está e vai continuar a acontecer, começando por uma cultura de gestão diferente, mais informada, e também menos agrilhoada às limitações que no passado enfrentava quem fazia empresas em Portugal (porque já foi pior, com menos mundo e menos cidadania empresarial).Enquanto a mudança vai acontecendo, socialmente precisamos de falar mais sobre as empresas e sobre a realidade de quem as faz. Segundo dados da Pordata, em 2020, ano de arranque da pandemia, existiam em Portugal 1.316.256 empresas e só menos de 1% eram grandes empresas. O que deixa 99% nas mãos de PME, pequenos e médios empresários, muitos deles em auto-emprego e todos eles com uma tarefa comum que é a de garantir que a cada mês aquilo que a empresa fatura paga os ordenados de quem emprega, incluído o seu. Não é coisa pouca e soma-se a necessidade constante de se manterem úteis no mercado – sob pena de desaparecerem.Sobre as startups, há um número pequeno que é enorme à escala da realidade do mundo atual: Portugal tem 5 unicórnios (7 se contarmos duas não fundadas em Portugal, a Anchorage e a Remote, mas com fundadores portugueses), a Irlanda tem 3, a Dinamarca tem 2, a Polónia tem 1. No mercado global da tecnologia, estamos a conseguir com as nossas tecnológicas competir bem acima das possibilidades da nossa economia como um todo. E, se olharmos para quem as fundou, temos gente nova - não é mais do mesmo.Num país estagnado no crescimento, com salários médios medíocres, vale a pena alguma reflexão sobre como é que estamos neste patamar. E é útil procurar saber que lições podemos retirar, não apenas para termos mais empresas avaliadas em mais de mil milhões de euros (voltaremos ao tema dos unicórnios numa próxima semana), mas para sabermos o que podemos aprender com as empresas que numa década se colocaram no mapa mundo mais competitivo que existe.Em 10 anos, Portugal não ficou a gostar mais das empresas ou dos empresários, mas as empresas e os empresários são hoje diferentes. A palavra empreendedores pode ter ficado agarrada a muita coisa que nada tem a ver com o verdadeiro valor de quem cria algo de novo, mas seria bom se a história desta década servisse para uma reconciliação não com o passado mas com o futuro – e será difícil que não passe por mais e melhores empresas, das quais algumas serão startups.
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Vi algures no nosso site 👀
A TARTE foi a ideia que contámos no primeiro programa de televisão do The Next Big Idea, a 2 de abril de 2012. 10 anos depois, afirmou-se como marca e expandiu aquilo que faz. Vasco Valença de Sousa, um dos fundadores, conta na primeira pessoa como foi passar da ideia a um produto e marca de sucesso.
Quem são as startups com maior crescimento nos últimos dois anos em Portugal? Essa é a pergunta que a Rows – também ela uma startup – deu resposta numa lista que publicou na semana passada e à qual demos destaque.
A CNN lançou o seu próprio serviço de streaming de notícias, o CNN+. Conta com cerca de uma dezena de programas semanais, mais de 1000 horas de conteúdos on-demand e uma ferramenta interativa que permite colocar aos jornalistas e aos convidados perguntas sobre as notícias do dia.
A startup desenvolveu uma solução para facilitar o trabalho do consultor imobiliário e de quem quer comprar e vender casa. Agora, coloca as fichas do seu futuro no mercado americano, onde estão 15 dos 17 fundos que investem no seu setor.
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Vi algures na Internet 💻
Conteúdos que valem a pena espreitar:
Meta. A empresa responsável pelo Facebook, Instagram e Whatsapp contratou uma agência de comunicação ligada ao Partido Republicano nos EUA, para que esta desenvolvesse uma estratégia de media que levasse o TikTok a ter má imprensa. (The Washington Post)Crypto. O maior hack de sempre no mundo das criptomoedas aconteceu na semana passada, depois de um ciberataque ter roubado cerca de 625 milhões de dólares da Ronin Network, a rede de blockchain que suporta a Axie Infinity, uma das mais populares empresas de jogos em Web 3.0. (CNN Business)Playstation. A guerra entre a Sony (Playstation) e a Microsoft (Xbox) para dominar a indústria do gaming teve mais um episódio na semana passada, após o anúncio do novo serviço de subscrição que a marca japonesa vai passar a disponibilizar. Vai ter três modelos e vai competir com o Xbox Game Pass pelo título de quem se torna no “Netflix do gaming”. (The Verge)Uber. Depois de anos de quezílias, a relação entre a empresa de ride-sharing americana e os taxistas poderá ter dado um passo importante na semana passada, em Nova Iorque. A Uber está com cada vez maior escassez de condutores face à procura, o que tem levado a maiores tempos de espera e taxas mais altas. E a única solução agora pode ser o próprio serviço que tentou desmoronar. (Wired)Amazon. Era um tema há muito debatido, mas teve agora o seu primeiro desfecho. Em Staten Island, Nova Iorque, um conjunto de trabalhadores votou favoravelmente a criação do primeiro sindicato na Big Tech americana, o que poderá gerar um efeito em cadeia noutras localizações nos EUA. (Protocol)Shein. A gigante chinesa do ecommerce de moda está a preparar-se para levantar uma ronda de investimento que a poderá avaliar em cerca de 100 mil milhões de dólares, colocando-a no topo de “startups” mais valiosas do mundo inteiro, ao lado de nomes como a ByteDance (TikTok), a SpaceX de Elon Musk e a fintech Stripe. (Bloomberg)Elon Musk. Uma semana após ter revelado que tinha o desejo de criar uma rede social, o CEO da Tesla tornou-se no principal acionista do Twitter, com 9,2% do capital da empresa. O bilionário sul-africano é um dos mais populares utilizadores com mais de 80 milhões de seguidores. (NPR)
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NEXT STUDIO: Qual é a vossa história?
Cada história de inovação é única e um verdadeiro bilhete de identidade de cada empresa.No nosso mundo cada vez mais digital, o vídeo é uma ferramenta-chave para nos apresentamos uns aos outros e para ficarmos a conhecer parceiros, clientes, investidores ou futuros colaboradores.No The Next Big Idea, ao longo dos últimos dez anos, já contámos a história de mais de 600 empresas e projetos inovadores. É essa experiência que trouxemos para o NEXT Studio, um espaço para contar a história de inovação de cada empresa desde a criação do guião, às filmagens, edição e planeamento da distribuição do conteúdo nas várias plataformas.
Para saber mais sobre o Next Studio, enviem-nos um email para [email protected].
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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por:Rute Sousa Vasco, Miguel Magalhães, Abílio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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