
21 de março de 2022
Lançada em 2020, a BeReal é uma rede social que prefere autenticidade em detrimento de curadoria. Não há filtros, não há gostos, não há grande espaço para atividade clamorosa, não há grande chamariz para os influenciadores e estrelato. Há apenas pessoas que partilham momentos banais da sua vida real — por mais enfadonhos ou loucos que sejam. Se a foto sai distorcida, se a lente da câmara está suja ou se respeita a regra dos terços, o que conta é o momento captado. Aqui, é tudo aleatório pelo casual posting. Para amigo (verdadeiro) ver.Obrigada por nos acompanharem,Abílio dos Reis
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Long Stories Short

Sem likes, sem filtros
Antes de se descarregar a aplicação numa App Store ou Google Play perto de si, a descrição da BeReal avisa logo ao que se vai: "a BeReal não te vai tornar famoso, se quiseres tornar-te num influenciador podes ficar no TikTok ou no Instagram". A missão desta app é outra: dar a oportunidade ao utilizador de "mostrar quem realmente és" aos amigos. Sem filtros, porque na vida real também não os há.Criada por Alexis Barreyat em França e lançada em 2020, a aplicação nasce depois de o fundador ter estado na GoPro (empresa) e lidado com influenciadores. Enquanto produtor de vídeo, trabalhava com as pessoas, lidava com elas, mas não se identificava. Sempre que abria o Instagram, deparava-se com todo esplendor destas figuras que se pavoneavam numa aparente vida perfeita — quando a dele era tudo menos isso. Foi esse sentimento que o levou a criar algo diferente. Sem floreados, sem adornos, só a vida como ela é. Segundo o Mashable, o “BeReal é o que o ‘Casual Instagram’ quer ser”.É um pouco por isso que a plataforma tem a sua campanha digital assente numa pergunta: "E se as redes sociais pudessem ser diferentes?". E por diferentes, entendam-se mais genuínas e com menos folclore à la Fyre Festival, sem projetar apenas aquilo que achamos que os outros vão gostar mais de nós. Seja no Instagram ou Snapchat, o mais provável é que só partilhemos algo que espelhe a nossa melhor versão. Claro que existem exceções e nem todos frequentam ou exploram a rede social da mesma forma. Mas em todo o caso… e se existisse uma alternativa? BeReal: como é que funciona?É uma aplicação que assenta verdadeiramente no termo "em tempo real". Todos os dias, a uma hora diferente, os utilizadores recebem uma notificação no telemóvel (de forma simultânea, consoante a sua localização). Recebido o alerta, dispõem de dois minutos para publicar uma fotografia — que não é uma mera selfie e que anos de Instagram ajudam a "não ficar muito mal". É que a app tira uma fotografia com ambas as câmaras: a da selfie para a careta e a outra(s) para o que está em redor. Ou seja, não adianta estar a meter a carinha bonita se depois estamos num sítio embaraçoso. Os amigos vão saber que a foto foi tirada no autocarro, no quarto enquanto se faz binge na Netflix ou na farmácia a comprar Imodium.

No entanto, apesar de a premissa ser simples, está tudo feito e desenhado para que o produto final (foto) seja o mais genuíno possível. O esquema dos dois minutos e a notificação aleatória leva a que os utilizadores sejam eles próprios e não tenham grande escolha quanto aos cenários em seu redor. Esta é, pelo menos, a teoria: não havendo tempo para encontrar a pose ou fundo perfeito, o conteúdo que sai da lente do telemóvel assenta num reboliço autêntico de criatividade aleatória. E, não. Não há spam de notificações. É só uma por dia.A experiência de utilização é, portanto, uma mescla entre o Snapchat e o Instagram — isto porque a foto do utilizador só fica no feed durante 24 horas. A diferença, segundo consta no vídeo de promoção desta nova rede social, está em tudo o resto: "Sem filtros. Sem likes. Sem seguidores. Sem besteira [bullsh*t]. Sem ads", segundo se lê. É que desta maneira, a BeReal acredita que oferece "uma nova e única maneira de descobrir como realmente são os teus amigos no seu dia-a-dia".Mas para ver aquilo que os nossos amigos andam a tramar existem umas regras. Aliás, essencialmente é uma: o utilizador tem de publicar primeiro uma foto dele para ter acesso ao seu feed. No fundo, é um mecanismo anti-bisbilhoteiro que quer travar aquelas almas que só gostam de ver a desgraça alheia mas que não estão dispostas a partilhar a sua. Se o intuito é só ver e não fazer nada, a experiência tende a ficar mais complicada. Ou inexistente.

Primeiro os jovens em França, agora nas universidades americanasQuem parece que está a responder bem ao apelo por autenticidade da BeReal são os jovens. Primeiro, pelos franceses, onde de resto foi criada, que ajudaram a que a app ficasse no top 10 das redes sociais mais populares no país, de acordo com o post do LinkedIn de Alexis Barreyat (o criador) no ano passado — que acrescenta que a app atingiu o feito "sem gastar um único dólar em marketing & aquisição" e que foi tudo "orgânico".O crescimento exponencial da BeReal começou a verificar-se na primavera de 2021, particularmente entre os estudantes universitários franceses. De acordo com a Protocol, que falou com a Relações Públicas da empresa, a rede social já arrecadou 30 milhões de dólares em financiamento e tem milhões de utilizadores, sendo a maioria proveniente da Europa.No entanto, nos últimos tempos, parece que está a galgar o Atlântico — e o número de utilizadores nos Estados Unidos está a crescer. A app começa a espalhar-se à séria pelos campus universitários americanos e está a captar a atenção suficiente para ser matéria de artigos em jornais dos estudantes (como é o caso do The Harvard Crimson) que explicaram como a BeReal está ativamente a recrutar estudantes e a organizar festas para espalhar a palavra.O que faz todo sentido. O Snapchat, por exemplo, nasceu numa residência universitária de Stanford. Assim como o mais mediático de todos os exemplos, o site "hot or not", que deu origem ao Facebook e que David Fincher tão bem nos mostrou em "The Social Network". Tal como frisa a Protocol, os jovens têm a capacidade de tornar algo que está na obscuridade em fenómeno num ápice — basta que não se fartem e que a utilizem o tempo suficiente até que se comece a falar sobre elas.Insta vs RealA mudança no algoritmo e o facto de o Instagram se ter tornado numa máquina oleada para fazer dinheiro levaram a que muitos utilizadores mais novos perdessem contacto com os seus amigos. As histórias partilhadas pelos colegas da escola deram lugares a feeds inundados com anúncios, conteúdo pago por influenciadores ou publicações recomendadas. A amizade, que muitos prezam, ficou para segundo plano em detrimento da monetização. A autenticidade, parece que também. Agora tudo é cuidado, tudo é filtrado, tudo é editado.Talvez tenha sido tudo isto somado que tenha levado ao aparecimento do movimento "tornar o Instagram mais casual" com o ressurgimento das "photo dumps" (basicamente a partilha de várias fotos do dia a dia em carrossel sem todo aquele cuidado nas edições das imagens) ou à criação de um segundo perfil do Instagram só "para amigos". Ora, se assim é, se assim acontece, é porque parece existir espaço para uma nova tendência. Tendência que o BeReal parece suprir. Se o vai fazer, é muito cedo para o dizer. Para já, é um aplicação que merece destaque entre alunos universitários mas que pode nunca vir a sair desse nicho.Uma coisa parece ser certa: tem na simplicidade um dos seus trunfos e não deixa que os utilizadores fiquem assoberbados com funcionalidades ou anúncios. Porém, diga-se que a história de ser simples não é assunto virgem nestas andanças. O Snapchat e o Instagram também começaram com uma visão semelhante. Neste parâmetro, a BeReal está longe de ser pioneira. Tanto que um dos primeiros posts no blog de Evan Spiegel, CEO do Snapchat, em 2012, dava conta que a app seria para falar de tudo e não somente do que "parece ser bonito ou perfeito". Assim como nos primórdios do Instagram se andavam longe dos Reels ou de copiar o sucesso do TikTok.Por outras palavras, à medida que uma plataforma social cresce e o número de utilizadores aumenta, há a pressão para continuar a evoluir e somar números. Contudo, no imediato, a BeReal diz que está a "trabalhar arduamente para manter a aplicação tão simples quanto possível". Resta saber se a política se mantém doravante. Ou se os jovens universitários vão continuar a achar piada à aplicação da moda — porque mais importante do que ser mais saudável do que o Instagram é preciso ter o fundamental e que é o fado para a longevidade de todas as aplicações deste género: que os amigos e famílias estejam lá. Sem isso, por muita bem intencionada que seja, cairá no esquecimento.
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The Next Big Idea apresenta…

What's Next - Innovating Tourism
Entre 14 e 20 de março, o futuro do turismo esteve em debate na BTL - Bolsa de Turismo de Lisboa e num conjunto de quatro sessões realizadas no Oceanário de Lisboa e na NOVA Medical School. Digitalização, Pessoas e Sustentabilidade foram os três eixos de uma discussão que deu a conhecer os novos caminhos de um setor chave na economia portuguesa e onde a pandemia de Covid-19 acelerou um conjunto de mudanças que vão moldar o futuro. Mais de 100 oradores partilharam ideias e projetos que estão disponíveis no novo site do The Next Big Idea. O evento foi promovido pelo NEST - Centro de Inovação do Turismo e a organização da programação foi assegurada pela equipa do The Next Big Idea. E como o turismo é o setor onde se encontram quase todas as atividades económicas, sociais e culturais, há de certeza um bom motivo para espreitar estas conversas "What's Next - Innovating Tourism".
Sustentabilidade (14 de março): Tiago Pitta e Cunha, administrador da Fundação Oceano Azul, e João Wengorovius Meneses, secretário-geral do Business Council for Sustainable Development Portugal (BCSD), falaram das etapas necessárias para garantir que Portugal tem uma oferta turística que coloca a preservação do ambiente na linha da frente das prioridades. (ler mais)
Revolução Digital (15 de março): António Câmara, professor universitário e chairman do YGroup, e Inês Drummond Borges, Chief Transformation Officer da Sonae Sierra, abordaram o 5G, a realidade aumentada, o metaverso e os “contratos inteligentes”, tecnologias que abrem novas portas a um setor que é feito por pessoas e para pessoas. (ler mais)
A Saúde e o Turismo (17 de março): Maria de Belém, ex-Ministra da Saúde, e Germano de Sousa, médico e gestor na área da saúde, destacaram a Saúde como um ativo que prestigia a marca Portugal e que pode alavancar um turismo diferenciado e de qualidade. (ler mais)
Ideias que mudam que o mundo (18 de março): Roberta Medina, empresária responsável pelo Rock in Rio, Juliet Klinsman, jornalista da Condé Nast, e a artista plástica Joana Vasconcelos apontaram o investimento em storytelling e na partilha da cultura portuguesa pelo mundo como critério fundamental para chamar mais pessoas ao nosso país. (ler mais)
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Vi algures na Internet 💻
Conteúdos que valem a pena espreitar:BookTok. Trata-se de uma comunidade do TikTok que recomenda e debate livros, sendo que há membros que se deslocam até às livrarias (físicas) para falarem das suas histórias favoritas. E entre sugestões e menções, há quem não se coíba de comprar um bestseller recente ou um clássico perdido nas prateleiras — o que está a levar a aumento de vendas. No caso da Barnes & Noble, estão a aumentar a um ritmo que deverá bater os números de 2021 e 2019. A hashtag BookTok, de resto, já foi vista… 43 mil milhões de vezes.Fortnite. A Epic Games, que desenvolve o popular videojogo, anunciou durante o lançamento da nova temporada que irá doar todos os ganhos que fizer entre 20 de março e 3 de abril para causas humanitárias e apoiar as vítimas da guerra na Ucrânia. 24 horas depois já foram angariados 36 milhões de dólares.Warren Buffet vai pagar 11,6 milhões de dólares por uma empresa gerida por um "amigo de longa data". A CNBC explica porque é que o multimilionário valoriza tanto a amizade num negócio desta magnitude.Apple. Um ex-funcionário terá feito a empresa perder nove milhões de euros. Dhirendra Prasad trabalhou durante 10 anos na gigante tecnólogica e foi acusado de vários crimes, entre os quais desvio de comissões, lavagem de dinheiro ou evasão fiscal.Yuri Milner, o russo mais rico de Silicon Valley está a tentar distanciar-se de Putin. Segundo a Bloomberg, entrar no círculo privado deste investidor é o equivalente ao singrar num grupo muito restrito e exclusivo do mundo das tecnológicas. Alibaba, Twitter, Facebook, Airbnb foram só algumas startups em que apostou. No entanto, diz que "não pode apagar a história" e o "facto de ter nascido russo".A Amazon comprou o estúdio do leão. A troco de 8,5 mil milhões de dólares, a empresa de Jeff Bezos comprou um dos estúdios mais famosos do cinema: o Metro Goldwyn Mayer (MGM). Depois de ter lançado o serviço de streaming Prime Video em 2006, começado o seu próprio estúdio (Amazon Studios) em 2010, a Amazon compra agora um pedaço de Hollywood que vai aumentar a sua biblioteca em mais 4 mil filmes e 17 mil episódios de televisão. Está dado mais um golo nas streaming wars.
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Podcast Acho Que Vais Gostar Disto
Moda, tendência. Seja qual for o termo que se queira empregar, a realidade é que neste momento, no mundo do entretenimento, há uma enorme vontade de contar histórias relacionadas com startups. Mais concretamente aquelas que são verídicas e tenham fundadores cujas personalidades pautam por um certo magnetismo, uma aura ímpar, que os ajudou a recolher muitos milhões de dólares junto de investidores. Rute Sousa Vasco, criadora do The Next Big Idea, esteve no podcast sobre cultura pop Acho Que Vais Gostar Disto a comentar não só as razões que levam a que Hollywood esteja nos últimos tempos tão enamorada por este tipo de histórias, mas também para falar sobre a estreia da série “WeCrashed” (Apple TV+), em que ficamos a saber como é que Adam e Rebekah Neumann (Jared Leto e Anne Hathaway, respetivamente) fundaram a WeWork, uma empresa de espaços de coworking que chegou a valer 47 mil milhões de dólares e que em menos de um ano perdeu mais de 75% de todo o seu valor.
Oiça o episódio no Spotify, na Apple Podcasts ou no Google Podcasts
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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por:Miguel Magalhães, Abílio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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