
28 de fevereiro de 2022
Primeiro, Vladimir Putin anunciou o reconhecimento da independência de Donetsk e Lugansk, repúblicas separatistas ucranianas. Depois, confirmou aquilo que muitos temiam e os EUA já tinham alertado que ia acontecer: a invasão da Ucrânia, retomando o conflito armado no Velho Continente. No entanto, esta é uma guerra ímpar em vários níveis. Afinal, é a primeira nesta escala a decorrer em plena Era Digital e das redes sociais.
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Long Stories Short

A invasão russa
Na última quinta-feira a Rússia fez aquilo que as agências de inteligência dos Estados Unidos da América vinham alertando que estava na iminência de acontecer: Putin ia dar ordem para invadir a Ucrânia. A decisão foi rapidamente condenada pela comunidade internacional e foram aplicadas sanções de vários tipos ao invasor por iniciar um conflito que já fez mais de 500 mil refugiados e mais de 100 mortes civis.Mas, a par, há outra particularidade desta guerra: a de que está a ser profundamente influenciada por aquilo que acontece na Internet (convém não esquecer que está em curso uma ciberguerra declarada). Tanto que a invasão já está a ser apelidada de "Guerra do TikTok", pelo facto de ser a primeira no Ocidente a ter uma cobertura intensiva via redes sociais e outros meios.O The Guardian explica as razões mais detalhadamente, mas essencialmente à medida que o exército russo tenta tomar as rédeas de Kyiv e de outros pontos estratégicos em território ucraniano, alguns dos maiores influenciadores digitais da Rússia já vieram abordar publicamente o seu mal-estar em relação à invasão. Um caso mediático é o da filha do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que publicou uma story no Instagram em que se lia "Não à Guerra". A mensagem parece tímida, mas o seu peso mediático traz risco pois é sabido que quem não está em sintonia com Putin vai preso — ou pior.Já os seus congéneres ucranianos enfrentam igualmente os riscos da guerra, ao certificar-se de que estão a documentar os horrores e perdas de uma nação que está a ser vítima de um ataque militar. Por outras palavras, na Ucrânia, os influenciadores digitais abandonaram o seu registo habitual para corresponder às novas circunstâncias das suas novas vidas sob a sombra da invasão. Um desses casos é o de Anna Prytula. Os vistosos hotéis de luxo e malas da Louis Vuitton foram substituídos por vídeos e relatos de mísseis que varreram a sua terra natal.Mais: algumas vozes, com experiência em guerras em cenários urbanos, estão a utilizar estes canais digitais para fornecer dicas aos civis que não têm qualquer treino militar mas que querem resistir. Assim como existem influenciadores ucrianianos que estão a ensinar como fazer cocktails molotov caseiros. Neste conflito, as redes sociais estão literalmente a mudar o cenário de guerra.Porém, no meio de tudo disto já se sabe que há sempre um fosso entre o que é verdadeiro e o que não é — e o aumento de conteúdo nos corredores da desinformação é galopante. Se por um lado as redes sociais estão a mostrar quão brutal está a ser guerra, por outro oferecem muito pouco contexto. São vídeos curtos e sem escrutínio. Existem muitas imagens virais e vídeos que pretendem mostrar o que se passa e que são simplesmente falsos. Isto incluiu o famoso "Ghost of Kyiv" (trata-se de um clip de um videojogo) até à foto dos "paraquedistas" sobre Kyiv que são apenas reflexos de luzes na rua. A somar a tudo isto, claro, está ainda a máquina de propaganda russa (que na verdade começou a guerra muito antes de galgar a fronteira).Depois temos o modo como se está a consumir informação sobre este conflito. O interesse e a empatia para com a causa ucraniana é visível em vários níveis. Nota-se na cobertura mediática, nota-se nas reações gerais. Um exemplo disto é o artigo sobre esta guerra na Wikipedia, que por razões óbvias não existia até à semana passada. Em língua inglesa, já conta com mais de 12.000 palavras, citando quase 600 fontes; em português é igualmente extenso, mas com sensivelmente metade do tamanho e fontes. Noutra nota, destaque ainda para o Kyiv Independent, um meio informativo ucraniano com base no inglês, que cresceu de 20 mil para 1 milhão de seguidores no Twitter no espaço de uma semana.Guerra CryptoA invasão da Ucrânia além de ser o maior conflito militar em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial, é também, parafraseando o The Washington Post, a "primeira Guerra Cripto". A razão é simples: as criptomoedas vão e estão moldar esta guerra. A começar pelas ajudas que estão a chegar à Ucrânia. Segundo a consultora Elliptic, o Governo ucraniano e várias organizações não governamentais (ONG) já asseguraram pelo menos 20 milhões de dólares em donativos pagos em criptomoedas.Paralelamente, há cada vez mais pessoas a ter que se socorrer às moedas digitais por necessidade e não por escolha. Isto porque o pânico da guerra está a esvaziar as caixas de multibanco do país. Basta ter em conta o exemplo que tem sido partilhado em órgãos de comunicação estrangeiros, em que jornalistas dinamarqueses terão comprado um carro com bitcoin para fugir. Como bem explica a Decrypt: há vinte anos, o ouro seria a uma possível moeda de troca numa zona de conflito; hoje são as criptomoedas. Mas se por um lado estas estão a ajudar o Governo ucraniano a defender-se das investidas dos invasores, convém lembrar que esta é na verdade uma estrada com duas vias, ou seja, tanto dá para ajudar quem precisa (Ucrânia) como também pode permitir que a Rússia as utilize para fugir às sanções impostas pela União Europeia e seus parceiros.De resto, ambos os países têm uma ligação muito forte com esta tecnologia. Se por um lado a Rússia se destaca por ser um dos países onde mais se mina bitcoins no mundo, segundo os dados do índice de adoção às criptomoedas da Chainalysis, a Ucrânia foi o país europeu que mais abraçou as moedas digitais (a nível mundial arrancou o 4.º lugar.)O The New York Times chegou inclusivamente a publicar um artigo em que destacava o facto de a Ucrânia querer ser a capital cripto do mundo. Tanto que o Ministério da Transformação Digital, por acreditar que as criptomoedas são a economia do futuro, fez aprovar uma lei para regular a Bitcoin no país.Todavia, como alguns costumam dizer neste nicho cada vez maior, a tecnologia é agnóstica. Pelo que é fácil chegar à conclusão, tal como sublinha o artigo da Decrypt, de que a invasão russa à Ucrânia pode ter tido sido a primeira guerra financiada com criptomoedas, mas não será certamente a última.
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Vi algures na Internet 💻
Conteúdos que valem a pena espreitar:
SWIFT. O sistema de comunicação de pagamentos internacionais processa 5 biliões (trillion) de dólares por dia e está no centro da discussão sobre as sanções que os países ocidentais ainda podem aplicar à Rússia. Retirar a Rússia deste sistema poderá prejudicar gravemente a sua economia, mas poderá também ter efeitos secundários nos próprios países que dependem do mesmoRublo. Por entre todas as sanções aplicadas à Rússia, a sua moeda, o rublo, está em queda livre nos mercados depois de uma série de “players” internacionais terem retirado ou desinvestido das suas participações russas como é o caso do fundo soberano norueguês.Elon Musk ativa o serviço Starlink na Ucrânia. O vice-primeiro-ministro ucraniano pediu acesso e o líder da Tesla assentiu. Desde a entrada do exército russo que a Ucrânia está com problemas de Internet, especialmente nas zonas de maior conflito, pelo que Mikhailo Fedorov instou Musk a ajudar o povo ucraniano a restabelecer as suas ligações, mesmo nas zonas mais remotas. (Há quem diga, no entanto, que é tudo marketing.)Empresas com ADN ucraniano. Através do Twitter e do LinkedIn têm chegado reptos de diferentes líderes de empresas com sede ou ligações à Ucrânia, a destacar aquilo que pode ser feito para apoiar a situação pela qual estas estão a passar. Nesta thread do Twitter, descubra quais são as empresas com raíz ucraniana com mais impacto no nosso dia a dia.Warren Buffett. Na semana passada, um dos homens mais ricos do mundo partilhou a sua já popular carta anual a investidores onde identificou as principais conquistas do ano que passou e deixou a sua visão sobre o que poderá ser o futuro dos mercados. A ler aqui.Truth Social. A rede social desenvolvida por uma empresa de Donald Trump foi lançada na semana passada e atingiu o topo do ranking de downloads na AppStore. De acordo com as primeiras reviews, a plataforma é quase uma cópia do Twitter e tem enfrentado uma série de “glitches” que originaram uma lista de espera de utilizadores que ainda não conseguiram aceder à rede social.Hollywood. A Bloomberg fez um apanhado das séries mais valiosas do mundo atualmente em termos de contratos de licenciamento e os resultados não são surpreendentes. Em primeiro lugar está “The Office US” com um preço de 498 mil dólares por episódio, o que num contrato standard de cinco anos significa algo como 500 milhões de dólares. Descubra aqui as restantes séries.Tech TV. Nas próximas semanas, vão ficar disponíveis três séries que vão contar a história por detrás de três startups que marcaram (e marcam) a atualidade do mundo dos negócios: a Uber, a WeWork e a Theranos. Descubra neste artigo do The Ringer quais são as séries e o que podem dizer sobre a cultura de startups.
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NEXT STUDIO: Qual é a vossa história?
Cada história de inovação é única e um verdadeiro bilhete de identidade de cada empresa.No nosso mundo cada vez mais digital, o vídeo é uma ferramenta-chave para nos apresentamos uns aos outros e para ficarmos a conhecer parceiros, clientes, investidores ou futuros colaboradores.No The Next Big Idea, ao longo dos últimos dez anos, já contámos a história de mais de 600 empresas e projetos inovadores. É essa experiência que trouxemos para o NEXT Studio, um espaço para contar a história de inovação de cada empresa desde a criação do guião, às filmagens, edição e planeamento da distribuição do conteúdo nas várias plataformas.
Para saber mais sobre o Next Studio, enviem-nos um email para [email protected].
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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por:Miguel Magalhães, Abílio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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