
21 de fevereiro de 2022
A maior parte das histórias de inovação costumam estar reservadas ao continente europeu e ao norte da América, onde o nível de desenvolvimento e o acesso a uma série de recursos de qualidade permitem que surjam startups que conseguem crescer rapidamente e captar a atenção dos media e investidores. Nesta edição da newsletter cobrimos uma excepção que tem tudo para se tornar numa tendência: um unicórnio africano.Obrigado por nos acompanharem,Miguel Magalhães
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Long Stories Short

A maior startup de África
Chama-se Flutterwave e esta semana levantou uma ronda de investimento de 250 milhões de dólares, em que foi avaliada em 3 mil milhões de dólares. É fácil olhar para a Europa ou para os EUA e encontrar uma miríade de projetos a revolucionar esta ou outra indústria e a repensar modelos de negócios e a forma como empresas e consumidores se comportam. No entanto, no final do dia, muitos deles são um em milhares e a probabilidade de se perderem ou acabarem engolidos por um grupo empresarial maior é bastante alta.No continente africano, contudo, por existir ainda um atraso muito significativo em termos de digitalização, educação e acesso a investimento, observar uma startup a atingir o estatuto de unicórnio e compreender o potencial impacto que pode ter em toda uma região é uma experiência interessante. A Flutterwave é uma fintech nigeriana criada em 2017, que começou por criar uma espécie de API para implementação de pagamentos em empresas a operar no continente africano — uma origem semelhante à da Stripe que, hoje, é a startup mais valiosa no mundo inteiro.De acordo com os fundadores da empresa, que têm um passado ligado à Google e à Paypal, a ideia original passava mesmo por tirar proveito do facto de na região haver cada vez internet mais rápida (apesar de menos de 30% do continente ter cobertura) e cada vez mais pessoas com um telemóvel (80% de acordo com dados da ONU). Na sua perspetiva, se a empresa se tornasse a plataforma de pagamentos de referência para todas as empresas que quisessem aproveitar a digitalização da região, havia uma oportunidade gigante de negócio.Não é uma surpresa a Flutterwave ser oriunda da Nigéria. O país é um dos mais desenvolvidos do continente e um dos cabeças de cartaz da inovação tecnológica que a região está a atravessar, sendo que, de há uns anos para cá, há um setor que claramente se destaca: o das fintech. Em 2021, a indústria foi alvo de 50-60% de todo o investimento que foi feito em startups africanas (5 mil milhões de dólares), o que é representativo do potencial que uma comunidade global de investidores vê no desenvolvimento de uma infraestrutura para o mercado de e-commerce da região, que terá tendência para crescer de forma mais acentuada do que outras mais desenvolvidas.Das empresas para o consumidorA Flutterwave começou por fazer parte da popular aceleradora americana Y Combinator, onde teve a oportunidade de desenvolver o seu produto e começar a fechar a primeira rede de clientes. Inicialmente, o foco estava muito do lado de instituições já estabelecidas que necessitavam de um complemento que lhes permitisse ter uma presença online mais forte e lidar com um volume maior de pagamentos e transações. Foi por isso que a startup começou por trabalhar com os principais bancos africanos e com grandes empresas já estabelecidas, que permitiram que a plataforma ganhasse uma validação no mercado.Depois de construir uma reputação e levantar as primeiras rondas de investimento, a fintech começou a olhar para o número cada vez maior de PMEs africanas a montar negócios online num mercado onde não tinham muitas ferramentas à sua disposição. A pandemia, que colocou muitos desafios a estas e outras empresas, tornou esta necessidade ainda mais urgente e deu mais uma oportunidade à Flutterwave. Primeiro, a startup adaptou a sua solução inicial para que fosse mais fácil de integrar nas plataformas destas empresas. De seguida, decidiu desenvolver a Flutterwave Market, uma solução que permite que PMEs possam criar diretamente as suas lojas online com a solução da Flutterwave já integrada e chegar a milhares de consumidores. Deste modo, a startup podia funcionar em simultâneo como a Shopify, a Amazon e a Stripe, o que era ideal para um mercado embrionário à procura de opções simples no meio de rápidas mudanças.Adicionalmente, durante todo este processo, a Flutterwave também continuou a “olhar lá para fora” e a colocar a si própria algumas questões pertinentes. Porque não ser a plataforma de pagamentos de referência de empresas estrangeiras que queiram operar no continente africano? Ou, então, porque não ser a intermediária de referência para negócios africanos que queiram fazer uma transição para mercados internacionais? Hoje, a startup africana já tem como clientes a Uber, a Booking e a Microsoft e desenvolveu um serviço a que chamou de Grow, no qual simplifica o processo de criação e integração de uma empresa na Nigéria, no Reino Unido e nos EUA, onde também tem uma sede em São Francisco.O passo mais recente desta curta caminhada de seis anos foi pensar no consumidor. Não que este estivesse a ser esquecido nas soluções empresariais, mas na ótica de GB, alcunha de Olugbenga Agboola, atual CEO da fintech africana, havia espaço para melhorar o processo de envio de dinheiro entre países africanos e entre África e o resto do mundo. Por um lado, muitas famílias dependem do dinheiro que parentes, que emigraram para a Europa ou para os EUA, enviam e que, muitas vezes, não só é sujeito a muitas taxas como demora muito tempo a chegar. Por outro, não há razão nenhuma para que o dinheiro em África não possa ser movimentado com a mesma facilidade encontrada na Europa ou nos EUA. E assim nasceram soluções como a Send e a Barter, que funcionam como uma espécie de Revolut, com cartões, carteiras digitais e taxas de câmbio mais amigáveis, tornando o processo de movimentação de dinheiro mais eficaz.Como será o futuro da Flutterwave?
Alguns números indicam que tem tudo para ser bom:
É utilizada por 900 mil negócios no mundo inteiro (eram 300 mil há um ano)
Já processou 200 milhões de transações avaliadas em 16 mil milhões de dólares
Está presente em 34 países e permite transações em cerca de 150 moedas
No entanto, a indústria das fintech é inevitavelmente global. Internamente, a Flutterwave vai ter uma forte concorrência de outras startups locais a navegar a onda de desenvolvimento da região e procurar o seu protagonismo. Internacionalmente, e à medida que se expandir para outros territórios “além-África”, vai encontrar outras empresas dominantes que podem não só colocar algumas barreiras como ir atrás do próprio domínio interno da fintech africana. Estaremos aqui para ver.
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The Next Big Idea apresenta…

A Mercadona tem um chefe diferente O primeiro supermercado da Mercadona em Portugal abriu em 2019, mas a cadeia espanhola começou dois anos antes a trabalhar nos produtos que ia oferecer.Tudo começou no Centro de Coinovação de Matosinhos, inaugurado em 2017, onde a empresa implementou a chamada Estratégia Avental, nome com que foi batizado um modelo de melhoramento de produtos a partir das experiências e hábitos dos clientes.Nestes centros - a retalhista tem dois, estando o outro em Lisboa - é replicado o modelo de loja para que nada falhe durante a visita do cliente. Até porque este é conhecido por outro nome: na Mercadona, o cliente é o Chefe, uma vez que é o centro das atenções.Neste episódio do The Next Big Idea, conversámos com Bernardo Mourinho Guedelha, um dos responsáveis pela qualidade dos produtos da marca, em que além de nos fazer uma visita guiada pelo centro de Coinovação de Lisboa, nos explica a importância que este tem para a qualidade e escolha dos produtos da Mercadona.

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Vi algures na Internet 💻
Conteúdos que valem a pena espreitar:
BlockFi. A plataforma - que permite aos clientes emprestarem criptomoedas, em troco do pagamento de um juro - chegou a acordo com a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) para pagar uma multa de 100 milhões de dólares. No entanto, apesar de não poder angariar mais clientes nos EUA - até a SEC dar ordem em contrário - e do pesado montante, a BlockFi considera que se trata de uma "vitória".Elon Musk, o solidário. O homem mais rico do planeta doou, em 2021, quase 6 mil milhões de dólares em ações da Tesla a instituições de caridade. A quais não se sabe, mas segundo o The Wall Street Journal o montante em questão só foi superado por Bill e Melinda Gates, que doaram 15 mil milhões de dólares.Coinbase. O anúncio viral da plataforma, que passou num dos intervalos do Super Bowl, levou a que 20 milhões de utilizadores fossem à app da empresa… num minuto. Mais: a app estava em 186 lugar na App Store e passou para 2.º lugar. O motivo para este sucesso? A aparente simplicidade do reclame (um fundo preto com um QR Code num estilo a fazer lembrar um leitor de DVD "em descanso") e a oferta de 15 dólares em Bitcoin a novos utilizadores.Diamante do espaço. É um diamante negro e tem 555,55 quilates e 55 faces. Ou seja, é o maior diamante lapidado do mundo. A particularidade: a fazer jus ao que se vai escrevendo, pode não ser do nosso planeta. A outra maior particularidade: "o Enigma", assim é conhecido o diamante, foi vendido na semana passada por 3,7 milhões de euros — pagos em criptomoedas.Metamates. Mesmo após o rebranding para Meta as mudanças na dona do Facebook continuam. Ou não tivesse Mark Zuckerberg, o CEO, delegado mais poder ao ex-vice-primeiro-ministro britânico Nick Clegg (de Vice-presidente de Global Affairs passou a Presidente), que assim vai liderar toda a estratégia de comunicação da empresa e a supervisionar a forma com esta se relaciona com entidades como reguladores e Governos. Com esta mudança, Zuck vai ter tempo para se dedicar "construir produtos para o futuro".Silicon Valley está pronta para que os robôs nos matem a todos. Pelo menos, assim reza o título deste artigo na Vanity Fair sobre inteligência artificial. Se estas linhas fatalistas causam choque, é porque, enfim, o conteúdo do artigo cinge ao que o título sugere: há pessoas muito poderosas na indústria tecnológica que estão de bem com o facto de a AI poder vir a dominar a espécie humana. Com tudo o que isso implica.Virgin Galactic está a vender bilhete até às estrelas (vá, mais ou menos). Quem estiver disposto a dispensar uns módicos 450 mil dólares já pode fazer aquilo que há anos parecia ficção científica: comprar um bilhete de transporte para ir à beirinha do espaço. A viagem espacial, segundo consta, oferece uma "membership" exclusiva que dá acesso a "experiências que o dinheiro não consegue comprar".OpenSea investiga ataque de phishing. O maior marketplace de NFT está a investigar um ataque na sua plataforma que aparentemente já "não está ativo". Segundo revelou um responsável da empresa no Twitter, 32 utilizadores foram vítimas deste ataque e ficaram sem alguns dos seus tokens.Credit Suisse guardou fortunas ligadas à corrupção. Uma investigação ("Suisse Secrets") levada a cabo por um consórcio que envolve 47 meios de comunicação, incluindo Le Monde, The Guardian, entre outros, revelou que o banco suíço terá mantido durante anos fortunas de famílias muito poderosas e pouco idóneas num valor acumulado de cerca de 100 mil milhões de dólares (88 mil milhões de euros).
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NEXT STUDIO: Qual é a vossa história?
Cada história de inovação é única e um verdadeiro bilhete de identidade de cada empresa.No nosso mundo cada vez mais digital, o vídeo é uma ferramenta-chave para nos apresentamos uns aos outros e para ficarmos a conhecer parceiros, clientes, investidores ou futuros colaboradores.No The Next Big Idea, ao longo dos últimos dez anos, já contámos a história de mais de 600 empresas e projetos inovadores. É essa experiência que trouxemos para o NEXT Studio, um espaço para contar a história de inovação de cada empresa desde a criação do guião, às filmagens, edição e planeamento da distribuição do conteúdo nas várias plataformas.
Para saber mais sobre o Next Studio, enviem-nos um email para [email protected].
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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por:Miguel Magalhães, Abílio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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