
14 de fevereiro de 2022
O dia 14 de fevereiro, vulgo Dia de São Valentim, é sinónimo de duas coisas: amor e negócio. Mas esquecendo por agora o capitalismo inerente da segunda e enfatizando mais o sentimento intenso que provoca calafrios no peito da primeira, há uma coisa que parece ser cada vez mais certa: para encontrar a cara-metade, com garantias, vamos revelar praticamente tudo de nós próprios à Inteligência Artificial para que na miríade dos dados das aplicações de encontros seja possível encontrar a nossa pessoa do "para sempre". Obrigado por nos acompanharem,Abílio dos Reis
Esta newsletter foi partilhada consigo? Pode subscrevê-la aqui.
Siga-nos também no LinkedIn, no Instagram e no Twitter
Long Stories Short

Inteligência Artificial, o cupido do amor moderno
"O amor é fogo que arde sem se ver", já rezava Camões. Mas se em tempos este soneto era sinónimo de jovem pré-adolescente a enviar uma carta (com perfume roubado aos pais) à pessoa de quem gostava — a juventude dos finais dos anos 80 e inícios dos 90 sabe do que falo —, parece que agora no mundo digital a chama da procura pelo amor vai ser substituída pela labareda certeira da Inteligência Artificial (AI). É caso para dizer que o olho humano não deteta o amor do maior dos poetas portugueses, mas o algoritmo está a preparar-se para fazer bullseye nos nossos perfis.Creio que nada disto é causa para admiração se tivermos em conta que atualmente existem mais de 1.500 aplicações e sites de dating que ajudam a sociedade moderna a encontrar e conhecer pessoas novas. (Convém salientar que não se deve confundir com os serviços de matchmaking.) Estas são apps que permitem falar (através do chat), flirtar e os matchs são feitos consoante a localização do utilizador. Por exemplo, o Tinder.De acordo com o site Statista, é esperado que até 2026 mais de 500 milhões de pessoas estejam nestas aplicações (online) em todo o mundo. Em Portugal, segundo a mesma fonte, é esperado que 1,7 milhões sigam o exemplo durante o mesmo período. Ou seja, está muita gente à procura do amor e de consolo emocional. E, enquanto vamos à procura do nosso cavaleiro andante ou destemida princesa, as previsões apontam para que este mercado atinja os singelos 9,2 mil milhões de dólares até 2025.Ainda assim, o que nos traz aqui hoje não são previsões nem números de apps, mas sim descobrir linhas vermelhas à boleia de uma só questão: e se houvesse uma aplicação que nos desse a conhecer o amor das nossas vidas (ou aquele encontro de sonho)? Estaríamos dispostos a abdicar dos nossos segredos e dados pessoais mais íntimos? É que a tecnologia para lá caminha e a AI destas aplicações vai conseguir encontrar o príncipe. Mas há um custo.No entanto, antes de chegar lá, é preciso ver o lado mais complexo de tudo isto. Quando é que muita tecnologia é demasiada tecnologia? Especialmente quando há emoções humanas envolvidas na equação? Pode (deve) a AI tornar-se no amigo que conhece e nos apresenta a "pessoa ideal"? Mais: devemos deixar que os algoritmos escolham os nossos parceiros e desistir que a casualidade da vida o faça por nós?Foi a estas questões que a Tidio, uma empresa de serviço ao cliente, quis dar resposta. Para isso, fez uma ronda (inquérito) a 1.191 pessoas. A The Hustle reuniu algumas das principais conclusões, sendo que as mais relevantes são:
63% dos solteiros que participaram no inquérito admitiram que utilizariam uma espécie de Super-Siri se isso os ajudasse a encontrar um parceiro;
69% dos inquiridos estavam dispostos a aceitar que a Super-Siri vasculhasse o seu perfil de maneira a que pudesse fazer recomendações para o tornar mais atrativo.
Todavia, para a maioria, nem mesmo para encontrar o amor vale vender a alma ao Diabo. Exemplo: apenas 13% disse estar disposto a partilhar o seu ADN para encontrar a sua alma gémea e somente 7% confessou estar recetivo a terminar um relacionamento se a Super-Siri assim o recomendasse.Quer isto dizer que não a opinião nunca muda? Não necessariamente. Com garantias, o ponteiro oscila no sentido da cedência aos poderes da AI. Basta ter certezas. É que com a promessa de que iriam encontrar o seu companheiro perfeito para a dança desta nossa vida, cerca de 70% das pessoas que anteriormente tinha respondido "jamais" à partilha de informação pessoal mudou de ideias.Por fim, diga-se que o conceito de "companheiros virtuais" não é coisa de filmes de ficção científica. Se é verdade que a maioria (52%) dos inquiridos preferia uma relação física e ter a seu lado um corpo com quem partilhar na cama um pé gelado numa noite fria de inverno, a realidade é que 31% não descarta a possibilidade de ter uma relação "perfeita" a nível virtual (e 16% diz mesmo sem pejo que não se importava de ter as duas em simultâneo).No fundo, é possível imaginar o mundo do filme "Her", de Spike Jonze, em que Joaquin Phoenix se apaixona por uma assistente virtual (voz da Scarlett Johansson). Em 2013, parecia algo realista, não muito distante, mas que ainda assim tínhamos de esperar uns bons anos para vermos em carne e osso. A realidade, contudo, pode não ser bem assim. E esse futuro está mais perto do que se pensa.
* * *

* * *
Vi algures na Internet 💻
Conteúdos que valem a pena espreitar:
Binance investe na Forbes. A empresa do criptomilionário Changpeng Zhao fez um "investimento estratégico" de 200 milhões de dólares na famosa publicação (um sinal claro de que pretende entrar no setor dos media norte-americanos). Não é a primeira crypto a fazer algo do género, mas não deixa de ser curioso que esta intenção acontece um ano após a Binance ter processado… a Forbes.Diversidade Netflix. De acordo com o relatório de Inclusão de 2021 da gigante do streaming, as mulheres já são mais de 50% da workforce da empresa. O mesmo documento dá conta de que em 22 posições VIP da empresa 45% são mulheres e que 22,7% correspondem a etnias historicamente excluídas destes cargos.Super Bowl: a festa dos anúncios ($$$). É o que se sabe: a final de futebol americano tem nos reclames uma fonte de receita choruda. Este ano, escreve-se que cada spot publicitário de 30 segundos tenha custado qualquer coisa como 7 milhões de dólares. E, a ser verdade, fizeram de 2022 o ano mais lucrativo de sempre. Os anúncios (todos) da última noite podem ser vistos aqui.A Playboy quer construir uma mansão no metaverso. A marca das coelhinhas quer reinventar-se e está a apostar numa renovação a pensar no digital. Um passo para o fazer será através de subscrições digitais e com uma mansão “não física”. Mas não só: a empresa já criou milhares de NFT’s baseados no seu icónico logotipo.Slack, Teams, Asana ou… adeus! Parece que há mais mais um critério de seleção na indústria tecnológica e que pode fazer a diferença na hora de recrutamento. Em plena Era da "The Great Resignation" e de pandemia, a comunicação remota é chave para as equipas. E as aplicações e programas que cada empresa utiliza para mediar e levar a cabo o seu trabalho já contam. Neste caso, o facto de se utilizar o Teams "foi a gota de água" na entrevista. Mas, como se pode ler aqui, não é situação inédita.Happy Hour no trabalho. Se é verdade que devido à pandemia a prática ficou um bocadinho em hiatus, a realidade é que é uma prática comum. Mas será que tem os dias contados? A Chief Strategy Officer da Cobalt, uma startup de cibersegurança, acredita que a indústria tecnológica pode beneficiar de uma dose de abstinência — e explica como é que se pode criar uma cultura de trabalho mais inclusiva para os trabalhadores que não bebem. Para ler na Protocol.
* * *

NEXT STUDIO: Qual é a vossa história?
Cada história de inovação é única e um verdadeiro bilhete de identidade de cada empresa.No nosso mundo cada vez mais digital, o vídeo é uma ferramenta-chave para nos apresentamos uns aos outros e para ficarmos a conhecer parceiros, clientes, investidores ou futuros colaboradores.No The Next Big Idea, ao longo dos últimos dez anos, já contámos a história de mais de 600 empresas e projetos inovadores. É essa experiência que trouxemos para o NEXT Studio, um espaço para contar a história de inovação de cada empresa desde a criação do guião, às filmagens, edição e planeamento da distribuição do conteúdo nas várias plataformas.
Para saber mais sobre o Next Studio, enviem-nos um email para [email protected].
* * *
Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por:Miguel Magalhães, Abílio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








Copyright © , Todos os direitos reservados.O nosso endereço é:Quer deixar de receber estes emails?Pode clicar aqui. Mas não faça isso: isto está giro.