
13 de dezembro de 2021
Pela primeira vez nos últimos seis anos, aquele que é o produto mais popular da Apple, o iPhone, sagrou-se o campeão de vendas na China — o segundo maior mercado para a marca da maçã a seguir ao norte-americano. No entanto, segundo uma investigação recente, parece que este sucesso deve alguma coisa a um acordo (pouco público) firmado entre Tim Cook, o CEO da gigante tecnológica, e várias entidades ligadas ao Governo chinês.
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Abílio dos Reis
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Long Stories Short

iPhone arrebata o trono chinês
Tim Cook conseguiu um feito que não lhe pode ser negado: o facto de ter elevado o valor da Apple para perto dos 3 biliões de dólares (aqui o bilião é o da escala longa, com doze zeros). É um número tão astronómico e raro que é fácil cair na confusão. Ainda assim, parece que muito desse mérito teve que ver com a capacidade do CEO da Apple em gerir a relação da gigante tecnológica com a China (gigante de tudo o resto) e não tanto com a inovação per se.Porque isto não é só a questão dos muitos produtos que lá são fabricados, passa muito também pelos que lá são vendidos. E, neste capítulo, os últimos meses deram a Cook razões para sorrir ou não tivesse a Apple registado um crescimento anual de 83% nas vendas no quarto trimestre — que asseguram a posição de líder, sendo o smartphone de eleição de quem aprecia gastar pequenas fortunas nestes aparelhos de alta cilindrada na segunda maior economia do mundo (também por culpa dos problemas da Huawei neste segmento e mérito, claro, do iPhone 13).
Ainda assim, além do sucesso do último modelo do seu telemóvel, podem existir outras nuances que merecem ser consideradas. Segundo uma investigação recente do The Information, que cita fontes anónimas com conhecimento do processo e documentos internos da Apple, Tim Cook terá "cozinhado" uma relação estreita com o Governo chinês que pode ajudar a explicar este gordo crescimento da empresa na China.O que está em cima da mesa e no cerne da investigação é um memorando de 1.250 palavras. No documento, segundo aquela fonte, é possível perceber que o CEO quis contornar os problemas burocráticos que as entidades reguladoras do regime chinês ameaçam impor aos produtos da Apple (mais concretamente App Store, Apple Pay ou iCloud) e que já estavam a prejudicar (afundar) as vendas do iPhone.Neste sentido, para se livrar destas restrições, Cook terá viajado em 2016 à China para vincular um acordo de cinco anos (com possibilidade de se estender até um sexto ano) que contempla investimentos, negócios e formação no país. De forma sumária, o que investigação nos diz é que:
Tim Cook (alegadamente) acertou um “negócio” no valor de 275 mil milhões de dólares com Pequim para evitar que a Apple fosse prejudicada no país (para se ter noção dos valores implicados, refira-se que o montante em questão é superior ao PIB português em 2020);
Neste acordo, ficou celebrado que a Apple ia investir “muitos mil milhões de dólares” na China e que ia ajudar a formar empresas chinesas de modo a que estas criassem “as mais avançadas tecnologias”;
A China ameaçou reprovar o Apple Watch caso a Apple não aumentasse o tamanho de umas ilhas inabitadas (que disputa com o Japão) no Apple Maps (as ilhas em questão são Ilhas Diaoyu ou Ilhas Senkaku).
Segundo a The Verge, estes dados avançados pela The Information parecem legítimos, pois vão de encontro à conclusão de um relatório da Counterpoint Research (que sugere que a Apple superou a Xiaomi enquanto líder do mercado dos smartphones na China), além de já ter sido noticiado que a tecnológica construiu Unidades de I&D (instituições de investigação públicas ou privadas, sem fins lucrativos, que se dedicam à investigação científica e desenvolvimento tecnológico) na China e de Cook ter anunciado em 2016 um investimento de mil milhões de dólares na startup chinesa Didi Chuxing.Depois da investigação vir à tona, veio a defesa do acordo por parte da China. Segundo o site Apple Insider, através de um tablóide controlado pelo regime chinês, que apelidou a notícia como sendo um ataque “politicamente correto" de sinofobia com recurso a uma peça de “macarthismo”. Já a Apple escusa (pelo menos até ao envio desta newsletter) comentar o assunto (e vários foram os meios de comunicação a tentar).Quanto à opinião de Tim Cook, bem, este já tinha comunicado num fórum em novembro que a Apple tem a “responsabilidade” de vender os seus produtos onde for possível. E a China, está mais do que visto, não é exceção.
Quiz NEXT
Na newsletter passada tínhamos perguntado aos nossos leitores qual tinha sido o disco de vinil mais vendido em 2020, com a promessa de uma resposta na seguinte. Portanto, e como prometido é devido, a resposta é:"Finest Line", de Harry Styles.
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The Next Big Idea apresenta...

It's Ok To Not Be Ok
É uma série em formato podcast, produzida em parceria pela MadreMedia e o LACS em que a saúde mental e o bem-estar no contexto da nossa vida profissional e do que as empresas podem fazer para promover formas que permitam viver e trabalhar melhor.É isso que Rute Sousa Vasco (jornalista e co-fundadora do The Next Big Idea) e Inês Cabral (Head of Marketing do LACS) fazem nesta série de conversas em que desafiam empresários e gestores a partilhar as suas histórias de como a pandemia mudou a forma como trabalhamos e como nos vemos no mundo do trabalho.No quarto episódio, Tiago Santos (co-fundador da WorkWell) explicou como se funda um negócio com “ADN de crise” em 2008 e como é que uma empresa pioneira em Portugal no setor de "corporate wellness" se adapta a uma pandemia que obrigou à suspensão de 90% dos seus projetos. “Como qualquer gestor ou empreendedor perguntamo-nos: 'o que é que fazemos agora?'”.
Ouça aqui o segundo episódio com Joana Almeida, advogada e Diretora de Recursos Humanos da Morais Leitão.
Ouça aqui o primeiro episódio com a Roberta Medina, empresária e o rosto do Rock in Rio.
Ouça o terceiro episódio aqui com Pedro Castro, CEO da Multilem.
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Vi algures na Internet 💻
Conteúdos que valem a pena espreitar:Guia para virar crypto-especialista. Se ignorou até agora o Planeta Criptomoedas, mas quer aproveitar as férias de Natal (para quem não trabalha, claro) para se pôr ao corrente de tudo o que é crypto e NFTs, a New York Magazine criou o guia ideal para si. PS: Serve igualmente para os que já percebem alguma coisa mas que não têm paciência para explicar aos amigos ou à família o que é ou porque resolveram investir.Apetrechar o telemóvel de segurança. Para continuar a senda dos guias, o New York Times elaborou um artigo para que os seus leitores possam utilizar as ferramentas de privacidade do seu telefone com a maior das autoridades. Vale para quem tem dispositivo iOS ou Android.Metaverso. De acordo com o Quartz, no meio de toda a excitação em torno do metaverso e do que este pode vir a representar para o entretenimento, educação e negócios, tem havido uma ausência notória em toda a tagarelice do tema: a Snap, empresa por detrás da aplicação Snapchat. É que parece estar já a fazer aquilo que a Meta (Facebook) quer fazer no futuro.Activision Blizzard. A gigante tecnológica (responsável por videojogos como o Call of Duty, World of Warcraft ou Diablo) continua a fazer manchetes. Depois das notícias nos últimos meses darem conta de várias acusações sobre desigualdade salarial, discriminação e assédio sexual, agora os trabalhadores falam em sindicalização. Há até um fundo de 1 milhão dólares no GoFundMe para apoiar os colegas de trabalho em greve e para ajudar em manifestações futuras. Musk, a personalidade do ano. A famosa revista Time anunciou hoje que Elon Musk é a sua escolha para personalidade do Ano. “Um palhaço, um génio, um visionário, um homem do espetáculo e um industrial", salienta a publicação. Paralelamente, sem que esteja relacionado, mas numa nota biográfica que às vezes escapa ao conhecimento público, o patrão da Tesla desempenhou, em 1995, funções de professor assistente na Wharton School of Business, da Universidade de Pennsylvania. Ora, volvidas mais de duas décadas, alguém pagou quase 8 mil dólares por trabalhos avaliados (com nota) pelo CEO da Tesla.A febre das entregas ao domicílio em 15 minutos. Com o confinamento provocado pela pandemia parece que se o ser humano se habituou a ter os seus desejos de supermercado sem grande esforço e de forma rápida. Só que, o rápido, pelo menos em Manhattan, é o muito rápido. Ir à mercearia em Nova Iorque não é para "logo", é mais "para já". Ou, melhor, em 15 minutos. E o fenómeno está a crescer. População mimada e pouco paciente ou apenas gente amiga do ambiente e do negócio? Depende da visão de cada um.The Economist, um estatuto secular. Um jornalista da The Hustle explica como é que a revista The Economist evoluiu o seu produto (ou, melhor, transitou) para o mundo digital para continuar a ser relevante (já que o é desde 1843).Adeus, Alexa. Não é o farewell de nenhuma amiga nossa batizada com o nome de Alexandra nem o adeus à popular coluna inteligente da Amazon. É o adeus à Alexa, o site de ranking de sites (que por acaso até é da Amazon) que está online há 25 anos. Vai ser descontinuado em maio de 2022.
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The Next Big Idea

A Bioeconomia Azul by Blue Bio Value
O nosso projeto mais recente é uma série especial de quatro episódios sobre a Bioeconomia Azul, na qual, através do acompanhamento do programa de aceleração Blue Bio Value endereçámos alguns dos seus principais desafios.No aproveitamento do mar, na utilização das matérias primas nele presentes e no melhor tratamento das espécies que nele vivem estão algumas das soluções para os maiores problemas do planeta e foi isso que fomos descobrir com as startups e organizações que participaram no programa.Do oceano-laboratório ao oceano que é fonte de novos alimentos, fármacos, materiais e soluções para preservar a vida no planeta. É este o tema da série sobre a bioeconomia azul que nos levou a conhecer propostas de quase duas dezenas de startups selecionadas pelo programa Blue Bio Value promovido pela Fundação Oceano Azul e pela Fundação Gulbenkian.
Três dos quatro episódios já estão disponíveis no canal de YouTube do The Next Big Idea e o episódio final será exibido este fim-de-semana na SIC Notícias.
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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por:Miguel Magalhães, Abílio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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