7 de dezembro de 2020  

A pandemia pode até parecer ter tomado conta de tudo, mas a verdade é que, no meio de tanta coisa com que não contávamos, há mudanças que nos podem ajudar desenhar um futuro melhor. Seja com mais flexibilidade no trabalho, seja com maior sentido do impacto de cada um nessa palavra comprida que é a sustentabilidade, seja porque, com todas as contradições, percebemos mesmo que isto anda tudo ligado.

É por isso que as histórias da Zoom, do Slack, da Make my Money Matter (e também da A Starting Point) são bons motivos para pensar como podemos fazer melhor em 2021. Obrigada por descobrirem connosco estas e outras histórias,  Rute Sousa Vasco

Long Stories Short

 É o chamado e$pirito natalício 

Esta semana, a The Hustle fez uma análise sobre a indústria das árvores de Natal nos EUA. A verdade é que até que alguém da família ponha a estrelinha no topo da árvore, há todo um processo para que o pinheiro chegue até nós para ser enfeitado. Os números para Portugal não são conhecidos, mas os dados americanos ajudam-nos a pintar uma imagem deste negócio natalício numa altura em que começamos a preparar as nossas casas para a grande ocasião.

  • Panorama Geral: nos Estados Unidos, uma árvore de Natal custa, em média, 75 dólares e a indústria está avaliada em 2 mil milhões de dólares. Existem dois tipos de árvores de Natal que podemos ter: as reais e as artificiais, cada uma com realidades bastantes diferentes.

The REAL dealNos EUA, são produzidas, todos os anos, 25 a 30 milhões de árvores com propósitos natalícios. Geralmente, as árvores seguem o seguinte ciclo:

  • Não crescem assim tão rápido: depois de plantadas, demoram dois anos a atingir um tamanho que justifique serem transferidas para o local onde depois irão crescer. Posteriormente demoram oito a dez anos para atingir 1.80m, o tamanho procurado pela maior parte das famílias.

  • Next step: prontas para venda, ou são vendidas diretamente por quem as planta ou são vendidas a grossistas que depois as vendem aos pontos de venda. 2/3 das árvores acabam nas mãos de grossistas por um preço médio de 35 dólares, valor que contempla uma margem de lucro 8 a 10 dólares.

  • All about margins: quando chegam aos retalhistas as árvores podem ser vendidas até ao dobro do preço daquele a que foram compradas aos grossistas.

  • Desafios atuais: por um lado, o envelhecimento da população de produtores de árvores leva a que seja um segmento a necessitar de rejuvenescimento, por outro, o clima, que tem colocado cada vez mais adversidades.

Artificial é melhor?A história aqui é mais curta, mas nem por isso menos interessante do que no caso das árvores a sério. Mantendo-nos na América, 81% das árvores utilizadas no país são artificiais, uma realidade que não deverá ser muito diferente da nossa. Este é o segmento que representa a maior fatia desta indústria e não é difícil perceber porquê.

  • Mais barato: 85% da produção de árvores artificiais é feita na China que, ao ter um custo de mão de obra mais baixo do que os produtores locais americanos, permite que estas árvores possam ser vendidas a grossistas por um valor na ordem dos 15 dólares (versus os 35 dólares das árvores a sério).

  • Mais rápido: não depender das condições dadas pela mãe Natureza (pelo menos no seu crescimento) ajuda a que estas árvores, feitas a partir de materiais sintéticos, possam ser produzidas numa questão de minutos e em grande quantidade.

  • Mais lucrativo: Se forem vendidas ao preço médio, as árvores artificiais permitem um lucro maior por cada unidade vendida, contudo muitas são vendidas até por um preço de retalho superior, tornando-se um produto ainda mais atrativo para vendedores.

O período é de festa e de celebração da família, mas a questão que fica para todos os dias do ano não deixa de ser se   devemos ou não preocupar-nos com a origem da árvore onde colocamos as nossas prendas.

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 Manter de pé um negócio com + de 1000 anos 

"Kakun" é uma expressão japonesa que simboliza um conjunto de valores passados de geração em geração e… uma abordagem de negócio que permite que muitas lojas tradicionais com séculos e séculos se mantenham de pé. Estes negócios desenvolvem a comunidade e são uma fonte de turismo que atrai milhares de pessoas todos os dias, no entanto os seus proprietários não se focam na expansão e em aumentar ao máximo os lucros, mas sim em conceber um produto autêntico.

  • "Uma superpotência tradicional", é assim que se refere ao Japão este artigo do The New York Times, onde se lê que há 33 mil negócios com mais de 100 anos de história, sendo que mais de 3 mil funcionam há pelo menos dois séculos e cerca de 150 funcionam há mais de 500 anos. Estes negócios são pequenas empresas familiares chamadas shinise.

  • Sobreviver no meio da pandemia? Algumas destas empresas têm mais de um milénio e já resistiram a outras pandemias, guerras, fomes, mudanças de império… A maioria destes pequenos negócios tem as suas próprias instalações e tem como funcionários membros da família para reduzir custos. Uma pesquisa da Escola Superior de Economia do Japão concluiu que mais de um quarto destas shineses tinham fundos suficientes para funcionar durante mais dois anos ou mais.

  • Um negócio de sucesso – Ichiwa: É uma destas shinises, uma loja tradicional de mochi (bolinhos recheados doces). A família começou por dar lanches a viajantes de todo o Japão que voltavam exaustos de peregrinações até ao templo junto à loja. Estes viajantes oravam pelo fim da pandemia, mas há mais de mil anos… O negócio mantém-se de pé e já teve propostas de expansão, como por exemplo uma parceria com a Uber Eats, que recusou, mantendo apenas o mochi e chá verde torrado no menu. Uns dos rostos à frente do negócio, o Hasegawa, de 60 anos, admite por vezes sentir a pressão dos descendentes em manter o negócio, mas revela o segredo: "a razão pela qual continuamos a funcionar é porque todos odiamos a ideia de ser aquele que deixou o negócio".

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The Next Big Idea apresenta..

 Ready to Mingle 

Sem filas, sem multidões, sem night summit a invadir as ruas de Lisboa. Foi assim a Web Summit num ano em que a pandemia mudou muita coisa – e os grandes eventos não foram exceção. As conferências foram, na sua maioria, gravadas. Os palcos transformaram-se em canais digitais. Mas, para as startups, manteve-se o propósito que as move: encontrar parceiros, clientes ou investidores. Mingle: Foi uma das palavras chave da edição de 2020 da Web Summit (e uma das funcionalidades digitais) e na verdade traduz algo que sempre se fez neste tipo de eventos que é dar a conhecer uma ideia, um produto, um serviço e com isso abrir novos horizontes de negócio. Ninguém sabe quando irão regressar os grandes eventos, nem se voltarão a ser iguais, mas o diretor da Startup Portugal, que todos os anos leva startups portuguesas à Web Summit, acredita que esta poderá ter sido uma edição até mais bem-sucedida. O seu programa Road 2 Web Summit leva, desde 2016, 120 projetos ao evento e oferece ferramentas para que estes tenham maior probabilidade de encontrar aquilo que procuram.

  • Saiba mais sobre os projetos da Startup Portugal em startupportugal.com

  • Veja o teaser do último episódio aqui.

  • Onde ver o programa: todos os sábados às 9h45 e todos os domingos às 16h45, na SIC Notícias.

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Vi algures na Internet

 Vi algures na Web Summit 

A pandemia obrigou a que, nesta última edição da Web Summit, todos os participantes e aspirantes a empreendedores interagissem através de conferências numa mega plataforma online. O Next não faltou. Fomos publicando no site do The Next Big Ideia os destaques desta jornada de 3 dias e a Rute Sousa Vasco conversou no Palco Portugal com João Borga, diretor executivo da Startup Portugal, sobre a futura geração de startups portuguesas.

  • Estivemos atentos aos discursos do fundador do Slack, Cal Henderson, e do fundador do Zoom, Eric Yuan, que falaram sobre o teletrabalho, numa altura em que trabalhadores de todo o mundo foram mandados para casa para evitar o contágio da COVID-19.

  • Ouvimos também o CEO da Vox, Jim Bankoff que falou sobre a imparcialidade do jornalismo em tempos de eleições norte-americanas e de movimentos sociais como o Black Lives Matter e deixou duras críticas ao Facebook.

  • Demos ainda um salto até à vida fora dos ecrãs e ficámos a conhecer o novo projeto do realizador, entre outros, de "Love Actually". Richard Curtis é fundador de "Make my money matter" e está mesmo a conseguir que o dinheiro conte para alguma coisa.

Estes são apenas alguns dos exemplos das conferências nas quais estiveram presentes os repórteres do The Next Big Idea. Desta vez não de percorreram de uma ponta a outra os pavilhões do parque das Nações, mas andaram a saltitar por entre janelas e separadores do computador.

  • No fim de contas: nunca há tempo para ouvir tudo aquilo que nos inspira, mas há tempo para deixar um resumo do primeiro, do segundo e do último dias do maior evento de tecnologia e inovação do mundo.

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Projetos que ficaram debaixo de olho esta semana 🤩

  • Trabalhar a partir de casa não é novidade… Não para a WorkRemote, uma plataforma que ajuda as empresas a fazer a transição do trabalho presencial para o remoto. A ideia nasceu pela mão de June Boleno, uma empreendedora das Filipinas que sempre teve o sonho de trabalhar em Portugal e que quer ajudar outras pessoas a trabalharem no sítio que desejam. Veja o perfil da CEO da WorkRemote aqui.

  • Belisquem-me para saber se é verdade. Não é, mas parece. É isso que proporciona a 3e60, que desenvolve experiências em Realidade Aumentada, Realidade Virtual e em Realidade Estendida. O The Next Big Ideia traçou o perfil do CEO desta em empresa, Anésio Neto, um brasileiro que deixou o Rio Janeiro e investir em Portugal e que hoje afirma até fazer sessões de meditação em realidade virtual.

  • Aqui joga-se para ganhar… O AI Alfred é uma plataforma de gamificação que desenvolve ferramentas para o desenvolvimento de jogos virtuais e que prova que os portugueses estão a dar um salto neste setor. O CEO desta startup, Tiago Perdigão, respondeu a algumas questões do The Next Big a Idea e deixou uma nota de otimismo: a sua empresa vai tornar as pessoas mais felizes.

  • A arte de avaliar a casa de todos. É isso que faz a REATIA, uma startup que usa inteligência artificial para análises de mercado, avaliação de imóveis e informação sobre oportunidades de negócio. Leia aqui o a entrevista ao CEO desta empresa, Hugo Venâncio, cujo ídolo dos negócios é o pai e o ponto de equilíbrio são as filhas.

É só mais 1 minuto ⌛

  • Tapp of the world: chegámos aquela altura em escolhemos o melhor do ano nas mais diferentes categorias. As apps não fogem a esta tradição, especialmente em 2020, e estas foram as mais populares na App Store da Apple e da Google.

  • Nesta lista não há guestsa Forbes lançou a sua lista anual da “30 Under 30” para premiar/nomear os 30 empreendedores mais promissores com menos de 30 anos. Qual destes terá o próximo ou próxima senhor ou senhora Facebook, Uber ou Tesla?

  • É fazer a contas: a página “Spend Bill Gates Money” permite fazer compras fictícias com o lendário fundador da Microsoft. Depois de 70 anos de Netflix, um Ferrari e uma mansão, ainda sobrava demasiado dinheiro.

  • Notícias no mapa: o Google Maps vai passar a ter um feed na sua plataforma que permitir o acesso a notícias, recomendações e atualizações de fontes locais fidedignas.

  • #1 em Portugal: este foi o vídeo mais visto do ano, em Portugal.

Dois dedos de conversa

  • Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos que valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.

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