11 de outubro de 2021

Na edição desta semana da newsletter, damos destaque à crise do Facebook, entre fugas de informação, blackouts das suas plataformas e várias críticas. Uma semana para esquecer, mas que não pode cair no esquecimento. 

Obrigado por nos acompanharem,

Miguel Magalhães

Long Stories Short 

 Facebook em crise 

Se hoje tivéssemos de fazer um ranking das empresas que tiveram a semana mais horribilis em 2021, o Facebook seria um fortíssimo candidato à liderança. Nas últimas semanas, a tecnológica já era um líder destacado com as repercussões dos “Facebook Files”: uma investigação conduzida pelo The Wall Street Journal que, através de uma fonte anónima, teve acesso a documentos confidenciais de uma investigação interna da empresa sobre as suas plataformas. Nestes ficheiros estavam identificados alguns dos impactos negativos que o Facebook e o Instagram têm em fenómenos como a desinformação, a polarização política e a autoestima de jovens adolescentes.Não é uma surpresa para quem, no dia a dia, acompanha a influência destes serviços, mas acabou por ser uma surpresa  a revelação que o Facebook tivesse de facto conhecimento dos seus efeitos na sociedade e tenha decidido ignorá-los em prol do crescimento do negócio da empresa em termos de utilizadores e de receitas. A empresa de Mark Zuckerberg apressou-se a descredibilizar a investigação, mas os seus esforços foram por água abaixo quando a whistleblower (expressão inglesa para fonte anónima em processos corporativos) foi revelada no fim de semana de 1 de outubro. Trata-se de Frances Haugen, uma ex-gestora de produto na divisão de Integridade Cívica do Facebook, que tinha sido criada para moderar conteúdo nocivo e fake news durante as eleições americanas (e que entretanto foi dissolvida).Numa entrevista ao programa americano “60 Minutos”, Haugen resumiu assim os problemas que denunciou nos ficheiros que tornou públicos:

  • Tudo começou com a alteração do algoritmo do Facebook e do Instagram em 2018. Nestas plataformas, os feeds passaram a privilegiar o conteúdo com maior potencial de interação, com base nos historial de utilização de cada um de nós. 

  • Por um lado, significava que havia maior probabilidade de encontrarmos conteúdo do nosso interesse. Mas, por outro, também maior probabilidade de proliferação de conteúdo que pudesse despertar sentimentos mais negativos (por exemplo, fake news) que, em todo o caso, também gerava interação em termos de comentários ou partilhas.

  • No final, o que interessa é que os utilizadores passem mais tempo na plataforma e que possam mais facilmente passar os olhos pelos anúncios nos quais as marcas gastam milhões de dólares, anualmente.

Por outras palavras, o importante é dar prioridade a conteúdo que crie interação, independentemente do efeito que esse conteúdo possa ter na pessoa e nas comunidades onde está a ser exibido. No caso do Facebook, significa, por exemplo, dar destaque a uma informação falsa sobre o COVID-19 com muitos likes, ignorando o risco de saúde em grupos de população com graus de educação inferiores. Ou, no caso do Instagram, significa dar destaque ao conteúdo de uma influencer, ignorando os efeitos que pode ter na saúde mental de jovens adolescentes (não é um exemplo, é efetivamente um resultado da pesquisa feita pelo próprio Facebook).Concluindo, as plataformas poderiam funcionar de forma diferente, mas o Facebook tem interesse e escolhe que assim seja.Um blackout “mesmo a calhar”No dia 4 de outubro, no meio da maior crise do Facebook desde o escândalo do Cambridge Analytica e no dia em que Frances Haugen ia depor perante o Senado americano, os servidores do Facebook, do Instagram e do Whatsapp ficaram inativos. E houve espaço para todo o tipo de reações:

  • Os trabalhadores do Facebook, que ficaram sem acesso aos escritórios e ao email, recorreram ao Zoom e ao Discord para resolver o problema.

  • Os utilizadores deslocaram-se ao Twitter para reagir ao sucedido com algum humor, incluindo a própria plataforma.

  • Quem queria comunicar com amigos ou familiares teve de encontrar outras soluções e as apps de mensagens Telegram e o Signal atingiram números de downloads recorde nesse dia e no resto da semana.

No total, as três plataformas estiveram em baixo durante seis horas e muito se especulou se teria sido um ciberataque ou um problema técnico. Inclusive, houve ainda quem colocasse a hipótese de ser uma manobra do Facebook para mostrar ao mundo a falta que fazia como resposta às revelações de Haugen. No entanto, de acordo com o Facebook, tratou-se de um erro técnico na rede que coordena comunicação online entre as plataformas que, devido à sua complexidade, demorou algum tempo a ser corrigido. Estima-se que no período de blackout o Facebook terá perdido entre 70 a 100 milhões de dólares de receitas.Voltando a HaugenDiante do Senado americano, Haugen voltou a reforçar as medidas que considera necessárias e sugeriu duas reformas que considerava necessárias para as plataformas se tornarem “melhores”:

  • uma medida de caráter técnico, que passa por uma mudança do algoritmo, mesmo que isso prejudique a experiência nas plataformas (e os lucros do Facebook)

  • uma medida de caráter legal, que introduza na lei americana uma alínea que torna as redes sociais responsáveis pelo conteúdo que é colocado nas suas plataformas, criando incentivos para que estas se foquem mais na sua moderação.

O Facebook não fez tardar a sua resposta através de Nick Clegg, o responsável pelas comunicações da empresa, que não só colocou em causa o real conhecimento de Haugen sobre os documentos que tinha “leakado”, como também reforçou o compromisso da empresa no combate à desinformação e conteúdo nocivo. De acordo com o executivo, o Facebook investiu cerca de 13 mil milhões de dólares e tem 40 mil pessoas a trabalhar na moderação de conteúdo. No entanto:

  • Depois desta capa da Time, o Facebook anunciou novas medidas para proteger os jovens de conteúdo nocivo nas suas plataformas, entre as quais, um alarme para conteúdo nocivo no Instagram e a submissão de informações da plataforma a uma auditora independente.

  • Este é mais um caso nos vários com os quais a Big Tech tem lidado nos últimos meses, onde se incluem litígios com vários estados americanos, uma guerra com a Apple devido a novas definições de privacidade e ainda a ameaça crescente do TikTok, que vai acumulando cada vez mais utilizadores. Só nos últimos 30 dias, o valor de mercado do Facebook diminuiu 12%, uma redução de 120 mil milhões de dólares.

Quiz timeQuantos utilizadores tem o Facebook, o Messenger, o Whatsapp e o Instagram?Descubra a resposta no fim da newsletter.

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The Next Big Idea apresenta...

 Crescer com a Vendus  

“A Nex tem uma missão muito simples, que é simplificar a vida dos clientes poupando tempo e dinheiro e, no fundo, criamos produtos digitais para que isso aconteça.” São palavras de Nuno Santos, CTO da Nex, no episódio mais recente do The Next Big Idea, no qual demos destaque a um dos seus produtos - o Vendus. A solução SaaS (software as a service) simplifica o processo de faturação de PMEs permitindo, através da cloud, que estas consigam gerir diferentes pontos de venda numa única plataforma. O cliente-tipo deste serviço são pequenas empresas em busca de crescer, como empreendedores do setor do retalho, da restauração ou com escritórios. Mas agora a plataforma acredita ter potencial para apoiar negócios mais robustos no mercado do ecommerce.

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 NEXT Studio  

No The Next Big Idea, ao longo dos últimos dez anos, já contámos a história de mais de 600 empresas e projetos inovadores. Empresas com percursos diferentes, em setores igualmente diferentes, e em etapas distintas da sua história.Sempre com uma mesma premissa: dar voz a quem cria as empresas do futuro, contar a história sem clichés e tornar os negócios, dos mais simples aos mais complexos, não apenas acessíveis, mas também interessantes para todos, sejam clientes, potenciais investidores ou o público em geral.No NEXT Studio criámos um espaço para as empresas produzirem conteúdo para as suas plataformas e contarem as suas histórias.

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Vi algures na Internet  💻

Conteúdos que valem a pena espreitar:

Pessoas que fazem a diferença. Já são conhecidos os vencedores de todas as categorias de Prémio Nobel deste ano: Fisiologia ou Medicina, Física, Química, Literatura, Paz, Ciências Económicas.Trabalho. O LinkedIn reuniu uma lista das 50 startups em maior crescimento nos Estados Unidos. Comércio. Há cada vez mais pessoas a comprar roupa em segunda mão, seja pelo preço ou para fazer um consumo mais consciente a nível ambiental. Este relatório aborda o estado da indústria de vestuário em segunda mão, que se espera crescer o dobro nos próximos cinco anos, chegando aos 77 mil milhões de euros.NFTs. A venda destes ativos atingiu um novo recorde no terceiro trimestre de 2021. O valor, na ordem dos 10.7 mil milhões de dólares, é oito vezes superior ao número do trimestre anterior.Ciência. Neurocientistas dizem que há uma música que reduz a ansiedade em 65%. Ouça-a aqui.Futebol (e não só). A série Ted Lasso, vencedora do Emmy de Melhor Série de Comédia, fala-nos de um treinador de futebol americano que se vê obrigado a treinar uma equipa de “futebol normal” em Inglaterra. Sem qualquer experiência, Ted Lasso acaba, no entanto, por nos conquistar com outras qualidades, nomeadamente de liderança. Descubra como neste podcast da Morning Brew.Cinema. A saga James Bond já lucrou cerca de 7 mil milhões de dólares, com 25 filmes. Conheça aqui a história da família que fez fortuna com uma percentagem dos direitos da personagem.

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Ronda de Investimento

 Investir é uma maratona, não um sprint  

Ninguém fica milionário, nem ninguém se torna num bom investidor de um dia para o outro. É esta a premissa da Air Trading, que organiza regularmente webinars, formações presenciais e sessões de mentoria e com quem o The Next Big Idea fez uma parceria para o desenvolvimento do primeiro curso online de negociação em Bolsa.

  • O curso “Negociar em Bolsa” contém 10 módulos de formação teórica e prática conjugados com três meses de acompanhamento individual personalizado. 

  • Não há powerpoints nem gráficos sem contexto. Todo o conteúdo foi produzido em vídeo, com guião desenvolvido para que o processo de aprendizagem seja mais simples, interessante e ilustrado com exemplos práticos.

  • Os subscritores da Next têm também acesso ao webinar gratuito “Investir em Bolsa”, que vai acontecer no dia 18 de outubro e no qual se pode inscrever aqui.

* Este conteúdo contém links afiliados. Saiba como funcionam e como ajudam a apoiar o trabalho desenvolvido por esta newsletter aqui.

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    Resposta:

    Facebook  - 2,8 mil milhões 

    Whatsapp - 2 mil milhões

    Messenger - 1,3 mil milhões

    Instagram - 1,3 mil milhões 

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    Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por:Miguel Magalhães e Catarina MarquesEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Catarina MarquesIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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