20 de setembro de 2021

A história principal de hoje inclui de tudo um pouco: um casal australiano, livros de recordação de um ano letivo, aulas de kitesurf e uma plataforma que facilitou imenso a vida de quem tem de produzir conteúdo. 

Obrigado por nos acompanharem,

Miguel Magalhães

Long Stories Short 

 No Canva, todos somos designers 

“O nosso objetivo era criar um ecossistema de design, integrado numa só página, e torná-lo acessível a toda a gente”. Estas são palavras de Melanie Perkins, uma das fundadoras do Canva, e descrevem a ideia que hoje vale 40 mil milhões de dólares, depois de levantar uma ronda de investimento de 200 milhões de dólares.

A plataforma onde é possível, de uma forma muito fácil, editar vídeos ou stories para redes sociais, fazer cartazes, montagens com fotos de família, trabalhos para a escola, currículos para mostrar a possíveis empregadores e tantas outras criações é tão acessível no preço (grátis) como na utilização (onde até os mais leigos fazem boa figura na hora de preparar um conteúdo visual). A simplicidade foi o segredo para o sucesso da startup que:

  • Segundo a Forbes, já é uma das mais valiosas do mundo.

  • É a mais valiosa criada por uma mulher.

  • Tem duplicado a receita todos os anos e espera-se que em 2021 ultrapasse os mil milhões de dólares.

Para percebermos como é que o Canva chegou até aqui, temos de recuar quinze anos e contar uma história que envolve um casal de estudantes universitários australiano, os famosos yearbooks de secundário, a complexidade dos sistemas operativos de gigantes tecnológicas, o Google Maps e o desporto kitesurf. Prometemos que, no final, vai tudo fazer sentido.Era uma vez na Austrália……um casal de estudantes em Perth, uma cidade na costa oeste australiana, bem longe de Silicon Valley. À época, 2006, a protagonista da nossa história, Melanie Perkins, tinha apenas 19 anos, mas estava prestes a ter a ideia de criar uma empresa com ferramentas semelhantes às da Adobe ou da Microsoft, mas com uma utilização muito mais simples para todos aqueles que não tinham formação em multimédia.Perkins e o namorado, Cliff Obrecht (também co-fundador do Canva), ganhavam dinheiro a ensinar outros alunos a desenhar programas informáticos. Contudo, os estudantes achavam muito difícil fazê-lo com as ferramentas disponibilizadas pelas big tech clássicas, que, regra geral, pecavam por ser demasiado complexas para o utilizador comum. E onde há uma falha de mercado já se sabe que há uma oportunidade de negócio.O Yearbook do secundárioNão é algo tão comum em Portugal, mas nos países anglo-saxónicos é tradição fazer um livro, no final de cada ano letivo, com as fotos dos alunos finalistas e de momentos que marcaram esse mesmo ano. A este compêndio de memórias, que já vimos nos filmes, chamamos yearbook e foi por aqui que começou o negócio de Melanie e Cliff, com uma empresa chamada Fusion Books, focada no design destes produtos.A jovem equipa lançou um website onde os estudantes colaboravam, desenhando os seus perfis. Depois, era tudo impresso e compilado em livros distribuídos por escolas secundárias de toda a Austrália. Este projeto piloto serviu para começar a tentar seduzir algumas capitais de risco, que poderiam fazer a plataforma dar o salto.Na crista da ondaEm 2010, Perkins já tinha ouvido mais de 100 “nãos” da boca de possíveis investidores. No entanto, encontrou-se, em Silicon Valley, com Bill Tai, um investidor americano, que a convidou a ir a São Francisco fazer o pitch da sua ideia. A apresentação foi um sucesso e o investidor estabeleceu alguns contactos entre os criadores daquilo que eram os primórdios do Canvas e algumas pessoas que podiam ajudar no processo de expansão do negócio.No meio de tudo isto, Melanie Perkins teve de aprender um novo hobby - o kitesurf - dado que Tai promovia convívios entre vários membros de venture capital que praticavam este desporto marítimo. E Perkins foi corajosa o suficiente para se aventurar, não só na prancha, mas também naquele que seria o ponto de encontro onde seriam ouvidas as suas ideias inovadoras. A empresa não recebeu financiamento imediatamente, no entanto tornou-se uma presença regular no ecossistema das capitais de risco e conheceu, num desses encontros em Silicon Valley, o criador do Google Maps, Lars Rasmussen.Mapas que dão rumoFoi com a ajuda de Rasmussen, que se tornou uma espécie de mentor para estes empreendedores, que, em 2012, o casal encontrou duas pessoas que poderiam ser uma mais-valia para o desenvolvimento tecnológico do projeto: Cameron Adams e Dave Hearnden. Formou-se assim a equipa ideal para o lançamento de um negócio mais robusto.Meses depois, já com Canva como nome e o conceito que hoje conhecemos, a startup recebeu uma ronda de 1,5 milhões de dólares de investimento e o governo da Austrália colocou em cima da mesa uma quantia no mesmo valor (para impedir que a empresa “fugisse” do país). Por esta altura, o site já tinha uma boa quantidade de subscritores em regime gratuito e planos de adesão para empresas. Este sucesso deveu-se essencialmente:

  • Ao timing, numa altura em que muitas empresas começaram a usar as redes sociais para chegar aos consumidores.

  • Ao preço, já que é possível produzir trabalhos de qualidade a custo zero na plataforma.

  • À simplicidade, uma vez que qualquer pessoa, com o mínimo conhecimento informático, podia criar algo no Canva.

 Atualmente, a plataforma:

  • É usada para criar cerca de 120 peças de design a cada segundo.

  • Tem cerca de 60 milhões de utilizadores mensais em 190 países.

  • Fornece serviços pagos a 500 mil empresas, entre as quais 85% das empresas do Fortune 500, segundo declarações do próprio Canva, em 2019.

Para já, o Canva não tem planos de realizar uma IPO. Mas fica a pergunta no ar: para quando um lugar em Wall Street?

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The Next Big Idea apresenta...

 Born From Knowledge  

No episódio mais recente do The Next Big Idea demos a conhecer os vencedores do Born From Knowledge, um evento promovido pela ANI - Agência Nacional de Inovação que visa premiar projetos em áreas como a saúde, o ambiente, a inteligência artificial e a educação.Os projetos vencedores foram os seguintes:

  • Kendir Studios - um estúdio que desenvolveu um motor de criação de videojogos educativos no estilo RPG (Role-Playing Games) com capacidade educativa completa e funcionalidades de suporte ao estudo.

  • Spiro4MALAIDS - um projeto da Universidade de Coimbra que está a trabalhar num novo antiviral que nos pode proteger de vírus como o influenza ou mesmo a COVID-19.

  • ExpressPik - este projeto da Universidade do Algarve desenvolveu um teste diagnóstico inovador para o cancro da mama, que permite que médicos possam mais facilmente identificar sinais da sua presença nos seus pacientes.

  • SmartText - é uma empresa que desenvolveu um filtro que, utilizando nanopartículas, permite filtrar cerca de 85% do óleo das águas antes de estas serem despejadas nos afluentes.

  • Earhart - uma empresa que quer criar uma base comum na Blockchain para unir todas as companhias aéreas, através da criação de protocolos para que toda a informação seja de confiança e instantânea.

Saiba mais sobre o Born From Knowledge aqui e não perca o The Next Big Idea todos os sábados às 9h45 e domingos às 16h45.

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Elevator Pitch: VOA

 Pausa para água 

VOA é uma empresa especializada no desenvolvimento de produtos que permitem que consumamos uma água de melhor qualidade em casa ou no seu local de trabalho.

Hera é a principal solução empresarial da VOA, permitindo que as empresas tenham acesso a esta água diretamente nos seus espaços e que a possam disponibilizar aos seus colaboradores.No regresso ao escritório, seja num modelo fixo ou híbrido, largue as pausas para café e dê início às pausas para água. A conversa com o seu colega não perde qualidade e a sua saúde fica em melhor estado.Visite o site da VOA e descubra o trabalho que esta empresa está a desenvolver.Esta rubrica contém links afiliados*

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Vi algures na Internet  💻

Conteúdos que valem a pena espreitar:

SpaceX. A empresa espacial americana organizou a primeira viagem pela órbita da Terra só com turistas ou não-astronautas e sem bilionários a bordo. Durou três dias e acabou por ser um sucesso. Veja os destaques no canal de YouTube da SpaceX.Apple. No seu evento “California Streaming”, a empresa da maçã apresentou a sua nova gama de produtos entre os quais um novo iPhone, novos iPads, um novo Apple Watch e ainda novas estreias para o serviço de streaming Apple TV+. Saiba mais neste vídeo resumo do The Verge.Facebook. Um novo relatório da Big Tech ao qual o The Wall Street Journal teve acesso prova que o Facebook não só sabe, como decide ativamente fazer pouco quanto aos efeitos nocivos que as suas plataformas têm na forma como jovens percecionam os seus corpos. Bezosism. O ex-CEO da Amazon (agora é só presidente) já tem direito à sua própria filosofia de gestão. Esta é aplicada à forma como a gigante do ecommerce gere a sua logística. Se é uma boa ou má filosofia, já é uma questão completamente diferente. Saiba mais neste artigo da The Hustle.Mailchimp. A plataforma que provavelmente usa ou já usou pelo menos uma vez para enviar newsletters foi adquirida pela modesta quantia de 12 mil milhões de dólares. Desde a sua fundação a empresa nunca levantou uma única ronda de investimento e agora foi comprada pela Intuit, uma empresa focada em software de contabilidade. Mamutes. Não, não se trata de um nome peculiar para uma empresa. Uma startup da Universidade de Harvard vai tentar trazer os mamutes de volta através da técnica genética dos filmes do “Parque Jurássico”. Saiba mais neste artigo da NPR.

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Ronda de Investimento 

Elaborámos uma lista de sugestões de produtos ou serviços relevantes para o seu negócio que ao compraratravés dos links afiliados que disponibilizamos, vai também apoiar o trabalho da Next e do The Next Big Idea na produção semanal de conteúdos sobre inovação, criatividade e empreendedorismo.

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    Dois dedos de conversa

    • Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos aos quais valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.

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    Ficha TécnicaNewsletter escrita por:Miguel Magalhães e Catarina MarquesEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Catarina MarquesIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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