

6 de setembro de 2021
Limitar o tempo que crianças passam diante de um ecrã a jogar videojogos era considerado, até há não muito tempo, um exemplo de boa parentalidade. No entanto, a China conseguiu levar esta medida do 8 ao 80 e restringir significativamente "o tempo de jogo" para jovens menores de 18 anos. Porquê? Faz tudo parte de uma estratégia para controlar a ação das suas Big Tech e a informação que os seus utilizadores partilham.
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Miguel Magalhães
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Long Stories Short

China. Um bloqueio tecnológico
O governo da China está a tentar reduzir a influência das suas Big Tech, ou, pelo menos, é para isso que apontam alguns acontecimentos das últimas semanas. Foi divulgado um primeiro esboço de um conjunto de leis que pode materializar esta intenção de Pequim, e que, a avançar de forma integral, pode representar quebras de vários milhões para estas empresas. Desde fevereiro, os negócios tech já perderam cerca de 1 bilião de dólares (a trillion em inglês) devido a restrições mais apertadas dentro do mercado chinês.Em causa estão, essencialmente, mudanças no modo como as empresas se servem do seu sistema de algoritmos. Estes sistemas são perfeitos para que apareçam aqueles anúncios de voos para a Grécia depois de fazermos uma pesquisa rápida sobre as melhores ilhas para passar férias, mas recolhem informações pessoais sobre os utilizadores. E o governo chinês não gosta de informação que não controla.As novas diretrizes vão afetar empresas em áreas cuja melhoria de serviço depende necessariamente da recolha de dados do consumidor: nos media, nos videojogos ou em redes sociais como o TikTok; no transporte de passageiros ou em plataformas de entregas; e, claro, no ecommerce e em fintechs. A proposta de lei tem cerca de 30 pontos e reflete a desconfiança do governo chinês no que diz respeito ao conteúdo ou serviços recomendados por estas empresas, alegando que não estão de acordo com os valores que o Estado promove. A lista é longa, portanto destacamos quatro pilares relevantes para o desenvolvimento de algoritmos:
Não devem colocar em causa os valores nacionais ou colocar em perigo a segurança nacional.
Devem ser mais transparentes. Assim, as empresas devem criar um sistema de revisão dos mecanismos dos seus próprios algoritmos.
Não devem alimentar conteúdo “viciante”.
Devem estar à disposição das autoridades competentes, no caso de ser necessário alguma investigação policial.
A Alibaba, que recebeu uma multa no valor recorde de 2,8 mil milhões de dólares devido a políticas monopolistas, e a Didi (“a Uber da China”) são exemplos de duas big tech que já começaram a sentir os impactos das restrições do executivo chinês, depois de condenadas por utilizarem indevidamente os dados dos seus utilizadores.O documento de Pequim ainda é um rascunho, mas já dá uma indicação do maior controlo estatal que a China pretende ter sobre as suas empresas. Tudo em prol de uma política económica internacional, sem surpresas internas.Regras dentro de casaA regulamentação imposta pelo Governo da China já está a fazer-se sentir na gestão do tempo de cada família. Se em Portugal há pais a queixarem-se do tempo que os filhos gastam a jogar online, em território chinês há mesmo uma lei que define como é que os mais novos (não) devem passar os tempos livres. Esta define um horário específico que os menores de 18 anos podem dedicar aos videojogos: só podem jogar uma hora por dia, das 8 às 9 da noite, às sextas-feiras, fins de semana e feriados.
Mas como é que se vai cumprir isto? Com um sistema, gerido pelo Estado, que depende de um registo com um nome real e monitoriza o tempo gasto nas plataformas de jogos online. Há um mês, Pequim chamou aos videojogos “o ópio da mente” e as autoridades mostram-se determinadas a contrariar a tendência dos 62.5% de menores que jogam online regularmente e dos 13.2% que jogam no smartphone mais de duas horas por dia, mesmo em dias de escola ou trabalho.
Empresas como a Tencent, a maior em termos de receita proveniente de videojogos da China, terão de encontrar novas formas de fazer o registo dos utilizadores, com alternativas como o reconhecimento facial. Só desde fevereiro, esta empresa já perdeu cerca de 400 mil milhões de dólares (em valorização em Bolsa) devido às restrições impostas pelo Estado Chinês.Também pela ÁsiaA China não é o único país a aplicar medidas aos gigantes tecnológicos. Na Coreia do Sul, por exemplo, estão a ser aplicadas novas regras a empresas internacionais (mas não àquelas que nasceram no seu território). A decisão passa por obrigar a Google e a Apple a “abrirem” as suas app stores a outras plataformas de pagamentos, condicionando as comissões que cobram sobre as vendas de terceiros.O objetivo é reduzir o duopólio que detém no mercado de venda de apps. A lei sul-coreana exige que os gigantes tecnológicos permitam o uso de sistemas de pagamentos alternativos, sob pena de pagarem multas até 3% da sua receita no país.A norma está em vigor apenas na Coreia do Sul, mas tem potencial impacto por todo o mundo, uma vez que abre um precedente para dar seguimento a processos judiciais que tanto a Google como a Apple têm enfrentado nos últimos tempos. As empresas que protagonizam a luta Android vs iOS estão sob escrutínio dos reguladores dos Estados Unidos e da União Europeia e em conflito com as próprias empresas que estão na sua plataforma como é o caso da Epic Games com a Apple.
Pela Europa… as Big Tech também estão a ser alvo de muito escrutínio e o caso mais recente foi a multa de 270 milhões de euros que a União Europeia aplicou ao Whatsapp (que é do Facebook) por quebra de leis de privacidade dos utilizadores estabelecidas pelo RGPD.
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The Next Big Idea apresenta...

What's Next: O futuro dos territórios
Nos próximos meses, aqui no The Next Big Idea, vamos olhar para um conjunto de áreas e procurar perceber como podemos projetar o futuro numa série de episódios especiais a que chamámos “What’s Next”.O primeiro levou-nos ao Alto Minho, que nos últimos anos se tornou uma espécie de laboratório para o futuro dos territórios e foi até lá que fomos para conhecer as soluções adotadas para conciliar a preservação da natureza - que é um cartão de visita da região - com o desenvolvimento do turismo sustentável.
Não perca os episódios do The Next Big Idea todos os fins-de-semana na SIC Notícias.
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Elevator Pitch: VOA
Pausa para água
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Vi algures na Internet 💻
Conteúdos que valem a pena espreitar:
Usar a máscara ajuda. O primeiro estudo em larga escala sobre os efeitos da utilização da máscara em espaços públicos confirma aquilo que especialistas de saúde têm repetido no último ano e meio: a máscara reduz o perigo de infeção de Covid-19.Uma das maiores fraudes da história. Durante uma década, Elizabeth Holmes, CEO da Theranos, enganou investidores e consumidores com um produto que não tinha. O seu julgamento começou na semana passada e promete ser uma das histórias mais quentes de Silicon Valley. O podcast “The Dropout” e o documentário da HBO “The Inventor: Out For Blood in Silicon Valley” são perfeitos para se pôr a par desta história.Outra solução. Um estudo de um professor do MIT provou que o combate às fake news não tem de ser feito através de fact checkers, e pode ser feito através de crowsourcing, o que por outras palavras significa colocar os próprios leitores a analisar se o conteúdo é fidedigno ou não. Saiba mais neste artigo da Wired.El Salvador. O país da América Central torna-se amanhã na primeira nação a adotar bitcoin como moeda oficial. A decisão foi denominada como “um laboratório para criptomoedas”.
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Dois dedos de conversa
Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos aos quais valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.
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Ficha TécnicaNewsletter escrita por:Miguel Magalhães e Catarina MarquesEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Catarina MarquesIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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