26 de julho de 2021

Estamos oficialmente no período que mais pessoas escolhem para ter férias e a pandemia não nos tirou isso. Assim, nas próximas semanas, a Next vai também ter um formato mais ajustado à época: continuamos a enviar semanalmente as melhores histórias de inovação e empreendedorismo mas com uma estrutura mais leve (feedback é bem-vindo).

O que vão continuar a receber e o que há de novo?

  • Mantemos a rubrica "Long Stories Short", onde contamos a história das empresas ou das ideias que se destacam semana a semana.

  • Vamos lançar uma nova rubrica chamada "Ronda de Investimento", com uma seleção de ferramentas e projetos que ajudam as empresas a trabalhar melhor e que através dos quais podem também apoiar o trabalho desenvolvido pela newsletter (explicamos como funciona aqui).

  • Transformamos o “Vi algures na Internet” num segmento de recomendação de conteúdos, nestas semanas em que há (mais) tempo para isso.

Obrigado por nos lerem,Miguel Magalhães

Long Stories Short 

 O intermediário da Internet 

Uma startup que vale quase 100 mil milhões de euros já era um objeto de estudo interessante, independentemente do problema que estivesse a solucionar. Contudo, no caso da Stripe, a história dos seus fundadores tem algo que não só é invulgar, como ajuda a explicar o porquê de a empresa ser considerada uma das mais importantes para as décadas que se avizinham.Patrick e John Collison cresceram numa terra rural irlandesa chamada Dromineer. Nesta localidade com poucos milhares de habitantes e com uma ligação à internet que, nos anos 90, não seria a melhor, inovação e empreendedorismo não eram duas palavras que se ouvissem muito. No entanto, o pai era um engenheiro que geria um alojamento local e a mãe era uma microbióloga, por isso os dois irmãos habituaram-se desde cedo a estar rodeados de ciência e tecnologia. Ainda muito novos, Patrick e John aprenderam a programar e começaram a destacar-se academicamente, cada um à sua maneira.Patrick, o irmão mais velho, começou logo a ter o desejo de acabar a escola mais cedo do que era suposto. Para isso, o primeiro passo foi fazer os SAT (testes americanos de acesso à faculdade) aos 13 anos e, aos 16, decidiu num espaço de 20 dias fazer todos os exames que lhe estavam destinados nos dois anos seguintes. Passou a todos com distinção. No entanto, esse nem foi o seu maior feito. No mesmo ano, ganhou o prémio de Melhor Jovem Cientista da Irlanda por ter desenvolvido um sistema de inteligência artificial de raiz. Aos 17 estava de malas feitas para o MIT, uma das mais prestigiadas universidades do mundo. John, dois anos mais novo, não ficou muito atrás. Ambicionava, tal como o irmão, terminar a escola mais cedo e, apesar de não ter ganho nenhum prémio nacional, teve os melhores resultados alguma vez registados na Irlanda, nos exames de acesso à faculdade. No ano seguinte, sem grande surpresa, juntou-se ao irmão em Boston, para ir estudar para Harvard.Já nos Estados Unidos, em 2008, os irmãos começaram rapidamente a beber da cultura empreendedora e a ficar mais preocupados em resolver problemas do que em estudar. Por isso, com 17 e 15 anos, respetivamente, desistiram das faculdades e começaram a trabalhar numa startup à qual chamaram Auctomatic. A sua ideia era melhorar a experiência de compra em marketplaces como eBay, cujo sistema consideravam demasiado complexo e complicado. Em simultâneo, dedicaram-se também ao desenvolvimento de aplicações para iPhone, que estavam a tornar-se cada vez mais populares depois do lançamento do smartphone em 2007.Fazendo jus à sua precoce reputação, em dez meses os irmãos desenvolveram o software para a Auctomatic, testaram com alguns clientes, conseguiram financiamento da Y Combinator (uma das mais importantes aceleradoras de startups nos EUA) e venderam a sua startup por 5 milhões de euros, tornando-se milionários antes de terem idade legal para beber.De seguida, em vez de comprar uma casa na praia, tentaram ainda regressar à faculdade, mas, passado algumas semanas, passaram simplesmente para a resolução do problema seguinte, do qual ainda hoje estão a tratar. A ideia para a Stripe surgiu nos períodos em que Patrick e John trabalharam com apps. Neste processo repararam que o e-commerce e os negócios online estavam a desenvolver-se a um ritmo mais rápido do que a tecnologia disponível na internet para processar pagamentos. Entre intermediários, taxas para bancos, taxas para empresas de cartões de crédito e taxas para plataformas tecnológicas, o processo de implementação de pagamentos roubava demasiado tempo, tempo esse que as empresas deviam investir no seu produto e não na parte financeira. Aumentar o PIB da internetÉ este o slogan da Stripe e é a missão que está por detrás do serviço que criou. A PayPal, no início dos anos 2000, tinha um propósito parecido, mas acabou por resolver o problema só para o lado dos consumidores, que passaram a ter uma solução simples para comprar online. Do lado das empresas, faltava uma forma fácil de integrar pagamentos nos seus serviços, uma que não exigisse tanta burocracia e tempo excessivo.Foi nisso que a startup dos irmãos Collison se focou durante quase dois anos: desenvolver relações com as instituições bancárias e reguladores, para que os seus futuros clientes não tivessem de o fazer, e criar um método fácil de integrar o seu serviço nos seus negócios. E foi isso que fizeram. O serviço base da Stripe, lançado em 2011 e que hoje é utilizado por quase 2 milhões de negócios, consiste em sete linhas de código que lhes permite implementar 29 métodos de pagamento diferentes. O que antes demorava meses, passou a ser resolvido com um “simples” copy-paste.A Stripe era tão fácil de implementar que se começou a tornar na empresa fetiche para os developers que iam ser responsáveis por algumas das mais importantes startups que iam surgir na década seguinte. Atualmente, a Stripe tem como principais clientes a Amazon, o Facebook, a Shopify, o Booking, a Lyft, a DoorDash e a Deliveroo, só para citarmos alguns nomes.

  • Como é que a Stripe faz dinheiro? A startup cobra uma taxa de 2.9% para cartões de crédito americanos e 1.4% para cartões europeus, mais 30 cêntimos por cada transação feita.

  • Quem são os principais concorrentes neste mercado? A PayPal (por estar há mais tempo no mercado), a Adyen (que tem um serviço semelhante e clientes como a Uber, a Netflix e o Airbnb), a Square (mais focada no lado do consumidor) e a Apple e o Google na vertente dos smartphones.

Números que ficam na memóriaFonte: Backlinko

  • 350 mil milhões de dólares. Estimativa do volume de pagamentos processado pela Stripe em 2020 (1.5x o PIB português para referência).

  • 80% dos americanos que compraram algo online em 2019, fizeram-no num serviço que tem o código da Stripe integrado.

  • 95 mil milhões de dólares. Valor da Stripe depois da mais recente ronda de investimento.

  • 2.5 mil milhões de dólares. Estimativa para as receitas da Stripe em 2020.

  • 6.4 mil milhões. É a fortuna em dólares de cada um dos irmãos. Nada mau para dois sobredotados.

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The Next Big Idea apresenta...

 Fazer os restaurantes chegar mais longe 

Lançada na semana em que a maior parte dos restaurantes começaram a fechar devido à pandemia, a Kitch estava longe de imaginar que iria passar por um conjunto de mudanças tão grandes, num curto espaço de tempo.A tecnologia que desenvolveu para ajudar restaurantes a operacionalizar as suas entregas em casa começou a ser progressivamente mais requisitada no último ano e o seu sucesso culminou numa ronda de investimento de 3,25 milhões de euros no final do primeiro trimestre de 2021.Na entrevista com Rui Bento, CEO da Kitch, ficámos a saber como a empresa ajustou - em menos de um ano - o modelo de negócio inicial àquele que o mercado "lhe" estava a dizer que era o que podia melhor funcionar. Uma conversa também sobre os principais desafios no mercado de delivery e em que Rui Bento partilha o impacto que a sua experiência na Uber teve no lançamento do novo projeto.

  • Veja a entrevista completa aqui.

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Ronda de Investimento 

Na nossa "Ronda de Investimento" vai passar a encontrar semanalmente uma lista de sugestões de produtos ou serviços relevantes para o seu negócio.

Trata-se de uma seleção que fazemos a pensar nas propostas que melhor podem ajudar as empresas e os novos negócios e ao comprar qualquer um deles, através dos links afiliados que disponibilizamos, vai também apoiar o trabalho da Next e do The Next Big Idea na produção semanal de conteúdos sobre inovação, criatividade e empreendedorismo.

Se têm produtos ou serviços que queiram integrar nesta lista podem enviar a vossa proposta para o email: [email protected].

  • Crie a sua marca com a Looka

  • Crie o seu website com a ajuda da Weebly, desenvolvida pela Square

  • Crie a sua loja online com a WP Engine ou a Shift4Shop

  • Produza documentos mais rigorosos com o Grammarly

  • Tire proveito do seu conteúdo com a SemRush.

E obrigado por contribuírem para uma informação de qualidade sobre o que faz mexer o mundo da inovação.

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    Vi algures na Internet  💻

    Que conteúdos nos vão acompanhar durante a semana?

    • Revolut. Ainda no tópico das fintech, a Revolut é uma das startups mais relevantes no setor e, recentemente, levantou uma ronda de investimento que a avaliou em 33 mil milhões de dólares. Este artigo do Financial Times relembra a história da empresa e ajuda a explicar como quer revolucionar o setor bancário.

    • Apple. A empresa do iPhone vai criar uma funcionalidade Buy Now Pay Later para o Apple Pay, que vai permitir que os utilizadores possam passar a pagar em prestações. As maiores empresas nesta vertente são a Klarna e a Affirm.

    • Netflix. Depois de resultados menos famosos no segundo trimestre deste ano, a plataforma de streaming poderá estar a fazer planos para entrar no mercado do gaming, de forma a atrair um volume maior de subscritores.

    • Ouvir. O podcast “Business Wars” aborda em temporadas de seis episódios algumas das maiores rivalidades no mundo dos negócios: Nike vs Adidas, TikTok vs Instagram, Mcdonald’s vs Burger King, Coca-Cola vs Pepsi são algumas das “guerras” que o vai poder acompanhar enquanto trabalha ou viaja para o destino de férias. Disponível aqui.

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    Dois dedos de conversa

    • Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos aos quais valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.

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    Ficha TécnicaNewsletter escrita por:Miguel Magalhães e Catarina MarquesEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Catarina MarquesIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

    Copyright © , Todos os direitos reservados.O nosso endereço é:Quer deixar de receber estes emails?Pode clicar aqui. Mas não faça isso: isto está giro.