19 de julho de 2021

A principal história desta semana leva-nos ao outro lado do mundo, mais precisamente à Índia, onde uma das suas principais empresas, a FlipKart, levantou uma ronda de financiamento de 3.6 mil milhões de dólares e tornou-se na sexta startup mais valiosa no mundo inteiro. 

Obrigado por nos lerem,Miguel Magalhães

Long Stories Short 

 A Amazon da Índia 

38 mil milhões de dólares. É quanto vale a startup indiana Flipkart depois da sua mais recente ronda de financiamento. Criada em 2007 por Sachin e Binny Bansal que, ao contrário do que se possa imaginar, não têm qualquer grau de parentesco, a FlipKart passou por diversos altos e baixos para se tornar uma das importantes empresas do continente asiático. A sua evolução, ao longo dos anos, tem algumas parecenças com a da Amazon e não é por acaso.Apesar de terem estudado juntos na faculdade, Sachin e Binny só se tornaram mais próximos quando ambos começaram a trabalhar na Amazon. Depois de três anos na Big Tech a compreender os meandros do negócio, os dois acharam que conseguiam criar um serviço mais adaptado à realidade indiana, ficando Sachin como CEO e Binny como COO da FlipKart. E não se saíram nada mal.

  • Um dos principais pontos de diferenciação foi uma tecnologia que permitia que os utilizadores encomendassem os livros online com a possibilidade de pagar em dinheiro à porta, dado que em 2008 apenas 0.5% da população indiana possuía um cartão de crédito.

  • De seguida, a FlipKart criou o FlipKart Marketplace para permitir que outros produtos, para além de livros, pudessem ser vendidos; fez uma série de aquisições incluindo plataformas de conteúdos com filmes e séries, serviços de música, serviços de logística e plataformas de marketing digital para dar uma maior robustez ao seu negócio; e ainda criou um dia especial de vendas - o “Big Billion Day” - onde oferecia uma série de promoções online. Onde é que já vimos isto?

  • Em 2012, a FlipKart já era um unicórnio e, com a sua crescente notoriedade, também se tornou num símbolo do empreendedorismo na Índia. Durante muitos anos, o mercado indiano foi conhecido por criar muitas barreiras a novos negócios e por estar desenhado para proteger os interesses de negócios mais tradicionais pertencentes a uma elite. No entanto, o sucesso da FlipKart criou uma onda de inovação que levou a que empreendedores indianos decidissem seguir em frente com os seus próprios projetos. 

Dores de crescimentoNo entanto, para competir no mercado asiático com gigantes como a Alibaba e a Amazon, a FlipKart começou a enfrentar algumas dores de crescimento porque, apesar de apresentar um volume de vendas recorde, ano após ano, não estava a conseguir gerar lucros. Entre 2016 e 2018, a FlipKart desvalorizou de 15 mil milhões para 5 mil milhões de dólares e os principais investidores começaram a ficar preocupados.Em 2018, foi anunciada a venda de quase 80% da FlipKart à Walmart, a gigante do retalho americano, por 16 mil milhões de dólares, um valor consideravelmente acima daquilo que a empresa valia. Os investidores ficaram satisfeitos por verem algum retorno, a Walmart ganhou mais munições para competir com a Amazon a nível global e a Flipkart entrou numa nova fase.

  • Os fundadores originais saíram da empresa (um por decisão própria e o outro por suspeitas de assédio) e foi nomeado um novo CEO chamado Kalyan Krishnamurthy, que fazia parte de um dos fundos de investimento com maior participação na empresa.

  • O novo boss começou a apostar em estratégias de venda mais agressivas, com um forte investimento em campanhas de promoção, e passou a utilizar a regra de 80-20 para definir o rumo da FlipKart: concentrar os esforços nos 20% de categorias de produtos que geravam 80% da receita total.

  • A nova estratégia, a pandemia que fez explodir o comércio online, e a crescente digitalização da população indiana contribuíram para que a FlipKart "regressasse à forma” e que conte atualmente com 350 milhões de utilizadores registados nos serviços.

Compreender o mercado online indianoA Índia é o segundo maior mercado online do mundo, com 700 milhões de pessoas a utilizar a Internet todos os dias. Contudo, isto representa apenas 40% da população (2020), o que significa que o mercado ainda apresenta um potencial enorme não só em termos de frequência de utilização, mas até da sua própria dimensão. E as Big Tech não estão a dormir.

  • Amazon investiu 6.5 mil milhões no sudeste asiático 

  • Jio Mart (3.ª em quota de mercado) faz parte de uma joint venture onde a Google está envolvida

  • Jio Platforms (4.ª em quota de mercado) é apoiada pelo Facebook

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 Alguém falou em c-commerce

Tiremos a dúvida óbvia antes de mais: c-commerce significa conversational commerce e consiste num assistente virtual – chamemos-lhe um chatbot –, movido a Inteligência Artificial, que auxilia os consumidores em páginas de retalho online.Ajudar a fazer compras, dar indicações de como procurar e reservar de produtos e fornecer informações sobre entregas são algumas das funções destinadas a estes robôs,  que falam connosco através de chats como o do Facebook ou plataformas de mensagens como a chinesa WeChat, da China ou a americana Apple Business.Esta solução é muito conveniente para o lado do consumidor, que, quando faz uma pergunta no chat da loja em questão, não está sujeito ao delay da resposta. E, naturalmente, para o lado das empresas, que, através de uma série de respostas pré-feitas para perguntas frequentes e algoritmos que associam palavras-chave a atos de consumo, têm ganhos de eficiência significativos.

  • 2,8 mil milhões é o número de pessoas que usam aplicações para trocar mensagens e, nos últimos anos, a tendência de usar as mesmas apps para fazer compras tem vindo a acentuar-se, de acordo com o The Economist.

  • 142 mil milhões de dólares é quanto poderá ser gasto em comércio através de chatbots em 2024 (em 2019, o valor rondou os 2,8 mil milhões de dólares), segundo o Business Insider.

Atualmente, esta ferramenta é utilizada por marcas como a Lego, o Ikea, a Sephora, o Walmart e a Coca-Cola. No que toca às entidades que fornecem esta funcionalidade, o caso de maior relevo a nível global será a Yalo. Em Portugal, temos o exemplo da HiJiffy, uma startup presta um serviço muito semelhante a esta, não no setor do comércio, mas no setor do turismo. Com esta empresa, que ajuda os hotéis a responder às dúvidas dos hóspedes, falou o The Next Big Idea, numa entrevista que pode ver aqui.

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The Next Big Idea apresenta...

 Pôr a conversa em dia 

No último episódio do The Next Big Idea contámos com um regresso da EatTasty e do seu co-fundador Orlando Lopes, três anos depois de terem participado no programa pela primeira vez.Em 2018, a EatTasty queria ser um serviço mais fácil para toda a população ativa que, dia após dia, se deslocava ao escritório para trabalhar. A pandemia levou a que a startup tivesse de alterar o seu modelo de negócio dado que o escritório dos trabalhadores passou a ser, na maioria dos casos, em casa.Entre uma expansão para o Porto e outra para Madrid, muitas foram as mudanças, mas a verdade é que o objetivo da EatTasty continua a ser um só: ser a cozinha dos portugueses.

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Semrush

 E depois de o conteúdo estar feito? A Semrush é uma plataforma de gestão de redes sociais que permite fazer de tudo um pouco. Planear os conteúdos em cada rede social utilizada pelas marcas e empresas, analisar algumas das estratégias de SEO e tráfego da concorrência e ainda uma série de conteúdos educativos que ajudam a perceber quais são as melhores práticas na altura de comunicar produtos ou serviços.

  • Experimente hoje a Semrush, que já é usada por empresas como a Amazon, a Tesla, a Apple ou a Samsung.

Este conteúdo contém links afiliados. Ao adquirir este serviço através destes links, estará a apoiar o trabalho desenvolvido pela Next e pelo The Next Big Idea.

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    Vi algures na Internet

     O quinto unicórnio "português" 

    Há um novo unicórnio português: a Remote. A startup com carimbo português atingiu esta valorização depois de uma ronda de investimento série B de cerca de 150 milhões de dólares (127 milhões de euros). O dinheiro investido é de capital americano, do fundo Accel, com participação da Sequoia, da Index Ventures, da Two Sigma, da General Catalyst e da Day One Ventures.A plataforma, que facilita a gestão de recursos humanos em teletrabalho, tem sede em São Francisco e foi criada, em 2019, pelo lisboeta Marcelo Lebre (CTO), em conjunto com o holandês Job van der Voort (CEO). Atualmente, a Remote presta serviços a empresas em mais de 50 países e tem cerca de 300 colaboradores, sendo que estes trabalham, também eles, em regime de teletrabalho, pelos quatro cantos do mundo. A empresa junta-se agora aos outros quatro unicórnios que já existiam em Portugal:

    • Farfetch: é a plataforma líder mundial no e-commerce de retalho de luxo. Atualmente, a empresa tem presença em Portugal, no Reino Unido, nos Estados Unidos, no Brasil, no Japão e na China.

    • Talkdesk: desenvolveu uma plataforma para call centers em cloud, através de inteligência artificial. Na última temporada, o The Next Big Idea entrevistou a sua co-fundadora, Cristina Fonseca.

    • OutSystems: tem uma plataforma que ajuda as empresas a criar aplicações com múltiplas funções e, apesar de ter ADN português e estar sediada em Boston, já marca presença em mais de 11 países.

    • Feedzai: é o único unicórnio com sede em Portugal, mas trabalha com 5 dos maiores bancos dos EUA no combate ao crime financeiro, através de inteligência artificial. E foi um dos projetos de sucesso escolhidos para um dos últimos episódios do The Next Big Idea.  

     Esta criança não brinca em serviço

     

    Começou por ser um espaço onde o pequeno Ryan Kaji partilhava as suas peripécias e brincadeiras juntamente com os pais, num tom pedagógico e descontraído. Hoje em dia, é o canal de YouTube mais rentável do mundo. Kaji, de 9 anos, conta com 30 milhões de subscritores no seu canal “Ryan’s World” e os seus vídeos, nos últimos anos, já acumularam quase 50 mil milhões de visualizações.O progressivo sucesso do canal levou a que se tornasse no negócio da família, gerido pelos pais, e que cada vez mais marcas como a Amazon, a Walmart ou a Nintendo investissem nos Kaji para a aparecer nos seus conteúdos.

    • Só em 2020, os vídeos do canal geraram receitas de 29,5 milhões de dólares

    • Em parcerias e marcas, vieram mais de 200 milhões de dólares

    Atualmente a influência do jovem vai muito para além do YouTube, onde todos os dias continua a publicar um vídeo: tem uma série no Nickelodeon, tem um canal de streaming na plataforma Roku e recentemente estreou uma série na Amazon Kids.Apesar de tudo isto, de acordo com os pais, Ryan continua a ter restrições de tempo de ecrã como qualquer criança normal. Custa a acreditar.

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    É só mais 1 minuto ⌛

    Competição de ecrãs. Já está disponível em Portugal a plataforma que o YouTube lançou para rivalizar com o TikTok e o Reels do Instagram. Chama-se YouTube Shorts.1 hora e acaba a reunião. O Google Meet vai passar a ter limitação de tempo.Tendências. O Relatório para 2021-2025 de Media e Entretenimento da PwC mostra alguns dos fatores e fenómenos que poderão alterar esta indústria nos próximos anos.Bye Apple. A Xiaomi já é a segunda marca de smartphones mais vendida no mundo atrás da Samsung e à frente da empresa da maçã.Beyond Silicon Valley. Os maiores hubs no mundo inteiro a apostar em inovação. Descubra quais são aqui.

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      Dois dedos de conversa

      • Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos aos quais valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.

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      Ficha TécnicaNewsletter escrita por:Miguel Magalhães e Catarina MarquesEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Catarina MarquesIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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