5 de julho de 2021

Dizer que uma startup é “a Uber de X” tornou-se uma forma fácil de descrever um projeto em poucas palavras, utilizando uma analogia que a maior parte das pessoas conseguirá compreender. É também uma representação da relevância da empresa americana criada em 2009 no panorama atual do mundo dos negócios. Por isso, a história de uma empresa que conseguiu derrotar a Uber no seu próprio jogo é digna de partilha, nem que seja para perceber como o fez e o que significa para uma indústria de economia partilhada cada vez mais interligada.

Obrigado por nos lerem,Miguel Magalhães

Long Stories Short 

 Derrotar a Uber foi só um passo 

A Didi, uma startup chinesa criada em 2012, tem atualmente o dobro das receitas da Uber (21 mil milhões de dólares em 2020) e 500 milhões de utilizadores ativos. Esta semana, tornou-se uma empresa cotada em Wall Street (com uma avaliação de 67 mil milhões de dólares) e a sua crescente importância tornou-a no mais recente alvo das autoridades chinesas. Mas comecemos pelo percurso que fez para chegar aqui, que a levou a ser mais do que apenas “a Uber da China”.Alguém a quem tudo aconteceu Existem 4 momentos que ajudam a descrever a vida do fundador da Didi, Cheng Wei:

  • Nasceu na província de Jiangxi, região onde se desencadeou a revolução comunista de Mao Tse-Tung, nos anos 50.

  • Apesar de ser um aluno brilhante na escola, no exame nacional de acesso à faculdade, esqueceu-se de responder às perguntas presentes na última página, o que resultou numa nota que o levou a uma faculdade menos prestigiante em Pequim para estudar Bioquímica.

  • No processo de encontrar um emprego para pagar os estudos, candidatou-se a uma empresa que se publicitava como uma das mais famosas no setor da saúde em Xangai. Era na realidade um centro de massagens nos pés, no qual Cheng teve de trabalhar algum tempo. 

  • Em 2005, saído da faculdade, foi trabalhar para a Alibaba. Foi aqui que se destacou como um vendedor de excelência e onde abdicou de um bom futuro em 2012, para começar uma empresa que queria replicar na China um “serviço de boleias” que estava a demonstrar potencial nos EUA e no Reino Unido.

As dinâmicas do mercado chinêsEm 2012, existiam cerca de 2 milhões de taxistas na China e a ideia de Cheng Wei foi desenvolver uma plataforma que, ao contrário da Uber, pudesse centralizar todos os serviços de transporte de passageiros. Na Didi, além de veículos privados, os utilizadores podiam pedir e pagar um táxi, uma limusina ou mesmo uma viagem num autocarro público. Deste modo, podia criar valor para o lado da oferta e da procura, sem criar grandes tensões sociais como aquelas que a Uber criou nos diversos mercados onde entrou. O problema? Dezenas de empresas chinesas tiveram, na altura, exatamente a mesma ideia que Wei, o que tornou a sua missão bem mais complicada.Para se destacar, a Didi decidiu fazer três coisas: 1) expandir-se para cidades chinesas que tivessem uma legislação mais amigável para o seu serviço, 2) copiar o registo da Uber e focar-se na oferta de veículos privados, com preços mais premium 3) contratar condutores jovens a quem não precisasse de comprar um smartphone para utilizar a sua app grátis (uma prática comum em muitas plataformas) e que “espalhassem a palavra”, cortando nos custos e beneficiando de comunicação grátis e orgânica.Superado o desafio inicial, chegou a altura de ser apadrinhada aka investida por uma das principais tech chinesas, uma condição essencial para uma startup dar o salto na China. A Didi escolheu, ou melhor, foi escolhida pela Tencent, a gigante das redes sociais e do gaming. Em 2014, a Tencent utilizou a Didi para aumentar o número de transações que eram feitas através do serviço de pagamentos mobile da sua WeChat (a super-app chinesa com mais de mil milhões de utilizadores atualmente), o que levou a Didi a crescer exponencialmente. Em 2015, um merger com a sua principal rival Kuaidi, estabeleceu-a como líder do mercado.A guerra com a UberEm 2015, conquistar a China tornou-se no principal objetivo para Travis Kalanick, agora ex-CEO da Uber e uma das pessoas que Cheng Wei mais admirava. Isto levou a que a rota de colisão entre os dois, apesar de muito dura para as suas empresas, acabasse por ser mais amigável do que se estaria à espera e fizesse jus à expressão it’s just business. Olhemos para alguns dos destaques:

  • Queimando milhões: para ganharem mercado, as duas empresas entraram numa disputa para ver quem conseguia oferecer mais benefícios. Para conseguirem mais clientes, ofereciam cada vez mais códigos de desconto que tornavam as viagens mais baratas e menos rentáveis. Para corresponderem à crescente procura, atraíam condutores com taxas de serviços cada vez mais altas, que aumentavam o prejuízo que tinham por cada “boleia”.

  • Disputando rondas de financiamento: A Didi viu a Apple investir mil milhões de dólares em si, enquanto a Uber recolheu uma “ajuda” de 3.5 mil milhões de dólares do fundo soberano da Arábia Saudita. Tudo em prol do crescimento do negócio.

  • Invadindo o inimigo: para combater a Uber no seu território, a Didi decidiu tornar-se numa das principais investidoras da Lyft, que disputava o mercado americano com a sua rival.

Em 2016, acordaram um cessar-fogo. Ganhar a China estava a criar uma pressão financeira que começou a prejudicar a sustentabilidade do negócio da Uber. Amigas como dantes, trocaram lugares nos seus conselhos de administração e a Didi ficou com as operações da Uber na China, em troca de uma participação de 17% na sua empresa e mil milhões de dólares. 

Avançando para 2021

Lucro. 95 milhões de dólares foi quanto a Didi apresentou no primeiro trimestre de 2021, depois de ter perdido 2.6 mil milhões de dólares em 2020.

Expansão. Além da China, onde tem 90% do mercado, a Didi está presente em mais 14 mercados, sendo o Brasil e o México aqueles com maior expressão. 

Banida. Depois de várias multas aplicadas pelas autoridades chinesas por abuso de posição dominante no mercado, as tensões com Pequim chegaram a um novo nível. A Didi viu a sua plataforma ser banida de todas as app stores na China, por ilegalidades na recolha de dados dos seus utilizadores. Resta ver se é apenas temporária, dado que os utilizadores atuais poderão continuar a utilizar a aplicação.

Big picture. A Didi dificilmente está isenta de responsabilidades, mas este pode ser o preço a pagar por empresas chinesas que mostram uma “ocidentalização excessiva” e não será coincidência isto acontecer dias depois de a Didi entrar em Wall Street. Outras big tech chinesas como a ByteDance (dona do TikTok) ou a Ant Pay (com ligações à Alibaba) passaram por processos semelhantes. 

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Adicionar ao CV

 Aprender a ser poliglota 

O Duolingo está a preparar-se para uma OPA multimilionária. A sua plataforma permite a aprendizagem de vários idiomas a custo zero para o consumidor e vale atualmente cerca de 2,4 mil milhões de dólares. Depois de quase uma década a funcionar como um agente de democratização no acesso à cultura (e, no fundo, a várias culturas), o serviço tornou-se na aplicação educacional com mais downloads, tanto na App Store como no Google Play.Em 2020, o Duolingo angariou cerca de 162 milhões de dólares, um aumento de 129% em relação ao ano anterior. O valor está associado à pandemia e ao confinamento, onde milhares de utilizadores aproveitaram a falta de atividades fora de casa para juntar uma nova língua ao seu CV. No primeiro trimestre deste ano, as receitas continuaram a crescer e atingiram os 55,4 milhões de dólares (um aumento de 97% relativamente ao mesmo período de 2020).Se é grátis, de onde vem o dinheiro? Do mesmo sítio de sempre: publicidade. A Duolingo segue um modelo freemium, na qual os utilizadores que utilizam a versão grátis da app vêem o seu estudo ser interrompido por alguns anúncios, que representam a principal fatia de receitas da plataforma.Os que querem estudar sem interrupções e utilizar a plataforma em modo offline (3% dos utilizadores, atualmente) podem fazê-lo subscrevendo a versão premium por 9,99 dólares por mês. Para além destas fontes de rendimento, a app disponibiliza ainda o certificado Proficiency de Inglês (o nível mais alto para este idioma) por 49 dólares e tem acordos com sites de media como a CNN ou o BuzzFeed para a tradução de alguns conteúdos.

  • Quão grande é esta comunidade? De momento, é possível aprender no Duolingo cerca de 40 idiomas diferentes. A app tem mais de 40 milhões de utilizadores ativos por mês.

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The Next Big Idea apresenta...

 Estamos de volta 

Este sábado, o The Next Big Idea regressou à SIC Notícias com a sua 10.ª temporada. No primeiro episódio, estivemos à conversa com Simon Shaefer, CEO da Startup Portugal, que veio não só apresentar a iniciativa Startup Nations Standard, mas também discutir alguns dos principais desafios que se colocam às startups europeias (e portuguesas, claro) na próxima década. Uma ótima maneira de dar início ao mote “What’s Next”, que escolhemos para esta temporada, na qual vamos continuar a trazer histórias de inovação que vão moldar o futuro nos próximos anos.

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Vi algures na Internet

 De asas cortadas, voa-se mais alto 

Depois de mais de um ano de pandemia, durante o qual o setor da aviação saiu altamente prejudicado, a United Airlines mostra-se disposta a investir e, na última semana, fez o maior pedido de aeronaves da sua história.

  • A empresa encomendou 270 aviões, Boeing e Airbus, um negócio avaliado em cerca de 30 mil milhões de dólares, o maior de qualquer operadora na última década. E, até 2026, deve receber mais 220 aeronaves. Os novos aviões vão substituir 300 jatos menores e mais obsoletos. Contas feitas, a companhia aérea dos EUA aumenta em cerca 30% o número de lugares disponíveis por voo, dentro do próprio país.

  • Haverá ainda mais lugares premium disponíveis. Os novos aviões, mesmo em classe económica, vão disponibilizar serviços como ecrãs de entretenimento em todos os assentos e uma WiFi mais potente.

  • Com o aumento de serviços, é esperado que aumente também o número de colaboradores. Pelo que, apesar de ter dispensado cerca de 22 mil pessoas durante a pandemia, a United Airlines espera criar cerca de 25 mil novos postos de trabalho até 2026.

Porque é que isto importa? Porque os voos domésticos já estão a regressar a níveis pré-pandémicos nos Estados Unidos, apesar de as viagens internacionais continuarem a ter uma expressão ao nível de tráfego muito reduzida. Assim sendo, este investimento marca o momento em que a companhia aérea decide que mais vale investir no futuro do que virar as costas ao problema (a paralisação associada à COVID-19). Ou seja, a empresa está a apostar que, no próximo ano, poderá voltar a ser lucrativa, algo que não acontece desde janeiro de 2020.

Outras companhias americanas a investir:

 Para todo o tipo de encontros

 

O Bumble é uma das aplicações de encontros amorosos mais populares entre os mais jovens porque tem a particularidade inovadora de permitir que sejam apenas as mulheres a fazer a primeira abordagem numa conversa. Mas, se até agora a dating app era conhecida por ser um local que promovia encontros online, agora passa também a ser um espaço físico onde utilizadores se podem encontrar pessoalmente com os seus possíveis pretendentes. Como? Abrindo um restaurante em Manhattan, Nova Iorque.Chama-se Bumble Brew e vai funcionar em parceria com o grupo de restauração Delicious Hospitality Group. Os pratos vão rondar os 20 euros e a vasta oferta de vinhos pode ajudar a que pessoas se conheçam com maior descontração. No entanto, a empresa relembra que o objetivo foi criar um “espaço seguro para relacionamentos e conexões saudáveis e equitativas”, depois de um período em que aqueles que procuram o amor estiveram muito tempo fechados em casa.Apesar de a pandemia ter contribuído para o crescimento da atividade nas dating apps (as videochamadas aumentaram 70% nestas aplicações), a empresa tem a noção de que as iniciativas “cara-a-cara” podem ser benéficas para o negócio, que passou a estar cotado em Bolsa, desde fevereiro passado. Numa entrevista à Bloomberg, em março, a fundadora da plataforma afirmou que a reabertura dos espaços públicos nas cidades podia ser vantajosa para o Bumble.

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Projetos que ficaram debaixo de olho  🤩

O LinkedIn para médicos. A Doximity é uma plataforma que foi fundada em 2009, como resposta à comunicação obsoleta entre a comunidade médica, que era 80% feita por correio ou fax. A rede social já conta com 1,8 milhões de profissionais nos EUA (mais de 80% dos médicos) e é uma forma segura destes profissionais trocarem informação entre si ou até mesmo com pacientes. Um (quase) unicórnio português. Chamemos assim a SWORD Health, a startup portuguesa de fisioterapia que levantou uma ronda de 85 milhões de dólares. A empresa criou um terapeuta digital que dá apoio aos pacientes durante os exercícios de reabilitação. Depois da entrada nos Estados Unidos, em abril, a SWORD Health conseguiu investimento com dinheiro de Silicon Valley. Desde o início do ano, a startup já angariou 110 milhões de dólares.Analisar a concorrência. "Manter os amigos por perto e os inimigos ainda mais" é um ditado que também pode ser aplicado ao mundo empresarial. A SEMRush permite que possa comparar o tráfego do site da sua empresa com o dos seus mais diretos concorrentes, relativamente à performance em diferentes canais, em SEO e ainda em métricas como o PPC (pay per click). Faça o free trial aqui. *

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    É só mais 1 minuto ⌛

    Aquele dia. Descubra aqui qual é o melhor dia para enviar campanhas promocionais por e-mail. Não é no dia em que esta newsletter é enviada.Instagram. A rede social vai começar a testar a partilha de links nas stories para todos os utilizadores. Até agora só é permitido a páginas verificadas ou com mais de 10 mil seguidores.NFTs. A cadeia de televisão norte-americana CNN vai vender alguns dos momentos mais icónicos da sua estação como NFTs através de uma plataforma chamada The Vault. Para quando algo semelhante por cá?Nómadas digitais. Porque é que Portugal é um bom destino para turistas-trabalhadores?Segurança. Facebook, TikTok, Twitter e Google fizeram compromissos inéditos para combater o abuso de mulheres nas suas plataformas.

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      Dois dedos de conversa

      • Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos aos quais valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.

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      Ficha TécnicaNewsletter escrita por:Rute Sousa Vasco, Miguel Magalhães e Catarina MarquesEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Catarina MarquesIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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