
21 de junho de 2021
A edição de hoje da newsletter traz três empresas a quererem reinventar-se por razões muito distintas:
O Spotify lança o Greenroom para prolongar o seu domínio sobre o áudio
A Victoria's Secret altera a sua imagem de marca para se manter relevante
A Google lança uma loja para se tornar mais forte offline
Obrigado por nos acompanharem,Miguel Magalhães
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Long Stories Short

Já ouvi isto em algum lado
O Spotify lançou uma rede social que vai competir com a Clubhouse: a Greenroom. Os planos da big tech sueca foram postos em prática na semana passada, quando soubemos que, desta vez, tanto os telemóveis iOS como os Android vão poder ter acesso a este novo espaço de conversas. Pode-se dizer que esta é a primeira tentativa da empresa de criar uma rede social per si, já que, até agora, detinha “apenas” uma plataforma de streaming de música, podcasts e outros conteúdos em áudio.Antes de mais: descrever a inspiraçãoVamos partir do pressuposto que a Greenroom surge como uma forma de o Spotify não ficar para trás em relação à Clubhouse. Para isso, é importante que entendamos antes em que contexto surgiu a Clubhouse e que impacto é que tudo isto pode ter na indústria do streaming (neste caso, em direto). Estávamos em pleno começo de pandemia, em abril do ano passado, quando surgiu esta rede social, lançada pela mão de Rohan Seth (com um passado profissional na Google) e Paul Davidson (empreendedor em Silicon Valley). A Clubhouse apresentava-se como uma espécie de fórum de debate em áudio, dividido por chat rooms (canais virtuais de conversa) aos quais os utilizadores podiam ter acesso, para ouvir todo o tipo de pessoas falar sobre todo o tipo de temas. Inicialmente, estava apenas disponível para iPhones, mas, há um mês, chegou aos smartphones Android em Portugal.Ao contrário de praticamente todas as redes sociais, esta plataforma tem uma particularidade: só entra quem tem um convite. Ou seja, para qualquer pessoa ser efetivamente um utilizador tem de ser convidada por outro utilizador. Mas, apesar desta necessidade de crescimento exponencial em cadeia, não tardou muito até que a Clubhouse começasse a dar que falar. Com uma pandemia que fechou o mundo em casa, e personalidades tão conhecidas quanto Elon Musk a dar entrevistas neste espaço, o volume de convites rapidamente cresceu e a rede social passou de 1.500 utilizadores em abril de 2020 para 6 milhões, em fevereiro de 2021. Este é o contexto que justificou as apostas de outras gigantes tecnológicas, que surgiram depois da Clubhouse (algumas depois de tentarem comprar a plataforma). Aos mais curiosos, sugerimos que passem os olhos por este artigo, que publicámos durante o boom da rede social.O que é que sabemos sobre a Greenroom até agora?
Não há exclusividade. A rede social, lançada pelo Spotify, compete com a Clubhouse. Contudo, apesar do serviço ter um conceito bastante semelhante, não é preciso um convite para assistir às conversas ou ser host de uma conversa (um sistema com o qual a própria Clubhouse já pensou acabar). Aliás, os utilizadores podem inscrever-se com o seu login do Spotify.
Foca-se no desporto, na música e na cultura. O espaço que hospeda a Greenroom é a Locker Room, criada pela Betty Labs, que o Spotify adquiriu em março. A plataforma que antes era dedicada exclusivamente a conteúdo desportivo abre agora espaço para que sejam debatidos temas ligados à música e à cultura, que é como quem diz “para debater todo o tipo de temas, mas com um rótulo que diferencie este novo serviço do Spotify”. Por isso, os antigos utilizadores vão ter de se começar a habituar a ver mais do que polémicas da Champions, highlights da NBA e recordes do lançamento do martelo (mentira, já ninguém via lançamento do martelo de qualquer forma).
Molda-se ao utilizador. Tal como acontece na maior parte das plataformas, o utilizador poderá escolher que tipo de tópicos terá mais interesse em ouvir falar e o próprio algoritmo da plataforma irá aprender com o tipo de conteúdos que decidir consumir.
Tem fundos para criadores. Ainda não há muitos detalhes sobre esta funcionalidade. Mas, segundo o The Verge, os utilizadores poderão ser recompensados com base na popularidade dos seus conteúdos. Devem ainda ser feitos acordos exclusivos com alguns criadores. Os interessados poderão inscrever-se para obter mais informações aqui.
Promove a participação de muitas pessoas. As chat rooms da nova rede social têm a capacidade de receber cerca de mil utilizadores e a empresa planeia alargar esta funcionalidade a ainda mais participantes. Há também um recurso de chat de texto em direto, onde os ouvintes podem dar gems (ícones que expressam apreço ou concordância, uma espécie de like instantâneo durante os debates) aos oradores.
Está disponível para (quase) todos. Para já, a aplicação apresenta-se apenas em inglês (ao contrário do Spotify, que já abarca um total de 62 idiomas). No entanto, para além de estar disponível tanto em telemóveis iOS como em telemóveis Android, a Greenroom estará presente em 135 países.
Pequeno grande detalhe: do streaming à rede socialMais do que lançar toda uma nova plataforma, a Greenroom simboliza também o lançamento de uma rede social, por parte de um serviço popularizado pelo streaming de áudio. Isto denota as sinergias óbvias que se podem estabelecer, até porque algumas das funcionalidades da Greenroom vão eventualmente chegar à aplicação clássica do Spotify.Ao contrário da Clubhouse, as sessões de áudio vão ser gravadas pelo próprio Spotify (o que também surge na tentativa de encontrar alguma moderação, um problema que tem sido uma dor de cabeça para a Clubhouse). Deste modo, os criadores podem facilmente transformar as suas conversas em podcasts e distribuí-las no Spotify, através do Anchor, plataforma que a empresa detém desde 2019. Esta tem ferramentas simples que permitem aos criadores editar os seus conteúdos áudio de forma prática. Deste modo, o Spotify consegue fazer um três em um, no qual agrupa no seu serviço a transmissão, edição e distribuição de áudio.Mais do mesmo? É uma questão de perspetivaJá não é a primeira vez que uma plataforma tenta “imitar” a Clubhouse. Há outros serviços, tais como o Slack, o LinkedIn, o Reddit ou o Discord, que já começaram a conceber produtos semelhantes de modo a ganhar terreno nesta indústria onde a opinião é que conta.Destaca-se aqui o Facebook, que lançou as Live Audio Rooms, nos Estados Unidos, à data em que foi lançada esta newsletter. A empresa anunciou hoje a possibilidade de algumas figuras públicas poderem ser hosts de conversas através de um iPhone (contudo, qualquer pessoa pode entrar com um telemóvel iOS ou Android). Para estes debates, qualquer um pode ser convidado como orador, sendo que 50 é o número limite de oradores numa mesma audio room. Não há, no entanto, limite para o número de ouvintes (ao contrário da Clubhouse e do Greenroom).Tanto os Live Audio Rooms do Facebook como o Twitter Spaces têm legendas ao vivo (outra funcionalidade que a Clubhouse não possui). O Twitter foi mais rápido do que o Facebook a tentar a sua sorte no streaming de áudio ao vivo, uma vez que já criou este espaço no ano passado. Também disponível para iOS e Android, notifica os utilizadores quando uma das pessoas que segue está a falar, e permite que estes solicitem a participação na conversa. Neste caso, qualquer um pode ser host, desde que tenha 600 ou mais seguidores.Perante todas estas opções, resta-nos fazer uma pergunta: quão viável é o produto do Spotify? Numa primeira análise, a Greenroom pode ter melhores chances de vingar, uma vez que já está alojada numa plataforma onde as atenções sempre estiveram viradas para o áudio, de forma exclusiva. No entanto, convencer os utilizadores a passar tempo numa app cuja atividade se faz ao vivo pode ser complicado.
“A guy who builds a nice chair doesn’t owe money to everyone who has ever built a chair, okay? They came to me with an idea. I had a better one.” – Mark Zuckerberg, em A Rede Social.
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A marca de roupa a ameaçar a Amazon
Nos últimos anos, a gigante do comércio online tem dominado o ranking de downloads (desta categoria) nas app stores da Apple e da Android, com o maior número de pessoas que cada vez mais recorre à sua plataforma para comprar os produtos de que necessita para o seu dia a dia. Contudo, em maio, aconteceu algo que não tem sido muito comum: a Amazon foi ultrapassada por uma marca de roupa chinesa em termos de downloads, nos EUA. O nome deste outlier é Shein, que se tem tornado cada vez mais popular nas gerações mais jovens.Criada em 2008, a Shein é uma marca chinesa que tenta parecer o menos chinesa possível quer no aspeto do seu serviço, quer na comunicação que faz para fora. Isto porque, na moda, a China costuma ter uma certa conotação negativa quando comparada com outros países como Itália, França ou Espanha, e a empresa não queria sofrer com isso. Apesar de toda a sua logística e produção estar na China, a maior parte dos clientes encontra-se em mercados ocidentais, que tiram proveito da sua variedade de produtos e dos preços baixos que consegue praticar. Em 2020, a Shein triplicou as suas vendas e tornou-se, de acordo com a Euromonitor, na maior marca de roupa do mundo inteiro com apenas uma presença online, estando avaliada em cerca de 15 mil milhões de dólares.
O “Tik Tok do eCommerce”. Foi o nome que a empresa ganhou com o seu crescente sucesso. A Shein tem um forte controlo sobre todas as etapas da comercialização dos seus produtos, desde a fase de protótipo até à fase em que ficam à distância de um clique e prontos para ser entregues nas casas dos consumidores. Isto permite que, através das compras que são feitas na sua plataforma, a marca possa aprender rapidamente quais são as preferências dos seus clientes e fazer-lhes chegar esses produtos quase em “tempo real”.
O segredo é a alma do negócio. Por um lado, a Shein tem-se mantido longe dos holofotes dos grandes media, apesar de recentemente ter feito uma campanha com a artista Katy Perry. Por outro, por não ser uma empresa cotada em bolsa, não é obrigada a revelar muita informação, nomeadamente quem são os seus investidores, quanto é que gasta em marketing para gerar tráfego para a sua loja online e quantos dos utilizadores que fazem download da sua app se tornam, de facto, em consumidores ativos.
Conseguirá a plataforma manter-se no topo? Outros já tinham conseguido este feito de ultrapassar a Amazon, em termos de downloads, (a Wish, por exemplo), mas sucumbiram ao poderio da gigante do e-commerce, que recuperou o primeiro lugar de seguida.
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The Next Big Idea apresenta...

A "agente especial" Daniela Braga
Este ano, o Fórum Económico Europeu distinguiu a DefinedCrowd como uma das empresas “Pioneiras Tecnológicas”. Isto significa que a startup com selo português foi reconhecida por conceber tecnologia de ponta que tem um impacto significativo na sociedade.A CEO, Daniela Braga, é a responsável pela criação da empresa, sediada em Seattle, EUA, que desenvolve soluções de inteligência artificial (IA). Em 2019, foi a primeira vencedora do prémio João Vasconcelos “Empreendedor do Ano” e, na semana passada, foi escolhida pela Administração de Joe Biden para integrar a “National Artificial Intelligence Research Resource Task Force”, uma equipa que vai orientar a Casa Branca na estratégia para o desenvolvimento e aplicação de IA.
Reveja aqui a entrevista dada por Daniela Braga ao The Next Big Idea.
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Vi algures na Internet

A Victoria Secret vai mudar de anjos
Depois de meses, especialmente a partir da pandemia, em que a Victoria's Secret passou a ter uma comunicação mais virada para a body positivity, o rebranding oficial chegou: as modelos que, durante anos, deslumbraram em desfiles extravagantes vão agora ser substituídas por ativistas sociais que tornem a marca de lingerie na “principal defensora mundial das mulheres”.Sara Sampaio e companhia, para já, vão dar lugar a Megan Rapinoe, jogadora de futebol dos EUA e ativista da comunidade LGBT, a Priyanka Chopra Jonas, atriz e empresária, e à modelo transsexual Valentina Sampaio que, em conjunto, formam o The VS Collective. Este triunvirato ficará responsável por criar coleções revolucionárias e gerar apoio para causas vitais para as mulheres. Já em andamento estão um podcast onde as três vão partilhar histórias e experiência e um Fundo Global Feminino Para o Cancro, que vai financiar projetos que visem a pesquisa de tratamento para doenças que afetem mulheres no mundo inteiro.Estas mudanças vêm no seguimento de uma década difícil para a Victoria's Secret. As vendas foram progressivamente descendo e seu famoso desfile foi gerando cada vez menos interesse. As tendências de moda mais inclusivas e o movimento #MeToo desmascararam algumas fragilidades da marca que tenta agora ajustar-se aos “novos tempos”. No primeiro trimestre de 2021, as vendas subiram 9% face ao mesmo período de 2019 e os lucros cresceram 665%. Algo está a funcionar.
Bem-vindos à Google Store
A empresa que nos dá as respostas para quase tudo vai passar a ter uma presença mais fixa offline. Na quinta-feira, a Google estreou a sua primeira loja, em Nova Iorque, onde vai disponibilizar os seus produtos e serviços, à semelhança daquilo que a Apple faz com as suas “stores” há vários anos. Roubar uma jogada do livro da empresa mais valiosa do mundo não parece ser uma má ideia, no entanto, esta não deixa de ser uma decisão peculiar. Ao contrário da Apple, que está super dependente da venda de hardware como os seus smartphones e os seus computadores, 80% das receitas da Alphabet (empresa que detém a Google) vêm de gastos em publicidade online. A esperança da Google é que lojas como esta e outras que apareçam no futuro lhe permitam perceber melhor as preferências dos seus clientes e melhorar as funcionalidades dos seus dispositivos. Para isso, terá: um serviço de apoio a todas as suas ofertas desde o Gmail até ao seu smartphone Pixel; uma área de experimentação onde os consumidores podem testar diferentes produtos e serviços como o Google Stadia, a plataforma de gaming da Google; e ainda um espaço chamado Imagination Space, onde os consumidores poderão testar os últimos avanços tecnológicos da empresa. O mais recente inclui sussurrar uma frase e vê-la traduzida, através do Google Translate, em 24 línguas por áudio e em texto. Perigoso e didático, ao mesmo tempo.
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Projetos que ficaram debaixo de olho 🤩
Resolver bloqueios criativos. A Compose.ai é uma extensão grátis do browser que ajuda utilizadores a encontrar as palavras certas para finalizarem os seus conteúdos. No futuro, a plataforma vai lançar uma versão paga, na qual, será possível, através da voz do utilizador, definir as frases mais utilizadas e o estilo de escrita.
P.S. Esta secção foi escrita sem o auxílio de uma plataforma como a que foi descrita.O que vai na sua mente? É uma pergunta à qual capacetes de 50 mil dólares desenvolvidos por uma empresa chamada Kernel conseguirão responder. Mais ou menos. O “The Flow” permitirá registar a atividade do cérebro e encontrar padrões. O “The Flux” vai permitir medir a velocidade dos neurónios e analisar o funcionamento do cérebro para descobrir emoção, memória e aprendizagem. Saiba mais neste artigo da Futurism.A realidade aumentada e a arte. A exposição “Imperfeita”, inspirada em Frida Kahlo, tem em exibição até 26 de junho no Coletivo 284, em Lisboa, as obras de 17 artistas plásticos. Todas elas contam com uma componente de realidade aumentada, na qual poderá ver um coração a bater ou um esqueleto a desmontar-se. Saiba mais neste artigo do The Next Big Idea.
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É só mais 1 minuto ⌛
Redes Sociais. Já está disponível o novo relatório sobre o estado do Instagram em termos de engagement 2021. Encontre respostas para a estratégia digital da sua empresa aqui.NFTs. O código original da World Wide Web está à venda como NFT. Escrito inicialmente pelo fundador da internet, Tim Berners-Lee, em 1989, está disponível para leilão na Sotheby’s, a partir dos mil dólares.Trabalho. Um relatório recente do LinkedIn aponta para um crescimento muito significativo de ofertas de trabalho remoto, principalmente na área do marketing, nos Estados Unidos. No final do mês passado, registou-se, nesta área, um aumento de 457% relativamente ao mesmo período do ano anterior.Planeta. Há um novo oceano. As correntes marítimas que se movem ao largo da Antártida conferem a estas águas características que, segundo a National Geographic Society, as tornam distintas e merecedoras do seu próprio nome: Oceano Antártico. Antes, eram apenas consideradas extensões dos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico.
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Dois dedos de conversa
Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos aos quais valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.
Pode submeter a sua empresa/projeto em thenextbigidea.pt.
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Ficha TécnicaNewsletter escrita por:Rute Sousa Vasco, Miguel Magalhães e Catarina MarquesEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Catarina MarquesIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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