14 de junho de 2021

A resiliência e saber ouvir bastantes "nãos" são duas características essenciais para o crescimento de qualquer empresa. Dezasseis anos depois de ter sido criada, a Klarna tornou-se na startup mais valiosa da Europa e na segunda maior fintech do mundo. O seu percurso começou com um "nunca vai acontecer" por parte de um júri de um concurso de empreendedorismo, mas, atualmente, está a revolucionar a indústria do crédito e tem 90 milhões de consumidores do seu lado.

Obrigada por nos acompanharem,Miguel Magalhães

Long Stories Short 

 Primeiro comprar, depois pagar 

A Suécia, apesar de ser umas das seleções presentes no Euro 2020, arrisca-se atualmente a ver as suas principais empresas serem mais conhecidas do que os jogadores presentes no seu onze titular. Depois do IKEA (mobiliário), do Spotify (streaming), da Mojang (gaming), do Skype (plataforma de vídeo) e da Oatly (sobre a qual escrevemos aqui), a Klarna é a nova super-estrela da “equipa”. A fintech nórdica tornou-se na startup mais valiosa da Europa, após uma ronda de financiamento de 639 milhões de dólares que a avaliou em 46 mil milhões de dólares. O que torna esta empresa tão especial? Tudo começou com hambúrgueresDois dos três fundadores da Klarna, Sebastian e Nikolas, conheceram-se num Burger King, ainda jovens, não num almoço de amigos, mas sim enquanto trabalhavam na cozinha a “grelhar carne” para juntar algum dinheiro. Levaram a sua amizade para a Faculdade de Economia de Estocolmo e foi aí que conheceram Victor, o terceiro membro da equipa original. Juntos, os três decidiram participar em 2005 (ano da criação da Klarna) na competição anual de empreendedorismo da sua universidade com uma visão inovadora: queriam que a sua empresa fosse a interseção entre os pagamentos, o shopping e a banca, desenvolvendo métodos de pagamento online mais simples para consumidores e vendedores. Dado aquilo que sabemos, a expectativa seria que tivessem recebido uma salva de palmas no final da sua apresentação, no entanto, os três empreendedores obtiveram um “essa ideia nunca vai resultar” por parte de um júri descontente e ficaram em último lugar. A reação negativa e a pouca experiência que tinham em banca e finanças podiam ter sido razões para desistir, mas a paixão pela ideia fê-los continuar. Hoje em dia, bilionários, acordam certamente felizes com essa decisão.BNPL vs Crédito TradicionalBNPL é uma sigla que no último ano tem entrado cada vez mais no léxico do universo das fintechs e do ecommerce. Significa Buy Now, Pay Later (Compre Agora, Paga Depois) e está associada à oferta de serviços de financiamento para comércio online, na qual diversas plataformas se propõem a absorver grande parte do risco do lado dos consumidores. Como? Vamos por partes e utilizar a Klarna como exemplo.Por norma, quando compramos algo online, o método mais comum de pagamento que é utilizado são os cartões de débito ou de crédito. No caso do débito, não existem comissões para consumidores e vendedores pagaram taxas reduzidas pela utilização de um serviço como a Visa ou a Mastercard. No caso do crédito, a situação é mais complexa: os comerciantes pagam uma comissão de transação maior e os consumidores acumulam (e pagam) os juros aos bancos, que por sua vez, depois pagam o serviço das empresas acima referidas.Com a Klarna, as coisas funcionam de um modo diferente. O racional da startup sueca foi o de criar modalidades de financiamento mais acessíveis a consumidores, que os fizessem não só comprar mais vezes online, mas também ter uma despesa média maior por cada compra. Para isso, criou um serviço no qual os consumidores podem, por exemplo, escolher pagar o valor associado a um produto em quatro prestações ou 14 a 30 dias depois de o terem adquirido, sem qualquer tipo de juro associado. Então, onde é que a Klarna ganha dinheiro? Do lado dos comerciantes.Com a sua plataforma/app, a empresa diz aumentar o número de compras para um comerciante em 30% e o valor médio gasto por compra a 34%. Por isso, cobra às lojas online uma taxa mais alta do que a Visa ou a Mastercard, pelo acesso aos seus utilizadores. Na construção deste ecossistema de lojas online, a Klarna tem-se focado especialmente na área da moda, onde as marcas precisam de maior volume de compras para serem rentáveis e onde cada vez mais consumidores substituem a experiência da loja física. Ao contrário daquele júri em 2005, alguns números indicam que o modelo de negócio da Klarna poderá resultar:

  • 90 milhões de consumidores no mundo inteiro

  • 250 mil comerciantes a utilizar o seu serviço

  • 2 milhões de transações por dia com a sua plataforma

  • Em 2020, teve 53 mil milhões de dólares em vendas onde o seu serviço foi utilizado  e 1.1 mil milhões de dólares em receitas

Contudo, em 2020, a Klarna teve perdas de 1.3 mil milhões de dólares e os 639 mil milhões que recebeu de investimento vão ser utilizados para se expandir para mais mercados e atingir a escala necessária para tornar o seu negócio lucrativo.O mercado e a concorrênciaO boom do comércio online durante a pandemia, bem como uma certa desconfiança das gerações mais jovens nos bancos depois de sucessivas crises financeiras, foram dois fatores que beneficiaram o crescimento dos serviços de BNPL como o Klarna.

  • Nos EUA, já representam 2% dos pagamentos em comércio online (2020) e, no primeiro trimestre de 2021, cresceram 132% em volume face ao mesmo período do ano anterior.

  • Na Europa, já representa 7% de todas as transações em ecommerce e na Austrália este valor já é de 10%.

  • Na Suécia, a “casa da Klarna”, 23% das compras online já são feitas através de serviços BNPL.

Quem são os rivais da Klarna? Startups como a Affirm (EUA), a Afterpay (Austrália) e empresas do status quo como a Visa e a Paypal vão disputar com a fintech sueca um mercado que se espera que em 2025 possa valer 215 mil milhões de dólares.Um senão do mercado BNPL: apesar de os serviços absorverem algum do risco, este não desaparece. Se os consumidores utilizarem estas plataformas para adquirir produtos que não conseguem pagar mesmo que seja em prestações ou 30 dias mais tarde, enfrentarão problemas semelhantes aos que encontram nos créditos tradicionais. Por isso, empresas como a Klarna têm o dever de garantir essa transparência, numa indústria que ainda não está muito regulamentada.

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Adicionar ao Carrinho

 A Netflix já não é só para ver séries 

É mais um capítulo da saga “As big tech vão dominar o mundo”. Depois da Amazon, que começou por ser uma plataforma de e-commerce e se tornou também numa plataforma de streaming, somos agora surpreendidos (ou não) pela Netflix, que passou do streaming para o e-commerce. O serviço de “filmes e séries ilimitados no conforto do sofá” com mais subscritores em todo o mundo marca agora terreno com uma loja online.

  • Porquê? Para aumentar receitas, depois de um começo de 2021 em que a app teve “apenas” 4 milhões de novos subscritores. A loja online foi concebida em conjunto com a empresa de software para comércio Shopify e a equipa de distribuição e de produtos de consumo associados à plataforma cresceu de 20 para 60 pessoas. Foram ainda feitos acordos com as cadeias de grandes retalhistas americanas Target e Walmart, com a loja de cosméticos Sephora, e com a própria Amazon.

  • O que vai estar à venda? Roupa, brinquedos, produtos de beleza e objetos decorativos associados às séries da Netflix são alguns dos ítens que podemos encontrar nesta nova aposta da plataforma de streaming, que segue as pisadas de outras cadeias. Em 2019, a venda de produtos associados a conteúdos no pequeno e no grande ecrã gerou  49 mil milhões de dólares nos Estados Unidos e os 128 mil milhões de dólares mundialmente. O maior player neste campo é (sem surpresa) a Disney, que, já nos anos 20 do século passado, vendia todo o tipo de merchandise que tivesse as orelhas de rato Mickey. A estratégia já remonta aos primórdios de Hollywood, mas pode ser aquilo de que a Netflix precisa para ganhar uma dimensão mais próxima daquela que a Disney tem.

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The Next Big Idea apresenta...

 Parabéns GoParity! 

Na semana passada, recebemos a notícia de que a GoParity tinha recebido um financiamento de 200 mil dólares para continuar a expandir-se para mais mercados europeus e oferecer a mais pessoas a possibilidade de investirem em projetos sustentáveis.A GoParity é uma startup portuguesa, fundada em 2017, que desenvolveu uma plataforma de crowlending (uma forma de investimento na qual um grupo de pessoas empresta dinheiro a uma empresa digitalmente), que financia projetos de impacto social e ambiental com recurso à sua comunidade de investidores focados no impacto sustentável e financeiro.A empresa conta com mais de 11 mil investidores de 59 países diferentes e já teve mais de seis milhões de euros investidos através da sua plataforma, que foram utilizados para apoiar cerca de 90 projetos em oito países - Portugal, Espanha, Lituânia, Brasil, Colômbia, Perú e Uganda.

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Vi algures na Internet

 Inovar para combater o crime 

Quando o assunto é algo ilícito, as apps de mensagens mais populares como o Whatsapp podem não ser os locais mais seguros para criminosos falarem. É por este motivo que, durante quase três anos, várias organizações criminosas optaram por utilizar a Anom, uma app prometia encriptamento total das conversas. Porém, a plataforma fazia parte de um plano inovador do FBI, que a desenvolveu e utilizou para prender a mais de 800 pessoas, no âmbito de uma operação de desmantelamento de várias redes criminosas. Contas feitas, foram apreendidos: 55 veículos de luxo, 8 toneladas de cocaína, 22 toneladas de cannabis, 250 armas de fogo e mais de 48 milhões de dólares em várias criptomoedas.

  • Se não os podes vencer, junta-te a eles. Foi isto que fez um ex-criminoso contratado pelo FBI, depois de ser detido pela mesma instituição. Em troca de uma sentença mais leve e 120 mil dólares, o engenheiro concebeu a Anom em 2018 para, literalmente, “enganar” criminosos, conseguindo aceder às mensagens trocadas entre os mesmos.

  • “Agentes infiltrados” do século XXI. Pode-se dizer que é o cenário atual, uma vez que o FBI ajudou a popularizar o Anom distribuindo dispositivos a mais de 300 gangues em 100 países, através de intermediários enviados para o terreno "numa das maiores e mais sofisticadas operações de aplicação da lei até hoje na luta contra atividades criminosas", segundo a Europol.  

 El Salvador, o primeiro cripto-país

 

O país da América Central foi o primeiro a adotar a Bitcoin como forma de pagamento, além da moeda oficial, o dólar. Em 84 votos possíveis no Congresso, 62 foram a favor. Uma vez aprovada a lei, o Presidente, Nayib Bukele, fez questão de partilhar no Twitter a decisão.Na prática: “O objetivo desta lei é regular a Bitcoin” com uso “ilimitado em qualquer transação, e a qualquer título, que pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, exijam”, diz a lei. Ou seja, em El Salvador, pode-se ir ao pão com o dinheiro gerado por um computador. Os preços vão passar a ser apresentados também em bitcoin e os impostos podem ser pagos com a moeda digital.Porque é que isto importa? Porque representa um primeiro passo numa mudança de paradigma na tecnologia financeira mundial e El Salvador será uma experiência pioneira. Logo após o anúncio da nova lei, o valor da Bitcoin subiu 5%, ultrapassando os 34 mil dólares. Conhecida como uma moeda cujo valor é bastante volátil, é comum haver alguma desconfiança em torno do uso da mesma. Neste caso, a proposta de lei sugere que a taxa de câmbio entre a bitcoin e o dólar “será livremente estabelecida pelo mercado”, ou seja: não vai haver uma regulação estatal rígida neste aspeto. Nos próximos meses, será interessante analisar a “reação” das chamadas moedas de reserva, nomeadamente, o dólar ou o euro, uma vez que ao tornar-se numa das moedas oficiais de um país, poderá ser mais difícil proibir a Bitcoin noutros locais do mundo.

  • Fun fact: O Presidente de El Salvador quer produzir bitcoins através do potencial da atividade vulcânica do país. Isto acontece porque a mineração, o processo de gerar esta moeda digital, exige um enorme consumo de energia que não está ao alcance de todos os países e, por isso, Dukele quer apostar na energia geotérmica e o potencial dos vulcões para tirar o maior proveito das Bitcoins.

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Projetos que ficaram debaixo de olho  🤩

Não é magia, é físico-química aplicada à pasta. As massas têm um problema de sustentabilidade: muitos formatos ocupam muito espaço na embalagem e acabam por levar a que seja gasto muito plástico (num pacote de macarrão, cerca 67% é ar). A Carnegie Mellon University apresentou uma solução que passa por produzir massa que apenas toma forma quando é cozida, dado que o formato do alimento é influenciado pelo tempo de cozedura. Assim, uma folha plana de massa pode tornar-se num penne ou numa fusilli conforme os minutos que o cozinheiro esteja disposto a esperar.Um edifício feito de desperdício. Este é o conceito da nova obra na galeria de arte Serpentine Pavilion, em Londres, que é construída com materiais reciclados. A estrutura do edifício foi montada com aço reutilizado e, entre outros materiais reaproveitados, está ainda um contraplacado feito de cortiça recuperada da indústria vinícola, que compõe as paredes impermeabilizadas. Faz parte de uma visão mais consciente dos espaços públicos, que procura reduzir ao máximo as emissões de carbono. A presença digital simplificada. A WP Engine é uma plataforma especializada no desenvolvimento de sites em Wordpress e na integração fácil de uma loja online para negócios de todas as dimensões. Veja os planos disponíveis e aproveite um desconto de 10% com o código ecommwpe10. *

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É só mais 1 minuto ⌛

Apple. A empresa anunciou uma série de novidades no seu evento para developers, o WWDC, onde atualização aos sistemas operativos do iPhone, do iPad e do Mac estiveram em destaque. Veja um resumo do evento neste vídeo do The VergeGoogle. Se pesquisar por “França+Google” é provável que lhe apareça a notícia da multa que a França passou uma multa de 268 milhões de euros à gigante tecnológica. Em causa está um abuso de posição dominante no mercado publicitário francês.Facebook. A rede social vai lançar um serviço de newsletters no fim do mês chamado Bulletin para os seus quase 3 mil milhões de utilizadores. Os produtos editoriais poderão cobrir vários temas, mas há um que fica de fora - a política. Porque será?

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    Dois dedos de conversa

    • Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos aos quais valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.

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    Ficha TécnicaNewsletter escrita por:Rute Sousa Vasco, Miguel Magalhães e Catarina MarquesEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Catarina MarquesIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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