
24 de maio de 2021
Como é que um país se torna símbolo de inovação? Há sempre vários fatores a ter em conta, mas, se quisermos olhar para casos práticos, a Suécia é um nome impossível de não ter em conta. Ikea, Spotify e a Oatly, que esta semana dominou as atenções em Wall Street, são três histórias de empresas que ajudam a perceber como se faz de uma nova ideia um grande negócio.
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Long Stories Short

Leite, mas para humanos
Na semana passada, uma das histórias que marcou o mundo empresarial americano foi, para variar, uma IPO. Só que esta, em particular, tinha uma ligeira diferença. Não se trata de uma empresa de software já com milhares de clientes. Não se trata de uma nova rede social a ligar milhões de pessoas. Nem de uma plataforma de ecommerce.O destaque em Wall Street foi para uma marca de leite de aveia chamada Oatly, que entrou na bolsa americana avaliada em 10 mil milhões de dólares. O mercado de substitutos do leite tem estado em forte crescimento e já representa 15% de todo o leite vendido nos EUA, de acordo com o Good Food Institute. Contudo, a Oatly não surgiu há meia dúzia de anos e o início da sua história remonta aos anos 90 e a um dos países com maior consumo de leite tradicional per capita.Ao lado da ciênciaA Suécia, com cerca de 150 litros de leite consumidos por pessoa/ano, é a casa de algumas das marcas mais populares do mundo como o IKEA ou o Spotify. É também a casa do investigador que descobriu a intolerância à lactose (em 1963) e dos dois irmãos, Rickard e Bjorn Oste, que em 1994 criaram, com a sua ajuda, o leite de aveia e a marca Oatly sob a qual o iam vender. Hoje, estima-se que dois terços do mundo possam ser intolerantes à lactose, mas, na década de 90 e nos primeiros anos do novo milénio, o leite de aveia era um produto reservado a um nicho de consumidores que, de facto, testavam essa intolerância (poucas) ou que tivessem dietas alimentares vegan. E, por isso, durante quase 20 anos, praticamente ninguém fora da Suécia ouviu falar na Oatly.No entanto, tudo começou a mudar em 2012 com a entrada do atual CEO, Toni Petersson. Com uma abordagem mais ambiciosa, Petersson começou primeiro por terminar com todo o departamento de marketing da empresa e contratar uma equipa criativa que faria parte de todas as principais decisões relativamente ao produto. A embalagem foi alterada por completo e passou não só a exibir um logo mais apelativo e central, como passou a ter toda a sua comunicação em inglês, quer no produto quer em campanhas, para que pudesse chegar a uma audiência mais vasta. O seu slogan passou a ser “It’s like milk but made for humans”, que fez questão de anunciar em todo o lado.Com isto tudo, a sua popularidade na Suécia cresceu exponencialmente o que lhe valeu como "prémio" um processo em tribunal por parte do lobby de produtores nacionais de leite, receosos do impacto da empresa no seu negócio e que acusaram a Oatly de “difamar” o seu produto. A disputa mereceu atenção mediática em vários países e foi exatamente o tipo de reconhecimento que a marca precisava para se expandir para outros mercados, nomeadamente os europeus.Next stop: Estados Unidos da AméricaA entrada no mercado americano começou com a publicação de um estudo onde a Oatly comparava a produção dos seus leites com aquela que era feita para o leite ”normal”. Nos EUA, havia uma preocupação ambiental cada vez maior na forma como os produtos eram desenvolvidos e os consumidores estavam à procura de opções cada vez mais saudáveis: duas tendências que queria capitalizar. De acordo com os resultados, o seu leite de aveia emitia menos 80% de gases de efeitos de estufa, utilizava menos 79% de terra e necessitava de menos 60% de energia para ser produzido. Com estes números, tinha um ótimo cartão de visita para convencer os consumidores americanos a testar o seu produto. Mesmo assim, a Oatly decidiu também inovar no modo de o distribuir.Em vez de optar por colocar os seus produtos em grandes retalhistas, a Oatly escolheu colocá-los em algumas das principais coffee shops de Nova Iorque (“Hello, Starbucks”) porque as propriedades do leite de aveia tornavam-no na melhor escolha para uma versão vegan de um bom cappucino ou caramel macchiato. Palavra puxa palavra e em 2017 a Oatly já estava em 650 coffee shops nos EUA. De 2018 para 2019, saltou de 6 milhões de dólares para 40 milhões de dólares em vendas, só no mercado americano. No fim de 2020, a empresa sueca já estava presente em 32 mil coffee shops e 60 mil lojas no mundo inteiro e registou 421 milhões de dólares em vendas (+104% face ao ano anterior). Nada mau para uma empresa que, há menos de 10 anos, era “só de nicho”.No futuro… o mercado de alternativas aos lacticínios terá tendência para ganhar uma dimensão cada vez maior. As pessoas vão procurar opções mais saudáveis e melhores para o ambiente. As empresas do setor vão ganhar maior escala e diminuir o custo de produção destas alternativas face ao latícinios “tradicionais”. Em 2028, prevê-se que esta seja uma indústria superior a 50 mil milhões de dólares.Saiba mais:
Como funciona o marketing da Oatly (vídeo)
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Adicionar (algum) Descanso
Uma tarefa importante: parar
488 milhões. É o número de pessoas que, em 2016, estiveram expostas aos riscos de trabalhar horas em excesso, ao trabalhar mais de 55 horas por semana. Trabalhar é uma das partes mais importantes da realização pessoal e profissional de cada um, mas os momentos de ócio também são absolutamente necessários. Na semana passada, um estudo da Organização Mundial de Saúde e da Organização Internacional do Trabalho revelou que o trabalho em excesso pode levar à perda de vidas. Os números: só em 2016, morreram mais de 745 mil pessoas por problemas de saúde associados ao excesso de trabalho. Comparativamente a 2000, a morte por doenças cardíacas ou enfartes associadas a longas horas de trabalho aumentaram 42% e 19% respetivamente. Os locais: este é um problema que tem maior expressão nas regiões do Pacifico Ocidental e do Sudeste Asiático (Ásia de Leste). Na China, por exemplo, há funcionários a trabalhar em regime “996” (das 9 da manhã às 9 da noite, 6 dias por semana), uma cultura de trabalho agressiva que totaliza cerca de 72 horas de trabalho semanal. Sem surpresa, a América do Norte (EUA e Canadá) e a Europa são as regiões menos expostas aos riscos do excesso de trabalho.Em suma: trabalhar mais de 55 horas por semana aumenta em 35% o risco de AVC, e em 17% o risco de morrer com doenças cardíacas. Sinais que demonstram que, em alguns casos, o melhor é mesmo parar. Só deveremos ter um estudo deste género para 2020 dentro de alguns anos, mas é difícil não preconizar que estes números tenham aumentado durante a pandemia. Um período marcado pelo teletrabalho e por longas horas em hospitais e noutras infraestruturas, onde as barreiras entre a vida profissional e pessoal nem sempre são possíveis de suster.
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The Next Big Idea apresenta...
Histórias de Marketing - Airbnb
Créditos: Roberto NicksonO ano era 2008 e John McCain e Barack Obama lutavam pela presidência dos EUA. Numa residência universitária, Brian Chesky e dois colegas de quarto também tinham uma luta em mãos - como pagar a renda. Foi na resolução desse problema que surgiu o primeiro rascunho daquilo que um dia seria a Airbnb, a plataforma tecnológica líder de viagens e turismo. Para gerar mais rendimentos, Chesky (CEO da Airbnb) e os seus amigos decidiram começar a alugar um colchão de ar na sala de estar, decisão que pode ser considerada como a primeira listagem do serviço que hoje está presente em 98% do mundo (com excepção do Irão, da Síria, do Sudão e da Coreia do Norte). Hoje em dia, já é possível adquirir na plataforma um conjunto de experiências um pouco mais enriquecedoras como uma noite num iate, num castelo renascentista ou num igloo no meio do nada.Na última década, a Airbnb foi uma das empresas com um crescimento mais rápido e, em 2019, já contava com mais de 150 milhões de utilizadores no mundo inteiro e cerca de 272 milhões de reservas feitas através da sua plataforma. Em 2020, apesar da pandemia que devastou por completo a indústria do turismo, a empresa americana arranjou formas de se manter firme (reservas diminuíram 72%) e em dezembro entrou na bolsa americana, avaliada em 42 mil milhões de dólares.Existem diversos fatores que ajudam a explicar o sucesso da Airbnb e como se expandiu país a país, cidade a cidade. Neste artigo, olhamos para um dos pilares da comunicação da plataforma - o e-mail - e como utiliza este canal para atrair não só milhares de novos utilizadores, mas também para convencer utilizadores prévios a recorrer ao seu serviço novamente.
Descubra 8 táticas utilizadas pelo Airbnb neste artigo no site do The Next Big Idea.
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Vi algures na Internet

Dobragem ou realidade?
Por muito boas que sejam as traduções, ver filmes dobrados pode ser uma experiência desconfortável (especialmente à medida que ficamos mais adultos) dado que os movimentos da boca das personagens raramente coincidem com o áudio. Em Portugal, temos a sorte de uma vasta oferta de conteúdos internacionais, na qual a maior parte tem legendas. No entanto, apesar de ser um ótimo exercício para aprender a falar outras línguas, não é uma opção muito viável para, por exemplo, pessoas com problemas de visão. A empresa britânica Flawless arranjou uma solução que junta o melhor dos dois mundos: através de inteligência artificial (para não variar) consegue fazer com que as dobragens pareçam mais naturais. Digamos que sincroniza os lábios dos atores com as palavras que estão a ser ditas na língua da tradução, editando a imagem original do filme ou da série em questão. Ora, veja aqui atores como Robert De Niro, Tom Hanks, Jack Nicholson ou Tom Cruise a “falar fluentemente” outras línguas.
Fun fact: A Netflix descobriu que a probabilidade de as pessoas verem um programa dobrado era maior do que a de um com legendas e, por isso, não só colocou a dobragem como definição standard, como já está a trabalhar com 170 estúdios no mundo inteiro para oferecer dobragem em todos os conteúdos na sua plataforma.
Os miúdos estão a investir...
Costuma-se dizer que “eles são o futuro” e muitas vezes estão uns quantos passos à frente de muita gente grande. A prova disso é o serviço de investimento para jovens dos 13 aos 17 anos, lançado pela empresa norte-americana Fidelity.Como assim? Adolescentes dentro desta faixa etária vão poder abrir contas no banco e iniciar as suas “carreiras” como investidores, negociando ações, fundos de investimento e ETFs (exchange-traded funds). Para isto, basta que um dos pais dos jovens tenha conta associada na Fidelity, para que possa controlar as transações dos seus filhos, mas não bloqueá-las. Sim, os investidores estão cada vez mais novos, uma tendência que se acentuou com a pandemia. No último trimestre, nos EUA, foram abertas cerca de 4,1 milhões de novas contas deste género na Fidelity, sendo que 1,6 milhões eram geridas por pessoas com menos de 35 anos (o aumento de 223% em relação ao mesmo período do ano passado). A empresa de investimentos torna-se assim na única opção de investimento para pessoas que ainda nem podem votar. E, uma vez atingida a maioridade, esta conta jovem - chamemos-lhe assim - muda para uma conta de adulto. Assim, por um lado, podemos olhar para esta iniciativa como uma oportunidade de ensinar aos jovens a investir de forma mais consciente e a ter uma literacia financeira superior. Mas, por outro, também podemos considerá-la uma estratégia da Fidelity para arranjar clientes ainda jovens, que podem dar frutos a longo prazo. No final, acaba por ser um pouco das duas.
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Projetos que ficaram debaixo de olho 🤩
“Plim! plim! plim!” Este é o som que quem trabalha com o telemóvel ouve constantemente. Entre SMS, apps de mensagens e redes sociais, marcar reuniões e encontros com clientes pode ser um processo complexo. Mas a BUK tem uma solução para facilitar este processo e acabar com aquilo a que chama “ping-pong de chamadas”. Conheça a solução aqui. Filtros são overrated. Na semana passada, o Snapchat apresentou um protótipo dos Spectacles, os seus óculos de realidade aumentada. O CEO, Evan Spiegel, publicou um vídeo no Twitter onde é possível ver borboletas coloridas virtuais a pousar na sua mão. Esta tecnologia foi desenvolvida com o mesmo software dos filtros do Snapchat. Contudo, ainda não está disponível para venda ao público. Analisar a concorrência. Manter os amigos por perto e os inimigos ainda mais é um ditado que também pode ser aplicado ao mundo empresarial. A SEMRush permite que possa comparar o tráfego do site da sua empresa com o dos seus mais diretos concorrentes, relativamente à performance em diferentes canais, em SEO e ainda em métricas como o PPC (pay per click). Faça o free trial aqui.
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É só mais 1 minuto ⌛
Adeus Internet Explorer. Em 2003, o browser chegou a ter 95% de quota de mercado. A 15 de junho de 2022, será finalmente descontinuado dos produtos Microsoft. Por falar em Internet. Descubra os 50 momentos que definiram o nosso mundo online, para a Esquire.Novidades da Google. No seu evento Google I/O, a empresa anunciou que existem atualmente 3 mil milhões de dispositivos Android ativos e novas funcionalidades para os Google Docs.NFT já está no dicionário. E a editora responsável, a Merriam-Webster, vai fazer da definição um NFT que irá a leilão. Super meta. Investir é com elas. A lista de melhores VC europeias incluiu nove investidoras portuguesas. Descubra quais aqui.
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Dois dedos de conversa
Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos aos quais valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.
Pode submeter a sua empresa/projeto em thenextbigidea.pt.
Envie as suas histórias, ideias e feedback sobre a newsletter para [email protected]
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Ficha TécnicaNewsletter escrita por:Rute Sousa Vasco, Miguel Magalhães e Catarina MarquesEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Catarina MarquesIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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