17 de maio de 2021

Que idade tem? Uma pergunta aparentemente inofensiva que se torna cada vez mais discriminatória à medida que se passa a barreira dos 45. Isto, ao mesmo tempo, que a ciência antecipa longevidades impensáveis há 50 anos e num mundo em que há cada vez mais consumidores com mais de 65 anos. É um dos temas em destaque nesta edição porque a pandemia também serviu para mostrar, imagine-se, que os baby boomers também andam às compras online.

Obrigada por nos acompanharem,Rute Sousa Vasco

Long Stories Short 

 Musk "pede um tempo" à Bitcoin 

Tudo começou com uma declaração de amor em fevereiro deste ano, não no Dia dos Namorados, mas na semana anterior. A Tesla anunciou que tinha investido 1,5 mil milhões de dólares em Bitcoin e que ia passar a aceitar a criptomoeda como meio de pagamento dos seus carros elétricos. Foi um sinal de confiança na moeda que, nas semanas seguintes, iria atingir uma valorização recorde, superior a 60 mil dólares. Foi uma decisão que também desbloqueou alguns entraves que existiam nos mercados financeiros, levando empresas como a Visa e a Paypal a aceitarem criptomoedas nas suas plataformas e bancos como a Goldman Sachs ou a JP Morgan a oferecerem produtos de investimento que as tivessem em conta.Na altura do anúncio, muitos foram os críticos a apontar que esta decisão da Tesla não ia propriamente ao encontro dos seus valores ambientais e sustentáveis que tanto promovia através dos seus carros elétricos. Elon Musk, CEO ou Technoking da Tesla, parece não ter prestado muita atenção a esses reparos quando o amor pela criptomoeda se desenrolou, no entanto, acabada a fase de lua mel, os problemas da relação vieram ao de cima. Na semana passada, num tweet (obviamente) Musk revelou que a Bitcoin já não poderia ser utilizada na compra dos seus carros, enquanto não fossem encontrados métodos mais sustentáveis de trabalhar com a rede blockchain da plataforma. Quão grande é o impacto ambiental da Bitcoin? Vamos a alguns números:

  • A Bitcoin utiliza 0.5% de toda a eletricidade produzida no mundo inteiro, através das suas transações e operações de mining. É um consumo superior ao de toda a Argentina, que tem uma população de 45 milhões de pessoas.

  • Uma transação em Bitcoin gasta 707 KWh de energia, 11x mais do que a Ethereum (a 2ª maior criptomoeda) e 6.000x mais do que Dogecoin (a meme coin que já é a 4ª moeda digital com maior capitalização).

  • Uma transação em Bitcoin gasta a mesma energia que 1 milhão de transações em Visa e o equivalente a 78 mil horas a ver vídeos no YouTube.

Isto acontece porque a complexa rede da Bitcoin exige que sejam feitas milhares ou mesmo milhões de tentativas para que uma transação seja resolvida dentro da blockchain e que os miners tenham a sua devida recompensa (em moedas). Este processo significa que acaba por ser gasta muita eletricidade que, na maior parte dos casos, ainda é produzida através de combustíveis fósseis, nocivos para o planeta. Contudo, algumas teorias apontam para o potencial de a Bitcoin poder subsidiar o investimento em energias renováveis. Resta ver.What’s next?A decisão de Musk causou uma quebra no mercado das criptomoedas:1) A Bitcoin desvalorizou cerca de 25% e vale agora 42 mil dólares (à data de publicação desta newsletter)2) Globalmente, o mercado viu +400 mil milhões de dólares serem eliminados da sua valorização, dado que muitas criptomoedas estão correlacionadas com o valor da Bitcoin.Ainda não se sabe que caminho o bilionário sul-africano vai seguir, mas, para já, estas são algumas ideias que podem ser tiradas da sua atividade no Twitter.

  • A Tesla não vai vender as suas Bitcoins, nem aceitar a moeda em transações até que sejam encontrados métodos mais sustentáveis de operar com a mesma.

  • A Tesla vai procurar soluções que outras criptomoedas possam oferecer, nomeadamente aquelas que conseguirem gastar menos de 1% da energia total gasta pela Bitcoin.

  • Já é difícil distinguir a piada da verdade, mas, na semana passada, Musk lançou uma sondagem na sua conta que perguntava aos seus seguidores se a Tesla deveria utilizar a Dogecoin como método de pagamento. 4 milhões de pessoas responderam e, destas, 78% disse que sim. 

Não sabemos se Musk está pronto para seguir em frente e encontrar um novo amor, mas o apoio constante à Doge, seja com memes, seja em sketchs humorísticos, seja ao dar o nome Doge-1 a um dos foguetes da SpaceX, parece indicar que sim. Este é mais um exemplo da influência do bilionário e de como as suas palavras influenciam o rumo que os mercados financeiros podem tomar.

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 Baby boomers também estão online 

Desengane-se aquele que pensa que o comércio online é um espaço com acesso reservado à Geração Z e aos Millennials. Os chamados baby boomers (pessoas nascidas entre 1946 e 1964) estão a entrar neste mundo sem medo de abrir os cordões à bolsa. Pelo menos, essa é a tendência que se tem vindo a registar nos Estados Unidos, segundo o The Economist.

A idade é só um número, mas o dinheiro não: em média, numa casa gerida por pessoas na faixa dos 56-64 anos, os gastos rondam os 64 mil dólares (53 mil euros) por ano. O valor é o dobro do que é gasto em casas geridas por aqueles que nasceram depois de 1997. Mais dinheiro = Mais gastos = Mais oportunidades de negócio para as empresas.

Pandemia (what else?) Com as restrições de circulação impostas pelo combate à COVID-19, e tendo em conta que muitas destas pessoas fazem parte de grupos de risco, cresceram alguns negócios associados aos boomers.

  • Na faixa etária dos +65, de 2019 para 2020, houve um aumento de compras online de 53%. Mas não aumentou apenas a procura de produtos direcionados para seniores. 

  • A compra de álcool online quase que quadruplicou.

  • E o site de encontros amorosos para +50 Silver Singles afirma ter também registado um "crescimento saudável".

No entanto… apenas 3% dos anúncios se destinam ao target +50. Ou seja: as empresas não estão a apostar neste público e há dinheiro em cima da mesa. Além de prestarem mais atenção, estão a implementar algumas medidas que podem ajudar a melhorar a experiência digital deste segmento:

  • Opções de entrega variadas, no sentido de facilitar a logística na hora de adquirir os produtos.

  • Sites de fácil navegação 

  • Opções de pagamento que garantam segurança e a privacidade (uma vez que nesta faixa etária é comum haver uma maior desconfiança quanto a pagamentos feitos através da Internet).

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The Next Big Idea apresenta...

 Histórias de Marketing - Absolut Vodka 

            Créditos: Absolut VodkaA Absolut Vodka lançou uma campanha em 1981 que foi tão bem-sucedida, que continuou a ser usada nos 25 anos seguintes. No final desse período, a Absolut Vodka passou de uma quota de mercado global de 2.5% para mais de 50%. Primeiro, lets go back in time. A Absolut foi criada na Suécia em 1879, onde rapidamente passou a dominar o mercado e a tornar-se numa das empresas-referência do país. Quase um século depois, a marca decidiu que estava na altura de tentar a sua sorte nos Estados Unidos, um mercado mais competitivo e com uma escala muito maior. Aqui, em plena Guerra Fria, dezenas de marcas de vodka (bebida originalmente russa) utilizavam diferentes estratégias para ganhar a preferência dos consumidores americanos.A maior parte delas focava-se na comunicação de um sabor "diferenciado", “superior” e “autêntico”, por isso, na entrada neste mercado, em 1981, a Absolut decidiu ir por um caminho completamente diferente: em vez de concentrar os seus esforços no paladar, optou por dar destaque à estética da sua garrafa.A embalagem era única. Tinha um aspeto elegante e artístico que posicionava a Absolut num patamar diferente da sua concorrência. O primeiro anúncio nas páginas das principais publicações tinha o título de “Absolut Perfection” (Perfeição Absoluta) e ia contra a tendência de colocar modelos ou caras conhecidas junto das garrafas. Pelo contrário, a campanha da Absolut incluía só a garrafa num contexto criativo (neste caso celestial) que chamasse a atenção e que tivesse um copy que ficasse na memória das pessoas. E seria assim nos 25 anos seguintes. No entanto, a comunicação da Absolut só começou realmente a ter efeito a partir de 1986.

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Vi algures na Internet

 Uma espécie de dança, mas no escritório 

A rede social preferida da Geração Z tem agora uma faceta mais business. O TikTok quer aproximar-se… do LinkedIn, com uma ferramenta, ainda em fase de testes, através da qual as marcas podem recrutar, segundo a Axios. Este serviço não estará integrado dentro do próprio TikTok, mas será uma plataforma acessível via TikTok, onde as empresas poderão publicar as posições disponíveis e as condições de acesso às mesmas.Em março, já era possível ler no Washington Post um artigo que dava algumas pistas sobre o TikTok como um espaço de partilha sobre o mundo do trabalho.  Em causa está a tendência crescente da Geração Z de partilhar experiências laborais e conselhos relacionados com a carreira e com a realização pessoal.De relembrar ainda que este é um espaço onde diariamente são publicados milhares de vídeos que servem para muitos se afirmarem no mercado, sejam criadores de conteúdo, artistas que encontram um "palco" de fácil acesso ou donos de pequenos negócios que fazem do ecrã dos smartphones "montra" para exporem os seus produtos. 

 Partilhar nem sempre é bom

 

Quando se lê apenas o título de uma notícia é normal que não se saiba exatamente aquilo sobre o qual fala o artigo em questão. Quando se partilha essa mesma notícia numa rede social deviam soar sirenes para nos lembrar da responsabilidade que é fazê-lo. Aqui o domínio já não são as fake news e a necessidade de distinguir os meios credíveis dos não credíveis, mas sim garantir que, independentemente da validade da notícia, o utilizador sabe o que partilha.É nesta linha de pensamento que o Facebook está a testar uma nova funcionalidade para combater a partilha desinformada. Por isso, se nos próximos tempos quiser fazer uma publicação com uma notícia que não leu, é possível que lhe apareça esta mensagem: "Está prestes a partilhar este artigo sem o abrir. Partilhar artigos que não lê pode significar perder factos importantes". O anúncio foi feito pela empresa de Mark Zuckerberg numa outra rede social, o Twitter.Esta ferramenta está a ser testada apenas em 6% dos utilizadores do Facebook, com telemóveis Android, e é muito semelhante à lançada pelo Twitter em 2020 (que, de acordo com a plataforma, tem tido uma eficácia de 40%). Não será a solução para todas as eventuais partilhas desinformadas, mas é um começo.

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Projetos que ficaram debaixo de olho  🤩

Ímanes para o frigorífico são démodé. Que tal um vídeo profissional para recordar a viagem? Esta é a proposta da Birdie, uma startup que regista momentos únicos, através de drones e uma equipa que lhe dá todas as indicações para que ninguém pense que "ficou mal na fotografia". Este é um serviço pioneiro de souvenirs em vídeo no mundo inteiro e tem selo português. Saiba tudo aqui.Uma revolução no tratamento da epilepsia. A empresa Neuroelectrics angariou 17,5 milhões de euros para prosseguir com os ensaios clínicos de uma "touca elétrica neuroestimulante", a Starstim, que reduz significativamente as convulsões das pessoas que sofrem de epilepsia. Uma solução menos invasiva para tratar uma doença que, só em Portugal, afeta cerca de 40 mil a 70 mil pessoas.Gerir conteúdo nunca foi tão fácil. SEMrush é uma plataforma onde é possível criar, agendar e analisar a performance das publicações que são colocadas nas redes sociais e plataformas utilizadas por uma empresa. Em todo o processo, a plataforma também fornece dicas de como pode otimizar a sua estratégia digital em cada etapa. Saiba mais sobre a SEMRush aqui.Onde colocar a sua loja online? A WP Engine oferece diversas soluções a empresas de todas as dimensões, quer para alojamento de websites em Wordpress, quer para a criação de lojas online. A plataforma tem funcionalidades que permitem chegar a audiências cada vez mais vastas, desde uma área de blog, onde as empresas podem publicar conteúdo para gerar tráfego para as suas lojas, até mecanismos de segurança em todas as transações que sejam feitas. Saiba mais sobre as ofertas da WP Engine aqui.

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É só mais 1 minuto ⌛

Airbnb com boas notícias (mais ou menos). Os resultados para o primeiro trimestre de 2021 revelaram um crescimento de 5% nas receitas e de 40% em marcações face ao trimestre anterior. No entanto, a empresa teve perdas de 1,1 mil milhões de dólaresWarnerMedia + Discovery. As duas empresas vão unir forças para combater a Netflix e a Disney pela hegemonia do mundo do streaming.Google Sheets. O Excel é muito melhor? Descubra neste artigo alguns shortcuts para trabalhar com esta ferramenta de um modo mais eficaz. Library of Scrolls. Nesta página encontra um agregador das melhores leituras em temas como o dinheiro, empresas, cultura ou relações num único espaço (em inglês). Experimente aqui.

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    Dois dedos de conversa

    • Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos aos quais valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.

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    Ficha TécnicaNewsletter escrita por:Rute Sousa Vasco, Miguel Magalhães e Catarina MarquesEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Catarina MarquesIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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