
10 de maio de 2021
O que podemos aprender com os negócios dos outros? Muito, mesmo quando espelham realidades completamente diferentes daquelas que conhecemos. Esta é uma edição a pensar nisso quer nos sete negócios milionários que levaram a perdas igualmente milionárias quer na nova rubrica que iniciamos sobre histórias de marketing de produtos e marcas, hoje, com sucesso.
Obrigada por nos acompanharem,Rute Sousa Vasco
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Long Stories Short

Negócios destes não se recomendam
No início dos anos 2000, a AOL e a Yahoo eram duas das empresas mais valiosas do mundo: a primeira chegou a valer +200 mil milhões de dólares, enquanto a segunda ultrapassou os 125 mil milhões. Mas não envelheceram bem.Na semana passada, a Verizon vendeu estas mesmas empresas por 5 mil milhões de dólares ao fundo Apollo Global Management, depois de as ter comprado por 9 mil milhões de dólares (no total) em 2015 e 2017, respetivamente. As aquisições fizeram parte de uma estratégia da gigante das telecomunicações americana de ter uma divisão de media focada em conteúdo e rentabilização de publicidade online, que acabou por não ser bem-sucedida. As perdas acumuladas pela Verizon, em adição aos investimentos que fez para reavivar essas empresas, entram certamente para o top de negócios mais mal sucedidos da história. Fomos olhar para outros famosos penáltis falhados no mundo dos negócios.News Corp compra MySpaceEm 2005, a News Corp, um dos maiores grupos de informação do mundo, comprou a rede social MySpace por 580 milhões de dólares. O Facebook tinha apenas 1 ano e o espaço social online era controlado pela plataforma, que contava com milhões de utilizadores. Por isso, o negócio até fazia algum sentido. No entanto, seis anos mais tarde, a rede social de Mark Zuckerberg já tinha 10 vezes mais utilizadores do que o seu rival. Sem surpresa, o MySpace foi vendido, em 2011, por… 35 milhões de dólares. Hoje, é só uma memória da internet.eBay compra o SkypeEm 2005, o eBay teve uma ideia que, atualmente, faria todo sentido: comprar uma plataforma de videochamadas, o Skype, na qual pudesse ligar cara-a-cara vendedores e clientes através da sua plataforma de ecommerce. O problema é que, há 16 anos, os utilizadores do eBay não sentiram necessidade de utilizar a aplicação para nada e os 2.6 mil milhões de dólares gastos no Skype acabam por ser apenas uma solução à frente do seu tempo. Em 2009, o eBay vendeu 65% do Skype por 1.9 mil milhões de dólares a um grupo de venture capital, quando percebeu que não conseguiria concretizar a sua visão. O negócio não deu prejuízo, mas está nesta lista pelo potencial que não foi aproveitado.Microsoft compra a NokiaSerá boa ideia comprar uma empresa de telemóveis que já quase ninguém usa? A maior parte de nós diria que não, contudo, em 2014, a Microsoft gastou cerca de 8 mil milhões de dólares a comprar a Nokia, na esperança de desenvolver uma gama que pudesse competir com os smartphones da Apple e a Samsung, que estavam progressivamente a conquistar o mundo. Se hoje continua sem ter um Nokia no bolso, é sinal de que esta não foi a melhor decisão de sempre. Um ano depois de comprar a empresa finlandesa, a Microsoft foi aos seus livros contabilísticos e fez um write-down de 7.6 mil milhões de dólares. O que é que isto significa? Essencialmente, foi obrigada a reconhecer que a Nokia já tinha praticamente perdido o valor pelo qual a tinha comprado e, ao contrário de nós, não podia apenas guardá-la numa gaveta.HP compra a AutonomyEm 2011, a Hewlett & Packard (HP) achou que fazia sentido adquirir por 11 mil milhões de dólares uma empresa europeia de data analytics, a Autonomy. Como é que uma capacidade analítica superior ajudou a empresa americana a vender mais computadores e outros tipos de hardware? Não ajudou propriamente. Os resultados mostram que a HP nunca conseguiu integrar a Autonomy na sua estratégia global e, cinco anos depois de a ter comprado, foi obrigada a fazer o mesmo que a Microsoft: admitir que aquilo que tinha adquirido agora valia significativamente menos. Mais precisamente 9 mil milhões de dólares a menos. Google compra a MotorolaHouve uma altura em que a Motorola tinha dos telemóveis mais requisitados no mundo inteiro. Mas essa não foi a altura em que a Google comprou a empresa. Em 2011, a Google gastou 12.5 mil milhões de dólares a comprar a marca. No entanto, passados dois anos vendeu-a por apenas 2.9 mil milhões de dólares à Lenovo, o que poderia ser visto como um falhanço gigante. Mas depende da perspetiva. As patentes da Motorola ficaram com a Google e permitiram que esta desenvolvesse o seu sistema operativo Android, hoje, presente na maior parte dos smartphones não-iPhone. Talvez tenha sido um fracasso que valeu a pena.Bank of America compra CountrywideUma das instituições financeiras de maior reputação nos EUA achou que era boa ideia, em 2008, nas vésperas da crise financeira mundial desencadeada pelo subprime, comprar o maior financiador de crédito para hipotecas nos EUA. O resultado? Uma compra de 2.5 mil milhões de dólares, transformou-se numa perda superior a 40 mil milhões de dólares nos anos seguintes. Mais um exemplo de que nas aquisições e nas relações amorosas o princípio é o mesmo: o timing é tudo.AOL e Time Warner juntam-seÉ poético terminar esta rubrica com duas das empresas que a iniciaram. Em 2000, no pináculo da era das dotcom, a AOL e a Time Warner juntaram-se num mega negócio avaliado em 165 mil milhões de dólares, que iria revolucionar a indústria de media e do entretenimento. Acabou por ser um completo fiasco e, 15 anos mais tarde, a Verizon compraria a AOL por apenas 4.4 mil milhões de dólares, numa desvalorização superior a 100 mil milhões de dólares. É a lição de que nenhuma empresa fica no topo para sempre, mesmo quando foi a pioneira num determinado setor.
E porque a partilha nos faz a todos melhores, aqui fica o desafio para que nos enviem aquele que consideram ter sido o pior negócio de sempre - e porquê. Na próxima semana partilharemos as ideias dos nossos leitores neste espaço.
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Adicionar uma Gorjeta
O pote do Twitter
Tip jar (em português, pote de gorjetas), é assim que se chama ao ato de dar dinheiro a criadores de conteúdo no Twitter, ou, por outras palavras, é o ato de pagar por um bom tweet. A nova funcionalidade da rede social permite que os utilizadores enviem dinheiro entre si através da plataforma.Porquê? A criação deste mecanismo vem numa onda de soluções e aquisições do Twitter, de modo a potenciar a creator economy. Recentemente, adquiriu uma plataforma de produção e monetização de newsletters e lançou o Spaces, a sua versão do Clubhouse, na qual também está a desenvolver formatos para gerar receitas para os criadores de conteúdo e para si, claro.Quem pode receber? Para começar, apenas um pequeno grupo de pessoas selecionadas pode receber donativos, tais como criadores, jornalistas ou organizações sem fins lucrativos.Como? Aqueles que podem receber dinheiro, têm um pequeno ícone no seu perfil (funcional apenas através de smartphone). O pagamento pode depois ser feito através de plataformas como o PayPal, o Venmo ou a Cash App.O objetivo: Apoiar os criadores de conteúdo que todos os dias trabalham para nos trazer material que nos faz passar horas a fazer scroll, já que os likes e os retweets dão popularidade, mas, pelo menos de forma direta, não dão nem um cêntimo.O problema: A privacidade (para não variar), porque o pagamento é feito por via de outras plataformas. No caso do PayPal, os destinatários conseguem ver a morada do remetente. Através de outras apps, é possível saber o e-mail.
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The Next Big Idea apresenta...
Histórias de Marketing - Dropbox
Nas próximas semanas, vamos utilizar esta rubrica para rever algumas jogadas de marketing de sucesso. A primeira pertence à Dropbox.Hoje em dia, este serviço de cloud é uma empresa com 600 milhões de utilizadores registados, dos quais 15 milhões têm uma subscrição paga, tendo a Dropbox mais de 2 mil milhões de dólares em receitas. Contudo, começou como todas as empresas: do zero.Entre setembro de 2008 e dezembro de 2009, a Dropbox passou de 100 mil utilizadores registados para mais de 4 milhões. Não foi através de um anúncio na televisão. Não foi através de publicidade numa das páginas de um dos principais jornais generalistas. Ainda não estávamos na era das redes sociais e das publicações patrocinadas. O segredo esteve num programa de referrals, inspirado no modelo da Paypal no início dos anos 2000.
O que é um programa de referrals?
O que é que a Paypal fez?
Um programa de referrals é essencialmente um conjunto de incentivos que levam utilizadores de um serviço a trazer outros utilizadores, porque são recompensados por isso. No caso da Paypal, quando foi lançado, o sistema de pagamento criou o “Refer-a-Friend”, um programa que, por cada pessoa que um utilizador trouxesse para a plataforma, compensava ambos com 20 dólares. Desta forma, atingiu passados alguns anos os 100 milhões de users.A Dropbox utilizou exatamente a mesma dinâmica, mas, em vez de 20 dólares, utilizou um tipo de recompensa que fazia mais sentido no seu contexto: tanto o utilizador como a pessoa trazida por si recebiam 500 megabytes de espaço grátis na plataforma. Quanto mais pessoas fossem referenciadas, maior seria o espaço que um utilizador teria para acumular documentos, fotografias ou um ficheiro de qualquer outro tipo. Puxar pela nossa dopamina dá sempre bom resultado. Leia uma versão mais extensa deste artigo aqui, para perceber porque é que esta estratégia correu tão bem.
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Vi algures na Internet

E, já agora, levo aqui umas pastilhas
Estar numa fila, olhar para um pacote de chocolates, de gomas ou de pastilhas, ver o pacote a olhar para nós e comprar. Quem nunca? Não é novidade que as guloseimas são colocadas mesmo junto às caixas para que as compremos impulsivamente, enquanto estamos de pé à espera, seja no supermercado ou na bomba de gasolina. O que é novo é a queda deste negócio porque – novidade! – andamos a fazer mais compras online. (Nos EUA, 61% dos retalhistas faz mais vendas online agora do que antes da pandemia).Pois é. Estes produtos não fazem parte da rotina e, por isso, não costumam fazer parte da lista de compras. São tentações do momento às quais cedemos quando somos obrigados a olhar para elas. Mas e se não formos obrigados a olhar? É normal que não as compremos tanto. Houve uma queda de 28% na compra de rebuçados e de 30% na compra de gomas e pastilhas, nos EUA, no último ano.Mas todos gostamos de doces… Por isso, os produtores estão a tentar encontrar novas formas de introduzir este efeito de impulsividade de compras. A marca de chocolates Hershey's, está a tentar introduzir um botão de "adicionar um Herhseys" nas compras online. Nos espaços físicos, marcas como a Orbit ou a Mars estão a testar o uso de um robô que anda pelos corredores do supermercado carregado de guloseimas, como quem diz "Não te esqueças de que nós existimos". Uma ótima ideia para o negócio, uma não tão boa ideia para a dieta.
O divórcio dos Gates: a novela financeira
Bill e Melinda Gates casaram em 1994 e não viveram felizes para sempre. O anúncio foi feito na conta de Twitter do fundador da Microsoft, numa nota assinada pelos dois membros do ainda casal, há uma semana.
Vamos a números: 27 anos de casamento, 3 filhos, 1 fortuna de milhões por dividir:
146 mil milhões de dólares, de acordo com a Bloomberg, mais a sua fundação, a Bill and Melinda Gates Foundation, umas das maiores do mundo, onde foram investidos cerca de 50 mil milhões de dólares.
Estranho: O casal não tem um acordo pré-nupcial. Na altura em que se casaram, Bill já era a pessoa mais rica dos Estados Unidos. Mas o dinheiro já está a mexer e, no dia em que foi anunciada a separação, Bill transferiu 1,8 mil milhões de dólares para a conta de Melinda Gates (coisa pouca…). Esta transferência incluía mais de 1,5 mil milhões de dólares em ações da Canadian National Railway Co. e 309 milhões de dólares em ações da AutoNation, segundo a Bloomberg.
Na TV: Veja aqui o trailer do documentário da Netflix, que fala sobre a vida profissional e pessoal de Bill Gates, e toca em alguns pontos sobre a dinâmica do casal.
Isto faz-me lembrar algo: O divórcio de Jeff Bezos (fundador da Amazon), que tornou a sua ex-mulher, Mackenzie Scott, numa das mulheres mais ricas do mundo.
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Projetos que ficaram debaixo de olho 🤩
Marketing numa única plataforma. A Semrush é um software de marketing, criado em 2008, que permite fazer um pouco de tudo: análise de SEO, pesquisas de mercado, gestão de conteúdo nas redes sociais e publicações patrocinadas. Empresas como a Tesla, a Nike e a P&G já utilizam a plataforma para aumentar as suas audiências online. Conheça melhor a Semrush aqui.Já ouviu falar da Lean Conference? O evento é já nos dias 19, 20 e 21 de maio e o objetivo é ensinar a produzir com menos desperdício. Organizado pela Universidade de Aveiro e pela Júnior Empresa Lean de Aveiro, vai contar ainda com a presença de marcas como o IKEA e a SONAE. Garanta o seu lugar aqui.May The Force Be With You. É preciso muita Força (e a sabedoria do Yoda) para que possamos fazer várias coisas na nossa vida. Abrir um negócio, comandá-lo e levá-lo a bom porto não é uma exceção. Na semana passada, onde se celebrou o Dia do Star Wars (4 de maio), a Disney lançou uma réplica dos sabres de luz da saga (e está incrível). Veja aqui.
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É só mais 1 minuto ⌛
SNL. Elon Musk foi o mais recente host do popular programa de humor americano “Saturday Night Live”. Houve espaço para piadas sobre a Tesla, sobre o espaço e, claro, sobre a criptomoeda dogecoin. Veja aqui alguns dos melhores momentos.Cover letter. É aquela etapa dos processos de recrutamento que ninguém gosta de fazer. Descubra neste artigo algumas dicas para escrever um texto que se destaque.4%. É, de acordo com um estudo recente, o número de utilizadores de iPhone nos EUA que aceitaram que as apps fizessem um tracking da sua atividade, no âmbito dos novos protocolos de privacidade do iOS. Há razões para o Facebook e outras apps estarem preocupadas.Finally. A Clubhouse lançou a versão Android da sua app nos EUA. Será que ainda vai a tempo de regressar aos níveis de crescimento do início do ano ou será ultrapassada por todas as empresas a tentar copiá-la?Fontes. De letra e não de notícias. Descubra neste artigo quais as mais populares do momento e como estão a ser utilizadas por marcas e artistas.
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Dois dedos de conversa
Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos aos quais valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.
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Ficha TécnicaNewsletter escrita por:Rute Sousa Vasco, Miguel Magalhães e Catarina MarquesEdição:Rute Sousa VascoRevisão:João DinisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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