26 de abril de 2021

É a nossa edição 25ª edição, há 25 semanas que nos propomos abrir uma janela para o mundo da inovação à volta do globo. Hoje os destaques são estes:

  • Contamos-lhe porque razão as ações da Netflix perderam valor ao saber-se que "só" conquistou quatro milhões de novos subscritores no primeiro trimestre do ano

  • Espreitamos o salão de beleza da Amazon (sim, leram bem)

  • E não experimentámos, ainda, mas contamos-lhe quais são os ingredientes do novo menu McDonalds em parceria com a banda de K-Pop BTS, uma das mais famosas da atualidade

Obrigada por nos acompanharem,Rute Sousa Vasco

Long Stories Short 

 Vamos "Continuar a ver"?

Ontem à noite decorreu a cerimónia dos Óscares, na qual a Netflix contou com 36 nomeações por filmes como “Mank”, “The Trial of Chicago 7” e “Ma Rainey Black Bottom”. Num ano em que a maior parte das pessoas viu filmes em streaming, a empresa acabou por levar sete estatuetas douradas para casa, apesar de nenhuma delas pertencer às categorias principais. Contudo, esta não será uma rubrica de análise à popular “celebração de Hollywood”. Para isso, poderá ler e subscrever a nossa newsletter-irmã “Acho Que Vais Gostar Disto”. Na semana passada, a Netflix andou na boca do mundo dos negócios quando apresentou os seus resultados para o primeiro trimestre de 2021 e destacou um “indicador terrível”: tinha registado apenas 4 milhões de novos subscritores entre janeiro e março, dois milhões abaixo das expectativas de Wall Street. De pouco valeram os 208 milhões de subscritores globais, as receitas recorde no trimestre (superiores a 7 mil milhões de dólares) e ainda os 50.2% na market share de procura por conteúdos online, de acordo com a Parrot Analytics. Muitos preconizaram o início do fim do domínio da empresa e, no dia seguinte, o preço das ações da Netflix já tinha desvalorizado 10%. Será razão para tanto?A culpa é da concorrência… e da Covid

A Netflix é considerada uma das poucas vencedoras da pandemia que enfrentamos há mais de um ano. Os confinamentos, os isolamentos sociais obrigatórios e o fecho das principais atividades outdoor tornaram o streaming e, por conseguinte, a Netflix na principal forma de entretenimento quando não estávamos a estudar, a trabalhar, a tratar das crianças ou a fazer pão. Só no primeiro semestre de 2020, a Netflix ganhou 26 milhões de subscritores, um valor bastante diferente daquele que será observado em 2021, dado que o serviço espera apenas 1 milhão de novos utilizadores no próximo trimestre. Que fatores contribuíram para esta mudança de tendência?

  • Enquanto em 2020, a Netflix beneficiou do facto de ter uma série de conteúdos prontos a serem lançados semana após semana, em 2021 a situação é bastante diferente. A pandemia atrasou muitas das produções que eram para ser finalizadas em 2020 e lançadas este ano, o que faz com que a capacidade da plataforma de lançar hits de forma regular seja bastante inferior. Os principais sucessos foram as séries “Lupin” e “Bridgerton” e nenhum dos filmes nomeados para Óscar conseguiu ganhar buzz suficiente, embora fossem dos poucos disponíveis para visualização legal.

  • A segunda metade de 2020 e o início de 2021 trouxeram uma competição bem mais acesa. A Disney+ ultrapassou os 100 milhões de subscritores e teve as duas séries que mais destaque ganharam online - “The Mandalorian” e “WandaVision”, de acordo com a Parrott Analytics. A WarnerMedia, responsável pela HBO, decidiu lançar todos os seus blockbusters (i.e “Liga da Justiça de Zack Snyder) em simultâneo no cinema e no streaming e, neste trimestre, superou o crescimento da Netflix, em subscritores, nos EUA. Por outro lado, estas e outras plataformas começaram a recuperar conteúdo que tinham licenciado à Netflix, retirando um "pouquinho" o appeal da plataforma. De relembrar que, durante a pandemia, “Friends” e “The Office” foram dos conteúdos mais vistos na Netflix (nos EUA) e ambos deixaram de estar disponíveis. 

  • Por último, muitos países começaram a abrir (mais lentamente no caso português) e várias atividades que estiveram indisponíveis, durante algum tempo, passaram a fazer parte da agenda das famílias e dos consumidores. À medida que as primeiras vacinas foram sendo distribuídas pelas populações, cafés, bares, museus, salas de espetáculo, instalações desportivas e parques de diversão foram progressivamente  abrindo e o streaming deixou de ser a única opção viável para muitas pessoas.

Para já, não são necessários grandes alarmismos

Mesmo assim, de uma forma geral, a Netflix continua numa posição muito favorável, quando comparada com a dos seus mais diretos rivais. 

  • O serviço de streaming default. Um estudo nos EUA revelou que 92% dos consumidores que tinham subscrito um novo serviço de streaming já tinham Netflix. Ninguém usa a funcionalidade “Ver qualquer coisa”, mas a verdade é que a plataforma é a primeira nas nossas mentes quando vamos à procura de algo para nos entreter antes de irmos dormir. 

  • Mais subscritores não é tudo. Um dos indicadores mais importantes no setor do streaming é o ARPU (receita média por utilizador). A Disney+ tornou-se numa ameaça grande ao ultrapassar os 100 milhões de subscritores, mas o seu ARPU é cerca de 4 dólares. O da Netflix é de 11 dólares, quase o triplo. No final do ano passado, a Netflix aumentou ligeiramente os seus preços e mesmo assim conseguiu continuar a aumentar a sua base de clientes. São boas notícias.

  • A mais adaptada aos mercados internacionais. Os mercados fora dos Estados Unidos estão no centro da estratégia de crescimento da Netflix para o futuro. Ser a plataforma “com tudo, para todos os gostos” implica não só ter filmes, séries e documentários de todos os géneros, mas também histórias com as quais as audiências das diferentes regiões onde está presente se possam conectar. E é isso que a plataforma tem feito nos últimos anos, contando com quase 140 milhões de subscritores fora dos EUA e Canadá. Os seus rivais mais diretos ainda têm um longo caminho a percorrer nesse sentido.

  • 17 mil milhões de dólares. É quanto a Netflix vai investir em conteúdo em 2021, um valor superior ao da concorrência e ao PIB de países lusófonos como Moçambique e Guiné-Bissau. Adicionalmente, a plataforma também assinou um acordo com a Sony para licenciar os conteúdos da produtora e pagou 450 milhões de dólares por duas sequelas de “Knives Out”. Daqui a 1 ano, apostamos que vamos estar a escrever algo bem diferente sobre o primeiro trimestre de 2022.

No futuro... não é expectável que a Netflix consiga manter uma posição monopolista no mundo do streaming como aquela de que gozou durante alguns anos. Haverá mais plataformas e mais conteúdos para roubar a atenção das audiências, que são as consequências de um mercado a atingir um nível maior de maturidade. É por isso normal que a Netflix tenha anos melhores e anos menos bons como o toda a gente, dependendo da performance dos filmes e séries que lança.Faz parte da vida.

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Adicionar ao Carrinho

 A Amazon abriu um cabeleireiro. Como assim? 

Já não bastava estar no topo do mercado de e-commerce, ter plataformas de streaming musical, de séries e filmes e, ainda, uma Alexa para ajudar com qualquer pedido. A Amazon está a expandir horizontes e, a partir de agora, torna-se também um dos sítios onde podemos só dar um jeito ao cabelo ou fazer aquela mudança radical de visual.  É claro que não estamos a falar de um cabeleireiro normal, onde folheamos umas revistas cor-de-rosa e colocamos em dia as fofocas do nosso bairro. Aqui as revistas são tablets com diferentes looks e sistemas de realidade virtual que nos mostram como fica o nosso cabelo pintado com várias cores (antes de fazermos a asneira). Para além disso, sabemos ainda que basta que os clientes apontem para um produto para que possam ver informações sobre o mesmo, por exemplo vídeos da marca. O primeiro espaço do género será no bairro de Spitalfields, em Londres.

  • Para quando uma franja com assinatura Bezos? Não para já. O salão vai ser testado pela equipa da Amazon antes de ser aberto ao público. E os penteados têm a assinatura da Neville Hair and Beauty. Tal como a data de abertura, os preços também ainda não vieram a público, mas este novo cabeleireiro promete uma experiência virtual só com tecnologia de ponta.

  • Fazer o que sabe fazer melhor. O novo negócio surge depois de a Amazon ter lançado uma secção de beleza profissional no seu site, onde são vendidos cerca de 10 mil produtos, desde chapas de alisamento a secadores, voltados para os pequenos salões, que começam aos poucos a reabrir com o desconfinamento no Reino Unido.

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Vi algures na Internet

 E se o Darth Vader bebesse Coca-Cola? 

É preciso muita cafeína para lutar por um dos lados da Força. Na altura em que os filmes de “Star Wars” foram feitos, ninguém pensou nisso. Mas imagine que estas duas indústrias se uniam: testemunharíamos um momento histórico entre duas grandes forças, onde o Darth Vader segurava uma lata de refrigerante, enquanto agia como um dos maiores vilões da cultura pop. É nesse sentido que trabalha a Mirriad, uma empresa de marketing do Reino Unido, que pensou numa forma de fazer a colocação de produto em filmes e séries populares com uma tecnologia genial.

A melhor parte: com o seu software é possível inserir produtos ou logótipos em filmes e séries que já existem sem a necessidade de refilmar cenas. Sem dar um nome em concreto, a BBC avança que esta ferramenta já está a ser utilizada por uma plataforma de streaming chinesa e que a ideia também já está a ser testada na série norte-americana "Uma Família Muito Moderna". 

 Pára pá pá pá, Dynamite

 

Se não vive numa caverna como eremita é provável que já tenha ouvido esta música. A banda de K-Pop BTS é mundialmente conhecida e junta-se agora ao McDonald's para uma refeição inspirada na boys band, como parte do programa da cadeia de fast-food Famous Orders. Aceitam-se pedidos a partir do dia 26 de maio.

  • A receita: 10 nuggets com molho de pimenta doce e caju, batatas fritas médias e uma Coca-Cola média (é pena não vir com música também).

  • O resto do menu: esta é a terceira parceria com uma celebridade desde setembro, altura em que a refeição inspirada no rapper Travis Scott representou um aumento significativo nas vendas, o que levou a algumas falhas de stock nos restaurantes da cadeia.

  • O ingrediente mágico: já não é novidade que a McDonald's não brinca em serviço quando se trata de vender. O grupo musical coreano tem quase 35 milhões de seguidores no Twitter e mais de 32 milhões de seguidores no TikTok, e liderou o top de vendas em 2020, ficando à frente de artistas como Taylor Swift, Drake e The Weekend. Talvez por isso seja também esta a primeira parceria com celebridades disponível a nível global. Sim, desta vez Portugal faz parte da ementa!

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Projetos que ficaram debaixo de olho  🤩

Um áudio-guia no seu telemóvel. Esta é a ideia da Árvores. A plataforma oferece aos museus ferramentas em texto, imagem, áudio, vídeo e realidade virtual para que estes possam conceber a forma como querem apresentar os seus conteúdos. A web app permite que os visitantes não tenham de descarregar qualquer aplicação e que fiquem informados através de uma experiência multimédia no próprio smartphone.

Não, não sou um robô. A UiPath criou um software que coloca robôs a realizar tarefas como preencher formulários, inserir dados e organizar arquivos, sem ser necessário uma codificação. Em suma, a empresa romena deixa as tarefas entediantes para as máquinas, com o lema: "Produzimos softwares-robôs, para que as pessoas não tenham de ser robôs". A semana passada, a UiPath estreou-se na Bolsa de Nova Iorque e já é a terceira companhia de software com a maior OPA nos Estados Unidos, com uma capitalização de 35,8 mil milhões de dólares (~27,6 mil milhões de euros).

Não pensamos nisto, mas há quem precise mesmo. A Degree Deodorant criou um desodorizante chamado Degree Inclusive (inclusivo), concebido para pessoas com algum tipo de incapacidade visual ou motora nos membros superiores. O formato do frasco está feito para ser mais fácil de agarrar. O produto inclui ainda fechos magnéticos, um rótulo em braile e um aplicador roll-on maior.

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É só mais 1 minuto ⌛

Apple. No seu evento “Spring Loaded” a empresa liderada por Tim Cook, apresentou uma série de novos dispositivos e funcionalidades. Por um lado, foram apresentados os novos iPads, iMac e AirTags. Por outro, parece que a Apple vai à luta no mundo dos podcasts. Saiba tudo aqui.Facebook. A rede social parece também querer entrar na guerra do áudio. A empresa vai lançar a sua própria plataforma para concorrer com o Clubhouse e está a pensar desenvolver uma parceria com o Spotify para podcasts. Saiba mais neste artigo do The Verge.Show me the numbers. As principais Big Tech vão apresentar, esta semana, os seus resultados no primeiro trimestre do ano. Facebook, Google, Amazon, Microsoft, Twitter e Tesla são algumas das empresas que vão mostrar se "passaram ou não no teste".Instagram. Encontre aqui 29 estatísticas que todos deveriam saber para tirar o melhor proveito da plataforma.Trabalho. A procura por um novo emprego pode ser uma experiência complexa e desafiante psicologicamente. Encontre neste artigo quatro estratégias para lidar com a ansiedade de navegar pelo LinkedIn e sites de recrutamento.

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    Dois dedos de conversa

    • Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos que valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.

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    Ficha TécnicaNewsletter escrita por:Rute Sousa Vasco, Miguel Magalhães e Catarina MarquesEdição:Rute Sousa VascoRevisão:João DinisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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