
19 de abril de 2021
Mais uma semana à volta do sol e que semana:
Assistimos à maior estreia na Bolsa americana desde o Facebook
A Microsoft fez a segunda maior aquisição de sempre na história da empresa
E Jeff Bezos escreveu a sua última carta aos acionista da Amazon enquanto CEO e falou da sua ideia de sucesso. "Se queremos ter sucesso nos negócios (na verdade, na vida) temos de criar mais do que consumimos". A carta pode ser lida aqui.
Obrigada por nos acompanharem,Rute Sousa Vasco
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Long Stories Short

Um passo gigante para as criptomoedas
O ano era 2010 e Brian Armstrong (sem parentesco com o mais sonante Neil) era apenas um engenheiro da Airbnb, responsável pela segurança de pagamentos feitos na plataforma para diferentes regiões em diferentes moedas. Um dia, deu por ele a ler um paper científico de um autor que assinava sob pseudónimo chamado Satoshi Nakamoto, que explicava como se podia criar uma moeda digital descentralizada a que chamou Bitcoin. Nessa altura, Armstrong estava longe de imaginar que a moeda que via ali descrita ia valer mais de 50 mil dólares uma década mais tarde.Contudo, durante uns meses, decidiu acumular dois trabalhos: ao longo da semana garantia que milhares de clientes da Airbnb conseguiam aproveitar as suas férias, ao sábado e ao domingo dedicava-se a desenvolver um serviço que permitisse que as transações mais seguras desta moeda e de outras como ela que entretanto iam surgindo. Começou por chamar ao seu projeto BitBank, nas primeiras conversas com investidores. Em 2012, já fora da Airbnb e com apoio de alguns investidores, fundou a Coinbase, a primeira plataforma de trading 100% focada em criptomoedas.A maior estreia em Bolsa desde o FacebookA evolução da Coinbase ficou naturalmente ligada à preponderância que as criptomoedas foram ganhando nos últimos anos, nomeadamente a Bitcoin. E como seria de esperar, o ano (2020) em que a Bitcoin cresceu cerca de 820%, foi também o período em que a empresa deu um salto gigante, que a catapultou para se tornar na primeira empresa de criptomoedas a entrar na bolsa americana, na semana passada. A Coinbase acabou o primeiro dia como empresa pública a valer mais de 86 mil milhões de dólares, a maior estreia desde o Facebook, em 2012, com modesta avaliação de 104 mil milhões de dólares.Um rápido perfil à empresa:
56 milhões de utilizadores
1.8 mil milhões de dólares em receitas no 1º trimestre de 2021. Este valor foi superior à soma dos anos de 2019 e 2020.
95% das receitas da Coinbase vêm de taxas de transação.
41% das transações na sua plataforma são em Bitcoin (o volume de transações em bitcoin passou de 80 mil milhões de dólares em 2019 para 355 mil milhões apenas no 1º trimestre de 2021).
11% de todas as transações de criptomoedas passam pela Coinbase.
Uma das políticas da Coinbase é não ter atuação política. No ano passado, por exemplo, a empresa foi criticada pela sua inércia nas manifestações “Black Lives Matter”.
Bónus: Brian Armstrong é “ligeiramente” parecido com Lex Luthor, o vilão de Super-Homem.
O que significa esta entrada em Bolsa?A maior parte das opiniões convergem na ideia de que é mais um passo na legitimidade das criptomoedas enquanto ativo financeiro e meio de pagamento. Muitos chegaram a apelidar o acontecimento de “momento Netscape 2.0”, aludindo à empresa americana tida como uma das principais responsáveis pela popularidade da Internet nos anos 90. A Coinbase nunca escondeu o seu desejo de criar uma cripto-economia, um sistema que pudesse substituir aquele que tem o dólar como referência e que, de acordo com Armstrong, é ineficiente e cria custos desnecessários para os utilizadores. No entanto não deixaram de existir algumas vozes a expressar algum ceticismo face ao futuro da empresa:
o objeto da empresa faz com que se torne um alvo de regulamentação do governo americano (que obviamente gosta muito do dólar);
apesar da maior credibilidade, as criptomoedas são muito voláteis e ainda podem ser uma bolha à espera de rebentar, o que faz com que a Coinbase tenha um elevado nível de risco associado.
a Coinbase enfrenta uma duríssima concorrência de plataformas que até oferecem mais oportunidades de investimento que a sua e terá de continuar a comunicar bem a sua vantagem competitiva: a segurança do seu serviço.
O investimento da semana? O empreendedor americano Garry Tan, com a entrada da Coinbase no Nasdaq, transformou um investimento de 300 mil dólares na empresa em 2 mil milhões de dólares de retorno (+ de 600.000%). Peaners.
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A Microsoft foi às compras. Again
Parem tudo! Há um gigante que ficou ainda mais gigante. A Microsoft comprou a Nuance por 16 mil milhões de dólares (~13,5 mil milhões de euros).
O que é a Nuance? Mais conhecida por Nuance Communications, a empresa, com sede em Massachusetts, nos Estados Unidos, desenvolve um software de reconhecimento de fala, de processamento de texto e de reconhecimento de imagens, em situações como consultas médicas, atendimento ao cliente e correios de voz. (Sim, mais tarde ou mais cedo os robôs vão dominar o mundo.)
Porque é que a aquisição é importante?
Pela aposta clara em inteligência artificial por parte da Microsoft, sendo a segunda maior aquisição de sempre da big tech. A maior foi o LinkedIn, pelo qual deu a "módica quantia" de 26 mil milhões de dólares.
Por causa da concorrência. A Microsoft está a tentar ultrapassar a Google e a Amazon, que estão neste momento sob escrutínio por possíveis abusos da sua posição dominante no mercado.
A Nuance foi pioneira no reconhecimento de voz e está focada na área da medicina e, por isso, pode ser um impulsionador da nova plataforma digital de saúde da Microsoft, lançada em conjunto com a seguradora AXA. Os médicos podem usar a tecnologia da Nuance, que já está integrada no Microsoft Teams.
Dólares, para que vos quero? A Microsoft parece andar com vontade de gastar dinheiro.
Tentou comprar o TikTok o ano passado por 30 mil milhões de dólares.
Adquiriu a companhia de gaming ZeniMax por 7,6 mil milhões de dólares.
Há a possibilidade de adquirir a plataforma Discord por 16 mil milhões de dólares.
Em fevereiro, soube-se que a Microsoft estava ainda de olho no Pinterest, rede social avaliada em 51 mil milhões de dólares.
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The Next Big Idea apresenta...

Como vão as empresas regressar ao escritório?
19 de abril marca a terceira fase de desconfinamento na maior parte das regiões do país. Escolas e universidades, lojas e centros comerciais, cinemas e outras salas de espetáculos voltam a abrir e alguns eventos exteriores com limites de lotação vão passar a ser permitidos. Para muitos profissionais é também o dia em que podem regressar ao espaço do escritório, desde que sejam asseguradas as condições de segurança.O regresso ao escritório tem sido um dos temas mais discutidos pela forma como a pandemia mudou o modo como muitas empresas se organizavam em tarefas para produzir os seus produtos e serviços. Os tabus que existiam relativamente ao trabalho remoto e ao teletrabalho foram, em grande parte, desfeitos e um estudo da PwC nos Estados Unidos, de janeiro de 2021, revela que 83% dos executivos consideraram que a transição das suas empresas para remote foi bem-sucedida. No entanto a maior parte também concorda que, para as suas empresas atingirem os seus objetivos e se manterem sustentáveis, a determinada altura terão de encontrar um modelo para que os seus trabalhadores possam voltar aos escritórios.Um artigo recente do The New York Times explorou os diferentes desafios que se colocam aos espaços de trabalho, incluindo tanto os escritórios das empresas como os espaços de coworking. A normalidade possível num tempo que ainda é de incerteza está assente na criação de condições de segurança: maior espaçamento entre as mesas de um escritório, desinfeção regular dos espaços comuns, utilização obrigatória de máscara. Contudo o sucesso do trabalho remoto também criou uma dicotomia na forma como empregadores e empregados olham para o “escritório".
Saiba mais sobre este tema no nosso site, onde também lhe contamos a estratégia seguida pelo cluster criativo LACS, comunidade em que o The Next Big Idea está inserido.
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Vi algures na Internet

O stress do "espelho meu, espelho meu"
Já sabemos que fazer chamadas de Zoom é cansativo. Este é um tema sobre o qual já tínhamos falado nesta newsletter, depois de um estudo da Universidade de Stanford revelar uma série de motivos para isso acontecer. Um deles era o facto de estarmos constantemente a olhar para nós próprios, como se passássemos o dia a ver-nos ao espelho. Depois desta primeira fase de pesquisa, os investigadores desconfiaram que este "efeito de espelho" podia ter mais impactos nas mulheres do que nos homens. E estavam mesmo certos.O académico que conduziu esta investigação, Jeff Hancock, afirma que "está muito bem estabelecido que a sociedade ocidental considera a aparência física mais importante para as mulheres". Não é por isso de estranhar que cerca de 13,8% das mulheres tenham respondido sentir-se "muito" ou "extremamente" cansadas depois de chamadas de videoconferência, contra uma percentagem de 5,5% do lado dos homens. De acordo com os autores do estudo, as mulheres são mais suscetíveis ao "auto-foco prolongado", que pode dar origem a estados de saúde críticos como a depressão ou a ansiedade.
Onde está a linha?
Para além dos nomes de contas e dos hashtags, o Instagram tem agora uma nova forma de descobrir conteúdo: a recomendação de termos de pesquisa com base naquilo que os utilizadores costumam ver assim que tocam na lupa. O resultado pode, por vezes, ser desconcertante. Recentemente, a rede social pediu desculpa por estar a recomendar palavras-chave de pesquisa relacionadas com a perda de peso a utilizadores com distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia.Desde 2019 que o Instagram tem regras mais apertadas sobre produtos que prometem resultados milagrosos, como cirurgias estéticas, cosméticos, e outros conteúdos relacionados com as mudanças corporais. A maioria está completamente oculta para menores de 18 anos.Mas isso não impede estes casos de acontecerem. Qual é a linha que separa o conteúdo convencional de perda de peso sobre prática de exercício físico e alimentação equilibrada do conteúdo que pode ser prejudicial para aqueles que sofrem de problemas mentais decorrentes de distúrbios alimentares é a pergunta que alguns críticos fazem.
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Projetos que ficaram debaixo de olho 🤩
Tem uma boa ideia, mas não sabe a que porta bater? A Gorodata propõe uma resposta através do recurso à inteligência artificial. A plataforma recolhe informação pública da internet, organiza-a e transforma-a em sinalização de possíveis clientes para as empresas B2B. Uma viagem no espaço e no tempo. É possível fazê-lo com a nova funcionalidade do Google Earth. O Timelapse permite que observemos os quatro cantos do mundo de 1984 até à atualidade. Numa passagem rápida por todos os anos, vê-se a vegetação e a organização das cidades a mudar.Robôs na sala de operações. A Memic, startup que desenvolve tecnologia ligada à saúde, fechou uma ronda de investimento de 96 milhões de dólares (80 milhões de euros), na série D. Isto acontece depois de a empresa ter recebido autorização para utilizar um robô que replica os movimentos dos braços do cirurgião. Perceba aqui como funciona.
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É só mais 1 minuto ⌛
Entry level? Costuma dizer-se que a expectativa salarial para o primeiro emprego costuma ser mais baixa. A não ser que esteja a falar desta lista, que contém os estágios mais bem pagos do mundo.CEOs. A pandemia colocou desafios complexos à maior parte dos negócios, mas não impediu que a maioria dos executivos visse o seu salário aumentar. Descubra quanto neste artigo do Huffington Post.Online. Descubra as 20 estatísticas que qualquer digital marketeer devia ter na ponta da língua. Damos uma ajuda com a primeira: 66% dos consumidores prefere ver um vídeo de um produto do que ler sobre o mesmo. Empreendedorismo. Estão abertas as inscrições para dois concursos de inovação: o Concurso Banco Montepio Acredita Portugal até 16 de maio e Hop.in da EFACEC até 30 de abril.Collision. O evento irmão do Web Summit começa amanhã e irá decorrer até quinta-feira. Descubra o programa aqui.
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Dois dedos de conversa
Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos que valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.
Pode submeter a sua empresa/projeto em thenextbigidea.pt.
Envie as suas histórias, ideias e feedback sobre a newsletter para [email protected]
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Ficha TécnicaNewsletter escrita por:Rute Sousa Vasco, Miguel Magalhães e Catarina MarquesEdição:Rute Sousa VascoRevisão:João DinisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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