12 de abril de 2021

O sistema operativo Android e o molho idolatrado por diferentes gerações no mundo inteiro (sim, o ketchup) não são uma combinação expectável - a não ser aqui. Explicamos porquê nesta edição:

  • A guerra de mais de uma década entre a Oracle e a Google conheceu um fim e, para já, há um ganhador e um perdedor

  • Os stocks de ketchup esgotaram nos Estados Unidos e a culpa é da pandemia

  • E, por cá, temos duas marcas portuguesas que estão a ganhar mercado contrariando o conceito do que é "normal"  

Obrigada por nos acompanharem,Rute Sousa Vasco

Long Stories Short

 Apenas linhas de código 

Deveria o software ser sujeito a leis mais rígidas de copyright ou, em bom português, direitos de autor? É uma questão que a indústria tecnológica e vários reguladores de mercado já colocam há algumas décadas e que tem ganho cada vez mais força, à medida que diversas big tech vão formando monopólios com produtos ou serviços que contêm linhas de código que não foram necessariamente desenvolvidas por si. 

Um dos casos mais mediáticos, que simboliza esta discussão, é o da Oracle vs Google, com a primeira empresa a acusar a segunda de ter usado (e abusado) da sua posição no mercado para tirar proveito, de forma ilegal, de um software seu para desenvolver um serviço que passou a dominar o mercado. “Qual?”, pergunta o leitor. Já ouviu falar do sistema operativo Android? "Só" está presente em cerca de 2 mil milhões de smartphones, hoje em dia. Na semana passada, quase 11 anos depois do início do processo, o Supremo Tribunal nos EUA ficou do lado da Google e decidiu que a tecnológica não tinha feito nada de errado.Vamos voltar atrás

  • 2009: Oracle compra a Sun Microsystems, empresa responsável pelo Java, a linguagem de programação e plataforma de software utilizada para a criação de milhões de aplicações online. 

  • 2010: Oracle processa a Google por infração de patentes associadas ao Java (agora seu) no desenvolvimento do sistema operativo Android e exige uma modesta compensação de 9 mil milhões de dólares. A Google defende-se dizendo que utilizou apenas 11.5 mil linhas de código que faziam parte da versão open-source da API do Java, que podia ser utilizada por todos, e que estava dentro dos limites legais.

Relembrar que os APIs (Interfaces de Programação de Aplicações) são um conjunto de protocolos definidos por um software para que outros possam tirar proveito das suas funcionalidades e que podem ter versões pagas.

  • 2010-2020: As duas empresas trocam vitórias entre si em diversos tribunais, até o caso ser conduzido para o Supremo Tribunal. O tema central torna-se mais ideológico para quem o julga, com a Oracle a argumentar que os APIs deveriam ser vistos como produtos criativos e tratados legalmente como tal, ou seja: os APIs deveriam ser sujeitos a direitos de autor.

  • 2021: O Supremo Tribunal, depois de analisar o caso, agora com no âmbito de direitos de autor, decide que a Google fez tudo dentro daquilo que nos EUA se chama de “fair use”

1. O código foi utilizado para desenvolver um serviço com uma nova utilidade (o Android); 

2. O Tribunal decidiu não deliberar sobre se os APIs estão ao mesmo nível de um livro de José Saramago, de um quadro de Picasso ou de um filme de Christopher Nolan; 

3. O Tribunal determinou que o Google utilizou apenas 0.4% do código do Java;

4. O Tribunal considerou que a criação deste novo serviço não teve efeitos negativos no mercado e que criou valor para os seus utilizadores.Quem ficou feliz com isto tudo?O peso das APIs no tecido empresarial americano e global teve um grande peso na decisão do Supremo Tribunal. Por um lado, pode argumentar-se que as APIs são veículos de inovação ao permitir que startups e empresas possam construir novos serviços e produtos sem ter de desenvolver código de raiz ou pagar por código já existente (poupando tempo e dinheiro). Adicionalmente, a utilização de APIs semelhantes em várias plataformas permite uma integração mais fácil de diferentes funcionalidades, o que melhora a experiência do utilizador.Por outro lado, esta decisão também significa que empresas maiores podem facilmente tirar proveito do trabalho de startups e incorporar novas funcionalidades nos serviços sem terem de as compensar financeiramente. Não é, por isso, grande surpresa que a Google tenha tido ao seu lado muitos dos seus habituais rivais como, por exemplo, a Microsoft. Inimigos, Inimigos, negócios à parte. Do lado da Oracle estavam, curiosamente, diversos estúdios de cinema e publishers que temem que uma suavização da regulamentação de copyrights possa significar más notícias quando os seus conteúdos aparecerem em plataformas que não deviam. 

No futuro… o mais provável é que surjam mais casos deste género, na procura de um equilíbrio ou solução numa indústria que, para muitos, continua sub-regulamentada. Não só em termos de software, mas também noutros temas como moderação de conteúdos (no caso das redes sociais) ou de estratégias monopolistas de muitas big tech, quando promovem os produtos dos seus “ecossistemas” e criam grandes barreiras de entrada nos mais diversos mercados.

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Adicionar ao Cofre

 Jovens promissores e multimilionário$ 

Gente nova e fortunas precoces são o destaque na mais recente lista de jovens bilionários da Forbes (aquilo que em inglês se diz billionaires, mas que, em português, não significa ter um bilião, mas sim mil milhões). Em suma: dez pessoas abaixo dos 30 anos que, juntas, valem quase 30 mil milhões de dólares.

  • O mais novo: é o alemão de 18 anos Kevin David Lehmann, que herdou do seu pai 50% da cadeia de drogarias dm-drogerie markt.

  • O mais rico: é Sam Bankman-Fried, fundador e CEO da Alameda Research e da FTX, ambas relacionadas com o trading de criptomoedas.

  • O mais capaz: talvez esta não seja a melhor expressão, mas Austin Russell é o mais jovem self-made billionaire, ou seja, o mais jovem a tornar-se multimilionário do zero. Hoje tem 26 anos e é dono de um terço da Luminar Technologies, que desenvolve tecnologia para carros autónomos, para clientes como a Volvo e a Toyota.

  • Single Ladies. As únicas raparigas presentes na lista são as irmãs Alexandra e Katharina Andresen, da Noruega, herdeiras da Ferd, uma holding de investimentos. 

  • O que é que faz o dinheiro crescer? Aparentemente, não são só os negócios ligados à tecnologia. Há todo um leque de investimentos que fazem o cofre destes jovens ficar mais pesado, do ramo da indústria ao da criação de salmão… A lista abaixo detalha os setores em destaque.

2021 vs 2020

  • Há mais dinheiro. Este ano, estima-se que a fortuna destes multimilionários chegue aos 29,5 mil milhões de dólares, mais 13 mil milhões do que no ano passado.

  • Adeus, Kylie Jenner. Em 2020, a socielite norte-americana era considerada a mais jovem self-made billionaire (sendo que este self devia estar entre muitas aspas, pelos motivos óbvios de ser membro de uma família com a projeção das Kardashians). Este ano, nem faz parte da lista.

  • Adeus, Evan Spiegel. A idade não perdoa e, embora tenha feito parte desta lista em 2020, o criador do Snapchat fez 30 anos, por isso foi excluído.

  • Firmes como pedra, no topo de ranking, mantêm-se as irmãs Andresen, Gustav Magnar Witzoe (norueguês, da SalMar) e Jonathan Kwok (um jovem de Hong Kong responsável por duas empresas do ramo do imobiliário).

Veja a lista completa aqui.

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The Next Big Idea apresenta...

 O possível é o futuro do impossível 

Enquanto preparamos a nossa próxima temporada, vamos continuar aproveitar esta rubrica para relembrar alguns dos melhores conteúdos presentes no nosso canal de YouTube.“É tão bom ter a melhor ideia da vida. Mesmo que se tenha três ou quatro vezes por semana a melhor ideia da vida, é tão bom de cada vez que acontece. Ao encontrar-se um novo sentido, é o mundo todo que renasce. Uma boa ideia carrega em si o tamanho do mundo, uma espécie de felicidade incandescente.”É assim que começa o texto de José Luís Peixoto - “O possível é o futuro do impossível” - que serviu de mote para uma leitura inspiradora há nove anos no evento de estreia da primeira temporada do The Next Big Idea. Ouça o texto completo na voz do escritor neste vídeo e subscreva o nosso canal.

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Vi algures na Internet

 Isto ainda vai dar molho... 

Há uns meses escrevemos um artigo sobre uma campanha de marketing da Heinz que mostrou a devoção fiel dos amantes de ketchup pela marca. Hoje, escrevemos sobre como essa devoção poderá ter levado a que os stocks do molho tenham esgotado nos EUA. Na semana passada, diversos meios começaram a noticiar e a dar conta da escassez deste produto nas prateleiras dos supermercados e a questionar os fatores que estavam por detrás deste fenómeno. A resposta? Pandemia (what else?).

Em causa está a recomendação das autoridades de saúde locais das refeições de take-away ou de entrega ao domicílio ao invés dos serviços tradicionais de restauração. Os restaurantes clássicos começaram a competir com as cadeias de fast food, colocando molhos e condimentos nos seus pacotes que entregam diretamente nas casas dos clientes ou num drive-thru. Por seu lado, as próprias cadeias de fast food também aumentaram os seus pedidos de pacotes de ketchup durante o último ano.

Uma má notícia para quem quer dar mais sabor ao seu hambúrguer caseiro. Uma ótima notícia para a Heinz, maior produtora do molho no país, que anunciou um aumento de 25% na sua produção, que levará a que a produção anual ascenda aos 12 mil milhões de pacotes de ketchup! 

 R.I.P, Yahoo Answers 

Hoje sentimo-nos nostálgicos. Vai deixar de estar em funcionamento a página que tinha resposta para tudo (mesmo que não fosse certa). Da melhor forma de fazer uma tarte de lima ao melhor filme para ver no primeiro encontro, não faltavam sugestões. Nascida em 2005, a plataforma de Q&A criou uma comunidade de curiosos que, diz o The Verge, é a mais duradoura e com mais história da Internet.

Basta fazer uma pesquisa rápida no Google Trends para perceber que o ano de ouro do Yahoo Answers foi 2009, altura em que o site afirmou ter 200 milhões de utilizadores. Mas, com o passar dos anos, a plataforma perdeu popularidade para outros fóruns semelhantes como o Reddit  ou o Quora. Numa nota enviada aos membros desta comunidade digital, o site explica que o Yahoo Answers "tornou-se menos popular com o passar dos anos”, por isso a empresa decidiu focar-se em produtos que respondam melhor às necessidades dos membros.

A partir do dia 20 deste mês, o Yahoo Answers não vai aceitar novos envios de perguntas e a 4 de maio fecha oficialmente. De qualquer forma, podemos sempre matar saudades com algumas questões que vão, sem dúvida, fazer-nos rir (ou chorar). O Buzzfeed, fez-nos o favor de reunir algumas pérolas, não numa, mas em duas listas. E vale a pena lê-las!

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Projetos que ficaram debaixo de olho  🤩

Body positivity. Não, não é uma nova tecnologia. É a ideia de negar os padrões de beleza convencionais e aceitar os corpos de pessoas "reais". A Misplaced, marca de fatos de banho, e a Dama de Copas, marca de lingerie que ensina as mulheres a escolher o sutiã adequado, trabalham nesse sentido e mostram que afinal o tamanho é só mesmo um tamanho. Conheça a história destas duas marcas portuguesas aqui.

Molduras que valem 15 mil milhões de dólares. Este é o valor atual do Canva, a plataforma que nos permite criar vários formatos de design, com ferramentas simples, para vídeos, apresentações, cartazes ou até mesmo publicações nas redes sociais. No ano passado, o Canva foi avaliado em 6 mil milhões de dólares, com o aumento de utilizadores devido à pandemia. Este ano, o unicórnio mais que dobrou este valor e, no meio disto tudo, tornou os seus fundadores bilionários.

Qual é a máscara mais elaborada que tem? Não estamos a falar de máscaras de Carnaval, estamos a falar daquelas obrigatórias, que vivem coladas à nossa cara há um ano. A Xupermask, com a assinatura de Will.i.am, do grupo Black Eyed Peas, quase parece um disfarce, mas não é. Com um design inspirado em super-heróis, tem filtros de ar, luzes LED, e fones de alta qualidade. Só lhe falta mesmo voar. Veja aqui as imagens desta máscara.

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É só mais 1 minuto ⌛

Efeitos da pandemia: De acordo com a Pew Research Center, em 2020, a classe média mundial não cresceu pela primeira vez desde 1990. É um dos muitos impactos da pandemia, que levou muitas pessoas a atingir um nível de pobreza inesperado.Como é que vai ser o regresso ao escritório? É a questão para a qual o The New York Times foi à procura de uma resposta falando com diversas empresas. Uma rotina híbrida entre casa e escritório e o investimento em hologramas parecem ser algumas das soluções.Um novo recorde: De acordo com a Crunchbase, o investimento de venture capital em startups/empresas atingiu valores recorde no primeiro trimestre de 2021, com cerca de 125 mil milhões de dólares. Descubra também no artigo quais foram as principais aquisições e IPOs neste período.“Este emprego é a tua cara”: Este artigo da Fast Company explica como encontrar um emprego ajustado à nossa personalidade.A história mais incrível da semana: Bill Hwang era um milionário desconhecido para a maior parte das pessoas até à semana passada, quando a sua empresa, a Archegos Capital, perdeu 20 mil milhões de dólares em dois dias. Saiba mais sobre esta história neste artigo da Bloomberg. Estará um filme de Hollywood a caminho?

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    Dois dedos de conversa

    • Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos que valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.

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    Ficha TécnicaNewsletter escrita por:Rute Sousa Vasco, Miguel Magalhães e Catarina MarquesEdição:Rute Sousa VascoRevisão:João DinisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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