A aplicação de inteligência artificial na saúde tem sido um dos temas mais falados nos útlimos anos pelo potencial de diagnóstico e de tratamento de várias doenças. Mas será fiável no que diz respeito a saúde mental? A Rumo, empresa que criou o chatbot, acredita que pode ser a solução certa para terapeutas e para pacientes e é a história principal da edição desta semana.

- Marta Amaral

Também nesta edição:

  • Descobre mais conteúdos no canal de YouTube do The Next Big Idea.

  • O que saber sobre o evento Money Talks.

  • As principais rondas de investimento da semana.

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_ LONG STORY SHORT

O “Roomie” dos psicólogos e psiquiatras usa IA na saúde mental

Clica aqui para veres o vídeo sobre o Roomie

Francisco Valente Gonçalves é psicólogo desde 2010. Em 2017, quando vivia no estrangeiro deparou-se com um problema pessoal: era difícil encontrar um psicólogo com quem se identificasse num país que não era o seu. Juntou-se a Carolina Oliveira Borges, também psicóloga e colega numa consultora estratégica no Reino Unido e juntos criaram a RUMO, uma plataforma dedicada à saúde mental. Desde Junho do ano passado, a equipa da Rumo tem vindo a testar uma nova ferramenta: o Roomie.

  • O que é: um chatbot que tem como objetivo complementar o trabalho dos psicólogos e dos psiquiatras, sobretudo na tomada de decisões, ajudando a gerar novas hipóteses de reflexão e oferecendo informação complementar sobre especificidades do paciente.

  • “O humano continua a ser humano. O Roomie foi projetado para ser empático e eficiente, mas nunca para substituir o processo terapêutico entre duas pessoas”, garante Francisco.

Qual a diferença para outros chatbots?O Roomie foi criado exclusivamente para ser utilizado para a saúde mental. E para isso, baseia-se em dois tipos de informação: um mais objetivo como manuais de psicologia, papers científicos e diretrizes de entidades como a American Psychological Association; e outros mais subjetivo como interações entre profissionais, supervisão de casos e dados filtrados de consultas reais.No futuro e numa fase em que o paciente já não está a ser acompanhado por um técnico, pretende-se que possa fazer perguntas ao Roomie em momentos de bloqueio. O objetivo dos fundadores continua a ser a missão de qualquer psicólogo: preparar as pessoas para enfrentarem a vida de uma forma independente sem ficarem cativos de um especialista.O que levanta a questão, será possível usar apenas o chatbot sem ir a uma consulta? Aqui entra a ideia da "corresponsabilidade": o psicólogo e o paciente têm de trabalhar juntos para o tratamento resultar e por isso, o chatbot não é suficiente. “Se um paciente decidir usar apenas uma ferramenta artificial, há limitações claras,” sublinha Francisco.O Roomie deverá passar na fase de testes até ao final do ano, altura em que a ferramenta deverá estar disponível para uso. Num modelo ideal, é esperado que o Roomie possa ser capaz de: 

  • Testar indicadores de risco, para identificar situações mais extremas.

  • Ajudar psicólogos a refletir sobre dados, sem dar diagnósticos.

  • Simular pacientes para treinar novos profissionais.

Nos primeiros tempos, a ferramenta vai ser gratuita e vai apenas complementar o trabalho da equipa da Rumo - de onde vêm as receitas da empresa. No entanto, a startup de saúde mental espera que novos investidores privados surjam até ao final do ano.Com este financiamento, está prevista a criação de agentes virtuais personalizados para diferentes organizações ou grupos, criando assim uma nova linha de negócio.Sabe mais sobre a história da Roomie aqui💻 O mundo da inovação no nosso YouTubeNas últimas semanas, temos estado a publicar um conjunto de histórias no nosso canal como a Dealflow, a Adam, a Meight e o The Gang. Passa por lá, subscreve e deixa o teu feedback aos vídeos que gostaste mais.

_Agenda The Next Big Idea

Estivemos

, evento que acontece a

29 e 30 de março no Hotel Vila Galé Évora

e que reúne

 

especialistas para debater

investimentos, gestão de dívida, poupança e mais

. Com palestras, painéis e

masterclasses

, a iniciativa quer promover literacia financeira em Portugal. 

  • E ainda: Estivemos pela JBC Case Competition, organizada pela Junior Business Consulting do ISEG, onde o Miguel Magalhães esteve a dar mentoria a algumas equipas a participar no evento, que procuraram desenvolver soluções sustentáveis para a cidade de Lisboa. Parabéns a todas!

_OUTRAS HISTÓRIAS A VER

Como olham os investidores portugueses para o primeiro semestre de 2025?

Cerca de três quartos dos investidores nacionais em early stage afirma estar otimista quanto ao número de investimentos a realizar no primeiro semestre deste ano e quanto ao volume a investir. As conclusões são do “Barómetro do Investimento Early Stage”, realizado pela Investors Portugal. A história completa aquiA ver também

  • Inovação. Técnico Lisboa, NOVA SBE e CATÓLICA-LISBON juntam-se pela primeira vez para impulsionar a inovação. Esta é uma iniciativa da Unicorn Factory Lisboa com foco no empreendedorismo universitário, que se divide em três fases ao longo de nove meses.

  • Empreendedorismo. Depois de ter sido eleita "Júnior Empresa do Ano" na Europa, em 2023, a JUNITEC – Júnior Empresa do Instituto Superior Técnico volta agora a conquistar esta distinção europeia.

  • Investimento. O Fundo AngelsWay arrancou a todo o gás com o seu primeiro investimento na Granter.ai, uma startup nacional que criou uma solução com IA que acaba com a burocracia e reduz custos para empresas.

_ NEXT ROUND ON ME

🇺🇸 EUA

  • A startup Chainguard, que fornece imagens de contentores seguras e mínimas, permitindo que as organizações desenvolvam e mantenham software com maior segurança, levantou uma ronda 350 milhões de dólares, liderada pela Kleiner Perkins.

  • A Flock Safety, startup especializada em tecnologia de videovigilância (drones), angariou 275 milhões de dólares numa ronda liderada pelo fundo de investimento Andreessen Horowitz. Está agora avaliada em mais de 7 mil milhões de dólares.

  • A Celestial AI está agora avaliada em 2,5 mil milhões de dólares, depois da Série C de 250 milhões liderada pela Fidelity Management. A startup tem uma plataforma tecnológica que melhora a velocidade de transferência de dados entre chips de computação de IA e chips de memória.

🇪🇺 Europa

  • A startup finlandesa GoByBike assegurou financiamento de 125 milhões de euros (136 milhões de dólares) liderada pelo Santander CIB, para expandir a sua plataforma de aluguer de bicicletas para empregados e empregafores. 

  • A Axelera AI, startup baseada nos Países Baixos, recebeu financiamento da UE no valor de 61 milhões de euros (66 milhões de dólares) para desenvolver um chip para data centers, reforçando a sua posição no mercado de IA.

🇨🇳 China

  • A Zhipu AI, uma das startups chinesas de IA mais badaladas, garantiu mais 69 milhões de dólares em investimento da Huafa Group, uma empresa estatal. A empresa desenvolver modelos de linguagem natural em grande escala e diversas aplicações de IA.

_ VI ALGURES NA INTERNET

Inteligência Artificial. O Amália, o novo “ChatGPT português” está em contra-relógio? Há quem considere o investimento no modelo de linguagem relevante, mas há dúvidas sobre a utilização dos dados, os direitos de autor e os curtos prazos em cima da mesa.Vinhos. Trump plantou incerteza no setor do vinho com a ameaça de tarifas de 200%. Em Portugal, se há quem fique aliviado por depender pouco dos EUA, o setor, no todo, teme por mais de 100 milhões de receitasEmprego. Um estudo da Michael Page revela que apenas 7% da geração Z considera atrativa a indústria transformadora para trabalhar. Já a saúde é a área mais procurada pelos jovens que estão entre os 20 e os 25 anos. Economia. A Fitch mantém inalterado o rating de Portugal. A agência norte-americana é a primeira a avaliar a notação da dívida portuguesa após a queda do Governo. Inteligência Artificial. A Parfois está a apostar na IA com uma parceria com a DXC Tecnhology. O grupo de moda português quer continuar a melhorar a experiência dos seus clientes e, com isso, personalizá-la.Saúde. Há um novo espaço em Cascais para a inovação em saúde. A Câmara espera que seja "uma atração de investimento, e neste caso de investimento estrangeiro em Portugal". Sustentabilidade. O CEO da Siemens em Portugal considera que “o futuro passa necessariamente por encontrar formas mais sustentáveis de operar, produzir e competir”.

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Escrita e editada por Miguel Magalhães, Gabriel Lagoa e Marta AmaralThe Next Big Idea, 2025