
As últimas semanas têm sido dominadas pelas ameaças de Donald Trump, que diz querer impor tarifas às importações da UE. Caso a medida avance, terá impacto na economia europeia e por conseguinte em Portugal. Estivemos à conversa com Bruno Bobone, ex-presidente da CCIP, que analisa os efeitos das tarifas e defende que estas ameaças são uma ferramenta de negociação. É o tema principal da newsletter desta semana.
- Gabriel Lagoa
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A “Bolt dos pintores” já chegou a Portugal.
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7 perguntas para compreender a guerra de tarifas dos EUA

A União Europeia (UE) enfrenta uma nova vaga de incerteza comercial após a administração de Donald Trump ameaçar impor tarifas às importações europeias. Apesar de a UE não ter sido incluída na primeira ronda de tarifas dos EUA, que afetou o México, o Canadá e a China, o Presidente norte-americano sugeriu que o bloco comunitário, por causa do grande excedente comercial que tem com os Estados Unidos, poderia ser o próximo na lista.Irá Donald Trump seguir em frente com as ameaças? As declarações de Trump sobre tarifas à União Europeia podem ser mais uma tática negocial do que uma ameaça concreta. "Eu começo por achar que essas tarifas são essencialmente uma ferramenta de negociação e não verdadeiramente uma circunstância que vá acontecer no mercado", afirma Bruno Bobone, ex-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP).Bobone recorda que "naquilo que ele ia propor ao México e ao Canadá, houve uma primeira negociação imediata que suspendeu durante um mês essas tarifas".Qual é a verdadeira estratégia de Trump?Para Bobone, Trump é "essencialmente um negociador e é um grande negociador". O ex-presidente da CCIP explica que esta estratégia tem objetivos específicos: "Ele vai lançar as tarifas à Europa na expectativa de ter alguns resultados. A balança de transações com os Estados Unidos está desequilibrada e ele quer equilibrá-la".A incerteza comercial pode ter mais impacto que as próprias tarifas?"No imediato, eu acho que vai acontecer", responde Bobone. No entanto, o ex-presidente da CCIP considera que este clima de incerteza poderá tornar-se o novo normal: "Se aquilo que neste momento é inédito e disruptivo com este lançamento de desafios constantes se tornar um hábito, vamos acabar por nos habituar a viver com isso e acabamos por deixar de ter medo do lobo mau. Quais os setores portugueses mais expostos às tarifas dos EUA?"Na indústria portuguesa, as tarifas não vão ter grande impacto. É mais a indústria europeia que vai estar afetada", considera Bobone. "Trump vai implicar com os automóveis, já o disse, e portanto é a área em que ele quer atuar mais".Como é que as tarifas afetariam o dia-a-dia dos europeus?"Se houver tarifas, vai haver alguma crise económica. Os Estados Unidos diminuirão o seu crescimento económico. Se houver esse aumento de tarifas, o mercado vai fechar-se e nós também vamos vender menos", explica Bobone.Qual deve ser a resposta europeia?"A Europa tem só uma solução. Tem de descobrir o que falta aos Estados Unidos para estarem contentes, sem se prejudicar a si própria", defende Bobone. O ex-presidente da CCIP sugere que "se nós vamos ter de investir em defesa e se há uma balança de transações desequilibrada com os Estados Unidos, o natural é nós comprarmos esse investimento em defesa nos EUA e equilibrar a balança".Como pode a Europa tornar-se mais resiliente a choques comerciais externos?Para Bobone, a solução passa por uma mudança estrutural: "Menos proteção, mais risco ao mercado, mais risco dos acionistas, mais capacidade de financiamento não baseada em bancos, mas sim em capitais de risco ou capital individual, mais formação, mais investimento na inovação". Mais sobre a guerra comercial aqui
_OUTRAS HISTÓRIAS A LER
A “Bolt dos pintores” já chegou a Portugal

Vê aqui o vídeo sobre a Adam
A Adam foi criada em 2020 na República Checa, inspirada pelos serviços da Bolt. A plataforma que conecta pessoas a pintores de interiores certificados soma Portugal aos 10 países onde já operava. O objetivo é simplificar a ligação entre os portugueses e os profissionais perdidos nas páginas amarelas.Sabe mais sobre a Adam aquiA ver também
Inovação. Já são conhecidos os projetos finalistas do Innovation 4 All, um prémio de inovação social de Lisboa. A iniciativa foi lançada em maio de 2024 e recebeu mais de 300 candidaturas.
Saúde. Um grupo de investigadoras da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto desenvolveu sistema de libertação controlada de fármacos para o tratamento da doença de Alzheimer.
_ NEXT ROUND ON ME

América do Norte
A X-Energy, startup que quer desenvolver centrais nucleares de alta tecnologia, angariou 700 milhões de dólares numa série C1, com investimento do Climate Pledge Fund da Amazon, Segra Capital Management e Jane Street. A startup é uma das várias empresas que assinaram acordos com grandes empresas tecnológicas, numa altura em que a IA está a aumentar a procura de energia.
A StackAdapt, uma startup canadiana que desenvolve tecnologia para automatizar a compra e venda de publicidade digital, angariou 235 milhões de dólares numa ronda liderada pela Teachers' Venture Growth.
A Hidden Level garantiu 100 milhões de dólares ao longo de duas rondas de financiamento, com participação da Lockheed Martin Ventures e DFJ Growth. A startup, avaliada em 500 milhões de dólares, desenvolve tecnologia de deteção de drones e outras ameaças para a segurança nacional.
A Semgrep levantou 100 milhões de dólares numa série D liderada pela Menlo Ventures, alcançando um total de 204 milhões em financiamento. A empresa especializa-se em cibersegurança.
Ásia
Num campeonato em que os EUA e a China disputam as atenções, a Índia também quer um lugar no pódio da liderança da IA. A Krutrim, uma startup indiana de IA ligada à empresa de rideshare Ola, angariou 230 milhões de dólares num investimento de Bhavish Aggarwal, fundador da Ola.
Europa
A Solaris, plataforma de embedded-finance sediada em Berlim, assegurou o equivalente a cerca de 145 milhões de dólares numa série G liderada pela SBI Group e Boerse Stuttgart Group.
A Tidal Vision levantou 140 milhões de dólares numa série B de investidores como Cambridge Companies SPG, Eni Nex e Milliken & Company. A empresa transforma cascas de caranguejo em materiais para uso industrial.
_ VI ALGURES NA INTERNET
Investimento. O Banco Montepio tornou-se investidor no Impact Innovation Fund. Com um capital total de 25 milhões de euros, o fundo “destina-se a investir em projetos que demonstrem impactos sociais e ambientais positivos.Startups. Portugal é o 16º país europeu com mais investidores em startups. O mercado nacional registou mais de 1.450 transações e investimentos de 3,6 mil milhões de euros entre 2000 e 2023.5G. O número de estações de base 5G instaladas em Portugal subiu 24% no quarto trimestre, face aos três meses anteriores, para 13.089, com a entrada do quarto operador Digi. Sustentabilidade. Super Bock Group anunciou um investimento superior a 80 milhões de euros até 2030 para atingir a neutralidade carbónica. O plano inclui modernização de infraestruturas e instalação de painéis solares.Startups. Unicorn Factory Lisboa arranca 2025 com novo recorde no programa de incubação Winter Batch, ao apoiar 50 startups, mais 32% face a 2024. Em dois anos, o número de startups apoiadas quintuplicou.Economia. O otimismo dos CEO portugueses está a aumentar. Um estudo da PwC revela que quase 70% dos CEO esperam um crescimento económico global nos próximos 12 meses. Empreendedorismo. O Programa Regional do Alentejo 2030 lançou um novo aviso de candidatura destinado a apoiar a criação de emprego e o microempreendedorismo. 3 milhões de euros é a dotação disponível para este aviso.
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Escrita e editada por Miguel Magalhães, Gabriel Lagoa e Marta AmaralThe Next Big Idea, 2024