5 de abril de 2021

Os aniversários são sempre boas altura para avaliar o passado e planear o futuro. É o que fazemos nesta edição em que  celebramos 9 anos do The Next Big Idea e lhe propomos o seguinte:

  • Recordar o trajeto de 9 startups cujas histórias contámos e que estão a apontar caminhos do futuro

  • Saber como a tecnologia blockchain não pára de nos trazer novas formas de antecipar o futuro

  • Conhecer a estratégia de marcas como a Volkswagen na era pós "carochas" ou "carrinhas pão-de-forma"

Obrigada por nos acompanharem,Rute Sousa Vasco

Long Stories Short

 BitClout, uma cripto-rede-social 

A pandemia já nos deu vários exemplos de que estamos rapidamente a caminhar para um mundo mais “a la Black Mirror” do que aquilo que imaginamos. Um desses motores tem sido a crescente popularidade das criptomoedas e das tecnologias de blockchain que as suportam, que permitem mais funcionalidades do que a simples transação descentralizada de moedas digitais, nomeadamente na monetização de conteúdos.Desde o início deste ano, vimos as criptomoedas Bitcoin e Ethereum atingirem valores recorde e também assistimos à febre das NFTs, ativos digitais que permitiram criar milionários através de clips de jogadas da NBA, tweets ou de uma colagem de imagens feitas no Photoshop. A história de hoje foca-se numa plataforma a tentar criar mais um canal de receitas para “criadores de conteúdo”, mas não só. Apresentamos a BitClout. O nome não é uma coincidênciaA BitClout resulta da junção das palavras “bit” (um pedaço de informação num computador) e “clout” (poder ou influência sobre pessoas ou eventos). É uma rede social, construída numa blockchain, que tem como criptomoeda a BitClout (BTCLT), e na qual utilizadores podem especular com a reputação de uma personalidade como fazem com o valor de ações, ETFs e criptomoedas. A versão beta da plataforma, desenvolvida por um grupo de developers anónimos, foi lançada há menos de um mês, mas já conta com o apoio de fundos de venture capital com boa reputação como a Andreessen Horowitz, a Coinbase Ventures e a Sequoia Capital.

  • O que é a reputação? Baseado no Twitter, o algoritmo da BitClout foi feito para acompanhar seguidores, posts, gostos, comentários e outras características que servem de proxy para perceber se uma determinada personalidade é maioritariamente bem vista ou não. Apesar de o projeto ser open-source (pode ser acedido por qualquer pessoa), é fácil perceber que logo aqui poderão haver alguns problemas no valor que é colocado numa personalidade.

Como se negociam personalidades?Tal como em qualquer plataforma de trading, na BitClout é necessário criar uma conta e fazer uma transferência de um montante para que seja possível investir em ativos. No entanto, nesta plataforma existem duas particularidades:1) a conta tem que estar associada a uma conta no Twitter e só é ativada depois de a plataforma ter publicidade grátis o utilizador fazer um tweet com o link do seu perfil na BitClout;2) a plataforma só aceita depósitos em Bitcoin, que depois converte para a sua própria criptomoeda. Porque será? 

Com o perfil criado, a forma como utilizadores podem investir em figuras conhecidas é através de “creator coins” ou tokens, moedas sociais associadas ao perfil de cada uma delas. O seu valor vai subindo ou descendo consoante as oscilações na popularidade destas personalidades. Se a Tesla criar um carro voador com imenso potencial, é provável que o preço das suas ações suba dadas as boas perspetivas que os investidores têm para o seu futuro. No mesmo exemplo, o sucesso do carro voador significará que o seu CEO, Elon Musk, gozará ainda de maior popularidade no mundo inteiro (com uma boa dose de tweets elogiosos), o que naturalmente levará mais pessoas a querer comprar a sua “moeda” na BitClout, causando uma subida no preço. Contudo não existem moedas infinitas para cada perfil: 

  • De acordo com a BitClout, cada um terá sempre entre 100 a 1500 moedas, porque o algoritmo por detrás do preço de cada “creator coin” foi desenvolvido para que o seu preço aumente a um ritmo cada vez maior à medida que existem mais moedas em circulação, o que significa que a partir de um determinado nível seriam necessários milhares de milhões de dólares para comprar mais uma moeda.

  • Adicionalmente, na criação da cada conta, são atribuídas ao utilizador uma percentagem das suas próprias moedas, para que este possa potencialmente beneficiar da sua maior popularidade do seu perfil.

Não era notícia sem polémicaNo meio de toda a inovação, existem dois temas que levaram a algum ceticismo relativamente à plataforma e com alguma razão:

  • “Ponho dinheiro, mas não o posso tirar”: como a BitClout ainda não está registada em nenhum índice de criptomoedas, os utilizadores ainda não podem tirar os seus ganhos da plataforma, por não ser possível ainda uma conversão direta da BitClout para dólares. É uma diferença grande para os NFTs que, por serem desenvolvidos num sistema de blockchain com uma criptomoeda já estabelecida (a Ethereum) permitem que o processo seja bem mais simples.

  • “Mais vale pedir desculpa do que licença”: uma plataforma baseada na popularidade só resulta se… tiver pessoas conhecidas. Mas como pode o utilizador comum investir na Taylor Swift se a artista não criou uma conta na plataforma? Para resolver este problema, a BitClout tomou uma decisão no mínimo questionável. Pegou nos perfis das 15 mil pessoas mais populares no Twitter (sem a sua autorização) e, através da informação disponível nos seus perfis, fez uma espécie de pré-registo na sua plataforma que já permite que seja possível investir nas moedas destas personalidades. Os responsáveis da “cripto-rede-social” argumentaram que apenas fizeram isto para evitar que fossem criados perfis falsos destas figuras, mas o mais provável é estarem alguns processos em tribunal a caminho.

No futuro… apesar de todos os problemas, a BitClout pode ser uma alternativa a plataformas como o Patreon. Imagine um artista a fazer um álbum especial para 10 maiores acionistas da sua “moeda” ou a dar-lhes, mais cedo, acesso à compra de bilhetes para um concerto importante. E, claro, poderá ser mais uma forma de diversificar investimentos e de poder dizer a frase “tenho ações da Apple, um gif, duas casas e três moedas do Bruno Nogueira”.

* * *

Adicionar ao Carrinho

 Apps, para que vos quero? 

É oficial: no primeiro trimestre de 2021, foi batido o recorde de dinheiro gasto em apps. O novo relatório da App Annie, reporta que 32 mil milhões de dólares (27 mil milhões de euros) foram gastos em novas aplicações iOS e Google Play. O aumento foi de 40% em comparação com o mesmo período do ano passado. Não há nada como uma pandemia global em que não se pode sair de casa…

  • Que gigante ficou ainda mais gigante? A App Store da Apple teve mais receitas do que a da Android (21 mil milhões de dólares, contra 11 mil milhões de dólares). No entanto, ambas as lojas de apps tiveram um aumento de vendas de 40%.

  • Onde é que se gastou mais? Nos jogos, nos quais se gastou cerca de 22 mil milhões de dólares, 13 mil milhões no iOS (aumento de 30%) e 9 mil milhões no Android (aumento de 35%). Os jogadores descarregaram cerca de mil milhões de downloads de apps de jogos por semana, um aumento de 15% em relação a 2020. O jogo com mais downloads foi o Join Clash 3D que ultrapassou o fenómeno Among Us.

  • No topo de downloads está o TikTok, que foi a aplicação mais descarregada no primeiro trimestre de 2021. Seguem-se depois o Facebook, o Instagram, o Telegram, o WhatsApp e, claro, o Zoom.

  • No topo dos gasto$: apesar de ser o rei dos downloads, o TikTok ficou apenas em segundo lugar no que toca a gastos do consumidor. Neste aspeto, o YouTube ficou em primeiro lugar, seguindo-se então app de vídeos curtos, e depois o Tinder, o Disney Plus, ou Tencent Video e o BIGO LIVE. A Netflix deixou de fazer parte deste top.

  • No topo do uso efetivo: no que toca ao uso mensal ativo destas aplicações, lidera o Facebook, seguido do Whatsapp, do Facebook Messenger, do Instagram, da Amazon, do Telegram, do Twitter e, só em oitavo lugar, do TikTok.

  • O ano em que (quase) tudo começou. À medida em que tudo começou a fechar devido às restrições por causa da COVID-19, os consumidores começaram a descarregar várias aplicações relacionadas  com trabalho, escola, compras, fitness ou entretenimento. Em 2020, registaram-se cerca de 218 mil milhões de downloads em todo o mundo, um número recorde que representou um gasto de 143 mil milhões de dólares. Esta tendência só se acentuou em 2021.

* * *

The Next Big Idea apresenta...

 9 anos depois 

Esta semana, no The Next Big Idea celebrámos nove anos desde que o primeiro episódio do programa foi transmitido na SIC Notícias, a 2 de abril de 2012. São nove anos a fazer parte da transformação de um ecossistema no qual a palavra “startup” era raramente utilizada, para um que, atualmente, já conta com quatro unicórnios e com centenas de empresas a desenvolver conhecimento e soluções inovadoras nas mais diversas áreas. A nona temporada do The Next Big Idea, que chegou ao fim na semana passada, foi a mais bem-sucedida de sempre em termos de audiência e também aquela que mais tempo teve no ar, ao longo de 21 semanas. Iniciamos agora o caminho para o décimo aniversário, que vai ser feito com novos projetos e com novos formatos, sempre com o objetivo de dar a conhecer da melhor maneira as histórias que estiveram na origem e no desenvolvimento dos negócios de amanhã. Hoje, relembramos nove episódios com empresas que não tiveram medo de imaginar o futuro nos últimos anos (clique nos links para ver os episódios).

Veja os episódios da última temporada no nosso canal de Youtube.

* * *

Vi algures na Internet

 De Volkswagen para Voltswagen? Nem por isso

Já se foi o tempo em que a imagem de marca da Volkswagen era pequenos "carochas" ou "carrinhas pão-de-forma". Mas ainda não se foi o tempo em que a empresa deixou de apostar nos automóveis movidos a combustíveis fósseis e procurou alternativas amigas do ambiente. Quer dizer, mais ou menos…Na semana passada, um leak na internet terá revelado que a marca alemã ia mudar o seu nome para Voltswagen como símbolo da sua aposta em opções mais verdes. Afinal, não passava tudo de uma manobra de marketing de Dia das Mentiras. De facto, a marca alemã está a produzir um modelo elétrico, mas é um único modelo elétrico, como escreve o The Verge.O comunicado de imprensa foi feito mais cedo do que era suposto, no entanto o seu conteúdo também não era totalmente real. A Vokswagen não vai mudar de nome (essa era a piada de 1 de Abril) e as intenções da companhia são assim tão sustentáveis (essa é a parte legal). Depois de a CNBC dar conta do caso, a marca recusou-se a comentar o relatório e admitir que a suposta mudança de nome teria sido um golpe de marketing, mas a fabricante de automóveis declarou-se depois culpada por ocultar os seus verdadeiros níveis de poluição. 

 No inferno, use calçado confortável 

Chamas, sangue e erotismo. É em torno destas temáticas que gravita todo o conceito do novo hit do rapper Lil Nas X, Montero (Call Me By Your Name). Mas a Nike considera que o conceito foi longe demais com a colocação de uma gota de sangue humano em cada um dos novos Nike Air Max 97s, personalizados para si para o videoclipe da sua música. A marca desportiva avançou com um processo judicial contra a MSCHF, a agência de Brooklyn responsável pela criação dos "sapatos satânicos" de Lil Nas X. O cantor, no entanto, não é citado como réu no processo.Para além da gota de sangue, os Nike Max 97's têm ainda um pingente em forma de pentagrama e uma referência ao versículo bíblico Lucas 10:18, que diz "Eu vi Satanás cair como um raio do céu". Os sapatos estão associados ao momento em que, no videoclip da música Montero (Call Me By Your Name), Lil Nas X desce ao inferno através de um varão para dançar no colo do Diabo.

* * *

Projetos que ficaram debaixo de olho  🤩

Vender a casa em 10 dias? É a garantia da Sell and Go, proptech portuguesa que afirma conseguir uma escritura e uma proposta pelos imóveis de forma mais rápida que os seus competidores. A startup está a comprar nas zonas da grande Lisboa e do grande Porto e, até ao final deste ano, tem como objetivo adquirir cerca de 80 imóveis. Conheça melhor a empresa aqui."Link na bio". De certeza que já leu esta frase. Aliás, se calhar foi por causa desta expressão que subscreveu esta newsletter quando visitou o Instagram do The Next Big Idea. O método é interessante e o sucesso está aprovadíssimo. A Linktree, que fechou recentemente uma ronda de investimento de 45 milhões de dólares, é um agregador de endereços de internet num só link, que tem vindo a ser utilizado cada vez mais por páginas e influencers de renome que encontram no Instagram a mesma dificuldade que todos nós: a partilha de mais links para além daquele que é permitido na bio.Vamos parar de falar de dinheiro. Numa newsletter como esta é complicado, mas, na vida de uma criança cujos pais são divorciados, talvez seja uma boa opção para preservar o bem-estar de toda a família. Foi nesta lógica que surgiu a Ensemble. Aos 14 anos, a fundadora e CEO da empresa assistiu ao divórcio dos próprios pais e percebeu as marcas que pode deixar numa família a partilha de despesas quando já não partilham a mesma casa. O ano passado, Jacklyn Rome criou esta app de rastreamento de despesas que tem como objetivo reduzir a tensão entre os pais.

* * *

É só mais 1 minuto ⌛

Não sabemos se são boas notícias: a Unsplash, plataforma que permite fazer o download grátis de milhões de fotografias em alta resolução, foi adquirida pela Getty Images, uma das maiores do ramo e utilizada pela maior parte dos órgãos de comunicação social no mundo inteiro. Ao que tudo indica, nada mudará na forma como as duas funcionam… para já. Sucesso inesperado: “Godzilla vs Kong” já é o filme de maior sucesso na bilheteira dos EUA desde o início da pandemia, com 32.2 milhões de dólares em receitas, no primeiro fim de semana em exibição. Será o início da recuperação para a indústria dos cinemas? Novidades do LinkedIn: a rede social de negócios e recrutamento, detida pela Microsoft, anunciou uma série de novas funcionalidades para ser mais “amiga” de criadores de conteúdo e novas ferramentas para candidatos poderem comunicar da melhor maneira a potenciais empregadores. Is this the end? O Spotify vai criar uma plataforma para competir com o Clubhouse, depois de empresas como o Twitter, a Microsoft e o Facebook também informarem estar a fazê-lo. Livre de distrações: os computadores são ótimos para trabalhar, mas estamos sempre à um clique de algo que nos distraia das nossas tarefas. Saiba como evitá-lo aqui.

    * * *

    Dois dedos de conversa

    • Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos que valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.

    * * *

    Ficha TécnicaNewsletter escrita por:Rute Sousa Vasco, Miguel Magalhães e Catarina MarquesEdição:Rute Sousa VascoRevisão:João DinisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

    Copyright © , Todos os direitos reservados.O nosso endereço é:Quer deixar de receber estes emails?Pode clicar aqui. Mas não faça isso: isto está giro.