
A China abalou o domínio dos EUA com um modelo de inteligência artificial low-cost da DeepSeek, enquanto Bruxelas prepara um novo plano de 800 mil milhões de euros para não ficar para trás na revolução tecnológica. No meio desta disputa tecnológica, terá a Europa lugar na liderança da corrida à IA? É o tema principal da newsletter desta semana.
- Gabriel Lagoa
Também nesta edição:
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Portuguesa Nimble investe em tecnologia que deteta cancro e problemas cardíacos antes de se manifestarem.
As maiores rondas de investimento da semana.
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_ LONG STORY SHORT
China, EUA ou Europa, quem vence a corrida à IA?

A competição global pela inteligência artificial (IA) está mais acesa do que nunca. Os EUA, que dominavam o setor com empresas como a OpenAI, enfrentam agora um novo desafio: a China, que surpreendeu o mercado com um modelo “low-cost” da DeepSeek. Perante esta realidade, a Europa tenta encontrar o seu espaço com um plano de 800 mil milhões de euros para fortalecer a inovação e a competitividade tecnológica.O fenómeno DeepSeek abala Wall StreetA startup chinesa DeepSeek lançou o modelo DeepSeek R1, que se tornou rapidamente a aplicação gratuita mais descarregada na App Store. O trunfo? Custo de produção abaixo dos 6 milhões de dólares, muito inferior ao dos concorrentes americanos. O impacto na Bolsa foi imediato: a Nvidia, a maior fabricante de chips de IA, perdeu 600 mil milhões de dólares em valorização num só dia.
O que torna o DeepSeek R1 especial?
Capacidade de realizar tarefas complexas de raciocínio;
Eficiência alegadamente superior em matemática e programação;
Engenharia simplificada que reduz custos de computação;
Resultados precisos com menos recursos.
Enquanto o DeepSeek dominou as atenções da semana, outro gigante chinês decidiu mostrar os seus trunfos. A tecnológica Alibaba lançou uma nova versão do seu modelo de inteligência artificial Qwen 2.5, que alegadamente supera o GPT-4 da OpenAI, o Claude 3.5 Sonnet da Anthropic e o Gemini 2.0 Flash da Google em várias avaliações de compreensão de vídeo, matemática, análise de documentos e resposta a perguntas, segundo o TechCrunch.O "momento Sputnik"Nos EUA, Donald Trump anunciou um investimento de 500 mil milhões de dólares em infraestruturas para IA, através da Stargate, uma parceria entre OpenAI, Oracle e SoftBank. A nova entidade, Stargate, vai começar a construir centros de dados e a produção de eletricidade necessária para o desenvolvimento de IA no Texas, segundo a Casa Branca.Citado pela PBS, o venture capitalist Marc Andreessen, cofundador da Andreessen Horowitz, comparou este momento ao "Sputnik" da IA, referindo-se ao satélite soviético que marcou o início da corrida espacial. Para ele, se os EUA não reduzirem a regulamentação, a China pode ultrapassá-los. Será que vamos ver uma mudança na política de IA norte-americana, em que se privilegia o progresso face à segurança? E a Europa?A Comissão Europeia quer evitar ficar para trás e lançou na semana passada a Bússola para a Competitividade. Entre as medidas:
Fábricas de IA para facilitar o acesso a supercomputadores;
Criação do Conselho Europeu de Investigação em IA;
Simplificação de processos administrativos para startups tecnológicas.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alerta que apenas 13% das empresas europeias utilizam IA, o que precisa de mudar. Além disso, os especialistas apontam que a Europa pode diferenciar-se pela eficiência e desenvolvimento responsável, tirando partido de modelos mais leves e especializados.O que esperar?A competição pela liderança em IA está a transformar-se num jogo de estratégia, onde os EUA apostam no poder financeiro, a China na eficiência de custos e a Europa numa abordagem regulada e centrada em inovação responsável. Como disse von der Leyen: "Está em curso uma corrida para liderar a IA. É indubitável."A história completa aqui
_OUTRAS HISTÓRIAS A LER
Reciclar e receber prémios? A Trash4Goods criou um incentivo à reciclagem

Vê aqui o vídeo sobre a Trash4Goods
A startup desenvolveu uma app que recompensa quem recicla, com prémios como Netflix e Spotify Premium. Com menos de um ano de existência e centenas de utilizadores, a empresa já tem 40 mil ecopontos registados em Portugal.Sabe mais sobre a Trash4Goods aquiA ver também
Saúde. A portuguesa Nimble deu o primeiro passo na área do investimento com a participação na ronda de financiamento da Fountain Life, uma empresa norte-americana que deteta cancro, problemas cardíacos e outras doenças antes de se manifestarem.
Investimento. A Beta-i anunciou um investimento de 4 milhões de euros da brasileira FCamara, num acordo que marca o início de uma parceria estratégica entre as duas empresas.
_ NEXT ROUND ON ME

Estados Unidos
Numa altura em que a energia e os centros de dados andam de mãos dadas, a Helion, que desenvolve tecnologia de produção de energia através de fusão nuclear, garantiu 425 milhões de dólares numa série F, atingindo uma avaliação de 5,2 mil milhões. Entre os investidores encontram-se a Lightspeed, o Vision Fund 2 da SoftBank e Sam Altman CEO da OpenAI.
A ElevenLabs, startup de tecnologia de voz com IA, angariou 180 milhões de dólares numa série C liderada pela Iconiq Growth. A empresa de Nova Iorque atinge assim uma avaliação de 3,3 mil milhões de dólares.
A Atalanta Therapeutics, focada no desenvolvimento de tratamentos para doenças neurológicas, levantou 97 milhões de dólares numa série B liderada pela EQT Life Sciences e Sanofi Ventures.
Europa
Com o setor das viagens e turismo praticamente de volta aos níveis pré-pandémicos, a TravelPerk, uma plataforma de gestão de viagens corporativas sediada em Barcelona, garantiu 200 milhões de dólares numa série E liderada pela Atomico, alcançando uma avaliação de 2,7 mil milhões de dólares.
A Swan, startup francesa que ajuda outras empresas a oferecer produtos financeiros em larga escala, assegurou 44 milhões de dólares numa série B liderada pela Eight Roads Ventures. A empresa pode gerar cartões virtuais e físicos que podem ser configurados pelos clientes empresariais.
Ásia
A Meesho, startup indiana que opera uma plataforma de e-commerce, levantou 550 milhões de dólares numa ronda que incluiu investidores como Tiger Global, Think Investments e Mars Growth Capital.
Ainda na Índia, a Leap Finance, startup que ajuda estudantes a estudar no estrangeiro através de empréstimos e outros serviços educativos, garantiu 65 milhões de dólares numa ronda liderada pela Apis Partners, atingindo uma avaliação entre 700 e 800 milhões de dólares.
_ VI ALGURES NA INTERNET
Empréstimos. O Banco de Portugal tem em curso inspeções aos bancos para perceber como estão a fixar os preços nos empréstimos numa altura em que a baixa dos juros vai intensificar a “guerra” pelo cliente.Impostos. A receita com IRC foi das que mais cresceu no ano passado, ultrapassando os 10,2 mil milhões de euros. No entanto, o crescimento foi inferior ao registado em 2024. IVA e ISP também se destacam. Inovação. Estão abertas as candidaturas para uma nova iniciativa de apoio ao investimento em inovação: as Mini Agendas, uma versão mais simples, manobrável e executável das agendas tradicionais do PRR. IRS. O Governo vai anular a obrigatoriedade de declarar no IRS os rendimentos como os juros, mais-valias, dividendos, subsídios de refeição, ajudas de custo ou seguros. Indústria. A produção industrial portuguesa encolheu quase 5% em dezembro do ano passado. A energia foi a principal responsável por esta quebra. Investimento. A gestora de capital de risco portuguesa Apex fez um investimento estratégico na nova liga de futebol indoor Baller League, uma competição de seis contra seis jogadores que combina o desporto de rua e o entretenimento criado por influenciadores digitais.Ideias. A Intelligent Retail Solutions criou um projeto de negócio vocacionado para o comércio e retalho chamado Pick-a-Buy. Na prática, o sistema permite que uma vulgar caixa de correio possa ser um ponto de entrega/recolha de encomendas.
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Escrita e editada por Miguel Magalhães, Gabriel Lagoa e Marta AmaralThe Next Big Idea, 2024