
A Dealflow entrou em Portugal em 2021 e desde aí criou uma plataforma que agrega dados de milhares de startups e projetos de inovação com o apoio da União Europeia. Em 2024, começou também a investir. É o tema principal da newsletter desta semana.
- Miguel Magalhães
Também nesta edição:
Adam, a “Bolt dos pintores” chegou a Portugal.
A portuguesa Tryp.com levantou 3,1 milhões de euros para redefinir o setor de viagens com IA.
As maiores rondas de investimento da semana.
✉️ Partilharam esta newsletter contigo?
Podes subscrevê-la
_ LONG STORY SHORT
Dealflow. Como descobrir startups?

Vê aqui o vídeo sobre a Dealflow
De todo o capital que existe na Europa, apenas 0,01% está a ser investido em startups. Ao mesmo tempo, a União Europeia disponibiliza 100 mil milhões de euros para projetos de investigação sobre os quais nem sempre é fácil encontrar informação detalhada. A falta de capital e de informação criou na Europa uma aversão ao risco, que faz com que a maior parte dos investidores andem sempre atrás uns dos outros no mesmo tipo de negócios. Foram estes desafios que levaram Thijs Povel a criar a Dealflow.Como tudo começouThijs conta que era investidor num fundo e começou a desenhar o projeto entre a Bélgica e a Suiça, mas em 2021 decidiu mudar toda a equipa para Lisboa pelas razões que já conhecemos: bom tempo, boa comida, praia e um custo de vida melhor. Foi em Portugal que iniciaram o desenvolvimento de uma plataforma que combina dados da União Europeia com a Dealroom, criando uma solução white-label que permite ver tanto projetos de inovação e investigação como startups. Ao longo de três anos, através da União Europeia e da ligação a diversos stakeholders, a Dealflow tornou-se mais robusta, contando atualmente com:
Mais de 10.000 projetos e 27.000 investidores registados;
400 fornecedoresde serviços que utilizam a plataforma para encontrar oportunidades de investimento em áreas inovadoras.
O caminho para investirEm 2024, a Dealflow lançou o fundo Venture.EU para investir em startups early-stage, com tickets entre 200 mil e 4 milhões de euros. Thijs identifica um problema crónico: nos EUA, o capital levantado é seis vezes maior do que na Europa, principalmente devido ao ERISA Act de 1974, que permite investimentos de fundos de pensão em venture capital. Na Europa, as diferentes regulações por Estado-membro dificultam este processo, resultando em apenas 0,01% dos 9 biliões (trillion) de euros disponíveis sendo direcionados para venture capital.O que reserva o futuro?A Dealflow está focada em áreas como Clima, Saúde e Inteligência Artificial. Sobre esta última, Thijs alerta para uma possível bolha, aconselhando as startups a não competirem diretamente com gigantes como a OpenAI, mas sim a aproveitarem os seus modelos via API para construir soluções complementares, evitando assim o destino de aplicações que se tornaram obsoletas quando grandes empresas integraram suas funcionalidades. A história completa aqui
_OUTRAS HISTÓRIAS A LER
Adam, a “Bolt dos pintores” chegou a Portugal

A plataforma que conecta pessoas a pintores de interiores certificados soma Portugal aos 10 países onde já operava. O objetivo é simplificar a ligação entre os portugueses e os pintores perdidos nas páginas amarelas.A planear obras em casa? Sabe mais sobre a Adam aquiA ver também
Inteligência Artificial. A startup portuguesa Tryp.com levantou 3,1 milhões de euros em financiamento para desenvolver a sua plataforma de planeamento de viagens com IA. A ronda de investimento foi liderada pela Iberis Capital.
Saúde. A Sword Health anunciou a aquisição da Surgery Hero, uma empresa baseada em Londres que desenvolveu uma solução considerada inovadora de saúde digital na área da pré-habilitação.
_ NEXT ROUND ON ME

Estados Unidos
A Anthropic, dona do popular chatbot Claude, está prestes a receber um investimento de mil milhões de dólares da Alphabet. O novo financiamento complementa os investimentos anteriores da dona do Google na Anthropic, que incluem 2 mil milhões de dólares e uma participação de 10% na startup, bem como um contrato de serviços de cloud entre as duas empresas.
A Retro Biosciences, que desenvolve tecnologia para atrasar o envelhecimento humano, está a angariar mil milhões de dólares num investimento que inclui Sam Altman, CEO da OpenAI. A startup de São Francisco pretende que os seres humanos vivam mais 10 anos do que aquilo que considera ser uma esperança média de vida saudável.
A Harvey, startup de IA para o setor jurídico, está em negociações para angariar 300 milhões de dólares numa ronda liderada pela Sequoia Capital, que avaliará a empresa em 3 mil milhões de dólares.
Europa
Em Londres, a Lindus Health angariou 55 milhões de dólares numa série B. A empresa fornece serviços e tecnologia baseada em IA para gestão de ensaios clínicos, com uma plataforma própria que permite acesso a mais de 40 milhões de registos médicos eletrónicos.
A Vertice, também sediada em Londres, levantou 50 milhões de dólares numa ronda série C. A startup desenvolveu uma plataforma de otimização de gastos para empresas. Desde que foi criada, há três anos, a startup cresceu 13 vezes.
Ásia
A Infra.Market, plataforma indiana de compra e venda de materiais de construção, garantiu 121 milhões de dólares numa série F, atingindo uma avaliação de 2,8 mil milhões de dólares. Nos planos da empresa para este ano está uma entrada em bolsa.
A Ati Motors, também da Índia, angariou 20 milhões de dólares numa série B para desenvolver robôs móveis autónomos. A empresa espera capitalizar o aumento da procura por produção doméstica nos Estados Unidos, na Índia e nas nações do Sudeste Asiático, numa altura em que vários países procuram reduzir a sua dependência da China.
_ VI ALGURES NA INTERNET
Empresas. A NOS comprou a Claranet Portugal, um fornecedor de Tecnologias de Informação, por 152 milhões de euros. Com a aquisição, a NOS pretende reforçar a sua “proposta de valor em áreas de negócio como cloud, workplace, cibersegurança e data & AI, entre outras”.Telecomunicações. Chegada da Digi baixou os preços das telecomunicações no fim do ano. Com uma oferta low cost, a operadora romena conseguiu fazer mexer com o setor nacional, levando a uma descida do custo médio dos serviços em dezembro, face a novembro. No entanto, na comparação homóloga os preços estão bem mais elevados.Finanças. Milhares de IBAN foram alterados na Segurança Social sem conhecimento dos beneficiários. Não se sabe se os acessos provêm de um ataque que ninguém deu conta, se foram usados postos à venda na dark web ou se há interferência interna.Energia. EDP quer reconverter centrais a carvão em Espanha para instalar centros de dados. A intenção foi avançada pelo CFO da empresa, Rui Teixeira, em Davos. Isto num cenário de boom da Inteligência Artificial a nível mundial, o principal motor da procura de eletricidade.Empresas. Ex-CEO do Banco CTT junta-se à nova administração da Caixa. Luís Pereira Coutinho é uma das escolhas de Paulo Macedo para a formação da nova equipa que vai liderar a Caixa até 2028.Transportes. CP compensada em 23,6 milhões por Passe Ferroviário Verde em 2024 e 2025. O valor destina-se "exclusivamente a compensar as obrigações de serviço público decorrentes da criação do Passe Ferroviário Verde", no valor de 20 euros mensais.Mobilidade. O CEO da Brisa quer carregadores elétricos em todas as bombas do país. No entanto, António Pires de Lima alerta que "não se pode pedir às empresas privadas que invistam em negócios que têm uma rentabilidade a 20 ou 30 anos".
🚀 Envia um e-mail para [email protected] para press releases ou pedidos de informações sobre sponsorships na newsletter e nas plataformas The Next Big Idea.
Escrita e editada por Miguel Magalhães, Gabriel Lagoa e Marta AmaralThe Next Big Idea, 2024