
Dos tratores autónomos ao sistema de segurança que dispara bolas de tinta contra intrusos, a CES 2025 voltou a surpreender em Las Vegas. Robôs humanoides amigáveis e cães-robô que respondem ao toque mostram que o futuro outrora retratado pela ficção científica pertence cada vez mais aos consumidores. É o tema da newsletter desta semana.
- Gabriel Lagoa
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O que gostámos mais na CES 2025

A maior feira de tecnologia do mundo, a Consumer Electronics Show (CES), mostrou mais uma vez por que é o epicentro das inovações globais. Realizado em Las Vegas, o evento deste ano trouxe novidades para todos os gostos. Entre sistemas de segurança com paintball à mistura, robôs de companhia que lembram o “I, Robot” e televisões transparentes, a conferência tecnológica deu respostas para todos os que alguma vez pensaram “E se…” Sem mais demoras, destacamos aqui o que mais nos chamou a atenção.Paintball ou videovigilância? Os doisA primeira invenção da lista parece saída do clássico de Natal “Sozinho em Casa” e vem da Eslovénia: um sistema de segurança chamado Eve PaintCam que, em vez de apenas gravar potenciais intrusos, dispara bolas de tinta contra eles.

A empresa apresentou quatro modelos diferentes, incluindo um que foi especialmente pensado para afastar animais selvagens indesejados. O sistema usa reconhecimento facial e deteção de animais através de Inteligência Artificial, e as “munições” incluem desde tinta UV, para ajudar a polícia a identificar intrusos, até “projéteis” com picante. Robôs para todos os gostosNo campo da robótica, a CES 2025 é mais uma prova de que as tecnologias que antes pertenciam ao domínio da ficção científica são agora bem reais. A norte-americana Apptronik apresentou o Apollo à conferência, um robô humanoide de aspeto amigável, com uma cabeça que lembra os primeiros iMacs da Apple, escreve o TechCrunch.

Tal como os outros humanoides de primeira geração, o Apollo irá focar-se maioritariamente no trabalho em fábricas, mas o facto de estar destinado a um ambiente industrial não significa que tenha de ser pouco acolhedor e frio. Ao contrário dos seus “primos” mais sérios e sombrios, o Apollo mostra que os robôs industriais não precisam de ter um visual intimidante. Exemplo disso foram os momentos em que o robô até fez poses para as câmaras.Outro robô, mas de quatro patasHá quem queira adotar um gato ou um cão mas não quer passar horas a fio a aspirar pelos do chão e dos sofás, ou, não tem espaço para ter um animal em casa. A CES 2025 também deu cartas neste departamento com a Jennie, da Tombot. O cão-robô está equipado com sensores que lhe permitem reagir ao toque e dispõe de software de ativação por voz para responder ao dono através de latidos. Os sons, aliás, são gravações de um Labrador com 12 semanas.

Os donos têm acesso a uma
app
que permite dar um nome ao animal, personalizar as suas funcionalidades e monitorizar as interações diárias do utilizador. Este animal de estimação robótico tem como objetivo dar apoio emocional a pessoas com problemas de saúde.
Um jardim que não dá trabalho?
A John Deere, conhecida pelos seus equipamentos agrícolas, dedicou a CES 2025 à autonomia. A marca surpreendeu com um
cortador de relva elétrico autónomo
para uso comercial, com uma bateria que permite até 10 horas de funcionamento e câmaras que oferecem visão em 360 graus.

O equipamento pode mesmo vir a substituir mão de obra humana, pois, segundo o
, a John Deere apoiou-se num relatório que indicava que manter mão de obra qualificada neste setor “era um grande desafio”.
Além deste aparelho, a marca norte-americana apresentou também um trator e um camião basculante autónomos.
_OUTRAS HISTÓRIAS A LER
Já estreou o último episódio de “Beyond The Summit”

Vê aqui o último episódio de "Beyond The Summit"
Será que IA é responsável? Será que está a seguir os interesses da humanidade?
As questões sobre este tema não são poucas, por isso, no terceiro e último episódio de
"Beyond The Summit"
tentámos perceber o que é que Brewster Stanislaw da
Synthesia
, Jon Krohn da
Nebula.io
e Damien Kieran da
Tools for Humanity
pensam sobre o assunto.
Todos os episódios estão disponíveis
.
A ver também:
Meta. Uma tentativa de aproximação ao rival ou a restauração da liberdade de expressão? A Meta acabou com os filtros sobre tópicos que fazem parte do discurso mainstream e volta a adotar uma abordagem mais personalizada sobre conteúdos políticos.
Investimento. Portugal tem uma nova empresa dedicada ao apoio a empreendedores tecnológicos. A Growset quer investir 10 milhões de euros em projetos de Inteligência Artificial e low-code em Portugal e no estrangeiro.
_ NEXT ROUND ON ME

Estados Unidos
A semana foi movimentada nos EUA, com a Anthropic, dona do Claude, a liderar o pelotão com um investimento de 2 mil milhões de dólares, numa ronda liderada pela Lightspeed Venture Partners, o que a deverá levar a uma valorização de 60 mil milhões de dólares. A ronda, que deverá estar para breve, também tornaria a empresa a quinta startup norte-americana mais valiosa, depois da SpaceX, OpenAI, Stripe e Databricks.
Ainda no mercado norte-americano, destaque para a KoBold Metals, que fechou uma ronda série C de 537 milhões de dólares. A empresa, agora avaliada em cerca de 3 mil milhões de dólares, pretende utilizar estes fundos para desenvolver uma mina de cobre em grande escala na Zâmbia, descoberta através de tecnologia de IA.
A Innovaccer captou 275 milhões de dólares numa ronda série F para expandir as suas capacidades de IA na área da saúde, enquanto a Whatnot, uma plataforma de livestream shopping (uma combinação de compras online e transmissões em direto, onde os vendedores utilizam vídeos ao vivo para apresentar os produtos), assegurou 265 milhões de dólares, atingindo uma valorização próxima dos 5 mil milhões de dólares.
Europa
O destaque europeu vai para a Irlanda, com duas empresas a fecharem rondas significativas: a FIRE1 angariou 120 milhões de dólares para desenvolver um implante inovador para monitorização de insuficiência cardíaca, enquanto a XOCEAN garantiu 117 milhões de dólares para expandir a sua frota de embarcações não tripuladas para recolha de dados oceânicos.
Ásia e África
Na frente asiática e africana, a Husk Power Systems prepara-se para uma mega ronda de 400 milhões de dólares em 2025. A operadora de mini-redes solares, que duplicou a sua receita em 2024, pretende expandir a sua presença na Índia e em África, com um possível IPO em 2027 à vista.
_ VI ALGURES NA INTERNET
Empresas. Filipe Silva demitiu-se do cargo de CEO da Galp. O líder da petrolífera sai depois de uma denúncia por suspeita de relacionamento amoroso com uma diretora da empresa. O gestor invocou "motivos familiares" para a demissão.Energia. A Corticeira Amorim e a Greenvolt aliaram-se nas comunidades de energia. As duas empresas assinaram um acordo que vai permitir a criação e gestão de seis comunidades de energia espalhadas pelo país.Comércio. O Lidl investiu mais de 7 milhões de euros no lançamento de uma nova loja na Trofa. A cadeia alemã que é atualmente a terceira maior retalhista de produtos de grande consumo em Portugal abriu a 47ª loja no distrito do Porto.Indústria. A TMG de Famalicão vai construir uma fábrica nos EUA. A empresa de têxteis para a indústria automóvel avança com nova internacionalização que vai “produzir e vender uma gama completa de produtos flexíveis para interiores automóveis de origem local”.Renováveis. A Exus Renewables comprou um parque solar em Portugal à Lightsource BP. A aquisição do parque Cibele, localizado na freguesia de Alcoentre visa reforçar o portefólio europeu de energias renováveis da empresa espanhola.Startups. A Portuguesa Trafero procura investidores para se lançar a novos mercados. A plataforma ajuda os consumidores a reduzir os custos das faturas domésticas, como eletricidade, gás e telecomunicações.
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Escrita e editada por Miguel Magalhães, Gabriel Lagoa e Abílio dos ReisThe Next Big Idea, 2024