
22 de março de 2021
Três perguntas a que a edição de hoje dá resposta:
Que produtos podiam faltar nas prateleiras se o Ever Given não tivesse desencalhado?
Como funcionam as experiências sociais que testam o regresso aos concertos e eventos de multidões?
Quando é que a nossa voz, em português, será completamente entendida pelas máquinas?
Obrigada por nos acompanharem,Rute Sousa Vasco
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Long Stories Short

O Bloqueio do Suez
Quem diria que um barco encalhado poderia ser a principal notícia no mundo dos negócios na última semana. O Ever Given foi o protagonista na maior parte dos meios de comunicação social, depois de ter ficado preso no Canal de Suez, localizado a 120km do Cairo, no Egito, e bloqueado aquela que é uma das mais importantes rotas marítimas do comércio mundial. Os seis dias de duração do bloqueio, que terminou hoje com a embarcação finalmente a retomar a sua rota, parecem pouco no papel, mas podem ter afetado negativamente as cadeias de abastecimento de várias indústrias. Antes da história, um pouco de HistóriaO Canal do Suez foi inaugurado em 1869, depois de ter sido motivo de vários conflitos, incluindo o próprio Império Português com o Império Otomano durante os Descobrimentos. O canal liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, servindo como uma das principais rotas de comércio entre a Europa e a Ásia. Mas não só. Atualmente, estima-se que 12% a 15% do comércio mundial passe pelo Canal de Suez, sendo que, em 2020, passaram por lá cerca de 19.000 barcos (~51 por dia) com cerca de 1.500 milhões de toneladas em mercadorias, de acordo com a Autoridade do Canal de Suez (SCA).
Egito: estima-se que o Canal do Suez, contribua para a economia do país qualquer coisa como 2% do PIB.
Petróleo: em 2020, estima-se que o canal de Suez sozinho tenha sido responsável entre 5%-10% do comércio mundial de petróleo. Imagine o efeito no seu preço e nas indústrias que dele dependem se alguma coisa fosse acontecer a esta rota.
Agora sim, a históriaNa última terça-feira, 24 de março, o porta-contentores Ever Given encalhou no canal e impediu que as centenas de embarcações que por lá passam diariamente pudessem prosseguir as suas rotas. Da China em direção a Roterdão, o navio com 400 metros de comprimento (o equivalente a quatro campos de futebol) acabou, ainda inexplicavelmente, preso nas margens de Suez, que tem apenas 190 metros navegáveis de largura. Com tantos barcos desta dimensão a passar no canal, a surpresa é isto não acontecer mais vezes. Com 220 mil toneladas de mercadorias, avaliadas em 9 mil milhões de dólares, paradas no meio do mar, soaram os alarmes em várias empresas e indústrias, que viram não só os seus produtos incapazes de chegar ao destino, como temeram o que ia acontecer com os navios que “vinham atrás” do Ever Given. Isto porque apesar do incidente ter sido um ótimo catalisador de memes e piadas online, a incerteza de quando é que a situação podia ser resolvida (houve quem dissesse semanas) levou a que empresas corressem o risco de ver o seu negócio ficar, também ele, completamente “encalhado”. Remar contra a maréOs efeitos do “Bloqueio de Suez” só poderão ser completamente analisados nas próximas semanas, quando os atrasos de fornecimento de produtos se fizerem sentir nas lojas físicas ou online. No entanto, há algumas consequências que já podem ser identificadas:
+300: o número de embarcações presas devido ao bloqueio. Nem todas eram porta-contentores como o Ever Given, mas dá para ter uma noção de que estiveram muitos milhares de milhões de dólares simplesmente a flutuar ou a afundar, dependendo da perspetiva.
Rotas familiares: muitas embarcações decidiram não esperar pelo fim do bloqueio e optaram por ir por outros caminhos. Uma das escolhas mais populares? A rota do Cabo da Boa Esperança, realizada por Vasco da Gama na descoberta do caminho marítimo para a Índia. São “só” mais 9 mil quilómetros e sete dias de navegação.
O próprio Canal estimou estar a perder cerca de 14 a 15 milhões de dólares por dia em receitas, devido a taxas que não estavam a ser cobradas.
Exemplos de indústrias afetadas:
Petróleo: redução da oferta >> subida do preço.
Papel higiénico: a empresa responsável por um terço da polpa utilizada na produção dos rolos viu o seu fornecimento ficar preso em Suez >> escassez de papel higiénico
e uma nova histeria nos supermercados.Café: vários dos contentores parados tinham o tipo de café que a Nescafé utiliza para o seu café instantâneo >> menos café nos supermercados e manhãs mais difíceis.
Chá: A empresa holandesa Vans Rees Group, líder de mercado, disse ter 80 contentores parados em 15 navios >> o chá das cinco ficar chá da próxima semana.
Seguros: a maior parte das empresas vai exigir compensação pelos danos causados pelo bloqueio >> um processo complexo de distribuição de culpas e um risco grande de liquidez para algumas seguradoras.
Lições para o futuro: Apesar de todo o desenvolvimento tecnológico observado nas últimas décadas, para qualquer empresa que venda os seus produtos no mundo inteiro, mesmo com a logística mais bem preparada de sempre, a diferença entre lucro ou perda pode ser um barco encalhado.
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Unicórnio$ que comem soja
A ideia de que não há nada como comer um bife do lombo pode fazer sentido na cabeça de muita gente. Mas o que é certo é que, atualmente, o consumo de produtos vegan cresce de dia para dia. A NotCo, uma empresa chilena de proteína vegetal apoiada por Jeff Bezos, é a prova disso.Leite, maionese, gelados e hambúrgueres vegetarianos, e um sistema de Inteligência Artificial patenteado que ajuda a desenvolver novas receitas (e o chairman da Amazon na retaguarda…) foram A RECEITA para arrecadar 120 milhões de dólares (102 milhões de euros).
O primeiro unicórnio do Chile: A empresa prevê tornar-se um unicórnio, obtendo uma avaliação de mil milhões de dólares (848 mil milhões de euros), à medida que se expanda nos Estados Unidos e entre em novos mercados como o Canadá e o México. De momento, a empresa opera apenas no Chile, na Argentina, no Brasil e nos Estados Unidos, mas projeta quadruplicar o número de vendas este ano.
Os números no prato: De acordo com o investidor Lever VC, esta indústria já vale cerca de 22 mil milhões de dólares (cerca de 19 mil milhões de euros) e está ainda projetada para crescer 31% anualmente, alcançando 85 a 140 mil milhões de dólares (72 a 119 mil milhões de euros), nos próximos 10 a 15 anos.
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The Next Big Idea apresenta...

Ensinar máquinas a ler, ver e entender
O percurso de Daniela Braga, fundadora e CEO da DefinedCrowd, é em tudo peculiar. Começou por estudar Línguas e Literaturas Modernas na universidade, mas viu o destino trocar-lhe as voltas, acabando a liderar a área de dados para inteligência artificial da Microsoft. Anos mais tarde, já fora da big tech, decidiu que estava na altura de criar a sua própria startup, onde poderia dar o melhor uso aos seus conhecimentos de linguística juntamente com as competências de engenharia que, entretanto, tinha desenvolvido. O seu percurso, a relação entre a linguística e a inteligência artificial e aquilo que está reservado ao futuro da DefinedCrowd foram alguns dos temas da entrevista completa ao The Next Big Idea que poderá ver no vídeo em destaque.
Saiba mais sobre a DefinedCrowd em www.definedcrowd.com.
Veja os episódios anteriores no nosso canal de Youtube.
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Vi algures na Internet

Príncipe Harry = Chief Impact Officer
Entre CEO, CTO, CFO e outras tantas letras do abecedário que servem para denominar funções de chefia em empresas, é normal que nos possamos sentir confusos com quem faz o quê. Mas, para alguém tão influente quanto o Príncipe Harry, não poderia haver outro cargo se não o de CIO, Chief Impact Office (em português, Diretor de Impacto), que é como quem diz "uma cara muuuito conhecida para dar a conhecer o negócio”.O príncipe e a sua mulher, Meghan Markle, são conhecidos por quebrar por completo desafiar o protocolo da família real britânica e agora o príncipe e Duque de Sussex assumiu mesmo o cargo na startup americana BetterUp, especialista em consultoria laboral e em coaching a funcionários em chats de vídeo e outros formatos interativos.Numa publicação no site da empresa, Harry explica que quer abrir espaço para o diálogo sobre temas críticos em torno "da saúde mental, construir comunidades solidárias e compassivas e promover um ambiente para conversas honestas e vulneráveis". O objetivo, acrescenta, é "ajudar as pessoas a desenvolverem a sua força interior, a sua resiliência e a sua confiança".
O custo da roupa barata
Cadeias como a H&M, a Nike e a Adidas estão a pagar o preço de terem expressado a sua preocupação com a produção de algodão na região de Xinjiang, na China, onde haverá mão-de-obra forçada uigur (uma etnia maioritariamente muçulmana presente no país).O tema já tinha surgido no ano passado, mas agora voltou a borbulhar depois da União Europeia, o Reino Unido, os Estados Unidos e o Canadá terem imposto sanções contra altos funcionários da região de Xinjiang por violação de Direitos Humanos. Nos últimos anos, a China tem sido acusada de tortura e prisão em campos de trabalho forçado contra esta minoria, no entanto Pequim nega tudo e diz que estes são apenas campos de "reeducação" que têm como objetivo combater o terrorismo.Como resposta, o governo chinês está agora a preparar um boicote às marcas que acusaram o país de violação de direitos humanos. Membros do Partido Comunista e celebridades inundaram as redes sociais com críticas, onde os principais alvos são as cadeias de roupa e calçado. Serve de exemplo uma publicação do Ministério dos Negócios Estrangeiros que relembra os tempos de escravatura nos Estados Unidos ou o facto de o cantor Wang Yibo ter terminado o seu contrato com a Nike, afirmando que se opunha "a qualquer ato que manchasse a imagem da China"… Uma bota muito apertada que as marcas vão ter de descalçar num duelo com o país responsável por grande parte do seu crescimento nos últimos anos (e um dos maiores produtores de algodão).
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Projetos que ficaram debaixo de olho 🤩
Se o século XXI desilude, pode sempre voltar ao XIX. Esta é a ideia do casal dono da Galante Vasques, que recuperou dois palácios com uma história ligada ao café e transformou-os num edifício de turismo de habitação que remonta ao século XIX. No mesmo espaço, entre o Intendente e a Graça, haverá também uma loja de produtos a granel ligados ao café e a possibilidade de visitar a única fábrica de torrefação no centro de Lisboa. A pandemia atrasou a abertura ao público, mas o espaço está pronto a abrir no verão.A reinvenção da roda. A expressão é da NASA e serve para descrever a sua mais recente engenhoca: uma roda para bicicletas praticamente impossível de furar. Os pneus Metl foram criados pela mão da startup SMART, que tem uma parceria com a agência espacial norte-americana e devem ser lançados no mercado no início do próximo ano. Este pneu não tem ar e utiliza a tecnologia que foi originalmente concebida para fabricar os pneus dos rovers lunares e de Marte.5 mil pessoas… juntas. Nos tempos que correm, esta frase parece surreal, mas aconteceu em Barcelona, durante um concerto da banda de rock espanhola Love of Lesbian. Os 5 mil espectadores foram sujeitos a testes rápidos antes do concerto e…fora as máscaras (obrigatórias), o cenário é de um espetáculo pré-pandemia. Veja as fotos de pessoas a milímetros de distância aqui.
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É só mais 1 minuto ⌛
O trabalho flexível veio para ficar: é o que diz o relatório da Microsoft sobre Trabalho Híbrido, com alguns números impressionantes. Dois deles estão relacionados com o desafio que a pandemia colocou em termos de burnout e cansaço. Em 2020, o tempo em reuniões no Teams aumentou 148% e, em fevereiro de 2021, foram enviados mais 40.6 mil milhões de e-mails através do Outlook, em comparação com o mesmo período no ano anterior. Os 100 melhores marketplaces do mundo: descubra quais são nesta lista desenvolvida pela VC Andreessen Horowitz. A maior parte das empresas são norte-americanas, mas existem alguns nomes europeus e ainda um brasileiro. NFTs: Nunca a expressão “este tweet vale ouro” fez tanto sentido. O CEO do Twitter, Jack Dorsey, vendeu o primeiro tweet da plataforma (feito por si) pela módica quantia de 2.9 milhões de dólares, através de um NFT. Quem sabe se as Mona Lisas do futuro não serão tweets. O Jogo da Imitação: Alan Turing, o matemático inglês que teve um papel fundamental na 2º Guerra Mundial e que é considerado por muitos como o pai da computação, vai passar a ser a cara das notas de 50 libras, a partir de 23 de junho.
Dois dedos de conversa
Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos que valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.
Pode submeter a sua empresa/projeto em thenextbigidea.pt.
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