

Hoje celebramos a edição #200 da Next e queremos agradecer a todas as pessoas que nos têm acompanhado neste caminho pelo mundo da inovação. O tema principal desta semana são as stealth startups. Estas operam em segredo para proteger as suas ideias, mas também enfrentam desafios na validação de mercado. Falámos com Ricardo Marvão, um dos fundadores da Beta-i, para analisar os prós e contras desta estratégia. - Gabriel Lagoa
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To stealth or not to stealth? Eis a questão

No mundo das startups, há quem prefira operar nas sombras, longe dos holofotes, das capas dos jornais… e do olhar da concorrência. A premissa é simples: quanto menos o público souber sobre o que se está a fazer, menor é a probabilidade de alguém copiar ou antecipar a ideia. Quando uma startup adota esta postura, entra em modo stealth. Mas será esta abordagem realmente eficaz? Será que, ao evitar atenções, uma startup não perde, por exemplo, oportunidades de investimento? Estivemos à conversa com Ricardo Marvão, cofundador da Beta-i, que defende que não é bem assim.O conceito de stealth não é novo e já é há vários anos usado no setor da Defesa. No ecossistema das startups, o termo popularizou-se como uma estratégia para proteger ideias inovadoras e manter uma vantagem competitiva em setores onde ser o primeiro a entrar no mercado pode fazer a diferença. "Os empreendedores que o fazem é porque se trata de uma área em que eles ainda não querem que se saiba o seu produto, ou seja, é porque sabem que, a partir do momento em que o produto sai para o mercado, é facilmente copiado", esclarece o cofundador da Beta-i.
Como identificar uma stealth startup? Cobertas por um manto de secretismo, as stealth startups tornam difícil a sua deteção. Ainda assim, os seus movimentos acabam por deixar um rasto que pode servir de pista para quem as quer encontrar. Marvão conta que “ou conheces os empreendedores e sabes que eles estão a preparar alguma coisa, ou, se saiu de um unicórnio um grupo experiente de quatro ou cinco pessoas e de repente não ouves falar mais nada delas, devem estar a cozinhar qualquer coisa”.
Menos financiamento? Contrariamente ao que se possa pensar, o financiamento não é necessariamente um obstáculo para as stealth startups. Ricardo Marvão explica que muitas destas empresas já asseguraram fundos suficientes para operar em segredo durante meses ou até anos antes de se revelarem ao mercado. O empreendedor acrescenta que, nas fases iniciais, os investidores chegam a valorizar mais os founders do que a própria ideia.
No entanto, há alguns desafios que se colocam às startups que entram em modo
stealth
e fecham-se um pouco na sua bolha:
Desenvolvimento de um produto que pode não refletir as necessidades reais do mercado;
Isolamento excessivo, que limita o diálogo com potenciais clientes e parceiros;
Possibilidade de mudanças externas inesperadas (legislativas ou de mercado).
Sair do modo stealthO momento de sair do modo stealth é frequentemente estratégico, coincidindo com o lançamento oficial do produto. O timing deste anúncio é planeado para maximizar o impacto mediático e de mercado. Esta semana, por exemplo, tivemos o caso da World Labs. A startup foi fundada por Fei-Fei Li, uma professora da Universidade de Stanford que também é conhecida como a “madrinha da IA”. A empresa levantou 230 milhões de dólares e, de acordo com o TechCrunch, está agora avaliada em mais de mil milhões. A World Labs, que planeia ter o seu primeiro produto pronto em 2025, quer desenvolver modelos de IA capazes de compreender e interagir com o mundo 3D.
Em breve na SIC Notícias

A inteligência artificial é a maior revolução do século XXI e nesta série vamos explorar o impacto que está e vai ter em diversas áreas da nossa vida, na sociedade e na economia, através de entrevistas exclusivas a especialistas e case studies portugueses e internacionais.Em parceria com Instituto Superior Técnico (IST) estamos a desenvolver uma série de televisão sobre inteligência artificial no contexto português. Vamos contar as histórias por detrás das principais inovações, desmistificar conceitos e mostrar o talento que existe em Portugal e que nos permite ambicionar ser um polo de inovação no mundo. Uma série com os nossos cientistas, professores, startups e empresas-líder nos vários setores.Teaser para a série disponível aqui
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Escrita e editada por Miguel Magalhães, Gabriel Lagoa e Abílio dos ReisThe Next Big Idea, 2024