
22 de março de 2021
A tecnologia é simultaneamente o mercado dos grandes negócios e das grandes utopias. Uma delas está na base da ideia da internet como um espaço livre de criação e de partilha de conteúdos, acessível a todos. Os últimos anos tornaram claro que negócios e utopias são mundos em colisão de interesses e que um dos grandes desafios passa por encontrar soluções que permitam que não seja apenas uma minoria a lucrar com as ideias e o trabalho de muitos.Nesta newsletter, o tema em destaque é precisamente olhar para um dos ícones da internet e perceber as opções que está a tomar para garantir que o conhecimento é partilhado mas que o custo e o lucro podem ter de ser pensados de forma diferente.Falando de partilha de conhecimento, uma nota para o mini-curso de 3D que disponibilizamos aos nossos leitores em parceria com a Blocks: façam-nos chegar o vosso feedback, digam-nos o que mais gostaram e onde podemos melhorar para podermos ir ao encontro de quem quer saber mais nas várias áreas onde a inovação está a abrir caminhos.Obrigada por nos acompanharem,Rute Sousa Vasco
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Long Stories Short

A Wikipédia diz "show me the moneyy"
A Wikipédia e o Google têm umas das parcerias de maior sucesso de sempre… e também das menos faladas. A Wikipédia foi fundada há 20 anos, sob os ideais de software livre de quaisquer interesses comerciais que pudessem comprometer a divulgação de informação em mais de 300 línguas, como a plataforma faz hoje.Contudo mudam-se os tempos e mudam-se as vontades, e a verdade é que olhando para as principais tecnológicas atuais - Google, Facebook, Apple e Amazon - todas usam de algum modo a Wikipédia para melhorar produtos ou serviços que desenvolvem, sem gastar um único cêntimo:
Os assistentes virtuais Siri (Apple) e a Alexa (Amazon) são desenvolvidos com base nos dados presentes na Wikipedia para responderem às questões que milhões de utilizadores colocam no mundo inteiro.
O Facebook utiliza a Wikipédia como uma das plataformas de fact-checking para as potenciais fake news que são publicadas e difundidas na rede social.
Se pesquisar algo no Google, o mais provável é que um dos primeiros resultados que lhe apareça, seja um artigo da Wikipédia relacionado com o tema que procura saber mais. Adicionalmente, o Google também usa a plataforma para fazer fact-checking ao YouTube e às informações presentes nos seu Google Maps.
WaaS: Wikipedia as a ServiceSegundo dados da Wikimedia Foundation, organização não-lucrativa responsável pela Wikipédia, o tráfego para a plataforma estagnou nos últimos anos. Para uma organização que depende de donativos isto é preocupante, dado que significa que não pode comunicar a mais pessoas aquela que é a sua principal e única “receita”.Em 2021, a Wikimedia Foundation estima que cerca de 8 milhões de utilizadores irão fazer, em média, uma doação de 15 dólares (um total de 90 milhões de dólares) à Wikipédia. Para termos comparação, em 2019, a empresa tinha conseguido perto de 122 milhões de dólares em donativos. A pandemia e as dificuldades económicas de muitas famílias levam a que haja menos donativos, o que contribui para um cenário mais negativo para a plataforma. Daí surge a necessidade de diversificar as receitas e de esquecer um dos valores de base: “produtos com intuito comercial jamais”:
O potencial: a Wikipédia é o décimo terceiro site mais visitado da Internet inteira. Apesar dos milhões de pessoas que
a utilizam para trabalhos escolaresa lêem todos os dias, a plataforma rejeitou sempre lucrar com anúncios ou potenciais subscrições.Como é que as Big Tech tiram proveito? Através de uma API (explicação powered by Wikipédia aqui), uma série de rotinas e padrões que um software/site estabelece para que outras entidades possam utilizar os seus dados, que é renovado de duas em duas semanas. O problema é que esta funcionalidade é pouco refinada por não ter uma equipa especializada na mesma, o que leva a que as empresas que decidam utilizar os dados da Wikipédia tenham de fazer um esforço adicional para a integrar nos seus serviços.
E assim chegamos à Wikimedia Entreprise API: um produto comercial desenvolvido pela recém-criada Wikimedia LLC, uma subsidiária com fins lucrativos, na qual fornece às empresas APIs personalizados consoante a utilização que queiram dar aos dados por si fornecidos. Curiosamente, este serviço SaaS já não vai estar alocado nos servidores da Wikimedia, mas sim na Amazon Web Services. É a chamada permuta de serviços.
Olhando para a frente: Para as empresas (como tudo) é uma questão de tempo e dinheiro - ou decidem receber os dados da Wikipédia “todos ao molho” de graça e organizam-nos por elas próprias depois, ou compram um produto onde estes já estão prontos a ser usados como desejam. Para os utilizadores, não muda nada e a Wikipédia vai continuar a depender em grande parte dos seus donativos e das suas pesquisas sobre a filmografia de atores de Hollywood.
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Um filtro de bons negócios
Já quase ninguém usa o Snapchat… em Portugal. Noutros países a conversa é um bocadinho diferente, mas a verdade é que, depois de ter sido copiada praticamente por todas as plataformas, previu-se o pior para a plataforma. Contudo a rede social, que nos introduziu as stories pela primeira vez, foi capaz de se reinventar e, hoje em dia, é uma das empresas tecnológicas em maior crescimento nos EUA.O Snapchat tem, de momento, 265 milhões de utilizadores (+22% comparado com o ano passado), que acedem em média 30 vezes por dia à aplicação. E está agora a procurar seduzir novos e atuais utilizadores com a aquisição da Fit Analytics, uma startup alemã virada para serviços de e-commerce, que trabalha para 18 mil lojas, algumas delas tão sonantes como a Lacoste, a Hugo Boss, a Tommy Hilfiger ou a Pull&Bear. De uma forma resumida, a plataforma ajuda os consumidores a escolher os tamanhos certos para roupas compradas online.
A jogada do Snapchat é entrar no mundo do e-commerce, depois de uma situação pandémica mundial em que toda a gente passou a comprar tudo através de um clique. Esta aquisição não podia ser feita em melhor altura, numa rede onde a Geração Z está presente em peso : 90% dos jovens norte-americanos entre os 13 e os 24 anos está no Snapchat, o que representa cerca de 271 mil milhões de euros de poder de compra direto.
A oportunidade: De acordo com um estudo do banco de investimentos Piper Sandler, 40% dos gastos dos adolescentes norte-americanos no outono de 2020, estiveram relacionados com o Selfie Budget, ou seja, o ato de fazer compras ligadas à aparência como a roupa, o calçado, cosmética e outros acessórios. “Se puderem fazê-lo na nossa plataforma e partilhar logo a seguir era perfeito”, pensou o Snapchat.
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The Next Big Idea apresenta...

O que sabe sobre impressão 3D?
Tudo começou com um estágio de um mês. Duarte Bragadesto era apenas um aluno da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa com um interesse por impressão 3D à procura da primeira experiência profissional.Descobriu a Blocks, uma empresa portuguesa de impressão 3D, candidatou-se e durante um mês fez um estágio que passou a voar. Depois de um verão dedicado à apanha da fruta, onde conseguiu juntar algum dinheiro, decidiu que era altura de ter a sua própria impressora 3D em casa e nada melhor do que aquelas com as quais já tinha trabalhado.Quando se estava a preparar para comprar a impressora, teve outra ideia: em vez de gastar as suas poupanças, decidiu oferecer-se para trabalhar na empresa full-time e em troca receber uma impressora. Mal sabia que uns anos mais tarde, em 2021, se tornaria CEO da empresa, agora a crescer em países na Europa, na América do Sul e em África.A Blocks foi um dos projetos em destaque no episódio mais recente do The Next Big Idea e no vídeo em cima poderá assistir a uma aula de iniciação sobre como se trabalha com uma impressora 3D, com o Co-fundador da empresa, Alexandre Guerreiro.
Saiba mais sobre a Blocks Technologies em www.blockstec.com.
Veja os episódios anteriores no nosso canal de Youtube.
Onde ver o programa: todos os sábados às 9h45 e todos os domingos às 16h45, na SIC Notícias.
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Vi algures na Internet

Chamemos-lhe "um Instagram para crianças"
Conscientes de que explorar o tema dos perigos da Internet para os mais novos ocuparia uma newsletter inteira, damos apenas a notícia de que o Instagram está a desenhar uma rede social semelhante, mas para menores de 13 anos. A política atual da plataforma proíbe crianças abaixo desta idade de usar o serviço, mas é sabido que há milhares de crianças até aos 12 anos com contas de Instagram, expostas a possíveis abordagens maliciosas e conteúdos inapropriados para a sua idade.O anúncio da criação desta nova plataforma é feito dias depois do Instagram admitir que tinha de se esforçar mais no sentido de proteger os utilizadores mais novos. As declarações por parte da rede social foram feitas numa publicação no site oficial do Instagram com o título "Vamos continuar a tornar o Instagram mais seguro para os membros mais jovens da nossa comunidade".Nesta publicação, não tinha sido feito qualquer anúncio relacionado com a criação de uma rede para crianças. Mas podia ler-se: "exigimos que todos tenham, pelo menos, 13 anos para utilizar o Instagram e pedimos aos novos utilizadores que nos informem sobre a sua idade assim que se inscrevem". Na mesma nota, lê-se ainda: "apesar de muitas pessoas serem honestas sobre a sua idade, sabemos que há pessoas mais jovens que mentem sobre a sua data de nascimento".
Mais uma cópia do TikTok
Depois de a Netflix anunciar uma ferramenta para competir com o TikTok, a Fast Laughs, é a vez do Youtube se chegar à frente com algo parecido. A liderança da rede social chinesa no número de downloads de apps feitos em 2020 parece ser uma ameaça para os maiores gigantes tecnológicos norte-americanos. Por isso, o YouTube responde agora com a sua mais recente criação: o YouTube Shorts.Se o objetivo era ter um modelo de apresentação de conteúdos semelhante ao do TikTok (que tem vídeos de 1 minuto no máximo), BINGO! O nome não engana (short = curto, em português). Esta plataforma tem todos os ingredientes para ser mais um clone da rede social que teve um boom gigante com a pandemia: ferramentas que facilitam a criação de conteúdos, uma ampla seleção de músicas, uma ferramenta de legendagem e um mar de vídeos curtos infinitos que aparecem ao utilizador através de um algoritmo de recomendações (nota: o algoritmo do Tik Tok foi considerado uma das grandes inovações que vão mudar 2021). ´Ficou curioso com o Youtube Shorts? Então vai ter de esperar. A plataforma foi lançada na última semana em versão beta nos Estados Unidos, sendo que já está disponível na Índia (onde o TikTok foi mesmo banido) há vários meses. Pode ser que quando chegar a Portugal já haja outras apps e redes a tentar dar resposta ao crescimento do TikTok.
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Projetos que ficaram debaixo de olho 🤩
Dar visibilidade a qualquer artista. Este é o conceito da Be Brightbook, uma plataforma onde qualquer criador pode publicar os seus livros digitais (e entenda-se livros como livros convencionais, álbuns de música, trabalhos multimédia, cursos online, etc.). O site funciona como uma montra para todo o tipo de autores e tem uma biblioteca digital onde estes podem vender as suas obras. A Be Brightbook tem também funcionalidades como o trabalho colaborativo entre autores e a organização de eventos. Saiba como aqui.Uma nuvem que vale 5.8 mil milhões de dólares: a Airtable. O serviço de colaboração em cloud onde os utilizadores podem criar e personalizar bancos de dados (uma espécie de Excel com mais funcionalidades) foi avaliado em cerca de 4,9 mil milhões de euros, depois de uma ronda de investimento de 270 milhões de dólares (227 milhões de euros). A startup tecnológica já tem mais de 250 mil utilizadores e o seu objetivo é “roubar” clientes B2B à Microsoft (cresceu 350% neste segmento no último ano).Pense duas vezes antes de respirar. Nunca como nos tempos em que vivemos houve tantas oportunidades para "panicarmos" ao pensar no ar que respiramos. Não é por isso de estranhar que durante a pandemia tenha crescido a procura por purificadores de ar (e a publicidade enganosa associada a isso também), sendo que este produtos chegaram a ser os mais procurados do Wirecutter, uma plataforma de reviews do New York Times. Entre a ascensão de vários produtos destaca-se o Molekule, uma empresa fundada por uma família de cientistas na Flórida, que promete uma tecnologia de purificação de ar revolucionária e já impressionou a Apple. Um aparelho Molekule custa cerca de 671 euros, um Molekule Pro custa cerca de 940 euros e um mini custa cerca de 419 euros. Respirar ar puro tornou-se um luxo.
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É só mais 1 minuto ⌛
Clubhouse: Será que o Clubhouse já atingiu o pico de popularidade em Portugal? Ainda é cedo para saber, mas veja aqui um conjunto de dicas sobre como as marcas se podem posicionar nesta rede social.Quem é o mais feliz? A ONU desenvolve todos os anos o World Happiness Report, onde faz o ranking dos países mais felizes do mundo. Surpreendentemente, pouco mudou de 2019 para 2020.Como escapar do Zoom? As reuniões por videochamada tornaram-se numa realidade à qual é difícil escaparmos no nosso dia a dia. O Zoom Escaper foi criado para ajudar nesse processo, de acordo com este artigo do The Verge, aparentemente, através de sons de bebés a chorar e problemas de áudio falsos.Era uma vez a Talkdesk: Leia a entrevista completa a Cristina Fonseca, agora sócia da Indico Capital Partners, ao The Next Big Idea, onde falou sobre o progresso da startup que fundou, o mundo do venture capital e os desafios que as mulheres continuam a enfrentar nas áreas da inovação e da tecnologia.
Dois dedos de conversa
Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos que valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.
Pode submeter a sua empresa/projeto em thenextbigidea.pt.
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