16 de novembro de 2020  

A newsletter de hoje traz tão necessárias boas notícias. Ainda não é um "Habemus Vacina", mas o caminho para a resolução da maior crise sanitária do século XXI poderá começar agora a ganhar contornos mais animadores. No episódio desta semana do "The Next Big Idea" falámos da também tão necessária atenção à saúde mental com destaque para a startup  Hug-a-Group que começou porque Pedro Marques, o fundador, sabe bem o que é sentir na pele a ansiedade - teve o primeiro ataque de pânico aos 15 anos e hoje está à frente de um projeto cujo lema é "não voltes a sentir-te sozinho". Obrigada por descobrirem connosco o que vem a seguir. Na Next. Rute Sousa Vasco

Long Stories Short

 Vacinas à vista?

Depois de vários meses a aguardar por uma luz ao fundo do túnel, podemos finalmente ter dois pequeninos pontos iluminados a indicar-nos o caminho. A Pfizer (juntamente com a empresa alemã BioNTech) e a Moderna apresentaram, nos últimos dias, os resultados dos testes com as vacinas que estão a desenvolver e pode-se dizer que foram... animadores. Com taxas de eficácias acima dos 90%, representam as maiores esperanças de termos uma proteção contra o coronavírus e de podermos começar a deixar tempos mais negros para trás. Mas atenção: apesar da sua aprovação poder estar para breve a sua distribuição pelo mundo inteiro poderá demorar até um ano. Contudo vamos olhar mais de perto para cada uma destas vacinas e perceber o que podemos esperar 1) dos seus testes e aprovação, 2) em termos de desempenho, 3) em termos de conservação e distribuição e 4) e de quando pode chegar a Portugal. Vacina da Pfizer/BioNTech

  • Testing, please: Os testes foram realizados em seis países e participaram mais de 44.000 mil pessoas, em que uma metade recebeu a vacina e outra recebeu um placebo (para entender o real efeito da vacina). Desta amostra, 94 testaram positivo para o coronavírus sendo que a maior parte destes casos veio do grupo que tomou o placebo. No geral, a vacina registou uma eficácia de 90%. Os testes vão continuar até que sejam identificados 164 casos de Covid-19 e os participantes serão monitorizados durante os próximos dois anos.

  • Como funciona? Ao contrário do que é normal nas vacinas, esta não se limita a injetar um pouco do vírus dentro do nosso sistema imunitário. Pelo contrário, o que faz é uma passagem do código genético do vírus, o que leva a que seja criada uma proteína e essa sim vai criar células protetoras contra o vírus. Outra diferença, é que uma dose não é suficiente e a vacina tem de ser tomada em duas, com um intervalo de 3 semanas.

  • Quantas há? A Pfizer diz ter até ao fim do ano entre 40 a 50 milhões de doses, o que significaria que entre 20 a 25 milhões de pessoas poderiam ser vacinadas, sendo que a prioridade seriam trabalhadores na área da saúde e doentes de risco. Para 2021, a Pfizer promete a produção de 1.3 mil milhões de vacinas que, mesmo assim, não daria para toda a gente.

  • O senão: Para períodos longos de conservação (> 15 dias), a vacina tem der ser conservada a -70 graus Celsius (o que não é tarefa fácil). Para isso, a Pfizer criou um refrigerador especial que poderá “guardar” a vacina quando começar a ser distribuída.

 Vacina da Moderna

  • Testing, please: na experiência da Moderna participaram cerca de 30.000 voluntários que passaram por um processo muito semelhante ao realizado nos testes da Pfizer. Metade recebeu a vacina e outra metade recebeu um tratamento placebo. Da amostra total, 95 pessoas acabaram por testar positivo para o vírus, o que representou uma eficácia de 94.5% no grupo que tomou a vacina. Os testes irão continuar até serem atingidos 151 casos de Covid-19, sendo que os envolvidos já contam com dois meses de monitorização.

  • Como funciona? O processo é em tudo semelhantes ao da Pfizer/BioNTech mas com uma diferença. As duas doses que têm de ser tomadas, em vez de terem um intervalo de 3 semanas, têm um intervalo de 4. Por outro lado, uma das “vantagens” da vacina da Moderna é a sua conservação: ao contrário da Pfizer, pode ser conservada por longos períodos a apenas -20 graus Celsius e pode ser guardada num refrigerador normal até um mês.

  • Quantas há? De acordo com a Moderna, terá 20 milhões de doses até ao fim do ano (o que daria para 10 milhões de pessoas) e conseguirá produzir perto de mil milhões de doses em 2021 (para 500 milhões de pessoas). A prioridade serão também os trabalhadores na área da saúde e os doentes de risco.

  • O senão: a menor quantidade face à Pfizer. No entanto, neste caso não se trata de uma guerra comercial, mas sim de fazer chegar o maior número de vacinas ao maior número de pessoas nos próximos meses.

Próximos passos e outras questões

  • Conseguir aprovação de emergência: Espera-se que, até ao fim deste mês, a FDA (Food and Drug Administration), entidade americana que decide se as vacinas poderão ser comercializadas ou não, possa “dar o ok” a ambas. Para isso, terá de rever dois meses de dados relativos a cada participante em cada uma das experiências.

  • Iniciar processos de distribuição: tanto a Pfizer como a Moderna, já têm acordos de distribuição não só com os EUA, mas também com outras nações, que poderão ser iniciados assim que se der a aprovação das vacinas.

  • Há mais vacinas a serem desenvolvidas? Sim, no total estão em curso cerca de 48 projetos no mundo inteiro (incluindo a Pfizer e Moderna), por isso não será uma surpresa se mais empresas anunciarem resultados das suas experiências nos próximos dias.

  • Quando é que as vacinas chegam a Portugal? Para já é incerto, visto que as vacinas que chegarão ao nosso país virão dentro de um acordo feito pela União Europeia. Mas a esperança é que durante a primavera possamos ter acesso às primeiras doses.

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Vi algures na Internet

 Um Twitter sem filtros 

Uma app descrita como "um clone conservador do Twitter" pelo The Verge teve mais de 1 milhão de downloads desde o dia das eleições dos Estados Unidos. Trata-se da Parler que foi criada em 2018, e, ao contrário de outras redes socias, recusa-se a moderar o conteúdo, ou seja: recusa-se, por exemplo, a apagar a publicação de um utilizador, mesmo que esta seja ofensiva. A Parler, que já é número 1 no ranking de apps gratuitas da App Store da IOS e no ranking do Google Play, tem funcionado como um espaço nuclear para protestos depois da derrota de Donald Trump. É nesta rede que muitos eleitores conservadores têm levado a cabo a campanha "Stop de Steal" (traduzindo para português: "Parem de Roubar"). Muitas figuras de renome conservadoras apelaram mesmo à adesão a esta rede, mostrando o descontentamento da moderação feita em redes como o Twitter ou o Facebook.

 Covid não dá saúde, mas às vezes faz crescer 

Foi o que aconteceu com a startup de organização de eventos online Hopin, que já está avaliada 2 mil milhões de dólares (cerca de 1,7 mil milhões de euros), tal como se lê na TechCrunch. Com a emergência da pandemia, que levou a que muitos eventos se realizassem via digital, a companhia passou de quatro funcionários a 200 desde o início de 2020 e tem agora como meta contratar mais 600 pessoas em 2021. A empresa tem receitas de 20 milhões de dólares (cerca de 17 milhões de euros) e já tem mais de 3,5 milhões de utilizadores, tornando-se assim uma das startups em crescimento mais rápido de todos os tempos. E apesar da luz ao fundo do túnel que prevê uma vacina contra a COVID-19 para breve, a Hopin acredita que pode ser um apoio à economia pós-coronavírus através da realização de eventos híbridos entre o presencial e o tecnológico.

The Next Big Idea apresenta..

 Um abraço virtual, mas reconfortante 

Mesmo sem sabermos se o confinamento decretado para o fim de semana que passou e para o próximo poderá evoluir para algo mais, a verdade é que a depressão e a ansiedade foram duas condições que viram aumentos preocupantes durante a pandemia, acompanhados por recordes de vendas de antidepressivos e ansiolíticos. A Hug-a-Group esteve em destaque no último episódio do nosso programa e tem uma solução diferente: tratar estas condições em grupo, com pessoas que possam estar a passar por problemas ou traumas semelhantes. Tudo através de sessões online com a sua plataforma, em que grupos pequenos não só dividem entre si o preço normal de uma consulta com um psicólogo, como podem estar num ambiente mais seguro para exporem as situações que os preocupam, tudo de forma anónima. Com a Hug-a-Group, a saúde mental não tem de ser algo assustador e pode ser tratada e protegida como D’Artagnan e os seus Três Mosqueteiros: um por todos e todos por um. A app da Hug-a-Group está disponível na App Store e na Loja Android.

  • Saiba mais sobre esta startup portuguesa em hugagroup.com

  • Reveja o primeiro episódio da nova temporada aqui.

  • Onde ver o programa: todos os sábados às 9h45 e todos os domingos às 16h45, na SIC Notícias.

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Comprar sozinho > Comprar mal acompanhado 

11 de novembro, em Portugal Dia de São Martinho, no resto do mundo Single’s Day (Dia dos Solteiros). A ideia de alguém oferecer um prenda a si mesmo é um ato de amor-próprio (tal como nos Dia dos Namorados se oferece uma prenda ao companheiro), mas também uma golpada de marketing genial. Os números não mentem, já que este dia costuma registar valores de vendas superiores às da Black Friday. Este ano, a Alibaba registou 74 mil milhões de dólares (cerca de 63 mil milhões de euros) em vendas, duplicando o montante do ano anterior, como explica o artigo da Business Insider. A empresa de e-commerce chinesa foi responsável pela criação deste dia e este ano estendeu, pela primeira vez, o evento a quatro dias e contou com a participação de mais de 250 mil marcas e 800 milhões de consumidores! O Single’s Day conseguiu tornar-se o maior evento de compras online do mundo e espera-se inclusive, que leve a uma diminuição de vendas na Black Friday e na Cyber Monday. No ano passado, esta tendência já se tinha registado, com o “Dia dos Solteiros” a bater recordes e a fazer os outros eventos de mega descontos comer pó dos produtos que ficam nas prateleiras. Veja os números neste artigo do Yahoo!Finance.

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Projetos que ficaram debaixo de olho esta semana 🤩

  • Gosta mas não sabe se lhe fica bem? O The Next Big Idea já tinha falado com a Tailor It, e hoje, devido à pandemia, voltamos a falar sobre a empresa que desenvolveu uma app através da qual o cliente consegue visualizar a roupa no seu corpo antes de a encomendar. Basta fazer um scanner ao corpo com um vídeo e selecionar uma peça de roupa de uma das lojas parceiras, podendo depois rodar, ampliar e ver outros detalhes. Deste modo, é possível comprar aquelas calças ou aquela camisola de que gostámos muito, com a certeza de que nos assenta bem no corpo. O custo? Fica do lado da loja, que paga em função de cada peça vendida.

  • E se o café virasse cogumelo? Parece absurdo, mas é só inovador. A Delta Cafés (multinacional portuguesa especializada em produção de café) e a NÃM (start-up de um belga que estudou na Católica Business School) juntaram-se para produzir cogumelos orgânicos através de borra de café. A ideia surgiu pela mão do empreendedor da Bélgica e teve um empurrãozinho da gigante de Portugal. Hoje, é em Marvila que funciona a primeira quinta de economia circular em Portugal, que reutiliza desperdício alimentar. Saiba mais neste artigo do The Next Big Ideia.

  • Queda de cabelo, disfunção erétil, COVID-19 – nada a ver, certo? Errado. A empresa Hims construiu um império de cerca de 1,6 mil milhões de dólares (cerca de 1,35 mil milhões de euros) através da venda de produtos para a queda de cabelo e disfunção erétil e, mais recentemente, de testes à COVID-19. A companhia com 3 anos, de São Francisco, designa-se como uma "empresa de cuidados de saúde para homem", e, na compra dos medicamentos capilares, oferece cupões de desconto para uma versão genérica dos famosos compridos azuis. O visual do site ao estilo rede social (cheio de emojis de beringelas e fotos de catos) procura aliviar estas condições de saúde com uma estética de rede social. No entanto, a polémica em torno do negócio já foi levantada, já que a Hims facilita, talvez em demasia, a prescrição de medicamentos. Leia este artigo da Bloomberg para perceber como.

É só mais 1 minuto ⌛

  • O Instagram fez uma makeover: o Instagram introduziu um novo visual na sua plataforma, que privilegia, entre outras coisas, a sua nova funcionalidade Reels (aka sósia do TikTok) e a funcionalidade de Shopping, que muitos analistas dizem poder competir com a Amazon. Descubra mais mudanças neste vídeo.

  • Estou a ver unicórnios: não estamos a alucinar, trata-se apenas do número de empresas que atingiram uma valorização acima dos mil milhões de dólares em 2020. Verifique aqui a lista.

  • Testes psicométricos não servem só para recrutamento: descubra neste quiz qual a personagem, seja de filmes seja de séries, que mais se assemelha consigo.

Dois dedos de conversa

  • Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos que valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.

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