15 de março de 2021  

A entrevista com Cristina Fonseca, uma das fundadoras da Talkdesk e atual partner da Indico Partners - passe o pleonasmo - é um "must see" da edição desta semana da nossa newsletter. Uma voz lúcida e desassombrada sobre o que precisamos fazer para ter mais mulheres no mundo da tecnologia, o que precisam as startups para ter sucesso no ciclo dos próximos 10 anos e o desafio que Portugal tem pela frente para reter talento e para conseguir promover a inovação das pequenas às grandes empresas.Obrigada por nos acompanharem,Rute Sousa Vasco

Long Stories Short

 O futuro está próximo 

Há 20 anos que o MIT Technology Review reúne uma lista de tecnologias disruptivas que vão de alguma forma impactar o futuro a curto e a longo prazo. Num ano em que a nossa dependência da tecnologia nunca foi tão visível, é interessante observar que outras coisas poderão estar ao nosso alcance na forma como vivemos em sociedade e enfrentamos alguns dos principais problemas que nos são colocados. Decidimos destacar três: What else? As vacinas mRNA Muito se tem questionado a rapidez com que as vacinas para combater o coronavírus foram testadas e desenvolvidas. Por norma, o processo para que uma vacina chegue ao mercado e fique disponível ao grande público costuma ser mais demorado e a verdade é que, nove meses após a Organização Mundial de Saúde ter declarado estado de pandemia, várias começaram a ser aprovadas. Isto foi possível graças a uma tecnologia, a mRNA ou Messenger RNA que já estava a ser desenvolvida há 20 anos e que que viu no Covid-19 uma oportunidade (se é que se pode chamar isso) de ter uma aplicação prática. Ao contrário da forma tradicional de produzir vacinas, que utiliza partes vivas ou não do vírus para treinar o nosso sistema imunitário a proteger-se, a tecnologia mRNA utiliza uma molécula intermediária que não faz mais do que passar cópias de genes entre células que depois são criadas para desenvolver proteínas. Ou seja, este tipo de vacina não transmite parte do vírus, mas sim cópias de genes do vírus que quando adicionadas às nossas células desenvolvem uma proteína que não nos deixa doentes, mas que é suficiente para criar uma resposta imunitária forte que, a partir daí, nos protege contra o Covid-19.

  • Potencial gigante: Já estão a decorrer vários estudos para perceber se a mesma metodologia pode ser aplicada no tratamento a outras doenças infecciosas e mesmo a alguns cancros. Seriam ótimas notícias!

 O Algoritmo do TikTok Como assim aquelas danças esquisitas são o futuro da Humanidade? Não é bem por isso, mas sim pela forma como a plataforma chinesa veio revolucionar a chamada creator economy (economia criativa). Até ao aparecimento do TikTok, a maior parte das redes sociais tinham sido desenhadas para dar maior importância a conteúdos que, no ponto de partida, já tinham uma probabilidade maior de interessarem a um público maior. Isto criava desafios a novos criadores de conteúdos que tentavam ver os seus conteúdos tornarem-se virais numa liga que não privilegiava a sua descoberta. Na secção “For You” do TikTok, já terá reparado que tanto aparecem vídeos com milhões de views como vídeos com poucas dezenas de interações: isto acontece porque o algoritmo dá a oportunidade para que qualquer conteúdo seja sempre visto por um pequeno nicho de utilizadores (com base nos seus interesses) e, posteriormente, é a resposta que dão que determina o sucesso de um conteúdo e a probabilidade de um criador ser descoberto. Por outro lado, o facto de a plataforma ser composta por vídeos curtos de 15 a 60 segundos, leva a que vários conteúdos possam ser consumidos num curto espaço de tempo e que o algoritmo possa aprender sobre interesses mais rapidamente.Se o número de followers é um critério importante no ranking dos conteúdos? Sim, no entanto não é o que mais importa. É a proporção do vídeo que é vista que sinaliza ao algoritmo se o vídeo deve ser ou não mostrado a mais pessoas. Parece justo!

  • Sem surpresa: para se tornarem mais amigas dos criadores, a maior parte das plataformas estão agora a adaptar o seu algoritmo para que possam recomendar conteúdos de uma forma mais parecida ao TikTok. Algumas criaram inclusive réplicas como o Reels do Instagram ou o Spotlight do Snapchat.

 O preço da confiança Nos últimos anos, têm-se acumulado os casos em que os nossos dados são utilizados de uma forma errada pelas principais empresas tecnológicas. Há anos que o Facebook garante que vai melhorar as suas políticas. Na semana passada, a Microsoft viu os seus servidores serem ciber-atacados, com milhares de contas a serem indevidamente acedidas. Também nessa semana, o Google tomou uma posição contra a utilização de cookies e a recolha de dados da atividade online dos seus utilizadores. O GDPR deu uma ajuda, mas tudo isto parece insuficiente na proteção da nossa privacidade, ainda muito dependente da paciência de cada um para ler as letras pequeninas dos “Termos & Condições” (que na maior parte das vezes é inexistente). Uma solução para o futuro? Os data trusts. É uma alternativa que muitos governos estão a explorar e que consiste na criação de uma organização/plataforma online que gere os os nossos dados por nós, com incentivos para que o façam tendo em conta os nossos interesses e não do das empresas que os recolhem. Neste contexto, faz sentido utilizar o cliché “a união faz a força”, visto que, assim, uma empresa que utilizou dados de utilizadores de uma maneira ilegal já não lidaria com protestos individuais, mas sim com uma queixa coletiva de uma entidade legal responsável por gerir as informações de milhões de pessoas. Apostamos que algumas empresas pensariam duas vezes antes de se “portarem mal”.

  • Alguns senãos: a estruturação deste data trusts e a definição dos seus poderes levantam obviamente muitas questões que terão de ser endereçadas para encontrar o melhor modelo possível. Mas é um tema do qual não vamos demorar muito tempo a ter novidades.

E as restantes tecnologias? Poderá ler na lista completa da MIT Technology Review e dizer-nos qual aquela que terá mais impacto na próxima década.

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 Não é $ó mais uma 

Passado um ano de pandemia, com lojas físicas fechadas durante meses, é rara a pessoa que ainda não fez nenhuma compra online. Tem-se assistido à valorização de várias empresas de e-commerce e a sul-coreana Coupang veio juntar-se à lista, ou melhor… listou-se… na Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE). E não é só mais uma!As ações da empresa dispararam na estreia nos mercados americanos e a fortuna de Bom Kim, desistente de Harvard e CEO, foi avaliada em 8,6 mil milhões de dólares (mais de 7 milhões de euros). Deste modo, criou-se mais um multimilionário e a Coupang tornou-se a maior companhia asiática listada em bolsa nos Estados Unidos desde a Alibaba, em 2014.A empresa, sediada em Seoul, na Coreia do Sul, foi criada em 2010 e, no ano passado, viu as suas receitas praticamente duplicar, apesar de ter acabado 2020 com prejuízos. Aquela que é frequentemente referida como "a Amazon da Coreia do Sul" garante que agora vai distribuir pela sua equipa de logística e de entregas (+ de 15 mil pessoas) 90 milhões de dólares (cerca de 75 milhões de euros) em ações.

  • Já ouvi isto antes: A Coupang é conhecida pelo seu “rocket service”, serviço com portes grátis que permite que as encomendas cheguem em poucas horas ou no dia seguinte à porta dos consumidores. Contudo, surgiram alguns rumores de que alguns trabalhadores poderiam não estar a ser tratados da melhor maneira.

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The Next Big Idea apresenta...

 3 mil milhões de dólares depois 

Poucas pessoas viveram tão de perto a evolução do ecossistema de startups em Portugal. Em 2011, Cristina Fonseca estava a terminar os estudos no Instituto Superior Técnico quando, juntamente com o seu colega Tiago Paiva, quando imaginaram aquilo que hoje é a Talkdesk, um unicórnio avaliado em mais de 3 mil milhões de dólares. Dez anos depois, a jovem empreendedora já não está presente no dia a dia da startup, mas continua tão ou mais ligada ao mundo da inovação e da tecnologia. Como sócia da Indico Capital Partners, Cristina Fonseca é agora responsável pela análise e financiamento de projetos tecnológicos portugueses para os quais augura um futuro tão promissor como o da empresa que fundou no início da década transata. Os fatores de sucesso da Talkdesk, o negócio das venture capital, o papel das mulheres nas áreas de engenharia e tecnologia e, ainda, o futuro das startups portuguesas foram os temas em destaque na entrevista ao The Next Big Idea que poderá acompanhar neste vídeo.

  • Saiba mais sobre a Indico Capital Partners em indicocapital.com.

  • Veja os episódios anteriores no nosso canal de Youtube.

  • Onde ver o programa: todos os sábados às 9h45 e todos os domingos às 16h45, na SIC Notícias.

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Vi algures na Internet

 O que é ser normal? 

É sobre isto que o último move da Unilever nos faz questionar. A multinacional decidiu retirar a palavra "normal" de todas as embalagens e campanhas publicitárias dos seus produtos de beleza ou cuidado pessoal. O objetivo é reforçar o seu conceito de "beleza positiva", no sentido de normalizar diferentes tipos de beleza, fugindo à ideia canónica e estereotipada daquilo que é considerado bonito. Veja aqui o vídeo promocional desta campanha.De acordo com um estudo pedido pela Unilever:

  • 56% das pessoas considera que a indústria da beleza e cuidados pessoais pode fazer com que as pessoas se sintam excluídas.

  • 74% dos 10 mil inquiridos gostava que a mesma indústria trabalhasse mais no sentido da inclusão.

  • 70% considerou que usar a palavra "normal" tem um impacto negativo.

Por exemplo: se existe um tipo de creme indicado para peles "normais", isso significa que peles "secas" ou "oleosas" são anormais?

 "As mulheres pertencem à cozinha" 

Foi com estas exatas palavras que começou um rol de tweets do Burger King no Dia da Mulher. Calma, a frase seguinte era "Se elas quiserem." e servia como mote para promover uma bolsa de estudos para mulheres no ramo da culinária. Nas publicações no Twitter, a cadeia de fast food referia que "apenas 20% das mulheres eram chefs".As intenções do Burger King eram boas, mas a internet não perdoa (Nunca!) e choveram críticas nas redes sociais sobre esta campanha. O Burger King acabou por retirar o tweet (mas pode ver um print aqui) e por pedir desculpa numa outra publicação na mesma plataforma, onde escreveu "Para a próxima fazemos melhor".

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Projetos que ficaram debaixo de olho  🤩

Não é só rolhas de vinho… Num país que é o maior produtor de cortiça do mundo, As Portuguesas aproveitam os recursos do nosso país para criar sapatos 100% sustentáveis. Os primeiros modelos foram chinelos, depois vieram os sapatos e as botas para todos os gostos. Em tempos de pandemia, a marca criou ainda uma aplicação onde é possível ver os modelos no pé, através do telemóvel. Para já, está disponível para iOS e chama-se mesmo As Portuguesas.Prevenir o cancro… engolindo câmaras. Este é o objetivo do Serviço Nacional de Saúde em Inglaterra, que está a usar métodos nada clássicos para ver o interior possíveis doentes oncológicos. Um grupo de 11 mil pacientes que experienciaram sintomas de cancro do intestino estão a engolir cápsulas com minúsculas câmaras na tentativa de detetar sinais da doença.É uma instalação artística, mas também é alho francês… Visto de cima, é só um mar de luzes roxas e azuis. Mas é uma junção entre arte, tecnologia e agricultura, onde um artista holandês criou, com ajuda de profissionais da botânica, uma "receita de luz" LED, que ajuda as culturas a crescer, neste caso o alho francês, prolongando as horas de luz solar. Este método já é utilizado há várias décadas em estufas, e está agora a ser aplicado em agricultura no exterior. A iniciativa está inserida no projeto Grow, que já fez vários trabalhos com o artista Daan Roosegaarde, a sensibilizar para os problemas ambientais.

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É só mais 1 minuto ⌛

As mais inovadoras: Estas são as empresas mais inovadoras de 2021 para a Fast Company. O topo do ranking poderá ser surpreendente para alguns e foi mencionado nesta edição da newsletter. Instagram: Estas são as marcas mais populares em Portugal no Instagram, num estudo realizado pela plataforma Brinfer. 70 milhões (mais ou menos): A febre dos NFTs continua e foi estabelecido um novo recorde para o ativo digital mais caro de sempre. O artista digital Beeple (sobre o qual falámos aqui) viu o seu JPEG, que consiste numa montagem de fotografias tiradas durante 5 mil dias consecutivos da sua vida serem vendidas por 69.3 milhões de dólares. Clube dos 100 mil milhões: Aos 90 anos, Warren Buffett tornou-se na sexta pessoa a entrar no clube mais restrito do mundo, ao ver a sua fortuna a ultrapassar a famosa marca, de acordo com o Índice de Bilionário da Bloomberg. Clube dos quase 100 mil milhões: A Stripe levantou uma ronda de investimento de 600 milhões de dólares que avaliou a empresa em 95 mil milhões de dólares. Isto torna a fintech na startup mais valiosa dos EUA.

    Dois dedos de conversa

    • Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos que valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.

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