As ações da Nike caíram 18% na sexta-feira, naquele que foi o segundo pior dia nos seus 44 anos de história como empresa cotada em bolsa. Afinal, o que se passou com a gigante do calçado desportivo? É a história da Next desta semana.

- Abílio Reis 

Também nesta edição:

  • Coldplay mostram que a música também pode ser sustentável

  • Startup Portugal inaugura escritório no Porto — e acena com benefícios fiscais às empresas

  • As maiores rondas da semana (onde até aparece um estúdio de Hollywood)

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_ LONG STORY SHORT

Nike afunda com falta de inovação

A Nike é famosa por calçar alguns dos maiores atletas do planeta e por ser das maiores marcas a nível mundial. No entanto, a gigante por detrás do icónico “swoosh” (assim é conhecido o famoso logotipo em forma de visto), na passada sexta-feira, virou notícia por outros motivos:

  • As suas ações afundaram 18%, perdendo milhares de milhões em valor de mercado no processo (24 mil milhões, para sermos mais exatos, segundo a Fortune);

  • Teve um dos piores dias desde que é empresa cotada em bolsa (ou seja, em 44 anos de historial).

O que nos leva a perguntar: o que motivou tamanho tombo? 

Na quinta-feira, um dia antes das ações caírem a pique, a Nike fez saber numa call com os analistas durante a apresentação das contas do último trimestre não só que espera uma queda de 10% ao nível das vendas no presente trimestre fiscal, como prevê uma queda das vendas de 5% para o ano fiscal de 2025, que para efeitos contabilísticos começou este mês. Como não se estava à espera, os efeitos sentiram-se na bolsa no dia seguinte.

  • O que dizem os números: as receitas caíram 1,7% para 12,6 mil milhões de dólares no último trimestre e não atingiram a média das estimativas dos analistas. Ainda assim, há aspectos positivos no relatório de contas, como o crescimento de 6% da Jordan Brand para cerca de 7 mil milhões (+400 milhões em vendas).

A Nike justificou os números aquém do esperado com a

concorrência da rival Adidas, bem como a ascensão de marcas como a Hoka e a Deckers.

Nesta conversa, os executivos da Nike também falaram do estado da economia a nível mundial que afeta o consumidor (que opta por gastar menos em bens não essenciais) e que obriga a organizar campanhas assentes em descontos. Além disso, a procura mais fraca nos mercados internacionais, incluindo na China, conduziu igualmente à redução de receitas.

Mas há quem questione... terá a Nike perdido a chama?

Alguns analistas explicam-no da seguinte maneira: antigamente, era o consumidor que batalhava para pôr as mãos nuns ténis disruptivos da Nike; hoje, é a Nike que tem de se esforçar para convencer o consumidor a comprar os seus produtos e não os da concorrência. É uma mudança significativa, mas que espelha o cenário atual.

O remédio para dar a volta: 

Inovação. Como lembra a 

, a Nike mudou de estratégia nos últimos anos e deixou de apostar tanto no calçado desportivo de ponta e passou a focar-se mais no vestuário e calçado para o quotidiano. Ora, acontece que John Donahoe, o CEO, quer dar um passo atrás e voltar a promover o espírito de inovação que sempre fez parte da cultura da casa. Só que isso demora tempo e requer paciência.

Ou seja, Donahoe meteu as fichas na criação de novos produtos para responder às críticas e fazer face à concorrência na esperança que o resultado seja suficiente para passar a mensagem óbvia aos consumidores indecisos:

just do it!

_OUTRAS HISTÓRIAS A LER

Coldplay mostram que a música também pode ser sustentável

Uma das bandas que trazem o tema da sustentabilidade à ordem do dia são os Coldplay, que este mês anunciaram que tinham reduzido a pegada de carbono da digressão “Music of the Spheres” em 59% face à tour anterior.Saiba mais sobre o ambicioso plano dos Coldplay aquiNão perca também

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A Inteligência Artificial voltou a marcar presença nas rondas em destaque desta semana, mas a maior acabou por pertencer a uma empresa a desenvolver baterias inovadoras. Um estúdio de Hollywood também anunciou um investimento importante.

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Millennials. Estudo diz que estão prestes a ser a geração mais rica da história, mas lança a questão: será que estão preparados para lidar com tanto dinheiro?Amazon atinge pela primeira vez 2 biliões de dólares em valor de mercado de ações.Mac / Apple. Aplicação utiliza moscas para assinalar quando está na altura de esvaziar o lixo.Criptomoedas. A Mt.Gox chegou a ser a maior corretora do mundo de bitcoin, mas colapsou depois de uma série de ataques informáticos em 2014. Agora, vai começar a reembolsar os lesados em quase 9 mil milhões de dólares em tokens.Warren Buffett vai deixar fortuna a nova fundação de caridade supervisionada pelos filhos.

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Escrita e editada por Miguel Magalhães e Abílio dos ReisThe Next Big Idea, 2024