A retalhista Abercrombie & Fitch tem 131 anos de história e já passou por muito. Esteve moribunda, passou a fenómeno nos anos 90 por vestir os "miúdos fixes” e na última década parecia condenada a desaparecer pelas decisões e declarações polémicas do não menos controverso CEO. Agora, sob uma nova liderança, depois da ascensão e queda, está a caminho da ressurreição. É a história da Next de hoje.Aviso: uma vez que na próxima segunda-feira é feriado, a newsletter será lançada no dia seguinte, dia 11 de junho.

- Abílio dos Reis 

Também nesta edição:

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_ LONG STORY SHORT

Depois da ascensão e queda, a ressurreição

Com mais de um século de história, a Abercrombie & Fitch (A&F) testemunhou períodos de grande sucesso e controvérsia. Nos anos 90, a A&F virou ícone da juventude e vestiu os "miúdos fixes" sob a liderança do polémico Mike Jeffries. Mas o período de bonança acabou com as acusações de práticas discriminatórias e os escândalos que culminaram num declínio das vendas.

  • As controvérsias: Em 2004, a A&F pagou 50 milhões de dólares devido às suas práticas de contratação discriminatórias. Em 2013, Jeffries saiu da empresa com uma indemnização de 25 milhões de dólares após as vendas estarem em declínio e em 2023 o mesmo Jeffries, em tempos uns dos CEOs mais pagos dos EUA, foi acusado pela BBC de tráfico de homens para fins sexuais nas suas residências em Nova Iorque e hotéis de luxo em todo o mundo.

Para virar a página e rumo da história, a A&F mudou de estratégia sob a liderança de Fran Horowitz, que assumiu o cargo de CEO em 2017. A marca abandonou o lado mais sexual e os troncos nus das campanhas de marketing e promoveu uma cultura mais diversificada e inclusiva. Introduziu tamanhos XXL - coisa que Mike Jeffries disse que nunca faria - e ampliou o seu leque de produtos. E os resultados estão à vista.Segundo as contas do primeiro trimestre do ano, as receitas aumentaram pelo sexto trimestre consecutivo para os mil milhões de dólares. Um resultado acima do esperado pelos analistas de Wall Street e que fez disparar as ações, que estão em alta desde 2023.

  • Na semana passada, depois do anúncio dos resultados do primeiro trimestre, as ações subiram 24%. No entanto, já estavam a ser transacionadas em máximos históricos e mais do que duplicaram este ano, segundo revela a Bloomberg.

  • Não é de agora: o preço das ações está em alta desde o ano passado. Em 2023, as ações da retalhista subiram 285%. Para motivos de comparação, diga-se que é um valor superiorao da Nvidia no mesmo período (239%).

O resto das contas: as vendas aumentaram 16% para 4,28 mil milhões de dólares em comparação com 3,7 mil milhões de dólares em 2022; o lucro líquido atingiu os 328,12 milhões contra os 2,82 milhões em 2022.O segredo? Ser menos sexy. Segundo um analista consultado pela BBC, a empresa está a ressurgir com uma aposta que está a ir ao contrário do que tornou a sua marca famosa: está menos sexy, sem logótipos e está a registar um sucesso junto dos millennials que querem algo “fresco”, mas sem seguir tendências.

  • Yahoo Finance salienta ainda que os resultados da Abercrombie destacam-se num setor cujo público-alvo está a gastar menos devido à inflação e que revela um interesse cada vez maior por viajar e por experiências e menos no retalho. Veja-se o caso da concorrência: a VF Corp., proprietária da Vans e da Timberland, registou na semana passada o sétimo trimestre consecutivo de queda nas vendas, com perdas em todas as principais marcas.

_OUTRAS HISTÓRIAS A LER

Non-Fungible Conference. Há modelo de negócio para os NFTs?

A conferência ligada aos criptoativos decorreu ao longo dos dias 28 e 30 de maio entre o Pavilhão Carlos Lopes e a Costa da Caparica. O evento combinou um conjunto de palcos com conversas sobre criptomoedas, NFTs e indústria.O The Next Big Idea, enquanto parceiro de media, foi saber junto dos principais atores presentes como é que empresas e criadores estão a aplicar a tecnologia para rentabilizar uma audiência ou um conjunto de clientes.Leia a história e saiba o que descobrimos por lá Não perca também

_ NEXT ROUND ON ME

O destaque vai para a chinesa Zhipu AI, que levantou 400 milhões de dólares numa ronda liderada por investidores da Arábia Saudita para competir diretamente com a OpenAI.Saiba mais sobre estas rondas e startups aqui

_ VI ALGURES NA INTERNET

OpenAI & Notícias. A criadora do ChatGPT continua a estabelecer parcerias com os meios de comunicação social, procurando proteger os dados que alimentam os seus modelos... e evitar processos judiciais. Agora, com a The Atlantic e a Vox Media.Paramount e Skydance fecham acordo para fusão. Segundo as notícias, o acordo vale 8 mil milhões de dólares.Hackers. Um grupo de piratas informáticos afirma ter roubado dados pessoais de 560 milhões de clientes da Ticketmaster e informação de 30 milhões de clientes do banco Santander.Meta. Empresa diz que o futuro do Facebook são os jovens adultos (outra vez).Nvidia. Jensen Huang revelou no Taiwan os novos produtos e planos para acelerar o avanço da inteligência artificial. E no processo, a fabricante de semicondutores poderá em breve ultrapassar a Apple e tornar-se na segunda empresa mais valiosa do mundo.Temu. A UE anunciou que vai acrescentar a retalhista chinesa à sua lista de plataformas que enfrentam o mais elevado nível de controlo digital do bloco.Google. Depois de a nova funcionalidade (AI Overview) dizer às pessoas para comerem pedras ou adicionarem cola ao molho da pizza, a tecnológica vai "afinar" os resumos dos resultados de pesquisa gerados pela inteligência artificial.Combate à desinformação. Especialistas em IA e desinformação defendem que “vai ser cada vez mais fácil ser-se enganado”. O que fazer? Mais educação. 

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Escrita e editada por Miguel Magalhães e Abílio dos ReisThe Next Big Idea, 2024