8 de março de 2021  

Quando a mesma pessoa consegue derrubar duas barreiras frequentemente apontadas no mundo das empresas, a desigualdade de género e o preconceito de idade, isso é ... Cathie Woods. Mulher, com 65 anos, arriscou num projeto próprio aos 57 e em 2021 é considerada a melhor analista de ações no exigente mercado americano ao liderar uma gestora de ativos que cresceu 140% em 2020.

A sorte dá muito trabalho e, frequentemente, precisa de tempo.Obrigada por nos acompanharem,Rute Sousa Vasco

Long Stories Short

 Uma fintech a querer dar música 

Esta história começa com duas personagens relativamente conhecidas:

  • Jack Dorsey: CEO do Twitter (a valer +50 mil milhões de dólares) e da Square (a valer +100 mil milhões de dólares).

  • Jay-Z: rapper, marido de Beyoncé e com fortuna avaliada em 1.4 mil milhões dólares.

Em 2015, Jay-Z decidiu comprar um serviço de streaming norueguês que poucos utilizavam pela modesta quantia de 56 milhões de dólares. “Rebrandizou-o” e nasceu o Tidal, um serviço que ia competir com a Apple Music e o Spotify, com a diferença de ser um serviço gerido por artistas para artistas (na direção da plataforma também estariam nomes como Rihanna, Madonna e os Daft Punk). O Tidal teria músicas exclusivas de um conjunto de artistas como Beyoncé ou Kanye West e daria uma experiência de som de alta-qualidade que justificava (para o Tidal) o valor premium que os seus utilizadores iriam pagar pela plataforma face às suas concorrentes. Passaram-se seis anos e os resultados do Tidal acabaram por ser pouco animadores:   - Apesar de álbuns exclusivos de Beyoncé, a plataforma nunca conseguiu atingir um nível de popularidade sequer próximo dos seus rivais e, com isso, a exclusividade que tanto prometeu foi-se desvanecendo porque nenhum artista queria pôr todos os ovos numa plataforma que ninguém utilizava.  - Como ninguém estava a ouvir, as receitas mais elevadas que prometia dar, especialmente a artistas independentes, acabavam por ser muito baixas. Para isso, mais valia estar na Apple ou no Spotify, que davam maior audiência (que juntamente com a Amazon, dominam 70% do mercado de streaming de música). E depois apareceu a Square A Square, de Jack Dorsey, foi uma das empresas americanas que mais cresceu em 2020. A fintech, criada em 2009 pelo fundador do Twitter, beneficiou do boom do comércio online, motivado pela pandemia, que levou a:a) que cada vez mais vendedores utilizassem o seu sistema de pagamento nas suas plataformas de ecommerce.b) que cada vez mais consumidores utilizassem a sua Cash App, uma plataforma que permite fazer transferências de dinheiro, pagamentos online e investir no mercado bolsista, nomeadamente em ações e criptomoedas… Sim, mais uma empresa que também beneficiou do surgimento de mini Warren Buffets e especialistas em “crytos” que o confinamento ajudou a criar. Em 2020, a Square teve + 13 mil milhões de dólares em receitas e viu o preço das suas ações subirem 253%.Em 2021, achou que seria giro adquirir um serviço de streaming em queda por 297 milhões de dólares - o Tidal, pois claro - e integrar Jay-Z na direção da empresa. Porquê? Algumas teorias:

  • Marketing 1.0: é a América e ter Jay-Z, uma das maiores figuras do entretenimento, na empresa ajuda a chamar mais utilizadores para a plataforma. Especialmente se ele convencer a mulher e amigos a fazê-lo também.

  • Marketing 2.0: Jeff Bezos justificou o investimento da Amazon no Prime Video dizendo que se uma série original sua vencesse um Globo de Ouro, no dia seguinte eram vendidos mais produtos na sua plataforma. O Tidal continua a ter alguns milhões de subscritores que, com uma curadoria renovada e novas funcionalidades integradas, poderá levar a que a Square aumente a sua base de utilizadores.

  • Mudança: a pandemia levou a que muitos dos artistas deixassem de poder fazer aquilo que se tinha tornado a sua principal fonte de receitas, os concertos. Enquanto alguns podem sobreviver de vendas de merchandise, de patrocínios e do streaming, a verdade é que a maior parte dos artistas ficou sem ganha-pão. De acordo com Dorsey, juntando a Square e o Tidal, poderá criar meios alternativos e experiências para que artistas mais pequenos possam ter rendimentos.

  • NFTs everywhere: a crescer em popularidade, um dos meios alternativos de gerar receitas poderá ser através destes ativos digitais únicos geridos por blockchain (sobre os quais falámos aqui) que permitem que artistas possam vender conteúdo seu e serem recompensados pelo seu trabalho com menos intermediários. O Tidal pode dar a plataforma, a Square a tecnologia… e o Twitter a comunicação para que tais ativos possam ser desenvolvidos, promovidos e vendidos.

Será suficiente para nos convencer a dar uma chance ao Tidal? Aceitam-se apostas.

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Adicionar ao CV

 Não é por ser Dia da Mulher 

Tem 65 anos, nasceu em Los Angeles, é mãe de 3 filhos e merecia uma página mais completa na Wikipedia. Cathie Wood está a agitar o mundo dos negócios e já é conhecida como a melhor stock picker (analista de ações) de 2020, ou pelo menos foi isso que lhe chamou a Bloomberg. Mas, porquê?

  • Fundou a ARK Invest: chama-lhe o bebé que teve aos 57 anos. Uma companhia de gestão de ativos que registou um ganho de 140%, no ano passado. A 19 de fevereiro deste ano, a empresa era a maior emissora de fundos de investimento (ETFs) negociados na Bolsa de Valores, com quase 60 mil milhões de dólares em ativos.

  • Deu um tiro certeiro em 2020, ao apostar em empresas focadas no desenvolvimento de DNA (que estão agora a salvar o mundo da pandemia). Outras áreas onde investe são inteligência artificial, energia e blockchain.

  • Tem uma filosofia a longo prazo. A sua empresa tenta antecipar o que pode acontecer dentro de cinco ou mais anos, numa altura em que, diz Wood, a tendência em Wall Street é de "fazer as coisas bem a curto prazo".

  • Tornou-se numa lenda na escolha de ações, numa altura em que os investidores acreditavam que era preferível investir em fundos de baixo custo. Os ETFs negociados em bolsa atualmente administrados pela empresa de Wood estão a moldar a indústria de cerca de 5.6 triliões de dólares (4.7 triliões de euros), que era conhecida como uma forma simples de investir em várias ações num único ativo financeiro.

  • Mexeu com os investimentos de grandes companhias, como é o caso da Tesla. Cathie Wood previu que as ações da gigante tecnológica iriam subir para 4 mil dólares, quando estas estavam a ser negociadas a 300 dólares em 2018. Uma previsão ousada, mas que se veio a revelar bastante acertada, já que no início de Fevereiro as ações estavam a ser negociadas acima dos 3 mil dólares (tendo em conta o stock split de dezembro). 

  • Antes de tudo isto: foi economista da Jennison Associates e co-fundadora do fundo da Tupelo Capital Management. Trabalhou ainda para a AllianceBernstein quando teve a ideia de iniciar um fundo de investimento, mas recebeu pouca atenção. Então, em 2014, fundou a ARK Invest, onde investiu 5 milhões do seu próprio bolso. Em 2020, a sua participação da ARK já valia cerca de 250 milhões de dólares (210 milhões de euros).

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The Next Big Idea apresenta...

 O trabalho remoto veio para ficar 

A pandemia causou alterações irreversíveis na forma como as empresas tiveram de aprender a organizar-se. Os desafios criados por todo o trabalho que é feito remotamente e as dificuldades em recrutar e integrar pessoas com as quais não é possível ter uma reunião presencial foram alguns dos temas que discutimos com José Paiva, no episódio mais recente do The Next Big Idea. O fundador da Landing.jobs, plataforma de recrutamento de profissionais no setor das tecnologias de informação, revelou que faz cerca de 100-150 entrevistas de emprego por mês e que, nos últimos sete anos, a sua empresa já ajudou a colocar mais de 1.500 trabalhadores em empresas tecnológicas de relevo.Neste vídeo, poderá ver a entrevista completa a José Paiva, na qual também explica os três tipos de trabalho remoto, os efeitos dos salários remotos nos salários locais e, ainda, como é que as empresas se vão adaptar a um mundo pós-pandemia.

  • Saiba mais sobre a plataforma em landing.jobs.

  • Veja os episódios anteriores no nosso canal de Youtube.

  • Onde ver o programa: todos os sábados às 9h45 e todos os domingos às 16h45, na SIC Notícias.

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Vi algures na Internet

 É uma espécie de TikTok da Netflix 

Como se já não bastasse dominar o mundo das plataformas de streaming, a Netflix tem agora uma ferramenta ao estilo TikTok. Chama-se Fast Laughs e permite que os utilizadores de iOS vejam clipes curtos de conteúdos da plataforma com foco no humor e na  comédia. Os utilizadores da Fast Laughs podem depois enviar um clipe para um amigo e adicionar o programa a uma watchlist, ou, melhor ainda, começar a ver o episódio completo imediatamente.Na sua última apresentação de resultados, a plataforma de streaming referenciou o TikTok como um dos principais rivais, mas a ideia não é criar uma plataforma extra com mais conteúdo. Esta é uma estratégia da Netflix que tira proveito de uma funcionalidade para que os seus subscritores passem (ainda mais) tempo na plataforma, no meio da luta pela nossa atenção. 

 Longe, mas muito perto 

Que a comunicação entre todos nós está a mudar já não é novidade. Que está a mudar a este ponto… talvez também não (para os mais atentos). Mas não deixa de ser curiosa a nova ferramenta da Microsoft, apresentada no evento online Microsoft Ignite, que permite fazer reuniões virtuais com recurso a hologramas. Chama-se Mesh e é uma mistura entre a realidade virtual e a realidade aumentada.A gigante tecnológica garante que vai ser possível participar em reuniões à distância e conseguir ver os participantes como se estivessem todos no mesmo espaço. Esta ferramenta vai poder ser usada nos aparelhos de realidade aumentada da marca, mas também em computadores, tablets, smartphones ou óculos de realidade virtual.Para fazer isto acontecer, a Microsoft vai recorrer à sua plataforma de cloud-computing, o Azure, a segunda maior no mercado, cujas receitas têm vindo a crescer de trimestre para trimestre na ordem dos 50%. Esqueça as reuniões em teletrabalho com "roupa de andar por casa", porque brevemente poderá estar a reunir com o holograma do seu colega do lado.

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Projetos que ficaram debaixo de olho  🤩

Não há dois pares de sapatos iguais: esta é a certeza que nos dá a Mariano Shoes, uma marca de calçado portuguesa, que se orgulha do facto de todas as suas criações serem feitas à mão. Esta não é, como falamos muitas vezes nesta newsletter, uma startup que nasceu ontem, mas sim uma empresa com mais de 70 anos de história. É na fábrica em São João da Madeira que, desde os anos 40, se aperta o couro dos sapatos que prometem ser quase tão duradouros como esta marca.Qual foi a última vez que foi ao dentista? Embora saibamos que o ideal é fazer aquele check-up anual à boca, há muita gente que nunca foi ao dentista ou que só vai quando já não aguenta aquela dor de dentes horrível. A falta de acesso público a este cuidado não é uma realidade só em Portugal, e a startup americana de seguros Beam está a tentar combater isso, apostando na saúde oral, naquela lógica de "antes prevenir do que remediar". Oferece escovas de dentes, inseridas num programa que já registou 100 milhões de minutos de escovagem. O resultado? Uma ronda de investimento de 80 milhões de euros.Como se fosse… o jornal do Harry Potter: aquele que tem fotos que mexem. A ferramenta Deep Nostalgia, da app My Heritage, permite animar fotografias, mesmo que estas sejam antigas, e dar a ideia de movimento. Agora imagine fazer isto com aquela foto em que os seus avós parecem estrelas dos anos de ouro de Hollywood.

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É só mais 1 minuto ⌛

TikTok: a rede social ainda se revela muito tricky para marcas que queiram ter nela uma presença forte. Leia aqui 15 dicas para melhorar o conteúdo branded das marcas. Clubhouse: as 30 melhores salas (aka chat rooms) para quem quer falar sobre marketing, vendas e o crescimento do seu negócio. Patentes: de acordo com a WIPO, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual, em 2020, houve mais 4% de patentes submetidas comparado com ano anterior, apesar de o PIB mundial ter diminuído 3.5%. Descubra aqui os principais países e marcas a investir em inovação. Vacinas: um artigo da Bloomberg que explica como é a que a Pfizer se tornou na principal distribuidora de vacinas no mundo inteiro, mesmo deixando alguns países frustados. Fundação Champalimaud: a instituição sem fins lucrativos portuguesa é a quarta melhor do mundo para a Nature em termos da investigação em inteligência artificial. Parabéns!

    Dois dedos de conversa

    • Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos que valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.

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