

Não, não é mentira. É Dia de 1 Abril, mas faz esta segunda-feira 20 anos que o Gmail se apresentou ao mundo para começar a revolucionar o correio eletrónico. A data redonda é a oportunidade perfeita para perceber como é que chegámos aqui e de lançar a questão: e agora, o que se segue?É o que vamos tentar descobrir na Next de hoje, que excepcionalmente chega às vossas caixas de e-mail mais tarde do que o habitual.Também na edição de hoje:
Entrevista a Vasco Pedro (CEO da Unbabel)
Empresas portuguesas já podem pedir estatuto de startup (e ter benefícios fiscais por isso)
As maiores rondas da semana
— Abílio dos Reis
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_ LONG STORY SHORT
20 anos de Gmail

Há vinte anos, o Google anunciou o lançamento de uma ferramenta com tanto armazenamento para os nossos e-mails que mereceu honras de piada: “ah, é apenas algo do 1 de Abril”. Afinal de contas, em 2004, quem em sã consciência ofereceria uma conta de e-mail com 1GB de espaço, de forma gratuita? Ainda para mais, com a promessa de uma pesquisa eficiente e maior organização do que a concorrência?
Não é preciso recorrer ao WayBack Machine, a famosa máquina do tempo da Internet, para dar de caras com o peculiar anúncio que pôs os norte-americanos a pensar que era mais uma brincadeira do Dia das Mentiras. O post ainda está disponível no blog do famoso motor de busca. E não era mentira.Revolucionar o mail
Além da linguagem utilizada regada a humor, o que salta à vista é a diferença do espaço disponibilizado. Nas “contas antigas”, o Yahoo e o Hotmail, dois dos grandes players do correio eletrónico, tinham como limite máximo cerca de 60 e-mails (nas contas gratuitas, dava para ter mais espaço nas pagas). O que o Gmail propunha, com o seu 1 GB, era aumentar este número para 13.500, ou seja, 224 vezes mais espaço para armazenar e-mails. Sem que o utilizador pagasse mais por isso.
Conta a The Associated Press (AP), a agência de notícias americana, que Larry Page disse na altura que “achava que as pessoas iam gostar disto”. E, como em muitas outras coisas, o cofundador da Google não estava errado. Volvidas duas décadas, são 1,8 mil milhões de utilizadores a viver de mãos dadas com o Gmail.
O passaporte da Internet
Com a aparição das redes sociais e desenvolvimento de aplicações como o Slack e o WhatsApp, o Google Chat caiu em desuso e a missão do e-mail ficou um pouco relegada para trocas de mensagens profissionais. No entanto, a realidade é que a sua importância no dia-a-dia vai muito além disso.O Gmail funciona como um passaporte para a Internet, como bem lembra a The Verge. Não só por ser a porta de entrada a todo o ecossistema Google (Android, YouTube, Docs, Drive, Maps, Play, Meets, Fotos, etc), mas por ser também a chave com que acedemos a outros muitos serviços.
Cenário: é preciso criar uma nova conta num site ou aplicação. Será que vamos preencher os dados para fazer uma compra ou ler uma notícia? Ou vamos simplesmente entrar com a conta Google (através do Gmail) e resolver o assunto nuns meros segundos? É provável que seja a última opção para despachar e economizar tempo,especialmente agora que há a rapidez das passkeys.
O futuro
Vai acabar por perder aos poucos a sua importância no
nosso dia-a-dia e vai passar a pasta à inteligência artificial?
Ou, por outro lado,
é a própria IA que vai modernizar o Gmail de modo a que este continue presente nas nossas vidas nos próximos 20 anos?
Com os avanços da IA, não é difícil de imaginar que o Gmail evolua para uma espécie de hub centralizado da Google, acabando por gerir não só e-mails, mas tudo o resto que faz parte do ecossistema.
Ou seja, o provável é que continue relevante. Pode é não ser da mesma maneira como o é hoje.
_ BIG IDEAS |
As Startups e a 1ª Ronda de Investimento

No primeiro evento do “Big Ideas”, o Miguel Magalhães esteve à conversa com Humberto Ayres Pereira (Rows) e Mauro Frota (Bhout) sobre rondas de investimento, sobre relação com investidores e sobre work-life balance.
Se não teve a oportunidade de assistir, pode agora ver na íntegra aqui.
UMA IDEIA DA NON FUNGIBLE CONFERENCE
O The Next Big Idea vai ser parceiro de media da Non Fungible Conference, conferência mundial ligada à Web3, que vai regressar a Lisboa de 28 a 30 de maio.A 3.ª edição desta conferência pioneira na capital portuguesa vai reunir no Pavilhão Carlos Lopes, no Parque Eduardo VII, vários líderes internacionais do universo Web3 para celebrar a arte, a moda, o gaming, à semelhança do que fez em 2023, quando reuniu 4400 participantes, 200 oradores, 70 patrocinadores e dezenas de artistas, marcas e media internacionais.Segundo a organização, a ambição desta edição é ir mais longe com o primeiro festival de cinema de Inteligência Artificial (IA) do mundo; com torneios de start-ups e com aplicação de assets no mundo real.
Adquira agora o seu bilhete com 85% de desconto através do código NFC24NEXTBIGIDEAROCKS (temos 20 bilhetes disponíveis).
_ OUTRAS HISTÓRIAS DA SEMANA
Entrevista a Vasco Pedro (Unbabel)

“Só quando as empresas foram agnósticas à língua, é que a Unbabel vai começar a cumprir a sua missão”, diz o CEO da startup portuguesa.Leia a entrevista completa aqui
Leia também
_ NEXT ROUND ON ME

Esta semana foi mais calma em termos de “mega-rondas”, mas o destaque voltou a estar na inteligência artificial e na biotecnologia, com duas empresas a destacarem-se nestas indústrias.Mais sobre estas empresas aqui
_ VI ALGURES NA INTERNET
Anguilla. A pequena ilha que está a lucrar com todas as empresas a quererem “.ai”.Xiaomi. A tecnológica chinesa apresentou o seu primeiro carro elétrico para concorrer com a Tesla.SBF. O ex-CEO da FTX foi condenado a 25 anos na prisão por vários crimes de fraude.Amazon. A gigante do ecommerce e da cloud colocou ainda mais dinheiro na Anthropic, uma das principais concorrentes da OpenAI.Futebol x AI. Google Deepmind e Liverpool a mostrarem como se marca um canto.Daniel Kahneman. Morreu o Nobel da Economia, cuja obra impactou o pensamento de muitos negócios em termos de marketing e de processos de compra.
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Escrita e editada por Miguel Magalhães e Abílio dos ReisThe Next Big Idea, 2024