
1 de março de 2021
Na semana em que assinalamos um ano volvido desde que o primeiro caso de covid-19 foi registado em Portugal, é natural que tenhamos uma perceção de tempo diferente dos ditos anos normais. Nem se trata de parecer mais ou menos do que os 12 meses efetivos que passaram, mas de chegarmos a março de 2021 num mundo substancialmente diferente do que conhecíamos. O mundo que tantas dificuldades e desafios nos trouxe - e traz - é o mesmo que criou terreno fértil para algumas ideias crescerem. Como é o caso desta nova sigla: NFTs ou Non-Fungible Tokens. Soa complexo mas é só a capacidade humana de se reinventar. Até nas cadernetas de cromos. Obrigada por nos acompanharem, Rute Sousa Vasco
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Long Stories Short

Cadernetas de cromos em 2021
Parece que, de uma maneira ou de outra e independentemente do tema, acabamos sempre por esbarrar na blockchain. O novo caso é uma indústria que tem estado a ganhar cada vez mais popularidade nas últimas semanas (como comprova este gráfico do Google Trends): as NFTs ou Non-Fungible Tokens. Fung… quê? Utilizando a sigla para simplificação, as NFTs são ativos digitais que representam uma série de produtos colecionáveis tangíveis e intangíveis: obras de arte, cartas desportivas, cartas Pokémon e semelhantes, GIFS, vídeos, imagens, ténis, entre outras coisas. Até recentemente, a compra e venda deste tipo de produtos enfrentava uma série de desafios, pois era difícil não só comprovar a sua autenticidade como garantir que o criador ou vendedor original do produto era compensado pelas revendas posteriores. É aqui que entra a blockchain, uma espécie de livro de registo digital público para bitcoin e ethereum, por exemplo, que se tornou popular com a crescente negociação destas criptomoedas, permitindo que todas as transações fiquem anotadas e que possam ser acedidas por qualquer pessoa. Significa isto que uma carta do Pikachu vai subitamente tornar-se numa moeda digital? Nada disso. Simplesmente, significa que, com esta tecnologia, existem mais vantagens na negociação deste tipo de ativos.
A diferença: Ao contrário das criptomoedas, as NFTs são distinguíveis (uma carta desportiva do Cristiano Ronaldo irá valer mais que a de um jogador do Olivais e Moscavide, com todo o respeito por este clube centenário,enquanto qualquer bitcoin valerá sempre o mesmo) e são indivisíveis (posso comprar 0.01 bitcoin, mas não posso comprar 0.01 de uma carta do Cristiano Ronaldo).
Os benefícios: a blockchain permite que os ativos sejam (1) indestrutíveis (a transação fica registada para sempre), (2) imutáveis (num mundo em que tudo pode ser copiado da Internet, o comprador ficar com um certificado seguro de que é o dono do ativo) e (3) verificáveis (na medida em que ao estarem alojados neste tipo de plataforma é possível, por um lado, verificar de certa forma a sua autenticidade e, por outro, independentemente do número de vezes, fazer um tracking até à transação original do ativo e compensar o criador por potenciais revendas)
De onde surgiu o hype? Um culpado, para variar, é a pandemia, que levou a que mais uma dinâmica do mundo físico passasse para o mundo online. Outra razão é o próprio paradigma associado a produtos colecionáveis, seja pelo amor que um fã pode ter pelo Cristiano Ronaldo, seja pela crença de que se comprar a carta agora, esta poderá ganhar valor no futuro e trazer lucros. No entanto existem três fatores que ajudam a explicar a crescente popularidade deste fenómeno:
Cryptos: O crescimento da valorização criptomoedas, nomeadamente da Ethereum, cuja tecnologia é aquela maioritariamente utilizada na criação deste tipo de ativos. Não foi difícil para quem segue a performance da criptomoeda descobrir este “serviço adjacente”.
Christie's: A adoção deste método de compra e venda por parte de uma das mais importantes casas de leilões no mundo inteiro, a Christie's, para vender algumas obras de arte que tinha em catálogo. Num evento online de 14 dias, que termina esta semana, a peça mais sonante pertence ao artista digital Beeple, que viu a sua colagem virtual de fotografias da sua vida, tiradas durante 5 mil dias consecutivos, ir de um preço de abertura de 100 para mais de 1 milhão de dólares, no momento em que escrevemos. Isto mostra a importância de ter sempre uma pose preparada.
NBA: O lançamento no final de outubro do NBA Top Shot, um marketplace (à base de blockchain) de cartas com jogadas de atletas da NBA, os Moments, que os fãs podem adquirir para a sua caderneta digital, quer através da compra de packs na plataforma (como se fossem carteirinhas de cromos), quer num mercado secundário onde podem comprar e vender cartas colocadas à venda. Nos últimos quatro meses, a plataforma já ultrapassou os 200 milhões de euros em vendas e, na semana passada, registou-se a maior compra de sempre, quando alguém deu cerca de 200 mil dólares por
um cromouma jogada de LeBron James. Unbelievable.
Qual o futuro do mercado de NFTs? Há três anos, o mercado de NFTs, nos EUA, valia 42 milhões de dólares. No final de 2020, registou um aumento de 705% face ao ano anterior, e já valia 338 milhões de dólares. De acordo com estimativas do Nonfungible.com, que monitoriza a indústria de NFTs, só nos primeiros dois meses deste ano, já tinham sido gerados mais de 310 milhões de dólares em receitas. A curto-médio prazo, o caminho está traçado e é a subir.
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Quem vendeu mais jornais?
Com o confinamento e a evolução digital dos meios de comunicação, não é de estranhar alguns dos dados do último relatório da Associação Portuguesa para o Controlo e Tiragem de Circulação. Os jornais em papel saíram a perder, o digital saiu a ganhar. Mas o grande vencedor foi mesmo o Expresso. Eis alguns dados curiosos sobre as mudanças de 2019 para 2020:Em banca:
Os generalistas tiveram, em média, quebras de cerca de 20%.
O Expresso teve um aumento de vendas em banca de 1,7% (perto de 57 mil exemplares vendidos por edição).
O Correio da Manhã, o Jornal de Notícias e o Público venderam, em média, no seu conjunto, menos 30 mil exemplares por edição, o que representa uma queda de 23%.
O Correio da Manhã mantém a posição de jornal português de imprensa paga com mais circulação (58 mil exemplares vendidos por edição).
A Sábado lidera as vendas nas revistas de atualidade, apesar de em 2020 ter tido uma quebra de 20,1% em relação a 2019.
A Visão ocupa o segundo lugar do pódio de revistas mais vendidas, mas com uma quebra menor do que a Sábado em relação ao ano passado.
No digital:
Registaram-se aumentos no consumo pago de meios digitais devido à pandemia, com o Expresso a liderar o mercado digital, com um crescimento de 53,2% (conta agora com mais de 42 mil subscritores).
Seguem-se o Público (que quase duplicou o seu número para 34.5 mil subscritores), o Jornal de Notícias (7 mil subscritores), o Diário de Notícias (cerca de 3.500 subscritores) e o Correio da Manhã (1.600 subscritores).
Entre as revistas de atualidade, a Visão é líder no setor digital, com a circulação paga a aumentar 64,2%, tendo ultrapassado a Sábado.
O digital só compensou as quebras de vendas em bancas em três meios: o Público, o Expresso e o Diário de Notícias.
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The Next Big Idea apresenta...

Poupar, empreender e investir
São estas as palavras-chave de José Costa Rodrigues na apresentação do seu novo projeto, a New Capital, uma plataforma de educação financeira. Depois de ter lançado a Forall Phones com apenas 19 anos, o jovem empreendedor, agora com 25 anos, quer utilizar a sua experiência para ajudar outras pessoas a lançar os seus negócios e a investir de uma forma mais segura o seu dinheiro. Nas suas palavras, “quem for à procura de dinheiro rápido não o vai encontrar na New Capital.” O foco da plataforma, afirma o fundador, está na aprendizagem de ferramentas essenciais de negócio e de como fazer crescer rendimentos de uma forma sustentável.José Costa Rodrigues foi o convidado do episódio desta semana do The Next Big Idea na SIC Notícias e poderá aqui ver a entrevista completa, em que empreendedor fala do processo de venda da Forall Phones e de como pretende fazer crescer a New Capital.
Saiba mais sobre a plataforma em newcapital.pt
Veja os episódios anteriores no nosso canal de Youtube.
Onde ver o programa: todos os sábados às 9h45 e todos os domingos às 16h45, na SIC Notícias.
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Vi algures na Internet

Nós zoomitamos
Para quem está em teletrabalho, as reuniões no Zoom ou noutras plataformas semelhantes já se tornaram uma realidade diária. Mas porque é que é taaaaão cansativo passar o dia a falar com pessoas através de um computador? Um estudo da Universidade de Stanford encontrou quatro motivos para isso:
O contacto visual demasiado intenso. Parece que o facto de todos olharem para todos ao mesmo tempo não ajuda ao descanso. Mesmo que não falemos, a nossa imagem está sempre a aparecer no ecrã dos outros intervenientes e a ansiedade social de falar em público é uma fobia para muitos.
Nem sequer nos aturamos a nós próprios. Uma videochamada começa normalmente com um grupo de pessoas a ajeitar o cabelo e a ver se estão no seu melhor. Mas, segundo o autor deste estudo, isso não é natural. O académico Jeremy Bailenson compara a sensação de vermos o nosso rosto a toda a hora à de termos alguém a seguir-nos constantemente com um espelho. Desconfortável, não é?
Sentimo-nos amarrados à cadeira. Durante uma conversa telefónica temos toda a mobilidade. Mas com a necessidade de mostrar a cara (e trocar o pijama por uma roupa apresentável) os nossos movimentos ficam limitados. O autor deste estudo revela que quando nos mexemos aumenta o nosso desempenho cognitivo. Já todos tivemos chamadas telefónicas em que passeámos por toda a casa, certo?
Puxamos os neurónios a ferros: em chats de vídeo, aumenta a nossa carga cognitiva. Na interação presencial cara a cara, a interpretação de gestos e sinais não verbais subconscientes é bastante natural. O mesmo não acontece numa videochamada, onde aumenta o número de "calorias mentais" gastas. Por exemplo: não basta assentirmos com a cabeça para mostrar concordância com algo, é preciso garantir que de facto se vê totalmente a nossa cabeça.
É melhor não ir a lado nenhum
As recomendações são de ficar em casa. Mas será que andamos a cumprir o confinamento? Segundo o relatório da Google sobre esta segunda temporada da série COVID, sim. A gigante tecnológica tem feito relatórios de mobilidade que pesam nas decisões tomadas pelo Governo português no combate à pandemia.
O relatório alerta, no entanto, para o facto de "a precisão da localização e compreensão de locais categorizados variar consoante a região", sendo por isso pouco recomendável "a utilização destes dados para comparar alterações entre países e regiões com diferentes características” (por exemplo: áreas rurais vs áreas urbanas).Estes documentos registam tendências de movimento por localização geográfica em várias categorias. Os últimos dados disponíveis ilustram os dias 10 de janeiro e 21 de fevereiro em relação a um período semelhante de 2020 e mostram a afluência a nível nacional a locais como:
Locais de retalho e lazer: -72%
Mercearias e farmácias: -34%
Parques: -61%
Estações de transportes públicos: -68%
Locais de Trabalho: -32%
Zonas residenciais: +16%
No mesmo relatório, poderá ver também as diferenças por cada cidade.
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Projetos que ficaram debaixo de olho 🤩
"Água fria, da ribeira, água fria que o sol aqueceu": em 1939, Beatriz Costa protagonizava o filme "Aldeia da Roupa Branca" enquanto cantava esta música. Mais de 80 anos depois, o conceito de lavandaria mudou, e muito, e daí surgiu a Dona Rosa. Esta Dona não existe, nem lava a roupa como Beatriz Costa, mas dá nome à startup que todos os dias recolhe e entrega quilos e quilos de roupa das 4 da tarde à meia noite. A app tem acordos com várias lavandarias e os horários flexíveis e preços acessíveis facilitam a necessidade de ter roupa limpa e pronta a usar.
"My precious": a expressão vem da saga "Senhor dos Anéis" e fala sobre o poderoso objeto à volta do qual gira a história. Este anel não é assim tão cobiçado, mas também tem os seus poderes: é um dispositivo que transforma em bateria o calor humano. Esta ferramenta está a ser desenvolvida pela Universidade do Colorado Boulder e, por agora, só consegue gerar um volt de energia. Pode parecer pouco, mas já é o suficiente para alimentar alguns dispositivos eletrónicos tais como relógios.
Já ganhou fama… ou pelo menos já contou com o investimento mais de 100 pessoas famosas, entre as quais Jay-Z, Rihanna, James Harden ou Maria Sharapova. O produto principal da startup de saúde Therabody é o Theragun, uma ferramenta de preparação e recuperação muscular, destinada essencialmente a desportistas. O valor da empresa não é público, mas sabe-se que a sua receita aumentou 3 vezes no último ano e que a marca assinou acordos por vários anos com gigantes do futebol como o Real Madrid ou o Paris-Saint Germain.
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É só mais 1 minuto ⌛
1 ano de Covid-19: Depois de ter escrito um texto no início da pandemia, Yuval Noah Harari (“Sapiens”, “Homo Deus”) escreveu novamente um texto para o Financial Times sobre lições deste último ano e o que significam para o nosso futuro.Spotify: Na semana passada, o serviço de streaming apresentou uma série de novas funcionalidades e de novos conteúdos nos podcasts. Nesta entrevista ao The Verge, o CEO, Daniel Ek, explica como pretende ajudar artistas e a própria empresa a fazer mais dinheiro.Gen Z: A caminho de se tornar uma empresa a valer 100 mil milhões de dólares, a Snapchat partilhou um relatório onde apresenta tendências de consumo e de engagement da faixa etária que mais utiliza a sua plataforma. A ler aqui.Clubhouse: Apesar de todo o entusiasmo, a rede social à base de áudio não está imune às controvérsias habituais de… redes sociais. De acordo com este artigo da Bloomberg, os áudios de quem utiliza a plataforma poderão estar expostos a um “parceiro chinês” da plataforma.
Dois dedos de conversa
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