Num espaço de uma semana, a Netflix anunciou que entrou no ringue do wrestling profissional com um acordo chorudo com a WWE, agradou os acionistas com um volume de receitas maior do que o esperado e somou milhões de novos subscritores. Nada mal para uma empresa que teve um 2022 particularmente difícil e se dizia que estava a perder pujança.Na edição de hoje:

  • RestartUs quer usar conceito de cidades inteligentes para gerar mais emprego

  • Cork Supply criou a rolha de cortiça mais consistente do mundo

  • As maiores rondas da semana (com o setor da energia em destaque)

— Abílio dos Reis

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_ LONG STORY SHORT

Netflix entra no ringue com um body slam de $5B

2022 não foi um ano simpático para o streaming. A situação da Netflix, mesmo sendo a líder do mercado, foi reflexo disso. Houve notícias de despedimentos, perdeu subscritores, a concorrência aumentou a olhos vistos e iniciou uma caça às palavras-passe partilhadas. O alarido foi tanto que se começou a contemplar se o seu reinado não tinha chegado ao fim.

No entanto, menos de dois anos depois, a julgar pelos eventos da última semana, parece que se vaticinou a sua queda demasiado cedo.

A versão resumida: a Netflix apresentou lucros superiores ao esperado por Wall Street, amealhou mais de um Portugal inteiro de subscritores (13,1 milhões), as ações subiram 40% e anunciou um acordo (aposta?) de 10 anos no valor de cinco mil milhões de dólares com a World Wrestling Entertainment (WWE), uma gigante do wrestling profissional avaliada em mais de 8,3 mil milhões de dólares.A receita para dominarA receita de sucesso até agora tem sido uma combinação de dois fatores: abundância de conteúdo original a nível global e a contínua aposta forte no conteúdo licenciado (onde se encontram as chamadas “reruns”, que não são mais do que séries mais antigas de outras estações/canais repescadas pela plataforma).

  • Exemplo do sucesso das reruns: Recentemente, a série “Suits”, exibida originalmente no canal por cabo USA Network foi notícia por ter chegado a número 1 dos conteúdos mais vistos nos EUA.

  • Exemplo de conteúdo licenciado: À hora de escrita desta newsletter, em Portugal, segundo dados do site FlixPatrol, “A Favorita”, do grego Yorgos Lanthimos, é o sétimo filme mais visto no nosso país. Ou seja, como a biblioteca é extensa, a Netflix conseguiu aproveitar que estreou nas salas portuguesas na semana passada “Pobres Criaturas”, do mesmo realizador, e que é o segundo filme mais nomeado da próxima edição dos Óscares.

Um ano a somar subscritores: Entre março e junho, ganhou 5,9 milhões novos subscritores. Entre julho e setembro, amealhou mais 8,8 milhões. No último trimestre, juntou mais 13,1 milhões de assinantes (a maioria provenientes das regiões Ásia-Pacífico e EMEA). Isto, com a "guerra" à partilha das palavras-passe em curso.

  • Feitas as contas, o total de subscritores ronda agora os 260 milhões, liderando assim as “streaming wars” à frente da Amazon Prime (200 milhões) e da Disney+ (150 milhões - ou 198,7 milhões, se incluirmos a Hulu), de acordo com os dados da Flix Patrol

Acabou 2023 em altas: as receitas do último trimestre aumentaram 12,5 por cento - ligeiramente acima das previsões - para 8,8 mil milhões de dólares. Ou seja, a empresa registou 937,8 milhões de lucro nos últimos três meses do ano, quase 17 vezes mais do que no quarto trimestre de 2022, quando obteve 55,3 milhões, como nota o Jornal de Negócios.

  • Uma das explicações para este aumento pode ser o facto de uma grande fatia dos novos subscritores terem optado pelo modelo de subscrição com anúncios (em Portugal não existe) — i.e, a Netflix recebe o valor da subscrição do cliente mais o valor dos anúncios pagos pelo anunciante.

A expectativa para 2024: O otimismo está no ar e para o próximo trimestre a empresa espera um aumento de 13% de receitas e prevê que o número de assinantes cresça em 1,8 milhões. Tanto assim é que abre portas a um aumento do preço das subscrições.

  • Por todos estes motivos, que vão da caça à partilha das palavras-passe ao acordo com a WWE, a The Verge lembra que a Netflix, embora esteja diferente do que era há dois anos, continua a ser uma máquina de receitas diferente das outras plataformas — e é por isso que supera a concorrência. 

UMA IDEIA DA MADREMEDIA

Next Studio é um serviço da MadreMedia (empresa-mãe do The Next Big Idea) para todas as empresas que têm uma história para contar. É um estúdio para gravação de áudio e vídeo, destacando-se pelo apoio técnico prestado por quem já trabalha no The Next Big Idea ou na rede de podcasts produzida pela MadreMedia. Ideal para quem:

  • Tem uma ideia para um podcast, mas falta-lhe nomes, guião, estúdio e promoção.

  • Já tem ideia de podcast, guião e convidados, mas queria ter suporte em vídeo.

  • Quer atualizar a fotografias de equipa para o site e LinkedIn, mas não tem um cenário.

Um texto de opinião de

Luís Valente

, CEO da iLoF:

"A IA generativa irá aumentar exponencialmente a capacidade de simular e gerar dados, acelerando os ciclos de pesquisa e ampliando os limites do que é possível".

_ OUTRAS HISTÓRIAS DA SEMANA 

RestartUs usa conceito de cidades inteligentes para gerar mais emprego

Trânsito com menos engarrafamentos, mais segurança nas ruas devido à videovigilância e hospitais mais equipados — estes são apenas alguns exemplos dos benefícios proporcionados pelas Cidades Inteligentes. No entanto, agora, este conceito também pode tornar a economia local mais dinâmica com o aumento das oportunidades de emprego e da redução da informalidade. O motivo para esta mudança de cenário é a plataforma RestartUs, que tem recursos de Inteligência Artificial (IA) para dinamizar o mercado de trabalho nos municípios portugueses. Conheça melhor esta plataforma aqui

Ler também:

_ NEXT ROUND ON ME

O setor da energia e um novo unicórnio na inteligência artificial destacaram-se nas maiores rondas de investimento da semana (22 a 26 de janeiro).Saiba mais sobre estas rondas e startups aqui

_ VI ALGURES NA INTERNET

Pokémon com armas. um novo fenómeno no gaming e chama-se Palworld. Só na plataforma Steam vendeu 8 milhões de unidades — em menos de seis dias.40 anos de Macintosh. O primeiro "hello" do Mac foi há quatro décadas. O computador foi lançado no dia 24 de janeiro de 1984.Lumiere. A Google Research apresentou uma nova ferramenta que permite gerar vídeos a partir de prompts — e o resultado é... impressionante.Um titã dos mares. O maior cruzeiro do mundo (cinco vezes maior do que o Titanic) já partiu na sua viagem inaugural em direção a Miami, nos EUA. Custou 1,65 mil milhões de euros e é "casa" para sete mil pessoas.Apple cede a Bruxelas. De modo a cumprir as exigências da União Europeia, a tecnológica de Cupertino vai permitir downloads fora da App Store.Big Tech. 2024 começou da mesma forma que 2023 - com uma onda de despedimentos. Apesar disso, o setor tecnológico está a dar bons indicadores.

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Escrita e editada por Miguel Magalhães e Abílio dos ReisThe Next Big Idea, 2024