

Há praticamente uma década que associamos a Apple ao rótulo de "empresa mais valiosa do mundo". No entanto, mediante os acontecimentos da última sexta-feira e a ultrapassagem da Microsoft, surge a dúvida se não estamos perante o início de um novo ciclo e de uma transferência de poder e liderança.Na edição de hoje:
A conferência BOOST Building Better Tourism está de regresso e volta a debater o futuro da indústria do turismo.
A CellmAbs celebrou o "maior acordo de sempre" no campo da biotecnologia em Portugal com a alemã BioNTech.
As maiores rondas da semana.
— Abílio dos Reis
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_ LONG STORY SHORT
Microsoft passa Apple e é a empresa mais valiosa do mundo

Há mais de uma década que a Apple é, em matérias de capitalização bolsista, a líder indiscutível. A empresa da maçã ultrapassou pela primeira vez a Exxon Mobil em 2011 e desde então manteve-se mais ou menos firme no topo do cume.
Contudo, a vida é feita de ciclos. Foi o que aconteceu em 2011 quando a Apple destronou a Exxon e, ao que tudo indica, o que aconteceu na última sexta-feira, dia 12, quando a Microsoft ultrapassou a Apple e acabou o dia com o estatuto de empresa cotada em bolsa mais valiosa do mundo — a Microsoft terminou o dia a valer 2,89 biliões (dos trillions) de dólares, mais do que os 2,87 biliões de dólares da Apple, segundo as contas da Bloomberg.
Microsoft à frente da Apple não é inédito: já aconteceu duas vezes. Em 2018, quando o seu negócio de computação na nuvem começou a florescer, e em 2021, quando a pandemia conduziu à escassez da cadeia de abastecimento dos iPhones e abalroou o preço das ações.
A posição da Apple na bolsa tem sentido - e muito - o toque do comportamento comercial do iPhone na China.
As vendas ficaram aquém em 2023 e em 2024 não se avizinham grandes alterações nesta frente,
uma vez que o governo chinês proibiu a utilização dos dispositivos da tecnológica de Cupertino e a Huawai está concentrada em ganhar cada vez mais quota no mercado. Mas segundo o
(NYT) estes não são os únicos motivos de preocupação.
A ascensão da Microsoft
A Microsoft não lidera uma transição tecnológica desde os primórdios dos computadores pessoais, vulgo PC's, quando o seu sistema operativo Windows era dono e senhor destas máquinas. Como lembra o já citado artigo do NYT,
"chegou tarde à Internet, aos telemóveis e às redes sociais"
— o que a colocou na posição de gigante estagnada.
Em 2014,
Satya Nadella assumiu o cargo de CEO para mudar isso.
E quando foi a altura de apostar na inteligência artificial e na nuvem não foi de modas e carregou prego a fundo no acelerador. A julgar pelo
e pela
, a aposta parece ter sido certeira.
Agora, a questão é: qual vai ser a resposta da Apple? Enquanto a Microsoft e outros têm estado a turbinar as suas ferramentas com IA generativa e a abusar do rótulo "IA" nos seus produtos para chamar a atenção dos investidores, a Apple tem optado por fazer exatamente o oposto. Se é por ter alguma coisa na manga, por não querer entrar no hype train em torno da tecnologia ou por quer manter o foco nos Vision Pro, não se sabe. Mas enquanto há essa dúvida, com a venda de iPhones a cair e a Microsoft a somar lucros acima do esperado com a aposta na inteligência artificial, o paradigma em torno da "empresa mais valiosa do mundo" parece estar a prestes a mudar.Saiba mais sobre o tema no site do The Next Big Idea
BOOST - BUILDING BETTER TOURISM

Organizado pelo NEST – Centro de Inovação do Turismo, o BOOST Building Better Tourism é um evento internacional que está de olhos postos na inovação e que debate o futuro da indústria do turismo. A conferência vai ter lugar esta terça-feira, dia 16, na Casa da Música, no Porto, e está estruturada em duas componentes, abrangendo palestras e painéis focados na digitalização, bem como uma componente tecnológica com experiências integradas no evento. No dia 17, tem lugar a BOOST Academy, na Casa da Arquitectura, em Matosinhos.A MadreMedia, empresa-mãe do The Next Big Idea, é Global Partner do evento.Saiba mais sobre o BOOST Building Better Tourism

Um texto de opinião de
Nuno Fernandes
, CEO e Co-Founder da
DIG-IN
(ex-Zomato Portugal).
"Apesar da incrível qualidade da restauração portuguesa, continuamos a ter um nível de digitalização relativamente baixo. Um bom exemplo desta realidade passa pela análise da adesão aos serviços de reserva onde, num total de mais de 55.000 restaurantes, menos de 5.000 disponibilizam esta solução para os seus clientes.
"
_ OUTRAS HISTÓRIAS DA SEMANA
Portuguesa CellmAbs celebra acordo com a alemã BioNTech

A CellmAbs, uma spin-off da Universidade NOVA de Lisboa que se especializou em novos tratamentos contra o cancro, anunciou que celebrou o “maior acordo de sempre no campo da biotecnologia” em Portugal com a alemã BioNTech. Leia a notícia completa aqui.
Ler também:
_ NEXT ROUND ON ME

Na última semana, de 8 a 12 de janeiro, o destaque a nível de rondas de investimento está na Europa e vai para a Picnic, uma startup dos Países Baixos que se prepara para entrar na Alemanha e em França.
_ VI ALGURES NA INTERNET
Apple. Os óculos Vision Pro vão chegar às lojas no dia 2 de fevereiro (apenas nos Estados Unidos) e vão custar 3,500 dólares.Inteligência Artificial. Qual é o papel dos chatbots na educação das crianças no futuro? Foi o que o The Next York Times foi tentar descobrir.Google. A The Verge levou a cabo uma bela reportagem sobre a forma como o motor de busca remodelou a Web à sua própria imagem.Northvolt. A empresa sueca — parceira da Galp para a construção de uma refinaria de lítio em Portugal — vai construir uma fábrica de baterias na Alemanha que vai custar 902 milhões de euros.Best of CES 2024. As Big Tech fazem os seus próprios eventos e é lá que apresentam os seus produtos e novidades, mas a feira anual de Las Vegas ainda é um dos maiores showcases de tecnologia do mundo. E entre televisões transparentes e aeronaves com formato de abelha, este é o top com os melhores produtos que por lá passaram. Mais layoffs. Depois de muitas tecnológicas terem emagrecido os seus quadros em 2023, nos últimos dias a Duolingo fez saber que vai deixar de trabalhar com 10% dos seus trabalhadores externos e vai substitui-los por IA, a Google vai acabar com centenas de postos de trabalho, a Amazon terminou a ligação contratual com mais de 500 pessoas ligadas à plataforma de streaming Twitch e o Discord, a plataforma adorada pelos gamers, vai reduzir a sua equipa em 17%.
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Escrita e editada por Miguel Magalhães e Abílio dos ReisThe Next Big Idea, 2024