Na última edição do ano desta newsletter, falamos da queda da Farfetch, do resgate da Coupang e do que este capítulo significa para o legado do primeiro unicórnio com ADN português.Em nome da equipa do The Next Big Idea, desejo a todos os nossos leitores uma excelente entrada em 2024, e que o próximo ano seja sinónimo de grandes ideias e muitos projetos!Regressamos com a Next a 8 de janeiro. Boas festas!

— Miguel Magalhães, Content Lead

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_ LONG STORY SHORT

A queda do primeiro unicórnio português

Muito se tem dito e escrito sobre a Farfetch nos últimos dias. Várias pessoas destacaram que a debilidade do modelo de negócio da empresa, líder no ecommerce de moda de luxo, tornava inevitável a sua falência. Outras destacaram a falta de transparência da empresa em muitas das suas comunicações com investidores. Em todo o caso, não é uma boa notícia para a economia portuguesa, onde o volume de empresas tecnológicas com sucesso internacional é francamente escasso. 

  • O que aconteceu: no dia 18 de dezembro, a Farfetch evitou a insolvência ao ser vendida ao Coupang, um grupo sul-coreano de ecommerce que opera nas áreas do delivery, streaming e pagamentos (avaliado em mais de 28 mil milhões de dólares), que ficou com toda a operação da Farfetch, após concordar em injetar 500 milhões de dólares na empresa.

A notícia surge depois de uma série de conversas de José Neves: primeiro, pediu mais capital a atuais acionistas, que recusaram o pedido; segundo, teve propostas de alguns fundos de investimento para dividir a Farfetch em partes e vender as componentes mais valiosas de modo a poder pagar parte da sua dívida; e, por último, surgiu a oportunidade do grupo Coupang, a única que permitia que a empresa continuasse em operação, no meio de muitas incertezas.

  • A venda ao Coupang foi possível graças a um acordo com um investidor, a Greenoacks, que detinha 80% da dívida principal de 600 milhões da Farfetch. A Coupang e a Greenoaks criaram uma joint-venture, a Athena Topco, na qual a empresa coreana fica com 80,1% da Farfetch e o fundo de investimento com os restantes 19,9%.

Algumas consequências que se fizeram sentir após o anúncio do negócio:

  • Demissão geral da Administração da Farfetch, sendo José Neves o único membro a integrar a Coupang, ainda sem uma posição definida;

  • Acionistas e detentores de convertible notes não vão recuperar o seu investimento;

  • As ações da Farfetch deixaram de ser negociadas em Bolsa e o processo de retirar a empresa do NYSE foi iniciado.

O legado

Portugal não é um país que goste de empresas. Temos uma cultura tradicionalmente avessa ao risco e mais facilmente vemos alguém a regozijar-se com o falhanço de um negócio do que a celebrar o seu sucesso.

No entanto, a realidade é que seriam boas notícias se Portugal tivesse mais “Farfetchs” por esse mundo fora. Empresas que atingiram uma dimensão muito superior ao mercado onde nasceram e que acabaram por nos colocar no mapa em termos de inovação. Ter mais empresas listadas no NASDAQ, no NYSE ou em outro qualquer indíce de relevo traria mais investimento para Portugal, aumentaria salários e melhoraria a qualidade de vida de muitas pessoas.Saiba e leia mais sobre a queda do primeiro unicórnio português

UMA IDEIA DA MADREMEDIA

O Next Studio é um serviço da MadreMedia (empresa-mãe do The Next Big Idea) para todas as empresas que têm uma história para contar. É um estúdio para gravação de áudio e vídeo, destacando-se pelo apoio técnico prestado por quem já trabalha no The Next Big Idea ou na rede de podcasts produzida pela MadreMedia. Ideal para quem:

  • Tem uma ideia para um podcast, mas falta-lhe nomes, guião, estúdio e promoção.

  • Já tem ideia de podcast, guião e convidados, mas queria ter suporte em vídeo.

  • Quer atualizar a fotografias de equipa para o site e LinkedIn, mas não tem um cenário.

_ OUTRAS HISTÓRIAS DA SEMANA 

Inductiva fecha ronda de 2,25 milhões de euros 

Inductiva Research Labs, startup portuense que quer “democratizar o acesso a ferramentas de simulação”, anunciou que fechou uma ronda de investimento seed de 2,25 milhões de euros para ajudar engenheiros e cientistas a simular “All Things in Nature”.Leia a notícia completa aqui.

_ NEXT ROUND ON ME

Na semana que antecedeu o Natal, a maior prenda do sapatinho em termos de investimento foi para uma fintech “BNPL” saudita. Mas como não podia deixar de ser, houve também muito carinho (e dinheiro) para dar à inteligência artificial (direta ou indiretamente).

_ VI ALGURES NA INTERNET

Adobe & Figma. Devido à pressão dos reguladores do Reino Unido e dos Estados Unidos, a Adobe desistiu do negócio - que seria de 20 mil milhões de dólares - e vai ter de pagar mil milhões à Figma para compensar.Toshiba. Ao fim de 74 anos, a ex-gigante japonesa, que em tempos chegou a fabricar quase tudo o que era eletrónico mas que nos últimos tempos caiu na desgraça, vai sair da bolsa de Tóquio.FT Person of the Year. Lars Fruergaard Jorgensen, o CEO da Novo Nordisk, farmacêutica dinamarquesa de que falamos há uns tempos, é a Personalidade do Ano para o Financial Times.Nikola. Trevor Milton, fundador da empresa norte-americana de camiões elétricos movidos a hidrogénio, foi condenado a quatro anos de prisão por enganar investidores.Google. Depois de o tribunal ter dado razão à Epic Games, a empresa vai ter de pagar 700 milhões de dólares devido a um processo de anti-concorrência relacionado com a Play Store.Mega Fusão. Warner Bros. Discovery e Paramount, dois grandes conglomerados norte-americanos, estão em conversações sobre uma possível fusão.

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Escrita e editada por Miguel Magalhães e Abílio dos ReisThe Next Big Idea, 2023