
22 de fevereiro de 2021
Quando falamos sobre startups é comum estarmos focados nos produtos e serviços que são lançados, nas rondas de investimento e até nos prémios que vão sendo ganhos. É menos comum discutirmos o contributo que as novas empresas podem trazer para a gestão de equipas e para a liderança. Este é um dos pontos mais interessantes na entrevista que fizemos a Diogo Mónica, o português com dupla nacionalidade portuguesa e americana - mas com infância e percurso escolar e académico feito em Portugal - que é hoje o co-fundador do primeiro banco de criptomoedas reconhecido ao nível federal nos Estados Unidos. Uma entrevista que os subscritores da "Next" podem ler na íntegra e sobre a qual gostava de saber o que pensam ([email protected]). Obrigada por nos acompanharem, Rute Sousa Vasco
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Long Stories Short

O que se passou na Austrália?
Há três anos que a Australian Competition and Consumer Commission (ACCC), a reguladora australiana para a concorrência, trabalhava numa proposta que levasse a acordos comerciais entre os principais grupos de media do país e as Big Tech. Depois de as negociações não chegarem a bom porto, o governo australiano foi obrigado a intervir e a começar a desenvolver uma legislação que “obrigasse” os dois lados a sentarem-se à mesa.A situação: uma nova legislaçãoA tendência observada na Austrália na última década é em tudo semelhante àquela observada no resto do mundo. O Facebook e o Google têm acumulado uma fatia cada vez maior das receitas da publicidade online representando, atualmente, cerca de 76% de toda a indústria australiana. A solução encontrada (e anunciada) pelo governo australiano, na última semana, é o centro de toda a polémica que levou o Google e o Facebook a limitarem o acesso à sua plataforma no território australiano. O governo australiano elaborou uma proposta de lei que dava às grandes tecnológicas uma de duas opções: (1) ou entrarem em acordos individuais com os publishers (2) ou sujeitarem-se à análise de um painel independente com a responsabilidade de mediar o valor a pagar pelas Big Tech a cada um dos meios que exigisse compensação.A reação: a sensação de perigoOs acordos com publishers não são uma novidade para o Google e o Facebook. Através do Google News Showcase e do Facebook News, respetivamente, as duas empresas encontraram uma maneira de compensar vários grupos de media pelo conteúdo que disponibilizam ou partilham através dos seus serviços. Então, o que muda com esta legislação?
Em primeiro lugar, o Google e o Facebook não têm interesse em pagar a todos os meios de comunicação. A maior parte dos acordos feitos têm sido com grandes grupos de media já com audiências significativas. Para publishers mais pequenos costumam estar reservados bolsas de jornalismo para as quais se têm de candidatar.
Em segundo lugar, estas plataformas querem controlar os moldes em que negoceiam (especialmente quando estão numa posição dominante no mercado). Há uma diferença entre negociar um valor geral e ser obrigado, por lei, a pagar por cada link ou click feito em conteúdo na sua plataforma.
Em terceiro lugar, há o perigo de contagiar outros países a explorar soluções parecidas que prejudiquem o domínio destas plataformas nesses mercados. Em 2019, o Google foi obrigada a assinar diversos acordos com meios franceses e, em 2014, fechou a sua divisão de notícias em Espanha, depois de uma legislação semelhante à australiana ter sido aprovada.
Por todas estas razões, as suas posições acabaram por ser mais extremas do que o esperado:
Facebook: bloqueou a possibilidade de partilha de qualquer conteúdo noticioso na Austrália, seja de um meio local, seja de um meio estrangeiro. De acordo com empresa liderada por Mark Zuckerberg, as notícias representam apenas 4% de todo o conteúdo presente na plataforma, por isso não se sentem na obrigação de entrar em acordos (p.s. há opiniões mais contraditórias afirmando que deviam ser os publishers a pagar para acederem à audiência que o Facebook fornece). Quem controla a atenção controla a narrativa.
Google: a ferramenta de pesquisa tem mais a perder, porque o seu modelo de negócio está assente, em grande parte, na partilha de links e em clicks associados a meios noticiosos. Uma coisa é assinar um acordo com a News Corp., um dos maiores grupos de media do mundo, para incluir o seu conteúdo na Google News Feed. Outra coisa é ter de fazê-lo com todos os meios e ver os seus lucros a diminuir significativamente. Daí, a Google ter mesmo ameaçado retirar o seu motor de pesquisa da Austrália e deixar 25 milhões de australianos dependentes do Bing.
A reflexão: potenciais consequênciasO que significa isto para o funcionamento da Internet? Tim Berners-Lee, criador da World Wide Web, acredita que o pagamento por "linkar" conteúdo pode tornar a Internet “impraticável”.O que significa isto para o jornalismo? A possibilidade da não-presença de meios de comunicação social credíveis nestas plataformas poderá levar à proliferação de fake news que deixam de ter uma alternativa fidedigna para as contrapor. Simultaneamente, também pode levar ao aumento do tráfego direto aos sites de informação e do consumo de outros formatos, por exemplo, newsletters que são feitas carinhosamente todas as segundas-feiras.Existem outras soluções? A solução mais eficiente poderia passar por taxar mais as Big Tech e garantir que uma parte dessas receitas são investidas em jornalismo de qualidade. Falta só conseguir que estas empresas paguem impostos e que o dinheiro vá de facto para o jornalismo.
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Adicionar ao CV
E de repente fez-se história... outra vez
É a primeira mulher e a primeira pessoa negra a ser líder da Organização Mundial do Comércio. Ngozi Okonjo-Iweala vai assumir, até 2025, o cargo de diretora-geral daquela que é a entidade reguladora da atividade comercial entre as nações. Depois de dizer que se sentia "honrada" por ocupar este lugar, prometeu enfrentar os desafios económicos e sanitários causados pela COVID-19.
Por onde andou Ngozi Okonjo-Iweala?Formada em Harvard e no MIT, e com dupla nacionalidade (americana e nigeriana), a nova líder da Organização Mundial do Comércio foi duas vezes Ministra das Finanças da Nigéria e uma vez Ministra dos Negócios Estrangeiros, sendo também a primeira mulher a ficar a cargo destas duas pastas. Durante o período em que esteve no gabinete das finanças (2003-2006 e 2011-2015) ficou conhecida por ser uma das maiores responsáveis pela sobrevivência do país, quando renegociou a dívida da Nigéria, que aumentava desde os anos 80.
Ngozi foi ainda Presidente do Banco Mundial, onde liderou inúmeras iniciativas para ajudar países em desenvolvimento, nomeadamente os mais de 40 mil milhões de dólares para a Associação Internacional de Desenvolvimento, o fundo do Banco Mundial destinado a auxiliar estes países.
No ano passado, liderou a Aliança Global para as Vacinas - atualmente liderada por Durão Barroso - e foi a enviada especial da União Africana para conseguir apoio financeiro internacional na luta contra a COVID-19. Foi ainda enviada especial da Organização Mundial de Saúde para a ACT Accelerator (Access to Covid Tools Accelerator), no sentido de encontrar uma resposta internacional à pandemia.
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The Next Big Idea apresenta...

Os piratas da fintech
Os piratas dão boas analogias para quem quer explicar a diferença entre comando e liderança. Nos barcos de piratas, o capitão tem de convencer a equipa das suas decisões, justificando o lugar como sendo a pessoa em que os outros confiam. Num navio da Marinha, existe um comandante, cujo estatuto não veio da validação da equipa, mas sim de uma estrutura hierárquica sempre bem definida.
Para Diogo Mónica, Co-Fundador da Anchorage e um fã confesso de analogias de piratas, a cultura da sua empresa está bem mais próxima do primeiro caso do que do segundo. A Anchorage é uma fintech que desenvolveu o Anchorage Digital Bank, o primeiro banco de criptomoedas a ser regulado a nível federal nos EUA.
O português esteve em destaque no episódio mais recente do The Next Big Idea, onde partilhou o seu percurso e aquilo que espera alcançar com a sua empresa. No vídeo que aqui publicamos, terá a oportunidade de ver a entrevista completa e conhecer melhor a sua história.Uma nota de agradecimento a todos os que nos seguem nesta newsletter e a renovação do nosso compromisso de todas as semanas trazermos conteúdos que ajudam a entender este complexo xadrez mundial em que nos movemos.
Saiba mais sobre a associação em anchorage.com
Veja os episódios anteriores no nosso canal de Youtube.
Onde ver o programa: todos os sábados às 9h45 e todos os domingos às 16h45, na SIC Notícias.
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Vi algures na Internet

É tudo uma questão de contexto
Num jogo de xadrez, em que metade das peças é branca e a outra metade é preta, é normal que se diga muitas vezes "branco", "preto", "ataque" e "ameaça". Um estudo da universidade americana Carnegie Mellon reviu 680 mil comentários em cinco canais de xadrez no YouTube e selecionou mil que tinham sido classificados como discurso de ódio para perceber se tinham sido bem identificados pelo sistema de Inteligência Artificial da plataforma.
Curiosamente, percebeu-se que 82% destes comentários tinham sido incorretamente catalogados por conterem as palavras black, white, attack e threat. O problema: os algoritmos do YouTube são falíveis por não terem em conta o contexto, e alguns vídeos ou contas foram banidos da plataforma por serem considerados racistas.
Foi isto que aconteceu a Antonio Radic, criador do canal de xadrez mais popular do mundo (com 1 milhão de subscritores) – o Agadmator – que foi considerado "preconceituoso e perigoso". O criador de conteúdos croata entretanto recuperou o seu direito a colocar vídeos no Youtube, depois de 24 horas em que foi avaliada a expressão "preto contra branco". No fim de contas, era só um jogo de tabuleiro.
É mais do que música para os ouvidos
Esta segunda-feira, o Spotify apresentou o seu roadmap para o futuro do áudio, com a apresentação de uma série de novidades no evento online “Stream On”. Com mais de 345 milhões de utilizadores no mundo inteiro, o serviço de streaming irá continuar a apostar no crescimento, expandindo-se para mais 85 mercados e ficando disponível em mais 36 idiomas, incluindo o português.
Quanto a funcionalidades, destaca-se o HiFi, um upgrade (ainda sem preço definido) que vai ficar disponível para os subscritores premium, que vão poder ouvir "música com qualidade de CD, num formato de áudio sem perdas para o dispositivo e colunas”. O novo serviço foi apresentado com a ajuda de um vídeo promocional com os irmãos músicos Billie Eilish e Finneas.
Destaque ainda para novas funcionalidade de interação como o Spotify Clips (uma espécie de stories do Spotify), o Canvas (vídeos curtos em loop para cada uma das músicas do Spotify está agora aberto a todos os artistas) e ainda uma parceria com a Wordpress, que permitirá maior interação com a audiência através de publicações e sondagens.
Nos conteúdos, o foco esteve nas novas séries de podcasts que a Spotify tem na gaveta para serem lançadas nos próximos meses: Batman Unburied do universo da DC Comics, Renegades: Born in the USA de Barack Obama e Bruce Springsteen e uma série de Meghan Markle e do Príncipe Harry foram os principais destaques.
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Projetos que ficaram debaixo de olho 🤩
Ninjas que ajudam marcas: este é o conceito do Brands & Ninjas, um negócio português que trabalha com uma série de pessoas comuns que vão às grandes superfícies verificar se as promoções de um produto estão a ser cumpridas, de acordo com o estipulado entre a marca e a loja. Qualquer um pode ser um Ninja, desde que tenha um smartphone, onde consulta as missões "top secret" e espreita se aquele aspirador em promoção está mesmo no expositor onde devia estar.
"No outro supermercado estava mais barato". Esta é uma frase que muitos de nós já dissemos ao comparar preços. Mas a comuniTI poupa-lhe esta ginástica, com um site onde pode comparar diretamente os preços, numa só plataforma, em tempo real, sem andar a saltar de folheto em folheto. Entre várias propostas inovadoras desta plataforma portuguesa, estão também as compras de grupo, que têm como objetivo baixar cada vez mais o preço de um produto quanto maior for a procura do mesmo.
Nem a Emel apanha os utilizadores do ParkMobile, o novo serviço do Google Maps que permite encontrar estacionamento para o carro e pagá-lo diretamente através da app. A ideia surge numa altura em que aumentam as preocupações com os pagamentos através das máquinas dos parquímetros, por serem aparelhos onde toda a gente toca em plena pandemia.
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É só mais 1 minuto ⌛
Imagens de outro mundo: o Perseverance, o “robô espacial” da missão dos EUA a Marte, já está no planeta vizinho à procura de sinais de vida e a NASA partilhou algumas das imagens por si recolhidas.
Fontes sustentáveis? A sustentabilidade também pode ser medida no tipo de letra que utilizamos para escrever documentos. Descubra quais são as fontes mais amigas do ambiente neste artigo da Fast Company.
Benchmark de redes sociais: que indústrias têm uma melhor performance no Facebook, no Instagram e no Twitter? Descubra tudo neste relatório da Rival IQ.
Falando de bola: O Barcelona é o único clube na história a conseguir receitas superiores a mil milhões de dólares num ano fiscal. Apesar disso, a pandemia e más decisões de gestão colocaram o clube numa situação financeira complicada, como analisa este artigo do The New York Times.
Dois dedos de conversa
Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos que valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.
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