Finalizada mais uma edição do Web Summit, é altura de começar a olhar para 2024 e colocar em prática algum do feedback que recebemos das mais de 40 entrevistas realizadas ao longo dos três dias do evento a fundadores, investidores e outros players do ecossistema. Coisas que aprendemos: há capital para as boas ideias, mas há também maior exigência; Lisboa é cada vez mais um hub europeu de referência, mas é necessário capacitar outros de norte a sul do país; existem muitas histórias por contar no ecossistema de inovação português e estamos cá para encontrá-las.Na edição de hoje:

  • Sam Altman é afastado da OpenAI, mas pode já estar de regresso?

  • Quais são os fundos europeus a apoiar startups?

  • Uma lista das 7 maiores rondas de investimento da semana (com dois projetos Web3 a merecer destaque).

— Miguel Magalhães, Content Lead 

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_ LONG STORY SHORT

A novela "Sam Altman vs OpenAI"

Na passada sexta-feira, a OpenAI deixou o mundo empresarial em alvoroço com um comunicado de imprensa em que informava que a "Board" tinha decidido, com efeito imediato, afastar o CEO Sam Altman da liderança da empresa por “falta de uma comunicação mais transparente” e que nomeava a CTO Mira Murati como CEO interina. Segundo as principais publicações, esta decisão apanhou de surpresa não só o próprio Altman, mas todos os investidores da startup americana (entre eles a Microsoft), que foram avisados apenas uns minutos antes da mesma.E tinham razão para tal. Na OpenAI Dev Conference, que decorreu há poucas semanas, o ambiente vivido na empresa parecia ser de celebração e não de crise política iminente. Em palco, com uma aura “a la Steve Jobs”, Sam Altman apresentou uma nova gama de produtos promissora baseada nos seus modelos de IA e informou que já mais de 100 milhões de pessoas utilizavam o ChatGPT semanalmente. Se juntarmos a isto a parceria com a Microsoft no valor de 10 mil milhões de dólares e uma potencial nova ronda de investimento que iria avaliar a empresa em 86 mil milhões de dólares, tudo parecia estar a correr bem.Mas nos bastidores, aparentemente, não era esse o caso.Uma estrutura insustentávelA OpenAI tem a particularidade de ter sido fundada em 2015 como uma organização sem fins lucrativos, que procurava promover a investigação em inteligência artificial e o desenvolvimento de soluções benéficas para a sociedade. Contudo, em 2019, face ao potencial demonstrado pelos primeiros modelos GPT, decidiu mudar para um estatuto mais capitalista virado para o lucro. Num cenário normal, não haveria qualquer problema com esta mudança. No entanto, em termos de estrutura de decisão ou corporate governance, ficou com uma posição peculiar.

  • Numa empresa, a situação mais comum é, além do CEO (que pode ou não ter uma participação), haver uma comissão composta por investidores e advisors, que têm como objetivo principal a criação de valor para os acionistas, tomando decisões com base nessa premissa, incluindo a própria remoção do CEO.

  • Na OpenAI, a estrutura definida é diferente. Apesar de já não ser uma non-profit, manteve nos seus estatutos uma comissão executiva independente composta por Altman e mais cinco pessoas que não têm qualquer participação na empresa. A missão principal continua a ser o desenvolvimento de IA com um impacto positivo para a sociedade (como uma non-profit) e não a maximização de valor para os acionistas. Isto significa, por exemplo, que teoricamente a Microsoft, apesar ser a principal acionista da OpenAI, não tem poder de decisão no roadmap da empresa. 

Despedimento ou Regresso?A fase atual que a OpenAI parece ter criado tem duas alas principais: a de Sam Altman, que apoia o caminho que a empresa está a fazer como uma startup e aquilo que é a distribuição dos seus produtos por um mercado cada vez maior; e uma ala mais filantrópica (à qual Elon Musk já demonstrou apoio como um dos primeiros investidores da OpenAI), mais preocupada com o impacto que as tecnologias de IA podem ter na privacidade de cada um de nós, no emprego e na segurança.A decisão de sexta-feira pareceu claramente uma tentativa da “Board”, com uma afiliação mais filantrópica, ganhar mais algum controlo, mas a situação durante o fim de semana transformou-se numa novela como há muito não se via. A nova CEO interina, Mira Murati, aparentemente, procurou chegar a um acordo com Altman para o seu regresso, depois de pressões do staff, investidores e players da indústria. A "Board" que a tinha nomeado continuou à procura de um novo CEO full-time.Esta segunda-feira de manhã, para já, o que parecia ser uma "reviravolta" de Altman, transformou-se num empate nos descontos. Mirati foi substituída por Emmett Shear (ex-CEO da Twitch) como CEO interino. Sam Altman abandonou as negociações e foi contratado para liderar uma nova equipa de IA na Microsoft, que acaba por ficar com um plano B, caso a confusão na OpenAI continue a escalar.Mais sobre esta história aqui

UMA IDEIA DA MADREMEDIA

O Next Studio é um serviço da MadreMedia (empresa-mãe do The Next Big Idea) para todas as empresas que têm uma história para contar. É um estúdio para gravação de áudio e vídeo, destacando-se pelo apoio técnico prestado por quem já trabalha no The Next Big Idea ou na rede de podcasts produzida pela MadreMedia. Ideal para quem:

  • Tem uma ideia para um podcast, mas falta-lhe nomes, guião, estúdio e promoção.

  • Já tem ideia de podcast, guião e convidados, mas queria ter suporte em vídeo.

  • Quer atualizar a fotografias de equipa para o site e LinkedIn, mas não tem um cenário.

_ OUTRAS HISTÓRIAS DA SEMANA 

💰 Quais são os fundos europeus a apoiar startups?

Créditos: Fundo Europeu de Investimento

No primeiro dia do Web Summit, o The Next Big Idea conduziu uma programação de entrevistas com o apoio da Portugal Tech, na qual participaram alguns dos principais responsáveis do Banco Europeu de Investimento (BEI) e do Fundo Europeu de Investimento (FEI). Apoiar novas startups e reter na Europa os projetos de maior crescimento na área tecnológica é um dos desafios da União Europeia e, por conseguinte, do BEI e do FEI, que estabelecem parcerias com fundos dos países membros.A partir de um conjunto de conversas, fomos descobrir o que está a ser feito pelo FEI em Portugal, nomeadamente através de iniciativas como o Portugal Tech, lançado em 2018. Esta ferramenta financeira está hoje presente em fundos dos VC Indico Capital Partners, Armilar Venture Partners e Faber Ventures, que partilharam as suas estratégias de investimento em algumas das principais startups portuguesas.Mais sobre o FEI e VC portugueses aqui

Ler também:

  • António Dias Martins: "Acho ótimo as startups saírem da Europa para ir buscar mercado ou talento. Sair para ir buscar capital é mau sinal"

_ NEXT ROUND ON ME

Na semana de 13 a 17 de novembro, estas foram as principais rondas de investimento no mundo inteiro, com destaque para duas empresas com ligação a Web3, a Blockchain.com e a Fnality, uma paisagem pouco comum no ano de 2023.

_ VI ALGURES NA INTERNET

Microsoft. A gigante tecnológica vai apostar na criação da sua própria gama de semicondutores para reduzir a dependência de empresas como a Intel e a NVIDIA.ByteDance. De acordo com o The Information, as receitas da dona do TikTok ascenderam a 29 mil milhões de dólares no último trimestre, o que representa um crescimento de 40% e uma aproximação à Meta.F1 dá asas às bebidas. O domínio da Red Bull Racing na Fórmula 1 está a traduzir-se diretamente no aumento das vendas da famosa bebida energética, que conta com 13% de quota de mercado. Ainda assim, não é suficiente para destronar a posição  #1 da Monster Beverage.Elon Musk. O homem mais rico do mundo e dono da X voltou a provocar a ira de alguns anunciantes da plataforma depois de um comentário de apoio a tweet antissemita. A Disney, a IBM e a Comissão Europeia foram algumas das organizações a suspender investimento em publicidade na plataforma.Bots > pessoas? Um grupo de investigadores colocou 500 chatbots num Fake-Twitter e os resultados surpreenderam: foram muito mais calmos do que as pessoas de carne e osso.

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Escrita e editada por Miguel Magalhães e Abílio dos ReisThe Next Big Idea, 2023