6 de novembro de 2023

A WeWork abriu como espaço de co-working em Nova Iorque e em menos de uma década tornou-se num dos unicórnios mais valiosos e conhecidos do mundo. Nesta última fase, já nem era somente um vulgar espaço de escritórios — era uma marca e um estilo de vida. Pelo caminho, contudo, foi perdendo o rumo e outras coisas. Os críticos da sua gestão dizem que noção, os investidores e analistas financeiros falam mais no dinheiro. Outrora avaliada em 47 mil milhões de dólares e tida como futuro dos escritórios, a realidade de hoje é totalmente oposta a essa noção de extravagância. Tanto que deve estar a preparar os papéis para a falência enquanto as linhas que se seguem ganham forma.PS: Na próxima semana, a newsletter vai passar a ter um novo look e vai trazer algumas novidades! Fiquem atentos à caixa de e-mail.Obrigado por nos lerem,Abílio dos Reis

Long Stories Short 

 Uma falência anunciada  

A WeWork, empresa de espaços de co-working, de acordo com vários órgãos de comunicação internacionais, deverá estar prestes a declarar falência devido a uma incomportável acumulação de dívidas e prejuízos. Segundo o Wall Street Journal (WSJ), que avançou inicialmente a notícia, o que está em cima da mesa é aplicação do Capítulo 11 do Código de Falências dos EUA (de maneira a que se possa tentar reerguer e inverter a situação — ou seja, fecham-se escritórios e espaços que não dão lucros, mas não fecha tudo). Se devemos ficar surpreendidos? Nem por isso. Caso a saída de CEO's, CFO's e a entrada de líderes interinos para a estrutura não fossem indicadores de que o barco está prestes a afundar, ainda no mês passado saíram notícias de a que WeWork não iria conseguir pagar 95 milhões de dólares acumulados em juros e que estava em negociações com os senhorios dos seus espaços para reduzir custos. E, em agosto, David Tolley, o CEO interino que virou CEO permanente, também já tinha alertado que existiam “dúvidas substanciais quanto à capacidade da empresa em prosseguir a sua atividade". Segundo o New York Times (NYT), desde essa comunicação, o preço das ações caiu 90%. 

  • Números: Segundo os números obtidos pelo WSJ, a está presente em 39 países e explora mais de 777 espaços. Em Portugal, a empresa tem escritórios em Lisboa desde 2022, estando situados no edifício nº. 50 da Avenida Alexandre Herculano.

 Não é de agora 

O princípio do fim começou em 2019, na altura que Adam Neumann quis tornar a empresa pública. O problema? As folhas de Excel revelaram aquilo que muitos críticos já suspeitavam: a empresa era uma máquina de jorrar dinheiro e faturava-se pouco. Os alarmes começaram a tocar e a IPO falhou.

Na altura, a empresa foi salva com uma injeção de quase 10 mil milhões do Softbank, que ainda hoje chora os milhões investidos. 

  • A WeWork só entraria em bolsa após uma fusão com a BowX Acquisition, num negócio avaliado em 9 mil milhões de dólares, bem abaixo da avaliação de outros tempos.

  • Como lembra o NYT, a acumulação de perdas foi algo que sempre existiu. O modelo de negócio da WeWork esteve “sempre de pernas para o ar” porque aquilo que recebia dos clientes não era suficiente para cobrir os custos de aluguer e funcionamento dos seus espaços. Desde o final de 2017, a empresa já perdeu uns impressionantes 15 mil milhões de dólares. 

Ascensão e queda No seu auge, a WeWork chegou a ser uma das startups mais badaladas do mundo e um abastado unicórnio avaliado em 47 mil milhões de dólares (para motivos de comparação do quão grande era, segundo a CBInsights, a Stripe está avaliada em 50 mil milhões, a Revolut em 33 e a Canva em 25). Hoje, a confirmar-se o cenário e o pedido de insolvência, arrisca-se a ficar no pódio dos maiores falhanços de sempre e no exemplo #1 de como não fazer crescer uma startup — senão ostentar já esse estatuto. A história da WeWork é digna de filme e fica atormentada por diversos problemas de gestão (episódios de sexismo e de uma cultura empresarial de excessos, abusos contra funcionários, etc) e uma tentativa de OPA que ultimamente ditou a saída do seu carismático cofundador, Adam Neumann (que ficou bilionário no processo e cuja biografia está longe de estar escrita e terminada, pois em 2022 ganhou um novo capítulo através da sua nova empresa, a Flow, que virou unicórnio sem ter aberto portas).Em suma: o que causa surpresa não é o pedido de insolvência. É o facto de existir quem sugira que os investidores que apoiaram a empresa “não aprenderam nada com este desastre”.

  • A fundação da WeWork ganhou contornos de dramatização através da série “WeCrashed”, disponível na AppleTv+. Inspirada em factos verídicos, a série mereceu um episódio especial num crossover entre o podcast Acho Que Vais Gostar Disto e o The Next Big Idea, duas marcas da MadreMedia.

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As Maiores Rondas da Semana: Brasil na ListaNa semana de 30 de outubro a 3 de novembro, o destaque vai para o setor das fintech com duas importantes rondas, uma da startup americana Next Insurance e outra da startup brasileira QI Tech. A notícia completa aqui.

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Vi algures na Internet  💻

Mais um chatbot. Depois de na semana passada ter alertado que a IA era "uma das maiores ameaças à humanidade", Elon Musk revelou o seu concorrente do ChatGPT — o Grok. Pelos vistos, tem uma "veia rebelde" e ajeita-se bem no sarcasmo, algo que deixa Musk orgulhoso. Stephen King é que não parece muito impressionado.Culpado - FTX. Sam Bankman-Fried, mais conhecido simplesmente por SBF ou Crypto King, foi considerado culpado das sete acusações relacionadas com fraude e branqueamento de capitais — e a pena pode ir até aos 115 anos de prisão. No entanto, a sentença pode ser bem inferior e ser "só" de algumas décadas.Em todo o lado. Já era sabido que a Google não poupava esforços (nem dinheiro) para ser o navegador predefinido no Safari, Firefox e semelhantes. Mas agora ficou a saber-se realmente o preço a pagar para ser o #1 — qualquer coisa como 26,3 mil milhões dólares.Apple em modo "Scary Fast”. O evento assustadiço da maçã revelou alguns Macs novos, que já vêm equipados com a versão mais recente do chip interno: o M3. Estas são as quatro maiores novidades da apresentação em modo Halloween.20 anos de CM/FM. Prestes a sair a 20.ª edição e com duas décadas de existência, esta é a história de como o simulador de futebol 'Championship Manager' evoluiu para 'Football Manager' e se transformou num franchise que ganhou milhões e bateu recordes.Telegram. Reportagem da Wired que revela como a plataforma virou uma arma aterradora na guerra entre Israel e o Hamas. Copilot: o que fazer? Um guia prático com aquilo que se pode fazer com o assistente de IA do Windows 11.

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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abilio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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