
9 de outubro de 2023
O Sifted Summit é a prova de que hoje em dia uma empresa de media é muito mais do que o conteúdo que produz e distribui através das suas plataformas digitais. A Sifted é uma publicação focada no mercado de startups europeu (e uma espécie de submarca do Financial Times), que organizou nos dias 4 e 5 de outubro, em Londres, um evento onde juntou startups à procura de financiamento, VCs à procura de projetos que justifiquem o investimento e uma série de profissionais à procura de saber mais sobre o estado da economia e do mundo empresarial. Nós estivemos lá e contamos como foi.Obrigado por nos lerem,Miguel Magalhães
Esta newsletter foi partilhada consigo? Pode subscrevê-la aqui.
Siga-nos também no LinkedIn, no TikTok, no Instagram e no Twitter
Long Stories Short

EUA vs Europa
“Quando é que esta fase acaba?” foi a expressão mais ouvida nos diferentes painéis que compuseram o Sifted Summit. Por fase, entenda-se o período de praticamente dois anos em que o acesso a capital por parte de startups ficou mais complicado e os padrões de exigência dos fundos de investimento ficaram mais rigorosos, com medo de colocar dinheiro no projeto errado. Apesar da sua dimensão, o mercado de startups do Reino Unido está a enfrentar problemas bem parecidos com os restantes ecossistemas europeus. Comparando com Portugal, por exemplo, há mais VCs e há mais capital disponível, mas há também maior competitividade e um foco muito maior em métricas que vão para além do número de utilizadores ou de estimativas a longo-médio prazo. Os investidores querem receitas e dinheiro a ser gerado. Falou-se também da importância da missão de uma startup e do facto de colocar “AI” na descrição para chamar a atenção não ser uma boa estratégia de marketing a médio prazo.A agenda do evento organizado pela Sifted versava sobre diferentes tecnologias, diferentes indústrias e até diferentes dinâmicas naquilo que é o dia-a-dia das empresas. Da inteligência artificial às novas tecnologias em prol do clima. Da saúde às fintech. Do recrutamento de um CTO aos desafios de fundar uma empresa sozinho. Estes temas estiveram distribuídos por quatro palcos principais - o Main Stage, o Spotlight Stage, o Impact Stage e o Startup Life Stage - e em todos houve sempre uma predisposição natural dos participantes para fazer perguntas e para, de alguma forma, retirar algum insight que fosse relevante para o seu negócio. Fossem os desafios da aplicação da IA generativa, o sistema de créditos de carbono como incentivos para a responsabilidade ambiental das empresas, a disparidade de género que ainda existe na liderança de startups e no acesso a investimento.No entanto, todos estes temas pareciam intersetar não só com o tema do capital, como com as diferentes formas de atuar entre a Europa e os EUA, no que diz respeito ao investimento e à regulação que as empresas enfrentam. Do que vi e ouvi, estes foram alguns exemplos que vale a pena destacar:
“Keynote com John Collision (Presidente da Stripe)”: a gigante dos pagamentos tem os principais escritórios em Dublin e em São Francisco, ou não fossem os dois irmãos fundadores irlandeses. Neste painel, Collison fez o comparativo de que a falta de regulação torna os EUA mais fácil para um negócio escalar e ter avaliações mais elevadas, mas que as medidas mais zelosas da Europa face ao ambiente a podem tornar numa líder em “climate tech”, uma área para a qual todos os principais VCs estão a olhar.
“The American Dream”: neste painel foram convidadas três startups para partilharem a sua experiência de internacionalizarem o seu negócio para os EUA e foi interessante perceber o poder que o rótulo “UK” teve na apresentação de cada uma. Nenhuma delas faz algo de particularmente diferente face a outras startups oriundas da Alemanha, França ou Portugal, mas o facto gozarem da reputação britânica mereceu outro tratamento por parte de investidores e clientes. No final do dia, o objetivo das instituições que promovem o ecossistema de inovação de um determinado país é criar esta aura que permita às startups locais construir pontes para outros mercados mais rapidamente.
“Is this the end of the slowdown?”: Um painel muito focado no tema que abriu este texto, em que investidores britânicos e americanos fizeram as suas previsões para quando as coisas podiam melhorar. O consenso foi que dependia um pouco do uso que startups fossem dar a uma nova ronda de investimento: para aumentos de custos operacionais e para a entrada num novo mercado teria de estar tudo muito bem justificado com números. A melhor aposta? Algures no fim de 2024.
“Future of startups”: este foi o tema de uma das meetups organizadas no Sifted Summit, onde 30 a 40 empreendedores e investidores se reuniam numa sala para falar livremente de um determinado tema. Nesta em específico, o termo “unicórnio” e o seu impacto muitas vezes nocivo foram os assuntos em destaque, bem como soluções para haver um investimento mais responsável, tanto da perspetiva das startups como dos fundos que alocam capital nos seus modelos de negócio. E, claro, o porquê de os EUA terem mais unicórnios.
“Most promising European startups”: este foi um workshop dado pela própria Sifted, no qual apresentou o seu “modus operandi” para fazer a pesquisa de startups que depois inclui nos seus guias de indústria ou de países. Cada vez mais, players de media, como a Sifted e o The Next Big Idea, vão ter um papel fundamental na qualidade da informação que chega a VCs e startups, para tomarem melhores decisões e contribuírem para um contexto económico mais saudável. Ao longo do evento, alguns dos seus sponsors - Latham & Watkins, o banco HSBC, a Morgan Stanley, a Stripe, a Accenture, entre outros - também tiveram a oportunidade de organizar workshops em temas que lhes eram relevantes.
Apesar dos desafios, foi interessante observar o otimismo generalizado na melhoria de condições para as startups europeias. Mesmo com o Brexit, a maior parte das startups (britânicas) falou da Europa como um todo e da necessidade de encontrar soluções que beneficiem todo o continente. Se isso tem efeitos práticos e se é algo que vai ser benéfico para todos os mercados europeus, incluindo o português, é algo que vamos ter de ir observando nos próximos meses.
* * *
The Next Big Idea apresenta...

Anthropic. A nova rival da OpenAIFoi anunciado na semana passada que depois do acordo de 4 mil milhões de dólares com a Amazon, a startup poderá estar à procura de levantar mais “2B” desta vez vindos da Google. Falámos sobre a Anthropic na edição anterior da newsletter e do impacto que pode ter na guerra pela dominância no AI entre a Microsoft, a Google e a Amazon.
* * *
Vi algures na Internet 💻
SBF. Já há novidades do julgamento do ex-fundador da FTX, a plataforma de trading de criptomoedas que abriu falência no final de 2022.China. Muitos jovens adultos, a maioria saídos da universidade e a viver nos grandes centros urbanos, não consegue encontrar trabalho. Por isso, muitos têm uma nova descrição de apresentação no seu CV: "crianças a tempo inteiro". Sphere. Há um modelo de negócio muito interessante por detrás da nova infraestrutura mais conhecida de Las Vegas. Se os concertos dos U2 não fossem suficientes, os anúncios na face exterior interativa do pavilhão poderão custar qualquer coisa como 650 mil dólares por semana.Microsoft vs Google. Satya Natella, CEO da Microsoft, vai ser testemunha contra a Google num julgamento para determinar a posição monopolística do motor de pesquisa.Microsoft & Amazon contra o mundo. Está também em curso outro julgamento por práticas monopolísticas, desta vez com os serviços de cloud das duas tecnológicas - o Azure e a AWS. Curioso para ver se a Google será testemunha contra neste.Nobel da Medicina. Foi para a equipa que esteve por detrás da invenção das vacinas mRNA. Depois de anos a ver a sua investigação ignorada pelas principais publicações científicas, o mRNA é agora uma das criações que mais potencial demonstra para o futuro e longevidade de cada ser humano com potenciais curas para HIV e o cancro, por exemplo.AI. A semana passada foi pródiga em casos em que a cara e voz de celebridades foram usadas de forma errada. O ator Tom Hanks reportou que uma clínica dentária estava a utilizar a sua imagem para promover os seus serviços e o youtuber Mr. Beast partilhou um esquema de giveaways de iPhone 15 com o qual não estava de todo envolvido.Forbes. Mais uma edição das 400 personalidades mais ricas dos EUA.Google. Esta semana, a Big Tech apresentou o seu novo smartphone Pixel 8, bem como alguns produtos complementares.A maior ronda de investimento da semana passada foi para a Stoke Space, uma tecnológica da indústria espacial que levantou 100 milhões de dólares.Letterbox. A plataforma de recomendação de filmes foi vendida e poderá passar a incluir recomendações de séries também. Apostamos que serão quase tão boas como as do Acho Que Vais Gostar Disto, o podcast de cultura pop da MadreMedia.
* * *
Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abilio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








Copyright © , Todos os direitos reservados.O nosso endereço é:Quer deixar de receber estes emails?Pode clicar aqui. Mas não faça isso: isto está giro.